NOS BRAÇOS DO ALFA

11 Capítulo 10 — Selado em Desejo


Terça-feira em Everbloom era sinônimo de suor, treino e gritos de incentivo no campo da alcatéia. Dimitri, como de costume, estava presente, observando cada movimento dos seus guerreiros, corrigindo posturas, impondo respeito e, ocasionalmente, entrando no combate para “mostrar como se faz”.

Daisy, porém, decidiu que era um bom dia para ser cupido.

— Vamos ver o treino hoje! — disse, puxando Sofia pela mão.

— Mas eu nem tô arrumada…

— Você é linda até com cabelo preso de qualquer jeito. Vamos logo, vai ser divertido.

Sofia não sabia o quanto essa decisão mudaria seu destino.

O campo estava agitado. Lobos na forma humana duelavam com precisão, e Dimitri, com seu uniforme tático colado ao corpo e o cabelo preso com suor, era a personificação do desejo de Sofia.

Ela o assistia lutar com maestria, sua força e velocidade hipnotizantes. E quando ele parava, ofegante, o olhar sério varrendo o campo, Sofia se pegava mordendo o lábio.

Daisy notou.

— Você está praticamente ovulando ali parada — cochichou, rindo.

Sofia empurrou a amiga, rindo junto, até uma sombra chegar.

— Ora, ora, minha baixinha favorita veio nos prestigiar. — Richard.

— Ah, não… — disse Sofia, ainda rindo. — Vai começar?

— Começar? Já comecei. Como você tem coragem de estar aqui e não torcer por mim? — disse, colocando o braço nos ombros dela num abraço provocativo.

Ela tentou se soltar, mas ele a apertou levemente.

— Dá azar, sabia? Você precisa me desejar sorte. Ou... talvez um beijo?

A gargalhada de Sofia ecoou alto pelo campo.

E foi aí que Dimitri virou.

O mundo pareceu desacelerar.

Os olhos dele focaram nela. Ou melhor, focaram no braço de Richard em volta dela.

A aura ao redor do Alfa começou a pulsar. A respiração se tornou pesada. E quando Logan rosnou dentro dele, Dimitri não respondeu — ele cedeu.

Em segundos, ele atravessou o campo como uma sombra, parando em frente aos dois.

— Tire as mãos dela — foi tudo o que disse, a voz baixa, mas carregada de uma ameaça fria como o gelo.

Richard levantou as mãos, sorrindo nervoso.

— Calma, chefão. Era só uma brincadeira.

Dimitri não respondeu. Ele apenas puxou Sofia com firmeza pela mão, sem dizer nada, e a levou embora dali. Sem dar chance pra protesto. Sem explicar. Sem se justificar.

A porta da casa dele bateu com força. Dimitri soltou Sofia e deu alguns passos, passando a mão pelo cabelo, tenso, respirando fundo.

— Você perdeu o juízo? — ele explodiu. — Você sabe o que ele estava fazendo?!

— Ele é meu amigo! — Sofia rebateu, furiosa. — E você não tem o direito de me arrancar de lá feito um animal possessivo!

— EU SOU UM ANIMAL POSSESSIVO, SOFIA!

O silêncio caiu. Ele estava com os olhos brilhando em dourado. As mãos tremiam.

Sofia, com o coração disparado, deu um passo à frente.

— Se está tão incomodado assim, Dimitri… — ela sussurrou, com as bochechas vermelhas e a respiração acelerada — …se você quer que todos saibam que eu sou sua… então me marque.

Foi como acender uma fogueira num campo seco.

Logan rugiu de prazer dentro dele.

"É AGORA!"

Dimitri cruzou o cômodo em um pulo, agarrou Sofia pela cintura e a prensou contra a parede com um beijo faminto. Não havia mais racionalidade, apenas instinto, desejo, e o vínculo gritando.

Ela entrelaçou os braços em volta do pescoço dele, retribuindo com a mesma urgência. E quando ele a carregou até o quarto, os corpos estavam em chamas. Carícias, beijos, roupas sendo arrancadas com pressa.

Até que Dimitri parou. A respiração pesada. Os olhos completamente dourados.

— Vai doer um pouco — murmurou contra o pescoço dela, com a voz rouca e trêmula.

— Eu confio em você.

E então ele mordeu.

A marca brilhou por um segundo, como se Selene tivesse abençoado o momento com sua própria magia.

Sofia arqueou o corpo, tomada por uma sensação indescritível — de dor, prazer, amor, conexão. Dimitri a abraçou com força, sussurrando que ela era dele. Que sempre seria.

E ela, com a voz baixa, respondeu:

— E você é meu.

Logan finalmente se calou, em paz.

Selene sorriu lá de cima.

E o Alfa, agora marcado de volta por sentimentos verdadeiros, dormiu naquela noite com sua companheira nos braços… finalmente inteiro.

~*~

A luz do sol entrava tímida pelas cortinas, esquentando o quarto devagar, como se soubesse o que havia acontecido ali.

Sofia resmungou ao tentar se mexer.

— Ai... minha Nossa Senhora das Pernas Esquecidas...

Sentou-se com esforço, os lençóis embolados em volta da cintura, os cabelos bagunçados e os lábios ligeiramente inchados. Um roxo bonito, quase artístico, decorava sua clavícula, e a marca em seu pescoço brilhava suavemente, como um lembrete encantado do que havia se selado naquela madrugada.

Antes que pudesse pensar em levantar, Dimitri apareceu na porta.

Cabelos bagunçados. Camiseta preta colada no peito largo. Uma caneca fumegante nas mãos e um sorriso travesso no rosto.

— Bom dia, minha Luna.

— Bom dia? Você acabou comigo essa noite — ela resmungou, puxando o lençol para cobrir as pernas.

Dimitri se aproximou com calma, entregou a caneca e beijou sua testa.

— Exagerada. Você gemeu meu nome mais vezes do que um hino nacional é cantado. Isso é vitória.

Sofia o olhou com uma expressão morta.

— Dimitri... eu não sinto minhas pernas.

Ele deu de ombros, satisfeito.

— Isso significa que o serviço foi bem-feito. Logan está flutuando.

— Logan é um tarado!

— E você gosta dele.

Ela ficou vermelha.

— Não confirmo e nem nego essa acusação.

Dimitri gargalhou e a pegou no colo com facilidade, ignorando suas reclamações.

— Aonde estamos indo?

— Hoje, minha pequena marcada, você vai conhecer a rotina de um Alfa.

— Não posso nem andar!

— Eu carrego.

— Você só quer mostrar pra todos que me deixou no estado em que estou, né?

— Claro. Que tipo de Alfa seria eu se não exibisse minha mulher depois de uma noite perfeita?

Sofia passou a manhã inteira em seu colo ou sentada no escritório da mansão do Alfa, com Dimitri resolvendo pendências da matilha. Ela observava tudo com olhos atentos — contratos de alianças, estratégia de treinamento, segurança da cidade, planos para novos abrigos.

Ele era firme, respeitado, admirado… e, entre um documento e outro, mandava piscadinhas safadas e sorrisos cúmplices pra ela.

— Você é bom nisso, sabia?

— O quê? Liderar?

— Não. Ser sexy e insuportável ao mesmo tempo.

— Obrigado. Levo isso como um elogio de alma gêmea.

Quando os lobos entravam para reuniões rápidas e viam a marca no pescoço de Sofia, os sorrisos se alargavam, alguns inclinavam a cabeça em respeito, e outros só trocavam olhares cúmplices entre si.

Até Richard aparecer na sala, ver Sofia sentada com cara de preguiça e soltar:

— Eu sabia que essa sua expressão de “só durmo abraçada com o travesseiro dele” tinha um motivo.

Dimitri só ergueu os olhos.

— Você veio aqui pra perder os dentes?

— Não, só vim ver se ela ainda anda.

Sofia jogou um livro nele.

— Chato!

— Linda.

Quando o expediente acabou, Dimitri levou Sofia de volta pra casa — ou melhor, pra casa deles. Ela já estava se acostumando a chamar assim.

— Sobrevivemos ao seu dia de Alfa — ela disse, já deitada no sofá.

— Eu prefiro quando você sobrevive ao nosso tempo na cama.

— Dimitri!

— Tô falando de carinho!

Ela o encarou. Ele sorriu.

E ela soube ali, que era impossível resistir.

Mesmo sem sentir as pernas.