Os dias foram passando…

E, pouco a pouco, o plano começava a ganhar força.

Ted Frank havia conseguido um trabalho no laboratório. Oficialmente, era apenas mais um profissional integrando a equipe…

Mas, na prática, fazia questão de estar sempre por perto de Sara Sidle.

Um café aqui. Um lanche ali.

Uma ajuda “coincidente” em casos.

Sempre com um sorriso fácil… e uma intimidade que vinha do passado.

— Lembra quando a gente virava a noite estudando em San Francisco? — dizia ele, apoiado na bancada.

Sara ria, de forma natural.

Gil Grissom estava cada vez mais incomodado.

Os olhares. As risadas.

A proximidade constante entre Sara Sidle e Ted Frank.

Mas, fiel ao seu jeito… ele não falava nada.

Guardava. Observava.

E, pior… desabafava com a pessoa errada.

Heather Kessler.

— Eu sei que não é nada… — dizia ele, tentando se convencer, mas isso está me incomodando.

Heather, por dentro, comemorava.

Por fora… era compreensão pura.

— É normal, Grissom… — respondeu, com suavidade — vocês acabaram de casar… e aparece um homem do passado dela…

Fez uma pausa calculada.

— Ainda mais alguém que já teve algo com ela…

Ele desviou o olhar, absorvendo aquilo.

— Você não acha estranho?

Pronto.

A semente estava regada.

Enquanto isso, no laboratório…

Catherine já havia percebido tudo.

Os olhares de Grissom.

Os olhares de Grissom.

A forma como ele ficava mais fechado quando Sara e Ted estavam por perto.

Ela não deixou passar.

— Você pode negar… — começou, firme — mas eu vi. Você está incomodado com essa aproximação da Sara com o Ted.

Grissom suspirou, impaciente.

— Sara não é criança, Cath… não preciso falar nada.

Catherine cruzou os braços.

— Grissom, vocês estão casados há dois meses.

Se aproximou um pouco mais.

— Sabia que casal conversa? Que, às vezes, discutir a relação faz bem?

Ele ficou em silêncio.

— Ficar de cara fechada, sendo ríspido, sumindo… isso não resolve nada.

Ela abaixou um pouco o tom.

— E, aliás… a Sara está incomodada com isso.

Ele olhou para ela, surpreso.

— Como você sabe disso tudo?

— Porque ela fala comigo — respondeu, direta — fala sobre seus sumiços… sobre você estar estranho.

Pausa.

— O que está acontecendo, Griss?

Ele desviou o olhar, claramente desconfortável.

— Nada está acontecendo!

Catherine o encarou por alguns segundos… analisando.

— Em outros tempos, eu diria que você está se encontrando com a Heather, mas depois de tudo que ela fez…

Ela parou no meio da frase.

Porque viu a reação. O nervosismo repentino. O olhar tenso.

Silêncio.

— Grissom… — disse, mais baixo — eu não acredito…

Os olhos se arregalaram.

— Você está se encontrando com aquela mulher?

Ele passou a mão no rosto, já irritado.

— Cath… ela me pediu desculpas.

— E daí?!

— Ela está sozinha… sem amigos… e eu gosto de conversar com ela…

Catherine soltou um riso sem humor.

— Você está ouvindo o que está dizendo?

Se aproximou, firme.

— Você está colocando essa “amizade” acima do seu casamento?

— Claro que não! — respondeu ele, na defensiva — eu gosto da Heather, mas eu amo a minha esposa!

A voz saiu mais forte.

— A Sara, o Augusto e a minha mãe são tudo pra mim!

Catherine suavizou o olhar… mas manteve a firmeza.

— Então deixa eu te dar um conselho de amiga…

Pausa.

— Se a Sara descobrir esses encontros…

O silêncio ficou pesado.

— Tudo isso que você acabou de falar… pode evaporar.

Aquilo o atingiu forte.

E, antes que ele pudesse responder… O telefone tocou.

Cortando o momento.

Mas não o problema porque agora… Ele estava ainda mais evidente.

O telefone ainda ecoava na sala quando Gil Grissom atendeu.

— Grissom…

Do outro lado, a voz suave e já conhecida.

Heather Kessler.

— Pensei em você… — disse ela, em tom quase íntimo — será que podemos tomar um café?

Ele hesitou.

Olhou para, que ainda estava ali, braços cruzados, claramente esperando a resposta.

— Heather… eu estou no trabalho…

— É rápido… — insistiu ela — eu realmente preciso conversar com você.

Pausa.

— Por favor…

E aquele “por favor”… Foi o suficiente.

— Tudo bem… — respondeu, baixo — passo aí mais tarde.

Catherine fechou os olhos por um segundo, como quem já esperava por aquilo… mas ainda assim se irritava.

Ele desligou.

O silêncio na sala ficou pesado.

— Sério isso, Grissom?

Ele não respondeu de imediato, apenas respirou fundo, tentando se manter firme.

— Eu só vou conversar, Cath…

Ela deu uma risada incrédula.

— Só conversar?

Deu um passo à frente.

— Você acabou de ignorar tudo que eu te falei!

Ele passou a mão no rosto, já irritado.

— Eu sei o que estou fazendo!

— Sabe mesmo? — rebateu, mais firme — porque, pelo que eu estou vendo, você está caminhando direto pro erro!

Silêncio. Pesado.

— Já te aconselhei… — disse ela, agora mais fria — depois não diga que eu não te avisei.

Virou-se, claramente irritada, e saiu da sala.

A porta se fechou com força.

E ali ficou… Gil Grissom parado, respirando fundo.

O peso das escolhas começando a apertar… mesmo que ele ainda insistisse em ignorar.

Seguindo exatamente o plano traçado por Anthony Hertz, Ted Frank aproveitou um momento tranquilo no laboratório para se aproximar de Sara Sidle.

— Ei… depois do plantão, você pode me mostrar aquela sorveteria que você comentou?

Ela levantou o olhar, sem desconfiar de nada.

— Aquela perto da Strip?

— Essa mesma… — respondeu ele, sorrindo — ainda estou meio perdido por aqui…

Sara deu um leve sorriso.

— Claro, eu te mostro sim.

Para ela, era algo simples, um favor.

Nada além disso, mas, como sempre, havia algo por trás.

Mais tarde, já se preparando para sair, ela decidiu avisar ao marido sobre o favor que faria o amigo, não o encontrou na sua sala.

SS: Onde esta esse homem??

Ligou para ele e nada dele atender.

O supervisor havia saído mais cedo para realizar uma bateria de exames, incluindo alguns de fertilidade. Ele mantinha esse desejo em segredo, mas no fundo, Grissom ansiava por um filho com Sara. Sabendo que ela não estava utilizando métodos contraceptivos, a ausência de uma gravidez começava a intrigá-lo silenciosamente.

Ao deixar a clínica, seus pensamentos foram interrompidos por um encontro inesperado com Heather.

— Está doente, Gil? — ela perguntou, analisando os papéis em sua mão. — Por que tantos exames?

Sem ver motivos para esconder a verdade de uma amiga de longa data, ele explicou suas intenções. Heather ouviu com atenção, e um brilho perspicaz surgiu em seu olhar. Enquanto conversavam, ela discretamente digitou uma mensagem rápida para seu cúmplice, Anthony, alinhando os detalhes de um plano que acabara de arquitetar.

“Temos um novo caminho. Exame de fertilidade do Grissom… dá pra mexer nisso?”

— Vamos tomar um sorvete comigo? — convidou ela, retomando o foco para Grissom.

— Sorvete logo cedo, Lady Heather? — Ele arqueou uma sobrancelha, conferindo o relógio.

— Sim, estou com um desejo súbito! — ela insistiu, com um sorriso enigmático.

— Tudo bem, mas não posso demorar. A Sara já anda bastante incomodada com os meus sumiços ultimamente.

O clima na sorveteria estava pesado, contrastando com a manhã ensolarada. Ted falava sem parar, tentando preencher o vazio deixado pelo silêncio de Sara, que apenas encarava o horizonte, absorta em seus próprios pensamentos.

— Eu falei, falei e você não disse uma palavra — comentou Ted, parando de comer. — O que está acontecendo, Sara?

— Nada... só estou com alguns problemas na cabeça.

— Problemas que atendem pelo nome de Grissom? — ele rebateu, direto.

Sara suspirou, finalmente cedendo à necessidade de desabafar.

— Ted... eu realmente não sei. O Griss anda estranho, distante. Ele nunca foi assim comigo. Quando tento perguntar o que está havendo, ele se esquiva, não responde. E o pior é que parece ser algo só entre nós, porque com nosso filho ele continua o mesmo de sempre.

Ted a observou por um momento, e um brilho de ressentimento e admiração surgiu em seus olhos.

— Quando ouço você falar com tanta empolgação da sua família, não consigo evitar a inveja. Me sinto um idiota por ter perdido você... uma mulher tão linda, tão maravilhosa...

— Ted, por favor, não comece — ela pediu, desconfortável.

Mas ele não recuou. Diminuindo a distância entre os dois na mesa, ele buscou o olhar dela com intensidade.

— Sara, eu nunca te esqueci. Eu ainda te amo. Se o Grissom não te quer mais, eu quero!

Nesse exato momento, o carro de Grissom estacionava do outro lado da rua. Lady Heather, com seu olhar de águia, não demorou a apontar para a calçada da sorveteria.

— Aquela ali não é a Sara, Gil?

Grissom seguiu o gesto dela. O mundo pareceu desacelerar quando ele viu Ted se inclinar e selar os lábios de Sara em um beijo. O choque o atingiu como um soco no estômago, transformando toda a sua esperança matinal em uma geada súbita.

Sara sentiu o sangue congelar. O susto foi tão paralisante que o mundo ao redor pareceu ficar sem som por alguns segundos. Quando seus sentidos voltaram, a reação foi instintiva e brusca: ela empurrou Ted com toda a força que tinha, fazendo-o perder o equilíbrio e cair sentado no chão da calçada.

— Ficou louco, Ted?! — Sara exclamou, a voz trêmula de indignação. — Você sabe muito bem que sou casada! Como se atreve a me beijar assim?

Sara sentiu o sangue congelar. O susto foi tão paralisante que o mundo ao redor pareceu ficar sem som por alguns segundos. Quando seus sentidos voltaram, a reação foi instintiva e brusca: ela empurrou Ted com toda a força que tinha, fazendo-o perder o equilíbrio e cair sentado no chão da calçada.

— Ficou louco, Ted?! — Sara exclamou, a voz trêmula de indignação. — Você sabe muito bem que sou casada! Como se atreve a me beijar assim?

Ted limpou a poeira da calça, levantando-se com uma expressão de súplica, sem demonstrar arrependimento.

— Sara, eu sou louco por você! Está na cara que seu casamento não vai bem. Me dê uma chance de te fazer feliz de verdade, como você merece!

— Eu não quero ouvir mais nada — ela cortou, com uma firmeza cortante. — O meu casamento e o que acontece entre mim e o meu marido só diz respeito a nós dois. E eu o amo, Ted. Com licença!

Sem olhar para trás, ela caminhou apressada em direção ao seu carro. Ted ainda tentou segui-la, chamando seu nome e insistindo em ser ouvido, mas Sara já estava destravando a porta, querendo apenas fugir daquela situação desastrosa.

Do outro lado da rua, o cenário era de pura tensão vulcânica. Grissom já estava com a mão na maçaneta do carro, os olhos fixos em Ted, com uma expressão que raramente alguém via no rosto do entomologista: fúria pura.

— Heather, me solta! — Grissom rosnou, tentando se desvencilhar do braço da amiga, que o segurava com uma força surpreendente. — Eu vou lá agora falar com aquele abusado!

Heather não cedeu. Ela manteve o aperto, o olhar frio e calculista fixo no dele.

— É mesmo, Gil? Vai lá? — ela questionou, com uma calma provocativa. — E o que você pretende dizer para a Sara quando ela nos vir juntos aqui? Como vai explicar que estava em uma sorveteria comigo enquanto ela achava que você estava trabalhando?

Grissom estancou. O argumento de Heather atingiu o alvo. Se ele atravessasse aquela rua agora, o beijo de Ted não seria o único problema; a presença de Heather ali transformaria o mal-entendido em uma guerra de desconfiança mútua.

— Olha, você me desculpe, mas eu preciso ir para casa — disse ele, a voz rouca pela tensão. — Vou te dar uma carona de volta agora mesmo.

— Não precisa, Gil. Vou ficar mais um pouco por aqui e depois pego um táxi — Heather respondeu, mantendo aquele sorriso enigmático que ele não conseguia decifrar no momento.

— Te ligo depois.

Para selar a despedida, Heather se aproximou e depositou um beijo demorado no rosto de Grissom, um gesto que, de longe, carregava uma intimidade perigosa.

O que nenhum dos dois percebeu foi o carro que reduzia a velocidade na pista ao lado. Dentro dele, Jim Brass e Catherine Willows observavam a cena com total incredulidade.

— Eu não acredito no que estou vendo... — Brass comentou, apertando o volante. — O Grissom está se envolvendo com a Heather de novo? Ele deu uma sugerida nisso outro dia no bar, mas eu não quis acreditar.

Catherine, que já estava com os nervos à flor da pele com o comportamento estranho do amigo nos últimos dias, balançou a cabeça negativamente.

— Descobri isso hoje — ela confessou, com um tom de decepção. — Eu sinceramente não sei o que ele tem na cabeça para arriscar tudo desse jeito.

Sara entrou em casa tentando controlar a respiração e o tremor nas mãos, mas o rosto pálido e os olhos marejados entregavam que o encontro com Ted tinha sido um desastre. Augusto, que estava na sala, percebeu a agitação da mãe no mesmo instante em que ela cruzou a porta.

— Aconteceu alguma coisa, mamãe? — perguntou o menino, aproximando-se com uma expressão de preocupação genuína.

Sara forçou um sorriso, tentando transparecer uma calma que não sentia para não assustar o filho. Ela se abaixou, acariciando o rosto dele.

— Oi, filho! Não se preocupe... a mamãe só teve um momento desagradável na rua, mas já, já vou estar melhor. Vamos para a escola? Não quero que você se atrase.

Ela pegou a mochila do menino e as chaves do carro, guiando-o para fora com pressa, querendo deixar aquele sentimento ruim para trás. Justo quando ela fechava a porta e se dirigia ao veículo, o carro de Grissom dobrou a esquina e estacionou na frente da casa.

Grissom desceu rápido, com o coração ainda acelerado pelo que vira na sorveteria, mas não foi rápido o suficiente. Ele viu Sara colocando Augusto no carro e dando a partida sem sequer olhar para os lados. O motor roncou e ela saiu em direção oposta, deixando o supervisor parado no meio da calçada, observando as luzes traseiras do carro da esposa sumirem ao longe.

Grissom sentia o ar pesado dentro de casa. O silêncio das paredes parecia amplificar a imagem de Ted se aproximando de Sara, e o fantasma da dúvida começou a torturá-lo. Precisando de espaço para processar o turbilhão de emoções, ele chamou Hank.

— Vamos, garoto. Preciso caminhar — murmurou, prendendo a coleira no cão.

Enquanto andava pelas ruas do bairro, Grissom não era o cientista analítico de sempre. O medo da perda, um sentimento que ele raramente se permitia sentir com tanta força, o dominava. Ele repassava cada momento recente, tentando entender se o seu próprio distanciamento, mesmo que motivado pelo desejo secreto de aumentar a família, tinha aberto uma brecha para que alguém do passado de Sara ressurgisse. Ele a amava com uma intensidade que poucas pessoas conheciam, e a simples ideia de uma vida sem a presença dela era um vazio insuportável.

Hank parecia perceber a tensão do dono, caminhando calmamente ao seu lado. Após cerca de quarenta minutos, Grissom decidiu que era hora de enfrentar a realidade. Ao dobrar a esquina, viu o carro de Sara na garagem.

Ele entrou em casa em silêncio. Foi então que ouviu o barulho da água caindo no andar de cima.

Sara estava no banho.

Grissom sentou-se na beira da cama, no quarto do casal, ouvindo o som do chuveiro.

Grissom não queria palavras, queria proximidade. Em um impulso movido pela urgência de reafirmar que ela era dele e que ele era dela. Ele se despiu rapidamente e entrou no box, deixando que a água quente atingisse seu corpo enquanto envolvia a cintura de Sara.

— Opa! Está ocorrendo uma invasão no meu banho! — Sara exclamou, soltando uma risada genuína, o primeiro momento de leveza desde o incidente com Ted.

— Quer que eu saia ou posso ficar? — ele perguntou, a voz rouca, os olhos fixos nos dela com uma intensidade que a fez estremecer.

— Óbvio que quero você aqui... especialmente se for para esfregar minhas costas — ela respondeu, rendendo-se ao toque dele.

Mas a lavagem das costas rapidamente se transformou em algo muito mais profundo. Havia uma fome diferente no toque de Grissom; não era apenas desejo, era uma necessidade quase desesperada de conexão. Ele a beijava como se estivesse tentando gravar seu amor na pele dela, eliminando qualquer rastro do mundo exterior.

O vapor do chuveiro embaçou o vidro enquanto os dois se perdiam um no outro. O que começou sob a água logo transbordou para o quarto, em uma entrega total que fez Sara esquecer o mal-estar da manhã e Grissom silenciar, por alguns instantes, a imagem de Ted. Ele estava insaciável, explorando cada curva de Sara com um fervor que ela estranhou, mas abraçou completamente. Se ele estava tentando provar algo, ela estava mais do que disposta a receber aquela prova de amor.

Só pararam quando o cansaço físico finalmente superou a adrenalina, e ambos ficaram ali, deitados entre os lençóis bagunçados, tentando recuperar o fôlego. O silêncio que se seguiu não era mais frio, mas ainda carregava o peso de tudo o que ainda não tinha sido dito.

Sara se aconchegou no peito dele, sentindo o coração de Grissom ainda batendo acelerado.

— Griss... — ela sussurrou, passando a mão pelo rosto dele. — Você está bem? Senti você... diferente hoje. Mais intenso.

Grissom sorriu ao vê-la daquele jeito leve, próxima, como há dias ele sentia falta.

— Só saudades de você… — disse, com a voz mais baixa — Sara, eu te amo muito.

Sara retribuiu o olhar, sincera.

— Eu também te amo demais, Gil… — fez um pequeno carinho no rosto dele — será que a gente pode comer alguma coisa? Depois de tudo… eu fiquei com fome.

Ele soltou um riso suave.

— Vamos, amor. Vou fazer um banquete.

Na cozinha, o clima era outro.

Mais leve. Mais íntimo.

Grissom se movimentava com naturalidade, preparando o café, enquanto Sara o observava, encostada na bancada, com um sorriso discreto, aquele tipo de cena simples que, pra ela, valia mais do que qualquer palavra.

Ele aproveitou o momento.

Sabia que precisava falar.

— Amor… queria te dizer uma coisa.

Ela ficou atenta.

— Eu não estou gostando do jeito do seu amigo com você… — fez uma pausa — ele é muito atirado.

Sara suspirou, concordando.

— Eu percebi, sim…

Baixou o olhar por um instante, pensativa.

— Hoje eu vou falar com ele de forma mais séria. Já tinha tentado antes, mas pelo visto não adiantou.

Levantou os olhos novamente, sincera.

— Me desculpa por isso, amor.

Grissom se aproximou, segurando o rosto dela com cuidado.

— Você não tem que se desculpar por nada, querida.

Fez um carinho suave.

— Quem tem que se desculpar é ele.

Sara assentiu, mais tranquila.

E, por alguns instantes…

Tudo parecia em paz.

Mas, por trás daquela conversa tranquila…

Havia coisas não ditas.

Enquanto o clima de romance e reconciliação tomava conta da casa dos Grissom, em um local reservado, as peças de um jogo de xadrez muito mais perverso continuavam a se mover.

Heather exibia um sorriso vitorioso, saboreando o sucesso da primeira parte de seu plano. A imagem de Grissom paralisado ao ver o beijo era exatamente o que ela queria: a semente da dúvida plantada no terreno fértil da insegurança.

— Deu tudo certo! — comemorou ela, os olhos brilhando com malícia. — O Grissom viu o Ted beijando a Sara e ficou furioso. Logo, logo esse relacionamento vai ladeira abaixo!

Anthony, no entanto, já estava três passos à frente, manipulando variáveis que nem a própria Dominatrix havia considerado totalmente.

— Contratei um cara para alterar o exame do homem-inseto — revelou ele, com um tom de voz gélido. — O ideal agora seria se você pudesse convencê-lo a não contar o resultado para a esposa.

Heather arqueou uma sobrancelha, curiosa com a estratégia. — Por quê?

Anthony deu uma risada curta e cínica. — O Ted me disse que a Sara andou passando mal ultimamente. Ele acha que pode ser uma gravidez, mas ela ainda não fez exames, acredita que seja apenas um mal-estar passageiro.

O olhar de Heather se iluminou com a percepção da crueldade do plano. Se o exame de Grissom fosse alterado para indicar que ele é estéril, e Sara aparecesse grávida logo em seguida... a conta não fecharia na mente analítica do entomologista.

— Que maravilha! — exclamou Heather. — Espero que ela faça o exame logo e aí...

— Aí o pato cai! — finalizou Anthony, selando o destino de um conflito que Grissom e Sara nem imaginam que estão prestes a enfrentar.