Na Linha do Tempo

4 Quando a noite estiver mais escura, é quando vai sair o Sol


Notas iniciais
Bom dia galera! Mais um capítulo fresquinho...espero que gostem! E como vou saber se estão gostando, ou odiando? Comentáriooooos por favor.. Até mais

“So kiss me like you wanna be loved

This feel like falling in love

We’re falling in love”

Passaram-se dias e eu não falei mais com ele. Apenas um oi ocasional, mas sabe...eu não conseguia manter uma conversa coerente quando ele estava por perto, então eu simplesmente pegava outro caminho. Teve umas duas vezes que o vi no ônibus, ele se sentou perto de mim, mas tudo que saía da minha boca era sim e não.

Eu não sei porque não conseguia conversar com ele. Eu não era assim...não era das mais comunicativas, mas nunca tive problemas em manter uma conversa coerente com um rapaz. Mas aqueles olhos azuis me paralisavam. E meu coração acelerava, e minhas mãos suavam...e eu deixava de ser eu mesma.

Uma vez minha mãe descreveu isso como sendo paixonite adolescente. Então talvez seja isso...Dean era minha paixonite adolescente, e ele não poderia saber disso.

Ele conseguiu emprego no mercado que a Sra. Patrícia tinha falado. E de vez em quando eu passava por lá, fingindo que estava comprando alguma coisa, só para vê-lo. E como ele estava no local de trabalho, não dava para ele ficar de conversinha comigo, o que para mim era ótimo, porque eu só queria.... Sei lá, olhar para ele.

Quando entrei no mercado, eu logo o vi. Estava arrumando uma enorme prateleira de um doce tradicional de Elizabeth Town. O gerente lhe dizia com o que a pilha deveria parecer.

— Não sei, mas eu quero mais como uma flor.

Dean o olhava prestando atenção. Me escondi no meio das prateleiras de cereal. Ele me viu e deu uma desculpa qualquer para o gerente e veio na minha direção. Eu sorri tímida. Eu peguei uma caixa de cereal para disfarçar.

— Sabe, você pode levar três por preço de duas. – Ele falou com um sorriso no rosto.

— Sério? Seria um ótimo negócio.

— Está precisando desesperadamente de cereal?

— Sim, tenho necessidades muito importantes. Obrigada.

— Bonito avental – eu falei.

— Bonito uniforme – eu estava vindo da escola, programei umas aulas extras com dois professores, então não tinha tirado o uniforme ainda, que era uma saia estilo escocesa, um casaco azul escuro e uma camisa azul clara por baixo.

— É você sabe...eu costurei os botões com linha dourada para me destacar na multidão.

Ele só me olhou, e me senti uma estupida com aquela piadinha sem graça, não era nada parecida com as piadas engraçadas que minha mãe conta. Eu balancei minha cabeça. Era melhor sair logo dali, por isso que eu não falava com ele. Só saia shit da minha boca.

— Melhor eu ir embora.

— Espera aí, eu estou no meu intervalo, quer um refri?

— Refri? Claro. Obrigada – eu o segui até os fundos do mercado, numa das últimas prateleiras, onde ficavam os freezers com os refrigerantes.

Ele estava na minha frente, pegou dois refris, e os escondeu nas costas.

— Certo, adivinhe o que tenho nas mãos, e você ganha um refrigerante.

Eu ri um pouco.

— Ok, o conceito ganhar um refrigerante é ser grátis. Não precisa suar para ganhar.

— Lamento, terá que merecer o jantar. – Ele fez uma cara de desentendido – ou o refrigerante nesse caso. Agora adivinhe.

— Está legal. – Eu fiz uma cara pensativa por um segundo, e me inclinei um pouco perto dele – nesta mã...

E ele me beijou. Na boca. Meu deus, ele. Me. Beijou. Na. Boca. Eu senti por uns segundos, seus lábios nos meus, o perfume dele invadindo meu nariz, fechei os olhos, e quis que ele não parasse. Mas ele parou e ficou ali me olhando, esperando que eu dissesse alguma coisa. Senti meu rosto queimar.

— Obrigada. – Foi tudo que eu disse.

E saí correndo. Com a caixa de cereal na mão. Parei na casa da Maitê. Entrei sem bater e sua mãe só me disse que ela estava no quarto. Entrei parecendo um furacão no quarto dela.

— Maitê – eu a chamei alto quando vi que ela não estava no quarto.

A porto do closet se abriu, Maitê estava lá dentro ouvindo música. Ela fez tipo um segundo quarto dentro do closet, com muitas almofadas no chão, e uma lâmpada multicolorida, era sua discoteca particular. Seus pais não eram fã de rock, ali era o único lugar que ela conseguia escutar suas músicas, sem ouvir a palavra drogas e demônio na mesma frase, ali e lá em casa.

— Que foi sua doida.

— Fui beijada – eu disse com um sorriso besta na cara. – E eu roubei uma loja – mostrando a caixa de cereal, eu sai correndo não deu tempo de passar no caixa.

— É sério? Quem você beijou? – Ela já me jogou na cama dela, e fez uma voz empolgada.

— O Dean.

— O garoto de Chicago?

— Sim.

— Você ficou com o garoto de Chicago? Oh My God.

— Foi tão rápido. Eu estava apenas parada ali.

— Onde?

— No mercado do Sr. Heitor.

— Ele te beijou no mercado?

— Sim, no corredor 4.

— perto do inseticida?

— Sim.

— É um ótimo corredor.

— O que define um ótimo corredor? – nós falávamos quase ao mesmo tempo, e dávamos pequenos gritinhos no final de cada frase. Estávamos muito, muito, muito animadas com aquele beijo, nós duas.

— Um corredor onde você é beijada, pelo garoto de Chicago com certeza é um ótimo corredor. – nós rimos.

— ai meu deus, eu não consigo respirar.

— tá tudo bem, quer deitar?

— não, não consigo, eu tenho – eu me levantei depressa – oh meu Deus ele me beijou. — eu fiquei andando de um lado pra outro.

— tudo bem — Maitê se levantou e pegou nos meus braços. – me conte tudo, nos mínimos detalhes.

— eu entrei no mercado, e ele me ofereceu um refrigerante. Então ele colocou dois para tras, me pediu pra escolher e me beijou.

— que inveja Charlie. Eu só tenho amigos feios, e idiotas.

— preciso contar para minha mãe. – disse indo em direção a porta.

— me liga depois, por favor. Quero ouvir essa historia de novo.

— ok.

*******

Quando cheguei em casa, estava um verdadeiro caos. Havia latas de massa de tomate, geleia, e garradas de agua e de suco por toda a cozinha, havia coisas espalhadas no chão, frutas e legumes estavam embaixo da mesa. E minha mãe estava com a cara enfiada dentro da geladeira enquanto falava com alguém no telefone.

— não vou fazer o barulho de novo. -ela dizia – não vou... – suspiro e ela deu um gritinho parecendo um animal no cio, sério, não sei como descrever aquele barulho que ela fez no telefone para alguém. – Olhe Jeronimo, eu não sou muito encabulada...mas não quero fazer esse barulho de novo. Então, pode por favor me dizer o que há de errado com minha geladeira ou me passe para alguém que possa me ajudar?

Pausa.

— obrigada.

Pausa.

— alô Gary. Ótimo. Ouça, minha geladeira está fazendo um barulho estranho. É um barulho agudo...o jeronimo ainda está ai? – Pausa — ok, mande-o fazer o barulho pra você. Ele sabe como é. Eu espero – pausa. – eu sei, parece ruim certo? – pausa – ok, o negócio é o seguinte. Mande alguém aqui amanha, entre as 08:00 e as 11:00hs. Porque eu tenho muito o que fazer e não posso ficar dois dias esperando um técnico chegar. – pausa – ótimo. Tchau.

Ela jogou o telefone enquanto dizia um palavrão,

— então eles vem amanhã? – perguntei um pouco animada demais.

— não. Daqui dois dias entre 08:00 e 17:00hs. Eu sou uma inútil.

— lamento.

— meu deus, olhe esse lugar. Está uma bagunça. Agora estou ranzinza e inútil. – ela urrou – geladeira estúpida. Técnicos idiotas – e ela deu um leve chute na geladeira. – odeio minha vida.

Ela entrou no quarto e bateu a porta. É aquele não seria um ótimo momento para falar do beijo, teria que esperar uma outra hora.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.