Na Linha do Tempo

2 Um sentimento muda tudo...muda o mundo


"Para que servem os dias?

Dias são onde vivemos. Eles vêm e nos acordam.

Um depois do outro.

Servem para nos fazer felizes.

Onde podemos viver senão neles?"

Days go Bye — Santiago Laserna

So lonely my love

Estava quase completando um mês ali. Eu acordei como todos os dias. Mas aqui era diferente...em San Francisco, dava apenas para ver a luz fraca do sol, o dia ficava meio cinza logo cedo. Aqui, o sol tinha uma cor vibrante, meio rosada, meio laranja logo cedo, e o céu...era de um azul hipnótico. O céu era bem mais bonito aqui. Mas acaba por aí.

As ruas não são bem asfaltadas, e eu tenho que tomar cuidado para não quebrar o pé enquanto corro. Deixe-me te dizer como essa cidade funciona, as 06:00hs ela já está funcionando a pleno vapor. Isso mesmo, aqui as pessoas acordam cedo.

Eu sempre fui meio considerada estranha por ter esse hábito de madrugar, mas aqui não, sou apenas mais uma na multidão, completamente normal. E eles te cumprimentam...isso mesmo, elas dizem bom dia, boa tarde, ou apenas um oi...mesmo se elas não fazem a menor ideia de quem você seja. Ah o nosso vizinho Alan, e a sua esposa Lace, trouxeram um prato de lasanha no nosso primeiro dia, e ajudaram meu pai a descarregar as malas, e os móveis. Isso mesmo, eles ajudaram de livre e espontânea vontade. O pessoal daqui é estranho, são gentis e simpáticos...mas sei lá, é estranho.

Há verde por todos os lados, árvores, grama, enfim...é como se as pessoas tivessem construídos as casas em volta das árvores...é bem legal. Há um lago bem bonito aqui perto de casa, e é aqui que deu corro todos os dias agora. Então é isso, faz um mês que estou aqui, na verdade 26 dias e meio. E nesses dias a única coisa útil que eu fiz foi correr e observar, e desempacotar minhas coisas. E cumprimentar as pessoas nas ruas.

Voltei para casa depois de uma hora, e meus pais estavam a mesa conversando sobre a cidade. É o assunto da família. John aparece de calça sem camisa, e sua cara de sono é impagável. Ele, diferente de mim, não curte acordar cedo. Enche um copo com suco de laranja, natural...nada de industrializado por aqui também. É bem rural.

— Bom dia gente — digo enquanto deixo meus tênis na porta de casa.

— Bom dia — respondem em uníssono.

— CHarlie — meu pai chama minha atenção enquanto pego um pedaço de bolo — soube que a escola aqui tem um excelente programa de atletismo. Aposto que eles ficarão felizes em ter você no time.

— Ah claro.

Eu ainda não havia começado com as aulas, minha mãe achou melhor ajeitar tudo em casa antes, e os papéis demoraram um pouco para chegar. Eu iniciaria oficialmente na próxima semana.

Achei uma ótima lanchonete, onde tomava sorvete todos os dias com o John. O supermercado era no centro, mas dava pra ir a pé tranquilamente. Nada aqui fica longe.

A Maitê apareceu a tarde. Era minha vizinha, não era muito difícil fazer amizade ali, pelo menos não com a Maitê. Ela era muito querida, e descobrimos que tínhamos os mesmos gostos pra música. Ela gostava de ouvir sobre a cidade grande, e sobre garotos...ah esse era nosso assunto preferido.

Eu segui à risca o meu acordo com a Any. Conversávamos todos os dias pelo MSN. Meus pais deixavam eu me conectar as 19:30hs e nós ficávamos uma hora fofocando. E eu escrevi até agora 4 cartas para ela. Uma para cada semana, e tinha recebido 3 dela. Acredito que a quarta chegue por esses dias.

Todos estão bem por lá...ela disse que sente muito minha falta, e eu sinto a dela. Por mais que tenha feito amizade com a Maitê, a Any sabia o que eu ia dizer antes de falar. Eu e Maitê ainda teríamos alguns anos de prática até chegar a telepatia.

O John está bem, o namoro a distância não aguentou a primeira semana, mas ele não ligou muito. Ele tem 18 anos, e tudo que pensa agora é em comprar um carro. Conseguiu até um emprego numa oficina perto de casa, especializada em carros antigos. Não preciso dizer que é o emprego dos sonhos dele.

Meu pai trabalha o dia inteiro, sai antes das 07:00hs e volta depois das 20:00hs, diz que ainda está em fase de adaptação na fazenda. É puxado, mas até agora está indo tudo bem. ]

A minha mãe, está sendo apenas a minha mãe por enquanto. Dona de casa, conselheira...eu gosto, eu nunca tive ela o dia inteiro pra mim. Ela sempre trabalhou. E preciso dizer que a Maitê simplesmente a amou. Ela é uma mãe bem diferente, isso eu posso garantir.

Fim da primeira parte do Capítulo 2

Notas finais
Olá gente! Não tive nenhum comentário, mesmo com as visualizações...=( Vou continuar postando, eu gostei muito dessa história. Mas só tive tempo de postar a primeira parte...semana que vem coloco a segunda parte do capítulo 2. Espero que vocês também gostem da história. é meio enrolação no início, mas logo a ação começa a surgir. Bjs *