NOS BRAÇOS DO ALFA
14 Capítulo 13 – Instintos em fúria
Dimitri estava conversando com Jonathan e Richard sobre a segurança do festival, quando um arrepio percorreu sua espinha.
Não era apenas o vento. Era o tipo de sensação que Logan não ignorava. Era o tipo de sensação que o instinto de Alfa reconhecia.
Ele se virou devagar, os olhos analisando o campo à frente. Tudo parecia... normal. Mas não estava.
— Você sentiu isso também, né? — murmurou Jonathan, mais contido.
— Alguém estava nos observando — respondeu Dimitri. — E não era curioso. Era... ameaça pura.
Logan rosnou baixo dentro dele.
"Se não fosse tão rápido, eu o teria farejado."
Dimitri estreitou os olhos, atento. Mas a presença havia sumido, como fumaça.
Foi nesse momento que Sofia se aproximou. O sorriso gentil dela iluminou seu rosto — mas ele ainda estava tenso.
— Aconteceu algo? — ela perguntou, tocando de leve o braço dele.
Ele não hesitou em ser honesto.
— Senti que estávamos sendo observados. Alguém estava aqui, Sofia. E não era um amigo.
Ela o olhou preocupada, os olhos grandes se enchendo de medo por ele. Mas mesmo assim, sorriu para confortá-lo.
— A gente vai ficar bem. Você nunca erra quando sente algo assim.
Ele a abraçou apertado e beijou sua testa.
"Mas dessa vez… se errar por um segundo… eu te perco." — pensou, sem dizer.
~*~
Sofia saiu da livraria ao entardecer, fones de ouvido ligados, ouvindo sua playlist de trilhas sonoras favoritas. Estava cantarolando baixinho, os passos leves na trilha coberta por folhas.
Ela não viu.
Ela não ouviu.
Ela só sentiu.
Uma pontada aguda no braço esquerdo. Depois, o direito.
— Ah! — o grito foi abafado pela música. Ela tropeçou, os fones caíram. O sangue escorria.
Dois cortes profundos. Limpos. Calculados.
"Quem…?" — ela pensou, ofegando, tentando engolir o pânico enquanto corria até uma árvore e se escondia atrás do tronco largo, caindo de joelhos com os braços pressionados contra o corpo.
Dimitri parou de andar como se tivesse levado uma chicotada nos dois braços. O corpo dele queimou.
Logan urrou dentro da mente dele.
"Sofiiiiiaaaa!"
O Alfa correu. Esqueceu tática, esqueceu tudo.
Transformou-se parcialmente — o suficiente para ficar mais rápido, mais letal, mais Alfa do que nunca.
Ele sentia a dor dela. Sentia o cheiro do sangue.
E isso... quebrava algo dentro dele.
Minutos depois, ele parou, arfando, no meio do bosque. O cheiro de maçã com canela, o perfume suave dela... misturado com sangue fresco.
E então, ele a viu.
Encolhida. Tremendo. Com os olhos vidrados.
Os braços sangrando. A boca entreaberta em choque.
— Sofia... — ele sussurrou, o tom irreconhecível.
Ela o viu e o coração acelerou. Chorou de alívio.
— Dimitri...
Ele caiu de joelhos, puxando ela com cuidado para os braços, pressionando os cortes para estancar o sangue.
— Eu tô aqui. Eu tô aqui, minha pequena. — sua voz estava quebrada. — Eu te achei.
Ela chorou, as mãos trêmulas se agarrando à blusa dele.
— Alguém me atacou... por trás...
Logan rugia dentro dele, e dessa vez, ele não o conteve.
— Eu vou caçar esse desgraçado — disse entre dentes. — E vou mostrar o que acontece com quem toca no que é meu.
O sangue ainda escorria dos braços dela quando Dimitri a pegou nos braços como se fosse feita de cristal.
Logan estava selvagem, uivando dentro dele.
“Ela foi ferida... Ela sangrou... Eu quero o sangue de quem ousou!”
"Calma, Logan. Primeiro... a gente salva. Depois, a gente caça. " falou Dimitri, com os olhos brilhando em fúria.
Ele chegou à casa deles em tempo recorde, as portas se abriram com um chute e, segundos depois, Ellen estava ali.
A médica da matilha, mulher forte e serena, viu os ferimentos e já entrou em ação.
— Sofia, querida... me deixe ver. Dimitri, traga água morna. Agora!
Mas ele não se moveu.
— Dimitri? — Ellen chamou, erguendo uma sobrancelha.
— Eu... eu não consigo soltar ela. — murmurou ele, desesperado, com os olhos fixos no rosto de Sofia, que mal mantinha os olhos abertos. — Se eu soltar, ela pode... ela pode...
Ellen se aproximou, suavemente, colocando a mão no ombro dele.
— Ela vai viver. Mas agora, ela precisa de cuidados — falou com firmeza. — Cuidados que só eu posso dar. E vingança... essa vai ser sua parte.
Dimitri hesitou. Respirou fundo. E a entregou. Com cuidado. Com ódio. Com dor.
Ele se afastou da cama e saiu. A respiração pesada. As mãos cerradas. Na varanda, Jonathan e Richard o esperavam, já informados por Logan do ataque.
— Temos rastros — disse Jonathan. — Pegadas leves, ágeis. Um perfume sutil de alguém... familiar. Mas estranho.
Richard complementou, com a seriedade rara:
— Isso foi feito por alguém que sabia o que estava fazendo. Duas facadas nos braços. Não foi para matar. Foi para mandar um aviso.
Dimitri riu.
Um riso amargo. Escuro. Assustador.
— Então mandem um aviso de volta. Comecem a caçada.
~*~
Sofia estava deitada, os braços enfaixados com cuidado. Ellen a observava com ternura.
— Você foi muito corajosa, sabia?
— Eu só... queria chegar em casa. — murmurou Sofia, os olhos marejados.
Ellen passou a mão em seus cabelos.
— E chegou. Está em casa. E tem um lobo que está prestes a virar o inferno de alguém lá fora. Você já ouviu falar de um Alfa furioso, Sofia?
— Eu... conheço um. Ele tem olhos lindos e um ego do tamanho do Alasca.
Ellen riu.
— Esse mesmo. E você é o coração dele, minha pequena. Quem mexe com você... não vive muito tempo.
Sofia sorriu, mas o medo ainda estava ali, escondido no fundo dos olhos.
— Ele vai se afastar de novo?
Ellen negou com a cabeça.
— Não depois de ver o seu sangue. Não depois de sentir sua dor. Agora ele é seu. Por inteiro.
~*~
Dimitri, já em forma parcial de Logan, rosnava baixinho, cheirando as trilhas com atenção. Jonathan vinha logo atrás. Richard estava posicionado em um dos flancos, atento a qualquer movimento.
E então… um lenço.
Dimitri segurou o lenço com força entre os dedos. Um rosnado baixo e ameaçador escapou pela garganta enquanto os olhos dourados ganhavam um brilho assassino.
Aquela costura. Aquele perfume. Aquele lenço.
Jonathan o observava com atenção, percebendo a rigidez no maxilar do Alfa.
— Você reconheceu isso. — falou com cautela.
Richard se aproximou, curioso, e arqueou uma sobrancelha quando viu o símbolo costurado à mão.
— Isso... não é o brasão da família Salvatore?
Dimitri cerrou os olhos. A respiração acelerada. Os dedos tremiam de fúria contida.
— Foi um presente meu. — murmurou, com a voz rouca de rancor. — Dei isso... à mulher que destruiu tudo em mim.
Richard soltou um assobio baixo.
Jonathan franziu o cenho.
— Você acha que é ela?
Dimitri guardou o lenço no bolso da calça tática. A aura dele ficou mais densa, quase sufocante.
— Eu não acho nada. Eu sei que é.
— Mas por que agora? — perguntou Jonathan. — Por que ela atacaria Sofia?
O lobo dentro de Dimitri rosnava.
_ Porque ela não suporta saber que, mesmo depois de tudo, eu fui capaz de amar alguém de verdade. Que ela nunca teve o que Sofia tem. E nunca terá.
Richard, sempre pronto para um comentário, dessa vez ficou calado. Mas ainda assim, soltou:
— Isso tá com cheiro de vingança. E de ciúmes mal resolvido.
Dimitri assentiu.
— Vamos caçar.
— Hoje?
— Não. Hoje... eu volto pra casa. Ela está machucada.Ela precisa de mim.
Mas no fundo, ele sabia... Ele também precisava dela.
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