NOVA: Era
4 Capítulo 4- Seja
Notas iniciais
Abri meus olhos, não vi nada além de uma pequena luz verde flutuando bem longe de mim. De repente, a luz fica mais forte, mais forte, maior e mais brilhante, até que toda a sala esteja acesa, várias pessoas olhando para mim, em uma plataforma superior, outras ao meu lado.
– Quem são vocês, o que querem de mim?
– Amigos, Nova, apenas queremos conversar. Creio que se lembra de Anno- surge o mesmo homem que aparecera no palácio- Lembra, não lembra?
– L...Lembro..
– Que bom, soltem-na! – Laços brilhantes e rosa que me prendiam agora afrouxaram e caíram- Levante-se, Nova.
– Onde estou, quem são vocês? Não vou perguntar novamente- Meu rosto brilhou, meus braços enrijeceram, senti-me forte, mesmo com medo. Entrei em forma de batalha, assim como qualquer outro androide.
– Não precisa disso, estamos entre amig...
– Não conheço nenhum de vocês, me mostre onde é a saída, antes que eu mate todos!
Surge do nada um homem com não menos de dois metros, atrás de um escudo azul-escuro, como se protegesse o que parecia ser o líder deste grupo.
–Bulrock, guarde seu escudo, não vamos machucá-la- Olhou para mim e levantou o braço na direção oposta- Se quiser ir vá, mas caso queira saber a verdade sobre a revolução fique aqui.
– A verdade? Como você saberia a verdade?
– Você não sofreu nenhum acidente, seus pais estão vivos, você não é um ciborgue...
– Chega, pare de mentir, você é apenas mais um rebelde!
– Garota, não teria arriscado tanto a vida de um dos melhores- olhou para o garoto Anno- Apenas para tentar lhe convencer de vir com ele, para cá, mas não houve outro jeito. Estamos desesperados, a nação está em caos desde que Antoinett assumiu o comando.
Sai da forma de guarda e me sentei.
– Conte-me tudo! Se você mentir, eu te mato!
– Há 20 anos, você nasceu e não sofreu nenhum acidente. Você era apenas um bebê, mas com um potencial extremamente alto, filha de um casal muito importante para o mundo, o casal de Ann Marie Lightsav e Jayce Lightsav, tecnomagos projetantes do primeiro ciborgue que já existiu. Criaram um ser tão perfeito e tão poderoso, mas que causou revolta, medo, visto que as pessoas temem aquilo que não conseguem entender. Eles eram muito amigos da Coroa, amigos do rei Moldin, por isso viveram no palácio até que a notícia fosse esquecida. O rei ainda não tinha uma rainha, traiu seu melhor amigo, Jayce, roubando sua esposa Ann e isolando-o junto ao ciborgue. Ann estava sendo controlada pela persuasão, poder mágico do rei Moltin. O povo não sabia de nada. Jayce continuou a projetar o ciborgue sozinho, tendo quase nada como material. Não muito tempo depois, ele terminou o projeto, pelos meus cálculos, você tinha apenas dois anos, por isso não se lembra. Seu pai usou o ciborgue para fugir, matou sua mãe pela traição, te levou com ele te escondeu nas sombras...
– Não, não pode ser!
– É uma história triste- disse Anno- Era sobre isso que gostaria de falar com você.
– Continuando, ele te deixou em criogenia, mas neste período, ele faleceu, deixando o ciborgue livre, apenas com o ódio e remorso de seu criador, a vontade de vingança e o desprezo pelo rei e seus ideais. O ciborgue enganou o rei, se fez a rainha dele, tomou o reino e ordenou que criassem mil mentiras para te manter próximo a ela, te proteger, mas castigar o restante da humanidade. Mas você cometeu um erro. Você mostrou sua forte magia para ela, ao ir atrás de August e ao tentar atacar Anno quando ele foi até você.
– Mas...
– Estamos aqui para te ajudar. Queremos expandir seu potencial mágico, já que você é puramente humana. Queremos acabar com a tirania de Antoinett... mas para isso, precisaremos de você! Queremos que se junte à nos... Queremos que você SEJA uma de nós!
– Você está conosco? – disse Anno, estendendo a mão a mim.
– Eu... não estou com vocês...
Todos olharam, fixamente para mim, enquanto abaixava a cabeça. Comecei a sentir uma vibração vindo de mim, algo que nunca senti. Levantei da cadeira, olhei para cada um deles:
– Eu SOU uma de vocês!
Todos voltaram a ter uma expressão sorridente em seus rostos. Enxergaram uma nova esperança. Vi então cada um, de verdade, tecnomagos que queriam apenas liberdade, queriam um mundo justo, onde todos poderiam se ajudar. Eles festejaram, mas eu sentia que, de alguma forma, Antoinett me observava, me queria, me desejava.
–Não vou voltar para o palácio, aquela bruxa vai continuar me desejando.
– É isso ai, Nova! Agora, juntos, poderemos acabar com ela! Está na hora de aquela ciborgue sentir tudo que ela fez conosco.
“Talvez agora, eu encontre a paz. Ainda há muito a se descobrir, até sobre mim mesma, eu hei de descobrir, mas agora, isso me basta. Eu sou Nova Lightsav, vou vingar minha mãe e acabar com a tirania que apodrece esse mundo!”
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