NO LIMITE DO ATRITO
3 Fora de Giro
Notas iniciais
Capítulo 3: Fora de Giro
🏎️ POV Bella
Os flashes das câmeras fotográficas espocavam contra os meus olhos como pequenas explosões de magnésio, deixando rastros luminosos e esverdeados na minha retina toda vez que eu tentava encarar a massa de jornalistas espremida na sala de conferências da FIA. O ar condicionado do auditório estava regulado no mínimo, mas o calor humano e a tensão palpável transformavam o ambiente estéril em uma estufa abafada, impregnada com o cheiro de café requentado e o perfume caro dos assessores de imprensa que vigiavam cada movimento nosso do fundo do salão. Sentada bem no centro da bancada oficial pós-qualificação, eu sentia o estofado da cadeira de couro grudar levemente nas costas do meu macacão vermelho, enquanto minhas mãos, ainda trêmulas pela descarga de adrenalina de ter conquistado a Pole Position por apenas treze milésimos de segundo, tamborilavam uma batida nervosa contra a superfície de fórmica cinza. À minha direita, separado por uma placa de acrílico e por um abismo intransponível de privilégios, Edward Cullen exibia a sua habitual máscara de gesso aristocrática, embora a rigidez dos seus ombros sob o tecido azul-marinho do seu uniforme e o ritmo acelerado com que ele girava o boné da equipe entre os dedos longos denunciassem que a derrota recente ainda sangrava no seu orgulho britânico.
Um repórter da TV italiana ergueu o microfone na terceira fileira, direcionando o olhar astuto para nós dois com o sorriso de quem sabe exatamente onde enfiar a faca para conseguir a manchete do dia seguinte.
— Signorina Swan, ontem nos treinos livres vimos uma pilotagem extremamente agressiva da sua parte na curva da Piscina, e hoje você repetiu a dose, flertando com o desastre para arrancar a Pole Position de Edward Cullen por uma fração quase invisível. Há quem diga no paddock que o seu estilo de pilotagem não é apenas audacioso, mas perigosamente imprudente para um circuito de rua como Monte Carlo. Como você responde às críticas internas de que está jogando com a segurança dos outros pilotos para compensar as limitações tecnológicas do seu chassi Swan-Black?
Eu me inclinei em direção ao microfone pescoço de ganso fixado à minha frente, respirando fundo e deixando que um sorriso gélido e perfeitamente ensaiado moldasse os meus lábios antes de disparar o contra-ataque.
— O automobilismo de elite sempre foi sobre encontrar o limite absoluto entre a aderência física e o muro, e se alguns pilotos precisam de uma margem de segurança de dois metros porque não confiam na precisão das suas próprias mãos, isso é um problema deles, não meu — respondi, mantendo a voz perfeitamente modulada, pausada e fria, desviando o olhar sutilmente na direção de Edward, que contraiu o maxilar de imediato ao ouvir a provocação. — A Swan-Black não tem os bilhões de uma montadora, mas nós temos o braço e o sangue frio necessários para manter o pé cravado onde os outros aliviam por medo. Eu não jogo com a segurança de ninguém; eu apenas jogo com o pavor que o piloto número dezessete tem de ver um macacão vermelho liderando a subida da Beau Rivage.
Um murmúrio coletivo correu pelas fileiras de jornalistas, e os flashes duplicaram de intensidade. Edward soltou um riso soprado e cortante, inclinando-se para o seu próprio microfone com uma lentidão calculada, os olhos verdes brilhando com uma fúria fria que parecia querer queimar a placa de acrílico que nos separava.
— É fácil falar sobre coragem quando o campeonato ainda está no início e você não tem a responsabilidade corporativa de entregar um resultado consistente para uma marca mundial, Signorina Swan — Edward rebateu, o sotaque britânico polido saindo com uma precisão cirúrgica que fez os repórteres prenderem a respiração. — Mas a corrida em Mônaco tem setenta e oito voltas de puro desgaste mental, e o instinto bruto sem o suporte de uma engenharia de ponta costuma terminar de forma trágica contra os guard-rails da Tabac. Nós temos o carro mais equilibrado para o domingo, e a Pole Position de hoje vai parecer uma memória muito distante quando a estratégia de boxes da Cullen Racing começar a funcionar na pista. A arrogância americana costuma quebrar na primeira frenagem real sob pressão.
— Idiota condescendente... — sussurrei de canto de boca, afastando-se do microfone enquanto o assessor da FIA encerrava a coletiva às pressas para evitar que a troca de farpas virasse uma agressão verbal generalizada diante das câmeras de transmissão internacional.
Duas horas depois, quando cruzei a linha de demarcação da garagem da Swan-Black para finalmente me livrar daquele macacão abafado e tentar lavar o sal da minha pele, fui recebida por um grito agudo e estridente que ricocheteou nas paredes de metal do box, quebrando o silêncio focado que Jacob e Billy mantinham sobre as planilhas de corrida. Antes que eu pudesse esboçar qualquer reação de defesa, um vulto pequeno, extremamente hiperativo e vestindo um casaco oversized de grife europeia se jogou contra o meu pescoço, envolvendo-me em um abraço sufocante que cheirava a perfume de jasmim e à liberdade das ruas de Seattle.
— Eu não acredito que você conseguiu a Pole! Bella, você destruiu aquele garoto de ouro da Inglaterra! Eu vi os tempos na tela do aeroporto e quase fiz o piloto do jatinho pousar na avenida costeira! — Alice Brandon exclamou, afastando-se um milímetro para segurar os meus ombros e me avaliar com aqueles olhos castanhos brilhantes e elétricos, fazendo o seu rabo de cavalo curto balançar de um lado para o outro. — Mas olha o caimento desse macacão, por Deus, Swan! Nós precisamos ajustar essas costuras laterais urgentemente na próxima temporada, você é uma pilota de elite, não um mecânico de caminhão dos anos noventa!
Logo atrás dela, encostada na bancada de ferramentas do Jacob com os braços cruzados sobre a jaqueta de couro gasta e exibindo um sorriso de lado que exalava uma cumplicidade antiga, Leah Clearwater nos observava com a postura altiva e ranzinza que eu tanto sentia falta. A irmã mais velha do Seth tinha vindo de surpresa junto com a Alice, cruzando o oceano em segredo apenas para me dar o suporte emocional que sabiam que eu precisava para enfrentar o fantasma do Emmett naquele paddock hostil.
— Deixa a garota respirar, Alice — Leah disse, sua voz rouca trazendo um conforto imediato que fez o nó de tensão nas minhas costelas se afrouar pela primeira vez em dias. Ela caminhou na minha direção, trocando um aperto de mão firme e um abraço rápido que transmitia uma força brutal. — Você mandou bem na pista, Bella. O Seth me ligou ontem dizendo que o seu engenheiro de dados quase teve um infarto na garagem. Você fez o Cullen parecer um amador na curva do hotel.
— Que bom que vocês estão aqui... vocês não têm ideia do inferno que está sendo aguentar a polidez de fachada daquela equipe azul — respondi, deixando meus ombros desabarem enquanto aceitava a garrafa de água que Jacob me estendia em silêncio, seu olhar técnico piscando com um agradecimento discreto pela presença das meninas que finalmente trariam um pouco de humanidade para aquele cubículo de graxa.
A noite de Mônaco não demorou a engolir o Principado com a sua habitual ostentação de neon, luzes douradas e o som abafado dos graves dos DJs que ecoavam das coberturas mais exclusivas da avenida costeira. O after-party oficial dos pilotos estava acontecendo na cobertura do hotel Twiga, um espaço de luxo flanqueado por paredes de vidro panorâmicas que davam diretamente para a marina lotada de superiates iluminados. O champanhe corria solto em taças de cristal, e o clima de profissionalismo do paddock tinha sido completamente pulverizado pelo álcool e pela sensação de alívio temporário após os treinos oficiais. Eu estava encostada na balaustrada de mármore branco da varanda, vestindo um vestido vermelho extremamente curto e colado ao corpo que Alice havia escolhido a dedo — uma peça que contornava cada curva minha como uma segunda pele provocativa —, sentindo o vento do mar agitar algumas mechas soltas do meu cabelo enquanto Leah e Alice discutiam com o barman sobre a qualidade do gin local.
A calmaria acabou no segundo em que Benjamin, o carismático e impetuoso piloto egípcio da equipe Amun Racing, invadiu o nosso espaço na varanda segurando uma garrafa de tequila pela metade, com o colarinho da camisa branca desabotoado e os olhos brilhando com uma euforia perigosa provocada pela bebida.
— Swan! A rainha de Monte Carlo! — Benjamin gritou, atraindo a atenção de vários pilotos que bebiam nas mesas próximas, incluindo a comitiva da Cullen Racing que estava estrategicamente posicionada no lounge VIP do outro lado da pista de dança. — Eu acabei de apostar com o Garrett que você não tem a mesma coragem nas estradas que sobem a colina de La Turbie com um carro de rua comum. O valet do hotel está cheio de Ferraris e Porsches de aluguel que os patrocinadores deixaram para a gente. O que você acha de resolvermos a rivalidade do fim de semana agora mesmo, longe dos olhos caretas da direção de prova da FIA? Um racha noturno até o topo da montanha!
Eu olhei por cima do ombro de Benjamin e vi Edward Cullen se levantando do sofá de veludo azul do seu lounge. Ele tinha abandonado o uniforme; usava uma camisa de linho branca de mangas compridas e uma calça social azul-marinho impecável, mas o visual alinhado contrastava com o fato de estar visivelmente alterado pela bebida. Seus olhos verdes estavam mais escuros do que o normal e ele exibia a postura rígida de quem tinha passado a noite inteira tentando afogar a humilhação dos treze milésimos de segundo no fundo de um copo de uísque puro. Ele caminhou na nossa direção com passos ligeiramente desalinhados, mas mantendo aquela arrogância inerente que me dava náuseas.
— Se a Swan quiser correr, Benjamin, ela vai precisar de um carro com para-choques reforados, porque o estilo americano dela costuma usar os muros como guia de trajetória — Edward disparou, a voz saindo ligeiramente arrastada pelo álcool, mas mantendo o tom de deboche que me fez cravar as unhas na taça de cristal que eu segurava. Seu olhar desceu pelo meu vestido vermelho colado, demorando-se nas minhas pernas expostas com uma intensidade que ele tentou disfarçar com desdém. — Mas duvido que ela aceite o desafio fora do ambiente controlado da pista oficial. Sem o Jacob Black para ler os dados no rádio dela a cada curva, ela é apenas uma pilota comum com excesso de agressividade.
O insulto direto arrancou uma risada alta dos outros pilotos ao redor, e eu senti o meu sangue atingir o ponto de ebulição instantaneamente, a fúria fria assumindo o controle total dos meus reflexos nublados pela vodca que eu vinha bebendo.
— Pega as chaves da Ferrari vermelha no valet, Benjamin — respondi, minha voz saindo baixa, firme e mortalmente perigosa enquanto eu dava um passo à frente, ficando tão perto de Edward que eu conseguia sentir o calor etílico que emanava do seu peito. — E você, Cullen, entra no seu Porsche azul. Eu vou fazer você engolir esse seu sotaque de lorde britânico antes de chegarmos à primeira curva da colina. Vamos ver quem precisa de engenheiro de dados quando o asfalto não tem área de escape.
Vinte minutos depois, os dois carros esportivos rasgavam a escuridão das estradas sinuosas e estreitas que subiam os penhascos de Mônaco. O racha foi um duelo insano e visceral; a velocidade com que contornávamos os desfiladeiros sem proteção desafiava qualquer senso de preservação humana, as traseiras dos carros escorregando no asfalto frio enquanto o som dos motores roncava contra as rochas escuras. Edward tentou fechar a linha por três vezes, usando a potência pura da máquina azul que ele pilotava, mas a minha percepção espacial e o meu reflexo bruto estavam afiados pelo ódio acumulado. Na última curva fechada antes do mirante, onde o abismo se abria diretamente para o mar lá embaixo, eu mantime o pé cravado no acelerador da Ferrari vermelha, deixando o carro derrapar a milímetros da mureta de pedra, cruzando a linha de chegada improvisada pelo Benjamin com uma vantagem de dois corpos de carro sobre o Porsche dele.
🏎️ POV Edward
O painel digital do Porsche azul de aluguel piscava em vermelho, indicando o superaquecimento dos freios que eu tinha destruído na tentativa frustrada de alcançar a traseira daquela maldita Ferrari vermelha. Minhas mãos apertavam o couro do volante com tanta força que os meus nós dos dedos doíam sob a pele, enquanto o meu peito subia e descia de forma descompassada, o oxigênio parecendo queimar os meus pulmões misturado ao álcool que ainda nublava a minha capacidade de raciocínio lógico. Perder na pista oficial tinha sido um golpe duro, mas ser superado nas estradas de terra da colina, sem nenhuma tecnologia de ponta para me proteger e sob o olhar de deboche de metade do grid da Fórmula 1, fora a gota d'água que pulverizara o restante do meu autocontrole. Toda aquela raiva que eu dizia sentir dela, a fúria que me dominava cada vez que o nome Swan aparecia nas telas, revelou-se naquela derrota como o que realmente era: um tesão reprimido, violento e avassalador que estava prestes a me fazer quebrar.
Eu bati a porta do carro com uma violência que ecoou pelo mirante deserto e caminhei de volta para a cobertura do hotel, empurrando as pessoas no caminho. Eu a vi de longe no meio da comemoração. Bella estava abraçada por duas mulheres que eu nunca tinha visto no paddock: uma nativa americana de braços cruzados e postura altiva, e outra tão absurdamente branca, magra e pequena que parecia uma fada saída de um livro de contos. Eu não sabia quem eram e não me importava. Meu foco estava inteiramente na silhueta de vermelho que ria com desdém da minha derrota. Eu precisava confrontá-la. Eu precisava arrancar aquela expressão de superioridade do rosto dela antes que a minha mente explodisse de vez. Eu a segui de longe quando vi o tecido vermelho do seu vestido colado sumir pelo corredor silencioso e iluminado por arandelas de cristal que levava à área dos banheiros de mármore da cobertura.
Eu empurrei a pesada porta de madeira maciça do banheiro principal logo atrás dela, entrando no espaço claustrofóbico e luxuoso flanqueado por espelhos bisotados e pias de mármore carrara. Antes que ela pudesse reagir, girei a chave na fechadura interna, trancando nós dois naquele isolamento acústico onde o som abafado dos graves do DJ parecia uma batida distante de um coração enfurecido. Bella girou os calcanhares de imediato, os olhos castanhos brilhando com uma fúria selvagem sob a luz difusa, as mãos cravadas na cintura do vestido vermelho que subira ligeiramente pelas suas coxas.
— Você perdeu o juízo de vez, Cullen?! — ela gritou, sua voz ecoando nas paredes espelhadas com uma força que fez os meus próprios nervos vibrarem. — Destranca essa porta agora ou eu juro que quebro essa sua cara de garoto de ouro contra o mármore dessa pia! Você não aceita perder no braço e agora vem querer fazer ceninha de orgulho ferido nos bastidores?
— Você é uma insuportável, Swan! Uma louca imprudente que vai acabar se matando em uma pista e levando metade do grid junto com você por puro ego! — respondi, dando dois passos rápidos e eliminando o espaço entre nós. O linho branco da minha camisa roçou no vermelho colado do vestido dela. Minha voz saiu rouca, arranhada pelo uísque e pela urgência do meu próprio corpo. — Você acha que o mundo gira ao redor da sua fúria contra o sistema, mas você é apenas uma garota mimada que não respeita os limites da física!
— E você é um babaca egoísta! Um filhinho de papai que foi moldado em laboratório de marketing e que entra em colapso no primeiro segundo em que encontra alguém que é muito melhor do que você na pista! — ela rebateu, batendo com o indicador firmemente contra o meu peito, a pressão dos seus dedos enviando uma descarga elétrica direto para a minha espinha. — Você é um idiota, Edward! Um idiota ridículo!
— E você é uma gostosa... — as palavras escaparam dos meus lábios, a verdade crua que eu vinha tentando camuflar com agressividade explodindo entre nós.
Bella travou o corpo por completo, os lábios entreabertos em uma expressão de puro choque, mas o tempo foi o suficiente para que o restante da minha sanidade mental evaporasse por completo. Toda a nossa rivalidade, cada milésimo de segundo disputado, cada olhar de ódio... tudo se reduzia àquele magnetismo doentio. Eu enterrei as minhas mãos na cintura dela, puxando o seu corpo com uma força brutal contra o meu peito, colando os nossos lábios em um beijo cinematográfico, violento e desesperado.
O impacto do beijo fez as costas da Bella baterem contra a parede espelhada do banheiro. Ela tentou resistir por meio segundo, suas mãos batendo contra a minha blusa de linho branca, mas o tesão puro e reprimido transformou a rejeição em uma entrega selvagem. Suas unhas cravaram-se nos meus ombros, e a sua boca se abriu sob a minha com uma fome idêntica à minha. Eu ergui o corpo dela pela cintura com um movimento rápido, sentando-a sobre a bancada alta de mármore carrara, espalhando os copos de vidro pelo chão em um barulho surdo. Minhas mãos subiram pelas pernas expostas dela, arrastando o tecido vermelho do vestido colado totalmente para cima, sentindo a pele quente e firme da sua coxa queimar os meus dedos.
No meio do beijo feroz, enquanto eu afastava a lateral da calcinha dela com pressa e urgência, Bella conseguiu afastar o rosto por um milímetro, o peito subindo e descendo de forma violenta.
— Eu te odeio, Cullen... — ela arfou, a voz embargada pelo prazer latente, os olhos castanhos fixos nos meus com uma intensidade que misturava fúria e luxúria pura.
Eu soltei uma risada curta, rouca e carregada de escárnio e desejo, inclinando o meu corpo para a frente para me enterrar nela de uma vez só, um encaixe perfeito e profundo que arrancou um gemido sibilado dos seus lábios. Enrosquei meus dedos nos seus cabelos, puxando a sua cabeça para o lado para morder e sugar a linha do seu pescoço enquanto eu iniciava um ritmo firme, rápido e implacável contra o mármore.
— Maravilha... — respondi contra a pele quente do pescoço dela, rindo baixo enquanto desferia estocadas profundas que faziam o corpo dela tremer inteiro. — Use esse seu ódio para gemer meu nome gritando, porque tem umas cinquenta pessoas do outro lado dessa porta esperando o grande vencedor da noite.
Bella enterrou as unhas nas minhas costas, rasgando o linho da minha blusa enquanto soltava um gemido alto, agudo, totalmente desgovernado que ecoou pelo banheiro. O ritmo entre nós era frenético, ditado pela mesma agressividade que usávamos nas pistas, uma disputa por dominância onde as nossas respirações se misturavam em um som único de puro pecado. O vestido vermelho estava totalmente amontoado na cintura dela, a minha calça social azul-marinho abaixada até o limite das coxas, e o espelho atrás de nós estava completamente embaçado pelo calor sufocante que emanava dos nossos corpos colados pelo suor. Ela prendeu as pernas ao redor das minhas costas, puxando-me ainda mais para dentro dela, exigindo mais velocidade, mais força, mostrando que mesmo na cama ela se recusava a ser dominada.
O prazer se acumulou de forma insustentável, uma sobrecarga termodinâmica que nos levou ao limite absoluto. Quando o clímax nos atingiu, foi como uma colisão a trezentos quilômetros por hora; Bella travou os dedos nos meus ombros em um espasmo violento, gritando o meu nome contra o meu ouvido enquanto o seu corpo se contraía ao redor do meu. Eu me entreguei ao espasmo final com um rosnado rouco, afundando-me nela uma última vez antes de desabar o meu peso contra o seu peito arfante. Ficamos ali, colados, os corações martelando em sincronia nas costelas, sabendo que a corrida de domingo no dia seguinte seria um verdadeiro campo de guerra.
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