Na Linha do Tempo

1 Let's go back to the start


Notas iniciais
Primeiro gostaria de me apresentar, meu nome é Juliana, sou formada em publicidade e propaganda, amo escrever...desde os tempos dos fóruns univision (descanse me paz). Amo ler, todos os tipos de livro...amo ouvir música, todos os tipos...e amo minha família. Tenho dois pequerruchos que são a razão do meu viver. Não sou tão velha, mas também a adolescência já ficou num passado não muito distante. rsrs. Essa é a primeira história que posto aqui, ela já esta quase terminada, mas vou postar um capítulo por semana. Espero que gostem.
Escutem as músicas junto com a leitura, acredito que vocês vão gostar.
Se quiserem comentar, também...eu não vou achar ruim.

Bjinhos *

Não sou nada.

Nunca serei nada.

Não posso querer ser nada.

À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

Irisdecent — Linkin Park

When you were standing in the Wake of devastation.

When you were waiting on the edge of the unknown.

2005

Eu esfreguei meus olhos escutando o barulho insistente do despertador, acho que o tentava desligar com o poder da mente, porque não queria me mover, não queria abrir os olhos, não queria olhar pela janela e ver a luz fraca do sol iluminando a cadeira que ficava próximo das cortinas.

Em outros dias, eu gostava de olhar aquele feixe de luz, simples, fraco, apenas um relance do sol que conseguia passar pelas grossas cortinas, avisando que mais um dia havia começado, não importava o que. Ah como eu gostava daquele feixe de luz..., mas hoje não. Fiquei ali mais uns segundos, não me irritando com o despertador, hoje não era isso que me irritaria.

Para o dia ser lindo, você precisa acordar sorrindo.

Então o dia seria horrível hoje! Porque eu não estava à vontade para sorrir...eu queria chorar. Mas acho que minhas lágrimas se secaram ontem. Chorei rios de lágrimas, e isso não é um clichê.

Suspiro...minha aparência deve estar assustadora, já que sinto meus olhos inchados se nem precisar tocar neles. Retiro a coberta aos poucos, abro os olhos, a escuridão ainda predomina no quarto, o deixando meio cinza. O despertador me avisa que eu tenho que levantar, então o obedeço.

Se pudesse me ver de fora, provavelmente pensaria que sou um zumbi. Passo as mãos nos cabelos, e não consigo evitar um bocejo. Desligo o despertador.

05:30hs. Tão cedo, mas já estou acostumada, anos acordando esse horário...porém diferente de hoje, eu me levanto animada, tomo um banho rápido, coloco meu short rosa, uma camiseta cinza ou preta, depende qual está limpa, e saio para correr...amo correr, desde pequena...corro todos os dias, desde que tinha uns 12 anos...participei de algumas competições na escola, atletismo...eu gostava do esporte, sentia-me livre quando corria. Gostava da sensação, quando sentia meus músculos queimavam, ouvir o barulho dos meus tênis no asfalto. Gostava de sentir o aroma das flores e árvores do bosque, onde eu corria. Gostava de ver os pássaros voando, gostava de ouvir minhas músicas preferidas...gostava do visual, gostava da paisagem.

Hoje não...eu simplesmente abro as cortinas, sentindo os raios de sol entrando pelo vidro da janela. E sento na cadeira, encolhendo as pernas. Olho pela janela e fico ali, apenas olhando o nada...fixando meu olhar no nada. A mente esvazia, os olhos lacrimejam... mas não choro, não há mais lágrimas.

— Charlotte! — escuto minha mãe nas escadas.

Outros dias responderia. Hoje não, fico em silêncio. Quem sabe ela desiste de mim? Quem sabe eles me deixam aqui?

— Charlotte! — escuto passos na escada, mas não me mecho, continuo encarando o nada. — não é possível que esteja dormindo ainda — escuto ela resmungando para si mesma e instantes depois, a porta do meu quarto se abre — Charlot... — minha mãe se cala.

Suspiro.

Ela fica na minha frente, eu não me mecho. Ela se ajoelha. Passa as mãos nos meus cabelos, e fica ali uns segundos apenas me olhando. Não faço ideia do que se passa na cabeça dela. Provavelmente está pensando em algo para me animar. Minha mãe é profissional em animar os outros, ela tem sempre a palavra certa, mas não hoje.

Então ela simplesmente fica ali me olhando. Mas eu não correspondo seu olhar, continuo a fixar meus olhos em uma manchinha no vidro da janela. E tento esquecer do que aquele dia representa.

— Filha! — ela fala com a voz mais maternal do mundo — Não é o fim do mundo Charlie.

Sinto meu sangue ferver. Meu coração acelera, as palmas da minha mãos suam. E em minha mente eu enxergo a mim mesma dando um tapa na minha mãe. Me assusto um pouco com o rumo dos meus pensamentos, mas não consigo evitar de sentir raiva...do toque dela sempre aveludado, sempre protetor, sempre aconchegante. Mas hoje não...eu fecho a cara, cerro os dentes e olho para ela. Percebo pela sua expressão que ela sabe que estou com raiva.

Ah esse dia vai ser ótimo.

— Não. Não — me desfaço dela, levanto bruscamente da cadeira, quase a derrubando. — Não me venha com esse papo de novo. Não vai mudar nada, não vai melhorar meu humor. Não vai me fazer aceitar, não vai fazer ficar mais fácil. Guarde para você esse sermão, ou para o John. Eu não quero ouvir.

Pego a coberta de cima da minha cama de qualquer jeito e começo a dobra-la com raiva, faço com a coberta o que gostaria de fazer com minha mãe. Novamente me assusto com minha raiva, mas não consigo evitar, e melhor descontar num pedaço de pano, do que fazer uma besteira e me arrepender pro resto da vida.

— Quer saber não sei para que vocês fazem essas estúpidas reuniões de família...se a minha opinião não vale nada, se eu não sou nada. Se o que eu penso não significa nada pra vocês. — As palavras são vomitadas da minha boca, a raiva faz a gente distorcer as cosias, distorcer pensamentos e situações — Só me deixa em paz mãe.

Ela se retira do quarto. Não fala nada, apenas sai dali, e eu caio na cama novamente chorando. Estava enganada. As lágrimas nunca se secam. Ouço o barulho lá embaixo, mas ninguém vem me incomodar, acho que minha mãe sabe que vou acabar magoando outra pessoa se alguém entrar aqui. Eu me arrependo pelas coisas que disse a ela, pelo modo como falei, mas minha raiva ainda é maior do que o arrependimento, então continuo com minhas palavras amargas em minha mente.

Olho no relógio já passa das 06:30hs. Resolvo tomar banho, ligo o chuveiro no quente e sinto a água escaldante cair na minha cabeça, umedecendo os fios aos poucos. Sinto a sensação no meu couro cabeludo e os pelos do meu corpo se arrepiam. A água está quente demais, mas não me importo.

A água continua seu percurso, molhando meu corpo, ajoelho no chão do chuveiro, e as minhas lágrimas se misturam com a água quente. Meu corpo treme, mas não de frio. A raiva vai embora, deixando um vazio novamente, um buraco no estomago.

Fico ali alguns minutos, e fecho o registro. Enrolo uma toalha em meus cabelos e visto o roupão.

Suspiro.

Entro no quarto e me deparo com John.

— Hey Charlie. — ele bate do lado da cama. Eu me sento e olho para minhas mãos.

— Não está sendo fácil né? — eu balanço a cabeça — não está sendo fácil para ninguém. Você entende isso? Você acha que está sendo fácil para ela? Pro pai? Para mim? — Eu aperto meus dedos, mas não o encaro — Eu também tenho amigos aqui, minha namorada. — Suspiro — A mãe tem o grupo de leitura, as amigas dela, o emprego, sua independência — suspiro — o pai, bom o pai não tem amigos, então acho que tá tudo certo pra ele — ele dá um sorriso e eu me pego sorrindo também.

— eu sei — suspiro.

— então porque todo o melodrama? Nós não vamos sair do planeta, apenas do estado.

— é que...- eu passo a mão no nariz e esfrego um pouco os olhos — nós estamos bem aqui, por que temos que ir embora?

— ah você sabe porquê, Charlie. crise, recessão...enfim, essas coisas chatas da vida adulta. Nós como filhos apenas baixamos a cabeça e vamos atrás deles, não é mesmo? — eu sorrio de novo, até parece que o John é de baixar a cabeça para alguém, mas sei que ele estava apenas tentando me animar.

— eu fui grossa com ela...

— Eu ouvi, ela não ficou magoada, ela te entende. Depois você pede desculpas e fica tudo certo. — ele dá um tapinha na minhas pernas — eu vou levar essas malas lá pra baixo.

Eu sorri pra ele. Estava me sentindo um pouco melhor. Mas não mais feliz. Eu sei que a culpa não é dos meus pais, mas eu precisava culpar alguém. Eu sei que milhões de pessoas se mudam todos os dias, que não é o fim do mundo, que é apenas mais um capítulo na minha vida. Mas como eu poderia não ficar triste? Eu tenho meus amigos aqui, minha vida está aqui...ele está aqui...

Sim, tenho 16 anos e estou apaixonada. Não é nenhum descobrimento nem nada, mas só o fato de não poder vê-lo nos intervalos das aulas, poder sentir o seu perfume quando ele passa por mim...suspiro. Eu ainda nem tive a chance de conversar com ele sobre o que eu sinto, quer dizer, conversar sobre nada na verdade.

Semana passada ele me disse oi no supermercado, mas sei lá...às vezes ele pensou que eu fosse familiar, mas não sabia exatamente de onde..., mas ele disse oi para mim, já era alguma coisa... e agora não passaria disso. A minha primeira paixão se resumiria em apenas um oi deixado ao vento no meio das prateleiras para ração de cachorro no supermercado do bairro.

Sou obrigada a me arrumar.

— Partimos em meia hora galera — meu pai grita.

É isso aí, acabou. Minha vida está acabada. A roupa que eu iria está solitária no guarda-roupa. Um short jeans, uma camiseta e minha jaqueta da sorte. Calço os tênis, prendo meus cabelos em rabo de cavalo. Coloco minha pulseira, passo um gloss, um lápis de olho, enfio as coisas dentro da bolsa. Pego o restante das coisas que ficou pra trás, jogo dentro da bolsa junto com meus itens de maquiagem de bolso. Dou um longo suspiro enquanto fecho a porta do meu quarto.

Passo os dedos pelas paredes do corredor, enquanto vou em direção a escada. Era apenas uma casa, mas foi minha casa durante muito tempo, passei muita coisa ali. Minhas amigas dormiram ali, brinquei, briguei com o John, assisti filmes, novelas, refeições foram partilhadas naquela casa. Agora pareciam fantasmas ecoando pelas paredes, eram tantas lembranças que seriam deixadas pra trás.

Minha mãe estava terminando de colocar os sanduíches no balcão, já que os móveis estavam todos dentro do caminhão. A casa estava vazia, e aquilo me deixava ainda mais deprimida. Abracei minha mãe e falei desculpas baixinho. Ela me apertou em resposta e sorriu, então estava tudo bem entre nós.

Comi meu sanduíche em silencio, enquanto meu pai mostrava empolgação em falar sobre a nova cidade. Sobre a fazenda. Segurei um sorriso forçado no rosto e tentava não suspirar. Sei que isso não ajudaria em nada. Coloquei meus fones de ouvido. Minha mãe terminou de limpar a bagunça e percebi que ela também suspirava enquanto olhava em volta. Como John disse, não seria fácil para ninguém.

Isso me animou um pouco, saber que não era a única que estava sofrendo ali. Às vezes saber que os outros também sofrem, ameniza o nosso próprio sofrimento. Entrei no carro, e o John sentou-se do meu lado. Olhei pela janela enquanto partíamos, meu pai continuava tagarelando, mas eu não prestava mais atenção, apenas aumentei o volume do som.

Eu tenho pais legais, são os melhores. Meu pai ajudou os meus amigos da escola a fazer uma festa de despedida pra mim surpresa. Isso mesmo, meus amigos não acharam estranho pedir a ajuda do meu pai, porque ele e minha mãe são assim, amigos dos meus amigos e eu não ligava, gostava até. E foi uma festa bacana, todo mundo que eu gostava estava ali. Minhas amigas de sempre...meus amigos, claro que ele não foi. O garoto por quem sou apaixonada, afinal ele não é meu amigo. E ninguém sabe que gosto dele. A Any sabe, mas ela não contou para ninguém. Ela queria convidá-lo, mas ele não me conhece e seria muito estranho. A Any...como vou viver sem ela?

Ela me fez prometer que além de conversarmos por MSN, e telefone TODOS OS DIAS, eu escreveria cartas detalhadas sobre tudo que eu faria lá, sobre as pessoas que eu conheceria, de preferência com fotos em anexo e ela faria a mesma coisa pra mim. Ela até prometeu que tiraria fotos dele, mesmo que fosse acusada de perseguição. E meu pai prometeu que assim que desse ele me deixaria visitar meus amigos, e que eles poderiam ir lá pra nossa nova casa sempre que quisessem.

Por isso que me sinto tão mal quando fico com raiva deles, porque sei que se eles pudessem escolher, nós não iríamos embora. Mas a situação não estava fácil, e meu pai não podia se dar ao luxo de recusar uma promoção..., mesmo que isso significasse se mudar. Enfim, o mundo não é justo.

E a vida é uma caixinha de surpresas.

Eu peguei no sono. Quando acordei, tínhamos rodado uns bons quilômetros, e paramos para almoçar. Tentava prestar atenção nas músicas que ouvia, e quando dei por mim...estávamos entrando na nossa nova cidade.

Bem vindo a Elizabethtown.

Notas finais
Tcharam...final do capitulo Um, espero que quem ler, goste. Não sei se terei leitores, masss..esperamos que sim.
Podem ficar a vontade para expressar suas opiniões sobre os personagens.
Algumas dicas.
Charlotte tem 16 anos, é estudiosa, ama ler, ouvir música (é meio que a minha versão adolescente)
John tem 17, quase 18 anos, não é muito estudioso, ama carros...ele vai aparecer mais nos próximos capítulos.
A Mãe da Charlie, é uma comédia, me inspirei em alguns seriados, e livros que li, e sinceramente espero ser a mãe que ela é um dia...
O pai da Charlie também é legal, mas ele vai fazer umas coisas que aposto que ninguém vai gostar.
A Any, infelizmente não vai aparecer tanto, apenas suas cartas...

E aí, quem aqui já se mudou igual a Charlie? Eu tive que me mudar quando era mais nova, e nossa..foi horrível...esse capitulo foi mais ou menos como aconteceu comigo...eu fiquei deprimida por semanas, parece que realmente é o fim do mundo..mas depois você conhece outras pessoas, e sei lá...se torna o seu novo lar. Vamos ver como a Charlie vai se sair...

Bjinhos*

(próximo capítulo na próxima semana)