NOVA: Era
5 Capitulo 5- Formas Finais
Notas iniciais
–Aquela garota, onde está? Preciso dela! Preciso dela! Se ela sair em público, se ela se revelar, o povo vai ter esperanças novamente, até mesmo a elite que eu alimento pessoalmente vai se virar contra mim!
Antoinett andava de um lado para o outro, no observatório.
– Eu vou atrás dela, preciso encontra-la e prende-la aqui!
– Majestade, não seria melhor mandar a mim e outros guardas negros?
– Fique quieto! Você é apenas uma velha projeção do meu consciente... de quando eu ainda cria que a humanidade poderia ser salva... Reúna todos da Guarda Negra! Vocês vão virar pó! Se tornarão maiores, mais fortes! Vão matar todos que eu mandar! Vão ser refeitos agora que minha mente humana está mais fraca! Vá, agora! Reúna todos!
– Sim, majestade.
O guarda negro se retira. Antoinett observa todos os seus soldados negros abaixo do observatório onde está. Ela levanta seus punhos, fecha os olhos. Com um grito de dor e fúria, ela abaixa seus braços. Todos os guardas negros viram pó. Agora ela reabre os olhos, encarando o chão com o pó negro, que agora se contorce, virando milhares de soldados negros, carregando armas massivas e armaduras tão resistentes quanto tanques.
Gritando acima deles, dá ordens:
– Agora, sejam pacientes! Nova será capturada por vocês, juntos a mim. Todos que tentarem protegê-la devem ser mortos! Aguardem o tempo certo! Nova vai se cansar, eu sinto! Ela ainda está forte... logo sucumbirá por vontade própria, então nós atacaremos!
Os soldados negros levantam suas armas e fazem a continência à sua rainha. Antoinett volta aos seus aposentos, fecha a porta e se joga na cama, chorando.
– Não se preocupe, minha criatura.
Ela se senta, ouvindo a voz que ecoa em sua memória.
– Você está prestes a terminar seu destino. Aniquile aqueles que se opuserem à você. Salve Nova. Proteja ela. Ame-a. Faça a sociedade perfeita que tanto planejamos, presos neste mesmo palácio, sob mil metros do solo, no calabouço do infeliz Mortin.
– Jayce, meu amor, nosso destino não acabará tão cedo. Sua filha é muito forte. Mas eu encontrarei um jeito!
Antoinett passa uma mão sobre o próprio rosto e a outra, ergue no ar, como se acariciasse outra pessoa, tendo imagens de Jayce, seu criador, em sua frente.
– Logo, minha criatura, logo...
Sua ilusão desaparece no vento. Ela cai sobre a cama, exausta, e dorme na luz do dia. Não muito após o amanhecer, ela desperta. Vai até o salão para sua refeição. Anda por todo o palácio. Pelo quarto de Nova, pelo salão comunal, pela cozinha, pelos quartos dos empregados, humanos e androides, pelo observatório, pelo laboratório -o calabouço onde foi finalizada.
Antoinett tenta limpar sua mente e calcular um ataque perfeito. Ela sucumbe ao cansaço novamente. Volta ao seu quarto e dorme. Amanhece com seus empregados humanos gritando e androides sendo arremessados. A nova trupe misteriosa deixara Nova para trás e atacou o palácio, destruiu tudo, deixando apenas o quarto onde a rainha estava. Ela tenta gritar, mas não consegue, está amarrada e amordaçada. Vários rebeldes a atacam, com espadas, lanças, flechas, fogo, gelo, raios, animais, insetos, feitiços e maldições. A rainha abre os olhos, grita, suada sobre a cama, desesperada, inquieta. Ela comunica e pede ajuda à única pessoa em quem ela pode confiar.
– Antoinett está perturbada. Algo está ocorrendo com a rainha- diz a médica à August, que fez uma visita para cuidar dela- Ela deve estar estressada, com tudo que está acontecendo na capital... Até porque certamente, ela não deve estar preocupada com nada... não é?
– Não, apenas assuntos da coroa – diz August- honestamente, não consigo pensar em nada que possa estar perturbando ela, quero apenas que ela fique bem, como toda a população deve querer também, mas lembre-se que isso não deve sair destas paredes, eu digo isso e sou jornalista.
Enquanto isso, gachadas num canto, Nova e Uno- a leitora- brincam com a mente de Antoinett, causando ilusões realistas, perturbando a rainha com dor e medo. Nova conseguiu formar grandes amizades com os grandes magos reunidos à Key, o conjurador, líder do primeiro grupo dos rebeldes. Grupo que perdera muitos soldados, restando apenas os mais fortes.
“Key- o conjurador- Conjura animais ou objetos para ajudá-lo em batalhas ou no cotidiano. Machuca seu corpo sempre que faz alguma projeção.
Anno- O guardião das sombras- pode se projetar nas sombras, controla-las e criar seres atormentadores para vigiar algum lugar.
Uno- a leitora- lê e controla a mente de qualquer pessoa, podendo criar ilusões ou apagando a memória destas. Porém gasta muita de sua energia, nunca saindo do esconderijo.
Bulrock- o escudo- consegue projetar escudos nele ou em qualquer outro em seu campo de visão. Muito pesados, os escudos podem deixa-lo lento, por isso gosta de sempre ir à frente de seus companheiros.
Kil e Kay- as gêmeas- se completam usando fogo(Kil) e raios(Kay), lutando juntas e nunca se separando.
Gondor- o transmorfo- pode se transmutar em outros seres, como pessoas e animais.
Aliados poderosos, de fato...muito preciosos” — pensou Nova.
No outro dia, pela manhã, Key e Nova saem do esconderijo, para testar suas habilidades .
– Você está pronta para mostrar o que consegue fazer?
– Estou!
– Comece então! O que está esperando?
Nova se concentra, seus olhos reluzem, assim como braços e pernas.
–Pouco, não acha? Ainda não consegue projetar nada fora do seu corpo?
Nova pensa, não consegue pensar em nada que possa fazer com seus poderes. Ela enfraquece, não mais reluz, desistiu, caiu de joelhos no chão e com lágrimas nos olhos diz:
– Sou uma inútil! Não consigo fazer nada!
Anno sai pela pequena porta sob os galhos de uma árvore e contradiz o que a garota acabara de pronunciar, encostando um ombro na parede.
– Você é filha de tecnomagos, certo? Porque não tenta fazer uso desse poder para construir algo que possa utilizar?
– O garoto está certo – diz Key- Tente usar estes restos de naves espalhados pela floresta. Tente usar tudo que está em seu campo de visão, tente fazer deles algo que lhe ajudará no que quiser fazer.
Nova, agora motivada, volta a reluzir. Pela primeira vez, utilizará seus poderes fora de seu corpo. Ela encontra grandes asas de um jato caído a anos. Após alguns segundos, as asas começam a cintilar. O metal denso se dobra como papel. São desmanchados no ar. As turbinas voltam a rodar, tomando rumo para as costas de Nova. Os outros pedaços metálicos se ligam às turbinas, tudo agora, não mais brilha, apenas a parte ligada à Nova, que pula e permanece no ar.
–Eu...fiz asas!? Eu... consegui...
A garota, agora com fala fraca, começa a cair, suavemente toca o chão. Uma mecha de seu cabelo se torna preta, o restante se torna branco. Sua pele fica mais pálida, quase branca. Seu olho agora muda de cor. O azul que ali estivera, agora é preto, deixando-a com um olho de íris preta e outro de íris azul.
–Esta é a forma final dela? – Pergunta Anno.
– Sim, ela está igual a mãe. Logo ela voltará ao normal...
Passadas algumas horas, Nova desperta, dentro de seu novo quarto no esconderijo. Anno, Kil e Kay estão lá. Ela olha para os três, conversando nas outras camas, ao lado da dela.
– O que houve? –pergunta Nova.
– Você conseguiu...- diz Kil sorrindo- fazer asas- completa Kay.
– Foi mesmo bem incrível- diz Anno- Você conseguiu ficar estável mas caiu e revelou sua forma final,
– Forma final? O que é isso?
– Você realmente não teve...-Kil- muito contato com a magia, né?- Kay.
– Na verdade não, ainda não consigo compreender como que flutuei quando fui atrás de August, o homem sombra.
– Eu pensei em uma teoria- contesta Anno- Você estava com traje real, onde o vestido é revestido com ligas metálicas para dar a forma. Talvez você tenha usado o metal e a eletricidade que passava até os portões para pegar impulso e segui-lo.
– Talvez... mas o que seria essa forma final?
– É quando um mago chega em sua força máxima!- Kil- Geralmente ocorrem mudanças físicas e pscicologicas- Kay- Você pode mudar seu foco dentro de uma missão- Kil- ou então muda sua aparência, fazendo com que seu corpo se aceite e libere toda a sua energia- Kay.
– Entendi... como eu fiquei, Anno?
– Olhe você mesma- Anno levanta um espelho quebrado num canto e o coloca à frente de Nova.
– Eu fiquei...bem... diferente, não?
– Eu diria que ficou mais bela- diz Anno, sussurrando.
Todas as luzes foram apagadas, o velho prédio do início da nova era, abandonado, longe da capital ou de qualquer outra cidade, ficou escuro novamente, perdido em meio à floresta densa.
Na tarde seguinte, todos foram encorajar Nova em seu treino.
– Vamos ver o que mais você faz- diz Anno- Tente criar as asas novamente.
– Vou tentar.
Nova, utilizando as mesmas peças que deixara no chão no dia seguinte, recria as asas e se conecta a elas. Levanta voo e desta vez, consegue se movimentar. Ela entra em sua forma final e assim, voa mais rápido, mais alto. Olhando todos os seus companheiros aos seus pés, ela sente a brisa fria voando em seus cabelos brancos. Key, em terra, dá uma ideia:
– Que tal ir para baixo do solo? O céu está bem clichê, não acham?
Nova olha para cada um de seus aliados. Logo suas asas retomam seu brilho e se transformam em enormes luvas metálicas, leves apenas para Nova. Ela quebra uma parte do chão, tão profundo que chega na parte rochosa do lugar. Ela, dentro do enorme buraco que cavara, se mostra ofegante, libera as placas metálicas e sai de sua forma final. Bulrock resgata a jovem e a leva para dentro do esconderijo.
Dentro de seu quarto, Antoinett consegue encontrar a fonte de poder que sente, encontra o acampamento de Nova, marcando o local de ataque. Ficando insana, a rainha não mais deixa seus aposentos, apenas planejando um ataque contra os aliados de Nova e uma forma de aprisioná-la, saciando assim sua sede irracional de paz a partir da violência.
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