NOSTALGIA (VERSÃO 2026)
20 Temporal providencial
Notas iniciais
Em outro ponto da cidade, longe de qualquer suspeita, Heather Kessler e Anthony Hertz afinavam um plano que beirava a insanidade.
O ambiente era tenso… carregado.
Anthony observava Heather com uma mistura de descrença e cautela.
— Você sabe que isso é completamente maluco, né?
Ela, por outro lado, parecia calma demais.
Fria.
Determinada.
— Eu amo aquele homem… — respondeu, sem hesitar — e sou capaz de qualquer coisa pra tê-lo comigo.
Seus olhos tinham um brilho obsessivo.
— Se ele quiser o menino… e aquela perita… inteirinhos…
Fez uma pausa, deixando o peso da frase no ar.
— Vai ter que casar comigo.
Anthony soltou um riso curto, balançando a cabeça.
— Você não tá só doida… tá perigosa.
Cruzou os braços.
— O problema é outro… a segurança do Augusto tá reforçada demais. Tem policial até na escola.
Heather andou lentamente pelo cômodo, pensativa.
— Então a gente espera… — disse, com frieza — paciência também faz parte do jogo.
Parou, olhando para ele.
— Uma hora eles relaxam… sempre relaxam.
Se aproximou um pouco mais, o tom agora mais baixo.
— E quando isso acontecer… a gente age.
Anthony a encarou por alguns segundos.
Sabia que aquilo ia dar problema.
Mas também sabia…
Que ela não ia parar.
A chuva caía com força, quase cegando a estrada. A visibilidade era mínima, e Sara precisou redobrar a atenção enquanto guiava Grissom até um pequeno motel à beira da estrada.
— Ali! — apontou ela — vamos parar.
Assim que entraram na recepção, o contraste foi imediato.
Luz quente… ambiente silencioso… e uma recepcionista que, no segundo em que viu Grissom…
Praticamente esqueceu como piscar.
O olhar dela percorreu o supervisor sem nenhuma vergonha.
E Sara percebeu na hora.
— Boa tarde!! — disse Grissom, educado, alheio à tensão — gostaríamos de dois quartos, por favor.
O sorriso da recepcionista — “Mandy”, segundo o crachá — se alargou de um jeito… sugestivo demais.
— Ai… adoraria ajudar… — disse ela, apoiando o corpo no balcão — mas estamos lotados…
Fez uma pausa dramática, olhando só pra ele.
— Só tenho um quarto disponível…
E então, inclinou um pouco mais, a voz ficando mais baixa:
— Mas… pra você… posso dar um jeitinho especial…
Sara sentiu o incômodo subir na mesma hora.
Mas respirou fundo.
Tentou manter a postura.
— Interessante… — disse, se aproximando lentamente — e como exatamente você pretende “ajudar”?
O sorriso de Mandy não diminuiu nem um pouco.
— Ah… — respondeu, agora olhando Sara de cima a baixo — meu nome é Mandy.
Voltou a encarar Grissom.
— E, pelo jeito, você não quer dividir o quarto com ele…
Deu de ombros, com falsa inocência.
— O que, pra mim, não seria problema nenhum.
Pausa.
— Meu quarto está disponível… eu ficaria maravilhada de hospedá-lo.
Silêncio.
Um silêncio perigoso.
Sara cruzou os braços, inclinando levemente a cabeça.
— Sério, Mandy?
O tom doce… mas afiado.
— Porque eu também ficaria encantada de tê-lo como hóspede…
Nesse momento, Grissom levantou levemente a sobrancelha, olhando para Sara, começando a entender o que estava acontecendo.
— …no quarto que nós vamos usar.
Sorriu.
— Poderia, por favor, nos dar a chave?
Mandy segurou o olhar por alguns segundos.
Claramente contrariada.
Mas entregou a chave.
Grissom, completamente sem saber onde enfiar a cara, pigarreou.
— Eu… vou ao banheiro… com licença.
Saiu quase rápido demais.
Assim que ele virou as costas…
Mandy se inclinou novamente, agora com um sorriso provocador.
— Poxa, amiga… — disse — você vai passar a noite com isso tudo e não vai aproveitar?
Sara arqueou a sobrancelha, entrando no jogo.
— Quem disse que eu não vou?
Deu um passo mais perto, com um sorriso igualmente provocador.
— Ele ama montanha-russa…
Pausa.
— E eu pretendo aproveitar bem as subidas… e as descidas.
Mandy soltou uma risadinha desacreditada.
— Duvido?!!
Sara apenas sorriu… daquele jeito que não precisava responder.
Nesse momento, Grissom voltou.
— Vamos? — perguntou, ainda meio desconfiado.
Sara pegou a chave, sem tirar o sorriso do rosto.
— Vamos!!
Enquanto saíam, Mandy ainda ria baixo atrás do balcão.
Grissom olhou de uma para a outra, completamente perdido.
— Eu perdi alguma coisa?
Sara deu de ombros, caminhando ao lado dele.
— Nada demais…
Fez uma pausa, segurando o riso.
— Só uma conversa… educativa.
E saiu na frente, deixando um Grissom curioso…
E discretamente satisfeito.
No laboratório, Catherine e Greg estavam encostados na bancada, claramente mais interessados na vida amorosa dos colegas do que em qualquer relatório.
— Eu tenho certeza… — começou Catherine, com aquele sorriso de quem já sabe de tudo — que o Gil vai partir pra cima de qualquer jeito.
Greg riu, cruzando os braços.
— Também acho… ele tá com uma cara de “agora vai” desde que voltou.
Catherine assentiu.
— Ele parece decidido… dessa vez é pra valer. Quer a Sara de volta.
Greg inclinou a cabeça, pensativo.
— E do jeito que ela ama ele… — deu um meio sorriso — se ele insistir um pouquinho mais… ela cede.
Catherine soltou uma risadinha.
— Eu queria ser uma mosca pra ver como esses dois estão agora… sozinhos… naquele motelzinho de estrada…
Greg abriu um sorriso malicioso.
— Ihhh… deve estar interessante…
— O que deve estar interessante?
A voz de Nick Stokes surgiu atrás deles, fazendo os dois virarem.
— Nada! — respondeu Greg rápido demais — quer dizer… tudo!
Nick arqueou a sobrancelha, desconfiado, mas foi direto ao ponto:
— Acabei de voltar de um caso… e uma testemunha viu a foto do Anthony na minha mão.
Catherine ficou séria na hora.
— E aí?
Nick respirou fundo.
— Ela disse que viu ele entrando… sabe na casa de quem?
Um segundo de tensão.
— De quem? — perguntou Catherine.
Nick respondeu, direto:
— Lady Heather.
— Opa, opa, opa!! — Greg arregalou os olhos — isso não é nada bom!
Catherine já estava pegando a bolsa.
— Nada bom mesmo.
O olhar dela endureceu.
— Vamos chamar o Jim Brass…
Virou-se, já decidida:
— E partiu bater um papo com certa Dominatrix.
Greg sorriu de lado.
— Ihhh… agora eu quero ver.
Nick completou:
— Isso vai dar problema.
No Motel...
Assim que a porta se fechou, Grissom entrou no quarto com um sorriso que ele claramente não estava conseguindo disfarçar.
Um sorriso leve… satisfeito.
Sara Sidle percebeu na hora.
— Por que esse sorrisinho no rosto? — perguntou, cruzando os braços, já desconfiada.
Grissom largou a bolsa sobre a cadeira, ainda com aquele ar divertido.
— Estava lembrando do que aconteceu lá na recepção…
Olhou diretamente pra ela.
— Você com ciúmes de mim por causa da recepcionista.
Sara soltou um riso curto, quase indignado.
— Ciúmes? Eu???
Apontou pra ele.
— Se toca, Grissom! Eu só fiquei incomodada com o abuso daquela mulher.
Ele levantou levemente as sobrancelhas, segurando o riso.
— Sei…
Aquele “sei” carregado de provocação.
Sara estreitou os olhos, tentando manter a pose… mas claramente afetada.
— Vai tomar seu banho, vai… — resmungou, desviando o olhar.
Grissom caminhou em direção ao banheiro, ainda sorrindo.
— Com prazer…
Antes de entrar, lançou mais uma:
— Mas admito… foi interessante de ver.
Sara jogou uma almofada na direção dele, que já fechava a porta.
— Ridículo!
O som do chuveiro começou logo em seguida.
Ela ficou alguns segundos parada, respirando fundo… até que soltou um pequeno sorriso involuntário.
— Ciúmes… — murmurou, baixinho — até parece…
Pegou o telefone do quarto.
— Vou pedir alguma coisa pra gente comer… — falou, mais pra si mesma.
Mas, no fundo…
Sabia muito bem o motivo do incômodo.
E isso só complicava ainda mais tudo o que ela estava tentando organizar dentro do coração.
Nos domínios de Heather Kessler, o clima era de expectativa… e ambição.
Anthony Hertz andava de um lado para o outro, já saboreando o que acreditava estar por vir.
— Heather… se esse seu plano der certo, eu vou estar com uma bolada nas mãos em pouco tempo.
Ela, sentada com toda a elegância de sempre, sorriu de lado.
— E eu… com um marido maravilhoso.
Seus olhos brilharam de forma obsessiva.
— O Grissom vai ser meu… custe o que custar.
A frase ainda ecoava quando uma batida firme na porta interrompeu tudo.
Heather virou o rosto, irritada.
— Vai lá pra dentro — ordenou, baixa — eu vejo quem é.
Anthony sumiu rapidamente.
Ela então caminhou até a porta, recompôs a expressão… e abriu.
Do lado de fora estavam Jim Brass, Catherine Willows e Nick Stokes.
Heather abriu um sorriso calculado.
— Nossa… que comitê de boas-vindas é esse?
Brass manteve a postura firme.
— Bom dia, senhorita Kessler. Precisamos fazer algumas perguntas.
Ela cruzou os braços, apoiando-se na porta.
— E o que deseja saber, capitão?
Nick foi direto:
— Recebemos a informação de que você andou recebendo a visita de um homem procurado pela justiça.
Heather inclinou levemente a cabeça.
— E quem seria?
Catherine não hesitou:
— Anthony Hertz.
Por um breve segundo, Heather prendeu a respiração.
Mas se recompôs rápido.
Pensou. Calculou.
Sabia que, a partir daquele momento, o jogo tinha mudado.
E que precisaria ser mais cuidadosa.
— Não tenho o que negar, minha cara Willows — respondeu, com naturalidade — sim, ele esteve aqui.
Os três se entreolharam.
— Ele está atrás do filho… — continuou — e, como soube que eu e o Grissom estamos com a guarda, veio conversar.
Deu de ombros.
— E foi só isso.
Catherine a encarou, desconfiada.
— Não negue nada… já vimos pelas câmeras da rua.
Heather sustentou o olhar, firme.
— Pois então já têm a resposta.
Brass deu um passo à frente.
— Vamos ficar de olho, senhorita Kessler. Se precisarmos de mais informações… voltamos.
O sorriso dela não vacilou.
— Estarei aqui.
A equipe saiu.
Assim que a porta se fechou…
O sorriso sumiu.
Anthony apareceu novamente na sala.
— Isso foi por pouco…
Heather caminhou lentamente até o centro do cômodo.
— A polícia já está desconfiada.
Virou-se para ele, decidida.
— Vamos precisar de paciência… esperar a poeira baixar.
Os olhos dela ficaram frios.
— E mudar os planos.
Anthony cruzou os braços.
— Desde que eu coloque a mão naquele dinheiro… tanto faz.
Heather deu um leve sorriso.
— Vai colocar…
Chegou mais perto, quase sussurrando:
— Pode ter certeza.
E, naquele instante…
Ficava claro que o jogo só estava ficando mais perigoso.
Enquanto Sara estava no banho, Grissom organizava rapidamente o quarto quando ouviu uma batida na porta.
Ao abrir…
Lá estava Mandy.
Com a bandeja e o mesmo olhar nada discreto de antes.
— Seu pedido… — disse ela, entrando um pouco mais do que o necessário para entregar a refeição.
Grissom manteve a postura educada, mas já atento.
— Obrigado.
Ela não foi embora.
Pelo contrário.
Apoiada na porta, deixou o olhar passear mais uma vez por ele… e então, lentamente, passou um dedo pelo peito dele.
— Se ficar entediado… — disse, com um sorriso malicioso — pode ligar pra recepção.
A voz desceu um tom.
— Eu estou… à disposição.
Grissom segurou o riso.
Não de nervoso.
Mas de pura consciência da situação.
Deu um pequeno passo à frente, aproximando-se só o suficiente para responder no mesmo nível… porém com elegância.
— Eu agradeço a sua… disponibilidade.
Fez uma pausa, mantendo o olhar firme.
— Mas, com a companhia que eu tenho aqui…
Um leve sorriso surgiu.
— A última coisa que eu vou ficar… é entediado.
Piscou de leve.
— Se é que você me entende.
Mandy travou por um segundo.
Surpresa.
E… contrariada.
Grissom então segurou a porta.
— Boa noite.
E a fechou devagar.
Do lado de dentro, soltou um pequeno suspiro, quase rindo.
Enquanto isso, do banheiro, o som do chuveiro continuava…
E, pela primeira vez em muito tempo…
Ele sabia exatamente onde queria estar.
Do lado de fora, encostada discretamente na parede, Mandy não conseguiu evitar mais um comentário, falando sozinha com um meio sorriso malicioso:
— Esse homem… é um perigo… — murmurou, passando a língua pelos lábios — gostoso e ainda sabe disso…
Olhou na direção da porta fechada, cruzando os braços.
— E essa mulher aí dentro…
Soltou um suspiro, meio invejoso, meio divertido.
— Tem uma sorte que… olha…
Balançou a cabeça, rindo baixinho.
— Mas também… se não aproveitar, é desperdício.
Deu uma última olhada para a porta, como se cogitasse bater…
Mas acabou desistindo.
— Deixa… — falou, se afastando — hoje não é meu dia de sorte.
E saiu pelo corredor, ainda com aquele sorriso travesso no rosto… imaginando, por conta própria, o que poderia estar acontecendo ali dentro.
Grissom organizava a refeição com cuidado quando ouviu o som da porta do banheiro se abrindo.
Ao levantar os olhos…
Travou.
Sara surgiu apenas com um roupão, os cabelos ainda úmidos, a pele levemente corada pelo banho quente.
Por um segundo, ele simplesmente esqueceu como reagir.
— É… eu… — gaguejou, desviando o olhar por um instante — a comida já está pronta…
Sara, completamente natural — ou tentando parecer — passou por ele.
— Vou comer logo e depois passo meu creme… estou com muita fome!
Eles se sentaram.
A refeição seguiu tranquila… silenciosa em alguns momentos, mas carregada de uma tensão diferente.
Olhares que se encontravam.
Pensamentos que ninguém dizia em voz alta.
Assim que terminaram, Sara se levantou e foi até o espelho, pegando seu creme.
Grissom permaneceu à mesa… mas seus olhos não conseguiam sair dela.
Do jeito como ela se movia.
Da forma como seus dedos deslizavam pela própria pele.
Aquilo o atingiu de um jeito que ele não conseguiu mais ignorar.
Respirou fundo.
E levantou.
Caminhou até ela, parando logo atrás.
Pelo espelho, Sara percebeu.
Os olhares se encontraram no reflexo.
— Precisa de algo? — perguntou, com a voz mais baixa do que pretendia.
Grissom se aproximou um pouco mais.
— Preciso entender… — disse, quase num sussurro — que creme é esse que mexe comigo desse jeito…
A voz falhou levemente.
— Me deixando completamente… entregue a você.
Ele envolveu a cintura dela com cuidado, aproximando ainda mais seus corpos.
Os lábios dele tocaram o pescoço dela, num beijo lento, quente.
Sara fechou os olhos por um instante.
Sentindo.
Absorvendo.
O toque… a proximidade… a respiração dele.
Ele deslizou o tecido do roupão levemente pelo ombro, sem pressa, como se pedisse permissão em cada gesto.
Seus lábios subiram até o lóbulo da orelha dela, num carinho que fez o corpo dela reagir imediatamente.
E não era só ele que já não resistia mais.
Sentindo o quanto ele estava entregue… o quanto a desejava…
E o quanto ela também o queria…
Sara virou-se de frente para ele.
Os dois ficaram ali, próximos demais… olhos nos olhos… respirações misturadas.
Grissom apoiou a testa na dela por um segundo, antes de falar:
— Fica comigo, Sara…
A voz saiu carregada de tudo o que ele sentia.
— Eu te amo.
E, naquele momento…
Não era só desejo.
Era tudo o que vinha junto com ele.
Sara não respondeu com palavras.
Ela o puxou pela camisa e o beijou com intensidade, como se tudo o que estava guardado dentro dela finalmente encontrasse saída. Entre um beijo e outro, ofegante, deixou escapar:
— Eu te amo… eu te amo tanto…
Com as mãos trêmulas, começou a tirar a camisa dele, deslizando o tecido pelos ombros enquanto o empurrava suavemente para fora do banheiro.
Grissom a acompanhou, sem tirar os olhos dela, completamente envolvido.
Com calma, quase reverente, ele desfez o laço do roupão dela.
Com calma, quase reverente, ele desfez o laço do roupão dela.
O tecido escorregou lentamente… até cair no chão.
Por um instante, ele apenas a observou.
Encantado.
— Você é a mulher mais linda do mundo…
Sara Sidle sorriu, ainda ofegante, tentando manter um pouco de leveza:
— Não fala assim… que eu acabo acreditando…
Ele se aproximou, tocando o rosto dela com carinho.
— Então acredita… porque é a mais pura verdade.
Os olhos dele diziam tudo.
Sem pressa, ele a encostou na porta, os corpos próximos, os olhares ainda mais.
Os beijos voltaram… agora mais profundos, mais carregados de sentimento.
Ele deslizava as mãos com cuidado, explorando cada detalhe como se quisesse memorizar tudo.
Sara se agarrou a ele, os dedos se perdendo em seus cabelos, deixando escapar suspiros que misturavam emoção, desejo… e entrega.
O mundo lá fora simplesmente deixou de existir.
Ali, naquele quarto…
Era só eles dois.
Do lado de fora, Mandy subiu novamente até o andar, ainda com aquela ideia insistente de tentar a sorte mais uma vez com Grissom.
Mas, ao se aproximar da porta…
Parou.
Os sons vindos de dentro eram suficientes para contar toda a história: risadas baixas, vozes entrelaçadas… uma sintonia impossível de ignorar.
Ela ficou em silêncio por um segundo… e então soltou uma risadinha, cruzando os braços.
— Ahh… entendi…
Balançou a cabeça, meio divertida, meio conformada.
— A morena tá aproveitando muito bem a companhia…
Encostou levemente na parede, ainda com um sorriso de canto.
— E pelo jeito… ele também não tá reclamando de nada.
Suspirou, dramática.
— Certa ela!!
Deu mais uma olhada para a porta, como quem reconhece a derrota.
— Com um homem desses comigo... eu aproveitava mesmo.
Virou-se para ir embora, rindo sozinha.
— É… perdi!
E dessa vez, sem nem pensar em insistir de novo… porque esta bem claro que ele já tem dona.
No quarto, o clima continuava intenso, mas agora carregado de algo além do desejo… havia carinho, entrega… amor.
Sara e Grissom se deixavam levar pelo momento, rindo entre suspiros, trocando olhares que diziam tudo o que as palavras já não conseguiam expressar.
— Saaara… — murmurou ele, a voz rouca de desejo — meu Deus…
Ela se inclinou perto dele, com um sorriso travesso e carinhoso ao mesmo tempo.
— Cansou?
Ele abriu os olhos, puxando-a para mais perto.
— Duvido, meu amor… vem aqui…
E ali, naquele espaço pequeno, mas cheio de significado, eles se reencontravam de verdade.
Sem interrupções.
Sem mágoas naquele instante.
Apenas os dois… como deveria ter sido desde o início.
A cama pegou fogo com os dois mega empolgados e fazendo um espetáculo erótico porque eles não estavam nada silenciosos e a cama ajudava na sinfonia. Grissom estava em êxtase ao ter seu grande amor em seus braços novamente, lhe proporcionando as melhores sensações da sua vida.
Quando finalmente chegaram ao clímax, o supervisor descansou a cabeça no pescoço da amada, respirando fundo, como se quisesse guardar aquele momento para sempre.
Depois de alguns segundos, ele falou, com a voz baixa, mas firme:
— Sara… eu quero que você saiba que eu te amo muito.
Ela fez um carinho leve nos cabelos dele.
— Eu também te amo…
Ele levantou um pouco o rosto, olhando nos olhos dela.
— E eu queria te perguntar uma coisa…
Sara sorriu, curiosa.
— O que foi, meu amor?
Ele sorriu ao ouvir o “meu amor”, visivelmente tocado.
— Eu estou muito feliz de você estar aqui comigo… — começou — mas eu ficaria ainda mais se você aceitasse casar comigo.
Fez uma pausa, respirando fundo.
— Sara Sidle… você aceita ser minha esposa?
Ela se sentou, surpresa, levando alguns segundos para processar.
— Amor… — disse, ainda meio sem reação — vamos namorar primeiro… curtir as etapas…
Grissom segurou a mão dela, com um olhar sincero.
— Eu já perdi tempo demais longe de você.
Acariciou os dedos dela.
— Quero construir tudo ao seu lado… e, além disso… casados, fica mais fácil garantir a guarda do Augusto.
Sara ficou em silêncio por um instante, refletindo.
Depois, um sorriso surgiu… calmo, seguro.
— Olhando por esse lado… não deixa de ser verdade.
Apertou a mão dele.
— Senhor Grissom… nada vai me fazer mais feliz do que estar com você.
Os olhos dela brilharam.
— Então… eu aceito.
Respirou fundo, emocionada.
— Aceito me tornar a senhora Gilbert Grissom.
O sorriso dele se abriu de um jeito que há muito tempo não aparecia.
Leve.
Feliz.
Completo.
— Ainda está chovendo… — comentou ele, com um tom suave — acho que podemos comemorar essa nova fase com calma…
Sara riu baixinho, encostando a testa na dele.
E ali, juntos…
Eles não estavam mais fugindo do passado.
Estavam, finalmente…
Escolhendo o futuro.
Antes que o momento voltasse a esquentar, Sara segurou levemente o rosto de Grissom, fazendo com que ele prestasse atenção nela.
O olhar dela era firme… mas cheio de sentimento.
— Gil… é sério.
Ele percebeu na hora a mudança de tom.
— O que foi, meu amor?
Ela respirou fundo antes de falar:
— Eu não vou aceitar a Heather ficando perto de você… muito menos te beijando.
Os olhos dela buscaram os dele, intensos.
— O primeiro beijo que eu souber que aconteceu… acabou.
Não era ameaça vazia.
Era dor… medo… e amor misturados.
Grissom não hesitou.
Segurou as mãos dela com cuidado, trazendo-as até o peito dele.
— Isso não vai acontecer.
A voz saiu firme, segura.
— Porque eu não quero te perder.
Aproximou o rosto, encostando a testa na dela.
— Não existe mais ninguém pra mim, Sara… só você.
Ela sustentou o olhar por alguns segundos… procurando qualquer sinal de dúvida.
Não encontrou.
A tensão no rosto dela suavizou.
E, dessa vez, quando se aproximou dele novamente…
Foi com mais entrega.
Mais confiança.
Enquanto isso, na casa de Gil Grissom, o clima era completamente diferente…
Leve. Acolhedor. Cheio de afeto.
Beth Grissom estava na cozinha com Augusto, ambos concentrados e ao mesmo tempo se divertindo em uma missão muito importante: fazer bolinho de chuva.
A bancada estava uma bagunça deliciosa.
Farinha espalhada, ovos, açúcar… e um menino com o rosto levemente sujo, rindo à toa.
Beth se comunicava com ele através de gestos em ASL, pacientes e cheios de carinho.
“Agora mistura devagar… isso… muito bem!”
Augusto, todo empolgado, imitava cada movimento, ainda meio desajeitado, mas orgulhoso.
— Assim, vovó? — perguntou, olhando para ela com os olhos brilhando.
Beth sorriu e fez sinal positivo.
“Perfeito! Você é um ótimo cozinheiro!”
Ele abriu um sorriso enorme.
— Vou fazer pra mamãe quando ela voltar!
Aquela frase fez o coração dela aquecer.
Beth acariciou o rosto do neto com delicadeza.
“Ela vai amar… tenho certeza.”
Pouco depois, começaram a fritar os bolinhos.
O cheiro tomou conta da casa, trazendo uma sensação de lar… de conforto… de família.
Augusto observava atento, quase pulando de ansiedade.
— Já tá pronto?
Beth riu, fazendo um gesto de “calma”.
“Quase… cozinhar também precisa de paciência.”
Quando finalmente ficaram prontos, ela colocou alguns no prato e polvilhou açúcar por cima.
Augusto pegou um, soprou exageradamente… e deu uma mordida.
Os olhos se iluminaram.
— Tá muito bom!!!
Beth riu, satisfeita, abraçando o neto de lado.
“Feito com amor sempre fica melhor.”
E, naquele momento simples…
Entre risadas, farinha e bolinhos de chuva…
Eles estavam construindo algo muito maior.
Memórias.
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