NOSTALGIA (VERSÃO 2026)
18 Reencontro emocionante
Quase no fim do plantão, Catherine Willows assumiu a equipe. O clima ainda era estranho, mas já não tão pesado quanto antes.
Ela reuniu todos na sala de convivência, apoiando-se na mesa, com aquele jeito direto — mas hoje, um pouco mais cuidadoso.
— Eu falei com o Grissom… — começou.
Na mesma hora, alguns olhares se cruzaram.
Ela contou tudo: a conversa, o estado em que ele estava, a versão dele… deixando de fora, propositalmente, a internação de Augusto e o fato de ele já estar com o menino.
— E, bom… — continuou, cruzando os braços — ele convidou todo mundo pra ir na casa dele.
Greg arqueou a sobrancelha.
— Tipo… reunião de equipe versão “lavar roupa suja”?
Nick soltou um meio sorriso.
— Ou interrogatório informal?
Catherine deu de ombros, com um leve ar divertido.
— Chamem como quiserem… mas a ideia é ouvir o lado dele, tirar dúvidas… — fez uma pequena pausa — e conhecer a mãe dele.
Warrick inclinou a cabeça, interessado.
— A famosa mãe do Grissom, hein…
— Pois é — respondeu Catherine, com um sorrisinho — parece que ela é bem mais interessante do que ele.
Alguns riram de leve, quebrando um pouco a tensão.
Mas Catherine sabia exatamente o que estava fazendo.
A ideia dela e de Conrad Ecklie era simples: criar uma oportunidade. Um encontro. Uma chance.
E, quem sabe… com um pouco de sorte… Sara aceitaria.
E encontraria Augusto.
Ela então olhou para cada um deles.
— Então… — disse, com um tom mais leve, mas cheio de intenção — quem vai comigo ouvir a versão do nosso amigo/chefe?
O silêncio que se seguiu já não era de rejeição.
Era de decisão.
Catherine observava em silêncio, aguardando alguma reação.
Mas o que veio foi exatamente o que ela já esperava: hesitação.
Alguns olhares desconfortáveis, outros desviados… ninguém parecia realmente disposto a aceitar o convite. Com exceção de Warrick Brown, que já demonstrava certa inclinação desde o início.
Ela ia falar novamente quando, de repente, uma voz se fez ouvir.
Sara Sidle.
— Gente… — começou, chamando a atenção de todos.
O ambiente ficou em silêncio na hora.
— Eu provavelmente sou a última pessoa que gostaria de estar perto do Grissom agora… — disse, com sinceridade, sem esconder a dor.
Catherine a observou, surpresa… mas também orgulhosa.
— Mas… — continuou Sara — a gente trabalha baseado em evidências, não é?
Ela olhou de um para o outro.
— E dando direito de defesa.
Fez uma pequena pausa.
— E, no caso dele… existem evidências de que ele pode estar sendo sincero. Que pode estar inocente nisso tudo.
Nick respirou fundo, cruzando os braços.
Sara completou, mais firme:
— Vamos ouvir o que ele tem a dizer?
Os olhos dela suavizaram um pouco.
— Tenho certeza de que ele faria o mesmo por qualquer um de nós.
O silêncio durou apenas um segundo… antes de Nick Stokes se manifestar:
— Certo… — disse, assentindo — então partiu.
Catherine abriu um sorriso, aliviada.
Que bom!
Ela já pegava suas coisas.
— O Brass encontra a gente lá.
Um a um, eles começaram a se movimentar.
E, enquanto saíam juntos… ficava claro:
Aquilo não era só sobre um convite.
Era o começo de um confronto com a verdade.
Na casa de Gil Grissom, a expectativa era quase palpável.
Ele já havia contado à mãe sobre a ideia — uma tentativa discreta, cuidadosa… quase um plano improvisado, mas necessário. Tudo para que Sara Sidle pudesse ver Augusto sem levantar suspeitas ou prejudicar ainda mais a situação.
Agora… tudo dependia de uma única coisa:
Ela aceitar o convite.
No quarto, Beth Grissom estava completamente envolvida com o neto. Augusto, ainda um pouco abatido, já demonstrava sinais de melhora. O médico havia confirmado: era uma virose — nada grave, mas suficiente para derrubá-lo rapidamente.
Beth cuidava dele com um carinho quase palpável. Ajustava o cobertor, fazia pequenos gestos em ASL misturados com bilhetes… e arrancava sorrisos tímidos do menino.
De tempos em tempos, ele perguntava pela mãe.
E cada vez que isso acontecia… o coração de Grissom apertava mais.
Foi então que a campainha tocou.
Ele congelou por um segundo.
O coração acelerou.
Seria ela?
Sem conseguir esconder a ansiedade, caminhou rápido até a porta e abriu.
Ao ver a equipe ali reunida, soltou o ar que nem percebeu que estava segurando.
— Que bom que vieram!!! — disse, com um misto de alívio e nervosismo.
Mas, por trás do sorriso… os olhos dele buscavam apenas uma pessoa.
Esperando… torcendo… que ela também estivesse ali.
Gil Grissom não conseguiu esconder o quanto ficou feliz ao ver todos ali. Era um alívio… e, ao mesmo tempo, um passo importante.
O olhar dele rapidamente percorreu o grupo e, ao encontrar Sara Sidle entre eles, seu coração pareceu desacelerar por um segundo.
Ela tinha vindo.
Catherine se aproximou primeiro, quebrando o momento:
— O Brass vem depois — avisou — disse que resolve umas coisas e aparece.
Grissom assentiu.
— Perfeito… — respondeu, ainda com um leve sorriso.
Tentando manter a naturalidade, conduziu todos até a mesa, que já estava posta. Tudo simples… mas cuidadosamente preparado.
Catherine olhou ao redor, nostálgica.
— Nossa… eu estava com saudade disso — comentou, puxando uma cadeira — do café do Grissom.
Greg Sanders não perdeu a chance:
— Chefinho… eu também tava com saudade da sua omelete!
Alguns risos leves surgiram, quebrando um pouco da tensão.
Grissom esboçou um sorriso discreto, agradecido por aquele pequeno momento de leveza.
Mas, mesmo ali… ele não conseguia evitar.
De tempos em tempos, seus olhos buscavam Sara.
Ela estava quieta.
Sentada, observando… mas sem dizer uma palavra.
Aquilo dizia muito mais do que qualquer fala.
E, a cada vez que ele a olhava… vinha junto um misto de esperança… medo… e arrependimento.
Porque, apesar de todos estarem ali…
Era ela quem realmente importava.
Beth Grissom saiu da cozinha com um sorriso acolhedor, e Gil Grissom fez as apresentações.
Ela cumprimentou todos com simpatia… mas, quando chegou em Sara Sidle, algo mudou.
O abraço foi mais demorado.
Mais sincero.
Quase como se já existisse um vínculo ali.
Beth se afastou só o suficiente para olhá-la nos olhos e, em ASL, disse com carinho:
BG : Eu estava louca para te conhecer… o Gil fala muito de você.
Sara mal teve tempo de responder.
Beth segurou sua mão com delicadeza e a puxou levemente.
BG : Vem comigo… tenho uma surpresa.
O coração de Sara acelerou.
Ela seguiu.
Ao entrar no quarto…
Parou.
Por um segundo, o mundo sumiu.
— Augusto…
A emoção veio forte, imediata.
O menino, que estava sentado na cama, abriu um sorriso enorme ao vê-la.
— Mamãe!!
Sara correu até ele, ajoelhando-se e o puxando para um abraço apertado, quase desesperado.
— Ohhh, filho… — a voz saiu embargada — mamãe estava com muita, muita saudade…
Ela segurou o rosto dele, analisando cada detalhe, como se precisasse ter certeza de que ele estava bem.
— Como você está, meu amor?
Augusto sorriu, mais tranquilo agora.
— Eu também tava com saudade, mamãe… — respondeu — agora eu tô bem… porque tô com o papai, com a vovó… e com você!
Aquilo aqueceu o coração dela… e, ao mesmo tempo, apertou.
— O papai falou que eu não vou voltar pra casa da bruxa — completou ele, com a sinceridade de sempre.
Beth, ao lado, respondeu em ASL, com firmeza e carinho:
BG : Não vai não, meu lindo. Você vai ficar aqui.
Sara deixou escapar um pequeno sorriso emocionada, ainda com os olhos cheios de lágrimas.
— Vem cá… deixa eu agarrar esse lindão…
Ela o puxou de novo para um abraço apertado, beijando o rosto dele várias vezes.
Depois, olhou para Beth, profundamente grata.
— Muito obrigada… por cuidar dele.
Beth sorriu, tocando de leve o braço dela.
E, naquele quarto…
Pela primeira vez desde que tudo começou…
Sara sentia que podia respirar de novo.
Na cozinha, Gil Grissom respirou fundo antes de falar. Ainda parecia tenso… mas, ao mesmo tempo, aliviado por finalmente poder contar a verdade.
— O Augusto… está no quarto.
A reação foi imediata.
— Sério?? — Nick Stokes arregalou os olhos — Nossa… a Sara vai ficar muito feliz.
Greg soltou um “finalmente” baixo, enquanto Warrick Brown assentia, já imaginando o impacto daquele reencontro.
Nick então cruzou os braços, olhando direto para Grissom:
Já que estamos aqui… aproveita e explica tudo pra gente, Grissom. Porque essa história ainda tá muito mal contada.
O ambiente ficou em silêncio.
Era o momento.
Grissom passou a mão no rosto, organizando os pensamentos… e começou.
Contou sobre o escritório do advogado.
Sobre a surpresa ao descobrir a “disputa de guarda”.
Sobre a tal “noiva” que ele nunca teve.
Sobre os documentos… e a manipulação.
A cada detalhe, os olhares da equipe mudavam.
Da desconfiança… para a incredulidade.
— A Heather armou tudo… — concluiu ele — usou meu nome, distorceu fatos… e provavelmente contou com a minha proximidade com ela pra dar credibilidade à história.
Greg balançou a cabeça, indignado.
— Cara… isso é doentio.
Warrick respirou fundo.
— Eu sabia que tinha algo errado… — disse — isso não parecia você.
Nick, ainda sério, completou:
— E agora?
Grissom apoiou as mãos na bancada, firme.
— Agora eu tô tentando reverter isso. Já entrei com pedido de medida protetiva contra ela… pra mim e pro Augusto.
Fez uma pausa.
— E vou fazer tudo o que estiver ao meu alcance pra que a guarda volte pra Sara.
O silêncio que se seguiu não era mais de julgamento.
Era de alinhamento.
Greg foi o primeiro a quebrar:
— Então você não só vai fazer… você vai ter ajuda.
Warrick assentiu.
— Com certeza.
Nick deu um leve sorriso de canto.
— A gente resolve isso.
Grissom olhou para cada um deles… visivelmente tocado.
— Obrigado…
E, naquele momento, a equipe voltou a ser o que sempre foi:
Uma família.
O quarto estava cheio de vida.
Sara Sidle e Augusto riam, trocando carinho, como se estivessem tentando recuperar, em poucos minutos, todo o tempo que foram separados.
Tão envolvidos naquele momento que não perceberam a presença na porta.
Gil Grissom observava em silêncio, encostado no batente, com um sorriso leve daqueles raros, verdadeiros.
Beth Grissom, ao lado, não observava apenas a cena…
Observava o filho.
O jeito como ele olhava para os dois.
Com amor.
Com pertencimento.
Com a certeza de que aquilo… era uma família.
E, naquele instante, ela tomou uma decisão silenciosa:
Faria tudo para ajudá-lo a recuperar aquilo.
Foi Augusto quem quebrou o momento.
— Paiii!!! — chamou, animado ao vê-lo — Mamãe vai ficar aqui com a gente, não vai?
Grissom se aproximou devagar, ainda com o olhar suave.
— Se ela quiser… — respondeu, olhando diretamente para Sara — ela fica, sim, filho.
O olhar dos dois se encontrou por um breve segundo.
Intenso.
Carregado de tudo o que ainda não tinham dito.
Sara desviou, tentando manter o controle.
— Grissom… — disse, buscando um assunto prático — ficou faltando um medicamento da receita do Guto.
Ele assentiu de imediato.
— Sim… querida, eu vou lá comprar.
A palavra escapou com naturalidade.
“Querida.”
Grissom saiu logo em seguida, sem perceber o efeito que causou.
Mas Sara percebeu.
Ficou imóvel por um instante, surpresa… tocada… confusa.
E Beth também percebeu.
Ela se aproximou com calma, tocando de leve o braço de Sara e começou a sinalizar em ASL, com carinho:
BG : Ele te ama muito, Sara.
Os olhos de Sara se voltaram para ela, atentos… já marejados.
BG : Eu sei que você está magoada… e tem razão de estar. Mas, em parte… ele é inocente nisso tudo.
Sara engoliu seco, absorvendo cada palavra.
Beth continuou, agora com um leve sorriso emocionado:
BG : Ele foi me visitar… todo feliz. Queria me contar pessoalmente que tinha formado uma família com você.
Sara sentiu o coração apertar.
BG : Falou do Augusto com tanto orgulho… e disse que queria ter mais filhos… com você.
As lágrimas vieram sem pedir permissão.
Sara piscou algumas vezes, tentando conter a emoção… mas era impossível.
Cada palavra de Beth desmontava as barreiras que ela tentava manter.
Porque, no fundo…
Aquilo confirmava exatamente o que o coração dela já suspeitava.
E, enquanto olhava para Augusto ali, tão feliz…
Sara percebeu:
Talvez… ainda houvesse um caminho de volta.
A movimentação no corredor chamou atenção, e logo a porta se abriu suavemente.
Catherine Willows apareceu primeiro, com um leve sorriso ao ver a cena… e, aos poucos, o restante da equipe foi se juntando atrás dela.
Em poucos segundos, o quarto se encheu.
Mas, dessa vez… não de tensão.
De algo muito mais leve.
— Olha só quem tá famoso… — brincou Catherine, se aproximando da cama.
Augusto abriu um sorriso largo, visivelmente mais animado com tanta gente conhecida ao redor.
— Tio Nick!! Tio Greg!! — chamou, empolgado.
Nick Stokes se aproximou, apoiando a mão na beirada da cama.
— E aí, campeão… dando trabalho, é?
Greg riu, cruzando os braços.
— Eu sabia que você só queria uma folguinha da escola…
Alguns risos surgiram, deixando o ambiente ainda mais leve.
Warrick Brown apenas balançou a cabeça, sorrindo de canto, observando tudo com carinho.
Catherine então olhou para Sara.
E bastou aquele olhar.
Ela percebeu.
Os olhos ainda marejados… mas diferentes.
Mais suaves.
Mais abertos.
Como se algo tivesse mudado ali dentro.
Catherine se aproximou um pouco mais, falando baixo:
— Acho que alguém precisava disso… — comentou, com um leve sorriso.
Sara não respondeu de imediato.
Apenas olhou para Augusto… depois para Beth… e, por um breve instante…
Para a porta por onde Gil Grissom havia saído.
E, mesmo sem dizer nada…
Ficava claro:
Aquela reunião não era só sobre esclarecer a verdade.
Era sobre reconstruir laços.
E, talvez… recomeçar.
Ao descer até a portaria, Gil Grissom ainda estava com a mente longe pensando em Sara, em Augusto… em tudo que precisava consertar.
Mas, ao levantar o olhar…
Parou.
Heather Kessler.
Ali.
Esperando.
O semblante dele fechou na mesma hora.
— O que você está fazendo aqui?
Heather cruzou os braços, como se estivesse completamente à vontade.
— Vim falar com você.
Grissom soltou um riso curto, sem humor.
— Eu não tenho nada pra falar com você.
Deu um passo à frente, a voz agora firme, carregada de indignação.
— Eu fui seu amigo. Te ajudei. E, na primeira oportunidade, você me enganou… me envolveu numa trama absurda.
Os olhos dele estavam duros.
— Com que direito você usou meu nome? Mentiu dizendo que eu sou seu noivo… só pra conseguir a guarda do Augusto?
Heather manteve a postura, como se aquilo tudo fosse perfeitamente justificável.
— Você disse que queria a guarda do menino — respondeu — e nada melhor do que um casal pra isso.
Deu de ombros.
— E, convenhamos… a gente estava se dando bem. Por que não ficamos juntos?
Aquilo foi o limite.
— Porque eu não quero nada com você! — cortou ele, sem hesitar — Você sabe muito bem que eu amo a Sara.
A voz dele falhou levemente ao dizer o nome dela… mas logo voltou firme.
— A guarda nunca foi pra mim. Era pra ela.
Ele respirou fundo, tentando controlar a raiva.
— Eu errei, sim… em te dar liberdade. Em permitir certas coisas… — admitiu — mas acabou.
O olhar dele agora era definitivo.
— Segue sua vida, Heather… mas longe de mim.
Por um segundo, o silêncio pesou entre os dois.
Então, o rosto dela endureceu.
— Você não vai se livrar de mim assim, não.
Os olhos dela brilharam com algo perigoso.
— Você me deve. Eu também te ajudei.
Deu um passo mais próximo.
— E quer saber? Eu vou brigar pelo Augusto.
Grissom não recuou.
Pelo contrário.
Se manteve firme.
— Tenta. — disse, baixo, mas ameaçador — Tenta mesmo.
Os olhos dele não desviaram dos dela.
— E saiba de uma coisa… quem mais vai perder com essa briga… é você.
O silêncio que veio depois foi pesado.
Heather o encarou por mais alguns segundos… furiosa.
Então virou as costas e saiu, passos duros, carregando consigo a frustração… e a promessa de mais problemas.
Grissom permaneceu parado por um instante.
Respirou fundo.
E, naquele momento, teve certeza:
Aquilo ainda estava longe de acabar.
Gil Grissom seguiu até a farmácia ainda tenso, mas focado em resolver o que precisava. Comprou os medicamentos de Augusto e saiu rapidamente, sem perceber que, do outro lado da rua… alguém o observava.
Quando virou a esquina de volta, foi surpreendido.
— Senhor Gilbert Grissom… — disse um homem, com um sorriso torto — vejo que mais alguém anda com raiva do senhor.
Grissom franziu a testa, já em alerta.
— Como é que é? Mais alguém? Quem é você?
O homem deu um passo à frente.
— Vim só dar um recado… bem dado.
A voz dele ficou mais fria.
— Anthony está voltando pra buscar o filho dele… e quer o senhor e aquela perita bem longe.
Grissom sentiu o corpo enrijecer.
— Também pediu pra garantir que o recado fosse… convincente.
E então partiu pra cima.
Grissom reagiu no reflexo.
Um soco.
Um chute.
O homem caiu no chão com força.
Mas não estava sozinho.
Outros dois surgiram rapidamente, cercando-o.
— Peguem ele! — gritou o primeiro, se levantando com dificuldade — vamos dar uma lição nesse cara!
A luta começou ali, no meio da rua.
No apartamento, o tempo passava… e Sara Sidle começava a estranhar.
— Ele já devia ter voltado… — murmurou, inquieta.
Catherine Willows tentou acalmar:
— Sara, ele deve estar chegando… a farmácia é aqui perto.
Mas Sara balançou a cabeça, já pegando a bolsa.
— Não sei… vou lá ver. Só por desencargo.
Tentou aliviar o clima com um meio sorriso:
— Vai que o velhinho se perdeu…
Catherine riu.
— Tadinho do Grissom…
Sara desceu rapidamente.
Na portaria, falou com o porteiro.
— Você viu o Grissom sair?
— Vi sim… — respondeu ele — mas antes ele teve uma discussão feia com uma mulher aqui.
Sara franziu a testa.
— Mulher?
O porteiro descreveu rapidamente… e Sara entendeu na hora.
Heather.
O coração apertou.
Sem perder tempo, saiu do prédio — e quase deu de cara com Jim Brass chegando.
— Oi, pai… — disse, tentando manter a calma — os meninos deixaram café pra você.
Brass sorriu de leve.
— Ainda bem que não comeram tudo… — brincou — já tá indo embora?
— Tô indo procurar o Grissom… — respondeu, já tensa — ele foi na farmácia e até agora não voltou.
Brass franziu o cenho, preocupado.
— Estranho…
Antes que pudessem continuar…
Um grito cortou o ar.
Alto.
Desesperado.
Uma mulher, mais à frente, apontava para a rua.
— Socorro!! Estão batendo nele!!
Sara e Brass trocaram um olhar.
E, sem precisar dizer nada…
Saíram correndo na direção do som.
O som da confusão guiou Sara Sidle e Jim Brass até a cena e o que viram fez o sangue gelar.
Gil Grissom estava sendo arrastado à força.
— Brass! — Sara gritou, desesperada.
Sem perder tempo, o capitão sacou a arma e disparou para o alto.
— Polícia! Parados!!
O barulho ecoou, fazendo os homens hesitarem.
Brass avançou rápido, rendendo um deles e apontando para os outros.
— No chão! Agora!
Enquanto isso, Sara correu direto para Grissom.
Ele estava caído… desacordado.
— Griss… — a voz dela falhou — Griss, acorda!
Ela segurou o rosto dele com cuidado, notando o ferimento.
— Meu Deus…
As mãos tremiam enquanto ela tentava mantê-lo consciente.
— Fica comigo… por favor…
— Já chamei reforço! — gritou Brass, enquanto imobilizava os homens — E uma ambulância!
Poucos minutos depois, a equipe chegou correndo para ajudar. Nick Stokes e Warrick Brown ajudaram a conter os agressores junto com Brass, enquanto Greg Sanders tentava entender o que tinha acontecido.
Mas Sara… não saiu do lado dele.
Segurava a mão de Grissom com força, como se aquilo fosse o único fio que o mantinha ali.
— Você não vai me deixar… — sussurrava, com lágrimas escorrendo — não agora…
A ambulância chegou rapidamente.
Os paramédicos começaram o atendimento, colocando-o na maca.
— Senhora, precisamos levá-lo — disse um deles.
Sara assentiu, mas não soltou a mão dele nem por um segundo.
Entrou junto.
Do lado de fora, Catherine Willows se aproximou, preocupada:
— Sara… nos dá notícias, tá?
Ela apenas concordou, com os olhos cheios.
— Assim que souber de algo… eu ligo. E… — respirou fundo — eu falo com a Beth também.
As portas da ambulância se fecharam.
E partiram.
Brass observou por um instante… depois voltou ao trabalho, levando os homens sob custódia.
— Vocês podem ir — disse para a equipe — descansem um pouco.
Mas ninguém ali estava realmente tranquilo.
Porque, mais uma vez…
Tudo tinha saído do controle.
E agora… a luta era outra.
No hospital, em Las Vegas, Sara Sidle ouviu o médico com atenção.
— Foi uma concussão leve… e algumas escoriações — explicou ele — nada grave. Assim que ele acordar e fizermos uma nova avaliação, poderá ter alta.
Sara assentiu, aliviada… mas ainda abalada.
Foi autorizada a entrar no quarto.
Ao abrir a porta, viu Gil Grissom deitado, ainda adormecido. A expressão tranquila contrastava completamente com o susto que ele havia lhe dado.
Ela se aproximou devagar, sentando-se ao lado da cama.
Segurou a mão dele.
Os dedos entrelaçaram com cuidado… como se precisasse sentir que ele estava ali, de verdade.
— Que susto você me deu… — murmurou, com a voz embargada — eu tentei ficar com raiva de você… juro que tentei…
Fez uma pausa, acariciando de leve a mão dele.
— Mas tem uma coisa que não deixa…
Respirou fundo.
— O amor que eu sinto por você.
Os olhos dela se encheram.
— Eu te amo tanto…
Continuou fazendo carinho… sem perceber o leve movimento nos dedos dele.
Então, ainda de olhos fechados, ele falou:
— Vou querer apanhar de vez em quando… só pra ouvir você dizer que me ama…
Sara arregalou os olhos.
— Grissom!
Ele abriu um pequeno sorriso, ainda sem encará-la.
— Você é muito presunçoso, sabia? — disse ela, meio rindo, meio chorando — me deu um susto danado, homem de Deus!
Ele abriu os olhos devagar, encontrando os dela.
— Não estou nos meus melhores dias… — respondeu, com um leve humor — quer dizer… você disse que me ama, então?
Sara respirou fundo, tentando retomar o controle.
— Eu disse que amo você… — corrigiu — não disse que reatei com você.
Ele assentiu, aceitando… mesmo que com um leve desapontamento.
— Vamos focar no que importa — continuou ela — quem fez isso com você?
O semblante dele ficou sério.
— Aqueles homens… foram enviados por Anthony.
Sara franziu a testa.
— Anthony? Por quê?
— Ele mandou um recado… — explicou — disse que vai voltar atrás da gente… e que quer o Augusto.
O olhar de Sara endureceu na mesma hora.
— Ele que ouse chegar perto do meu filho…
A voz saiu firme. Protetora.
Grissom apertou de leve a mão dela.
— Eu não vou deixar… meu amor.
O termo escapou natural.
Ela não corrigiu dessa vez.
Apenas sustentou o olhar por um segundo.
— Podemos ir pra casa? — perguntou ele, mais baixo.
Sara assentiu, já se levantando.
— Vou falar com o médico… ver sua liberação..
E, antes de sair, olhou para ele mais uma vez.
Com preocupação.
Com carinho.
E com um sentimento que… definitivamente…
Ainda estava longe de acabar.
Em casa, depois de tudo, o clima ainda era de alívio misturado com cansaço.
Gil Grissom e Sara Sidle explicaram para Beth Grissom o que havia acontecido. Já para Augusto, Grissom suavizou:
— O papai só caiu, filho… já estou bem.
O menino, ainda frágil, mas muito mais animado, aceitou a explicação sem questionar.
Sara então levou Augusto para o quarto para dar os medicamentos, enquanto Beth aproveitou o momento para conversar com o filho.
Ela se aproximou e começou a sinalizar em ASL:
BG: Filho… vocês estavam juntos no hospital. Se acertaram?
Grissom suspirou, passando a mão no rosto.
— Ainda não, mãe… — respondeu, sincero — a gente não conversou de verdade.
Fez uma pausa, pensativo.
— Mas… lá no hospital… ela disse que me ama.
Os olhos dele suavizaram.
— Só que também deixou claro que estamos separados.
Beth o observava com atenção.
— Eu sei que ela está magoada… — continuou — e com razão.
Ele respirou fundo, mais firme.
— Mas eu vou lutar. Vou lutar pra reconstruir a nossa família… e provar pra ela que eu amo mais que tudo.
Um leve sorriso surgiu.
— Eu tenho certeza de que vai dar certo.
Beth sorriu, com ternura, e respondeu em ASL:
BG : Pelo jeito que ela olha pra você… e como fala… sim, ela te ama.
Grissom abaixou o olhar, tocado… quase aliviado.
Nesse momento, Sara voltou para a sala com Augusto, agora bem mais animado.
— Papai!! — chamou ele, pulando no sofá.
O clima, aos poucos, voltava a ter vida.
Beth percebeu o cansaço evidente no rosto de Sara e, com delicadeza, sugeriu:
BG: Que tal eu ver um filme com ele no quarto? Vocês dois descansam um pouco.
Ninguém contestou.
Na verdade… parecia exatamente o que precisavam.
Sara se deixou cair no sofá por um instante… e, sem perceber, acabou adormecendo.
Grissom observou a cena em silêncio.
Mesmo com a dor ainda presente, aproximou-se com cuidado.
Pegou-a no colo.
Com toda a delicadeza do mundo, levou Sara até o quarto e a deitou na cama.
Ficou alguns segundos ali… apenas olhando.
Como se quisesse guardar aquele momento.
Depois, deitou-se ao lado dela, mantendo uma distância respeitosa… mas próxima o suficiente para sentir que ela estava ali.
Fechou os olhos.
E, vencido pelo cansaço…
Adormeceu também.
Pela primeira vez em meio a todo o caos…
Havia paz.
Ainda que temporária.
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