Notas iniciais
♥Mais um capítulo, aproveitando o tempo livre e a inspiração. Obrigada pelo carinho recebido!!! Bjs, XD♥ *** O poema que abre o capítulo é meu.

“Ata-me ao teu corpo,

Amarras de prazer e dor!

Faz-me tua pele, teus ossos, teu sangue..

E quando teu sexo mergulhar em meu corpo

Ata-me em tua alma, crava tuas garras!

Traz-me o gozo,

Faz-me teu escravo e sejas o meu...

A madrugada foi permeada por uma chuva forte. Relâmpagos imprimiam uma luz fugaz sobre o quarto e sobre os corpos nus, ainda relaxados. Minos abriu os olhos, após alguns segundos. Tinha apagado, mas o movimento do corpo ao seu lado o despertou. Com os olhos semicerrados e um sorriso malicioso ele falou:

— Onde pensa que vai?

Hades olhou-o com uma expressão de desafio.

— Tomar um banho.

—Já?

— Pensei que não acordaria tão cedo.

— Posso não blefar tão bem quanto você, mas um puto que dorme depois de transar não se manteria na profissão, não é? – disse Minos colocando-se bem perto de Hades.

O moreno encarou-o com um meio sorriso.

— Talvez o seu talento seja, exatamente esse, mostrar-se saciado por ser bem fodido. – disse Hades.

Minos olhou-o daquele jeito selvagem que misturava deboche e sensualidade. Não era algo estudado, surgia ao natural e sempre deixava Hades com a impressão de estar sendo desafiado.

— Você tem razão... – disse ele se aproximando dos lábios do moreno. — Muitos, dos meus clientes, são carentes e fracos, então os deixo pensar que o sexo que me oferecem, me basta. Não é o seu caso, então posso ser sincero e dizer que para um começo, você marcou alguns pontos comigo. Mas, agora, vamos ao segundo tempo do jogo... – concluiu Minos levando as mãos por baixo dos cabelos de Hades, rente à nuca, para então puxá-lo para junto de sua boca, beijando-o daquele jeito.

As mãos hábeis do prostituto agiram sobre dois pontos no corpo de Hades, em um deles, mantendo-o colado a sua boca e no outro levando a mão ao pênis que se enrijeceu ao primeiro contato com a língua do jovem.

— Agora é a minha vez... Quero sentir esse seu gosto de outras formas... – sussurrou Minos entre o beijo, enquanto empurrava Hades sobre a cama e baixava o corpo, devagar, até chegar ao pênis ereto e tomá-lo na boca.

Acostumado a dominar, Hades já tivera toda a sorte de sexo oral. Não era novidade a forma como o sugavam e lambiam, porém Minos colocava seu membro na boca de modo que a sensação de estar sendo degustado, prazerosamente, trazia um frescor inédito ao ato. O prostituto levava seu membro até o fundo da garganta e depois o retirava da boca, roçando os lábios e respirando junto à pele sensível para, em seguida, lamber e mordiscar num ritual inebriante, enquanto suas mãos o acariciavam na parte interna das coxas e seu corpo se mexia, como se tomado pelo prazer de dar prazer...

Sem interromper o que fazia, Minos tateou buscando uma das muitas camisinhas que haviam se espalhado pela cama. Em seguida, interrompeu a felação e abriu o preservativo, enquanto olhava para Hades, notando que a respiração dele havia se alterado.

Segurando o preservativo do lado oposto e colocando-o em sua boca, Minos deu uma leve torcidinha no bico e, com a língua, segurou o reservatório de sêmen, encaixando a camisinha no pênis de Hades e, lentamente, foi desenrolando-a com a ajuda dos seus lábios até cobrir toda extensão da carne pulsante.

O ato fez com que Hades deixasse escapar um gemido baixo. Minos permaneceu com o pênis em sua boca e fez mais alguns movimentos de vai e vem, mas logo se retirou do ato com um sorriso safado.

— Quer me foder... Dom? Venha me pegar... – disse ele se afastando da cama.

Novamente, Minos provocava e o fazia de um jeito travesso que instigava Hades em níveis que jamais haviam sido despertados. Com agilidade, ele se levantou da cama com a ereção túrgida e uma expressão predatória. Avançou em Minos levando-o de encontro à parede e fazendo-o bater com as costas nela, enquanto demonstrava uma incrível força ao erguê-lo e falava próximo aos lábios que se abriram com o impacto.

Cuidado com o que pede, Griffon... – disse Hades, enquanto forçava Minos a abrir as pernas, ao insinuar suas coxas entre elas.

O jovem arquejou e sorriu, enquanto Hades o acariciava com força, as mãos subindo pelas laterais do corpo, até chegar aos mamilos e tocá-los até sentir-lhes a turgidez.

Com um sorriso malévolo, Hades virou-o de costas e cravou os dedos na bunda roliça que já exibia algumas marcas avermelhadas. Mordeu-o no ombro com voracidade, marcando-o e arrancando um gemido baixo.

Minos arqueou a coluna, porém Hades tornou a mantê-lo sob o seu jugo, colando seu corpo ao dele, a ereção pulsando entre as nádegas empinadas e as mãos buscando os pulsos para prender os braços do jovem ao lado do corpo.

— É a segunda vez que me chama de Dom... Quer ser dominado por mim, não quer? É seu fetiche? Ser um puto submisso, mesmo afirmando não desejar ser?

À frase sussurrada, seguiu-se a penetração. Hades afundou-se com força dentro do corpo de Minos, fazendo-o gemer alto e estremecer. Porém, em meio ao prazer e a dor do ato abrupto, o jovem continuou a desafiá-lo.

— Te chamo de Dom, porque não sei seu nome...

— Meu nome é Hades...

Um sorriso e um ofego escaparam da boca de Minos. Ele gemeu enrouquecido e sua voz soou baixa, quase um murmúrio.

— O deus grego do Submundo... Vai me levar ao inferno...?

O modo sensual da fala e a surpresa em ver que Minos conhecia a origem do seu nome, fez Hades ficar ainda mais excitado. Ele estocou com força, seus quadris bateram nas nádegas e o som seco do encontro dos corpos começou a competir com o barulho da chuva se chocando contra os vidros. Ofegante, Hades buscou o queixo de Minos, virando-o em direção ao seu rosto, usando os dedos longos para acariciar e mergulhar na boca arfante.

— Já estamos no inferno... Griffon...

Ditas as palavras, enfiou a língua em sua boca de um jeito quase animalesco, mordendo, sugando e apertando-se contra ele que recebia seu corpo sacudido pelas estocadas fortes e intensas.

Escorregou até uma das coxas de Minos e a apertou, deixando mais marcas dos dedos na pele alva, enquanto se enfiava mais e mais dentro da cavidade estreita e gemia ao seu ouvido, deixando-o entontecido, ofegante...

A penetração ritmada e profunda atingia Minos como um ferro abrasador e atravessava o seu corpo deixando um rastro de prazer cada vez mais ardente. Ele ofegava, sentindo o falo de Hades mover-se cada vez mais rápido dentro de si, tomando-o com fúria, arrancando gemidos entrecortados e cada vez mais altos de sua garganta. Sentia as gotas de suor, formar-se em seu corpo, o calor exalado por ambos os corpos deixando-o afogueado, o ambiente ficando mais carregado... O gozo viria, novamente, tão forte quanto tinha sido a primeira vez...

Tomar Minos daquele jeito excitava Hades e ele percebia que com o prostituto não era diferente. Aspirou o ar próximo da pele dele e afundou mais do membro, movendo-se com mais velocidade. Os gemidos de Minos eram longos, a mistura entre a dor e o prazer nunca lhe parecera tão exata, tão perfeita... Era bem dotado e sabia disso, porém Minos o aceitava em seu interior e nunca um corpo encaixara com o seu com tanta maestria e lhe dera tamanha satisfação...

Minos ofegava e gemia, seu corpo parecia se dividir com as estocadas, naquela posição, mas não importava, era bom, era diferente de todos com quem já transara. Abriu mais as pernas e inclinou-se ainda mais, aspirando o ar de forma entrecortada para dentro dos pulmões, enquanto era arremessado para frente e puxado para trás pela mão forte que prendia sua cintura.

Sentindo o gozo cavalgá-lo como se fosse a chuva torrencial que caía sobre a cidade, Hades mordeu a nuca do jovem, os dentes cravando como se ele fosse uma fera no auge do orgasmo, sentiu seu falo derramar-se em longas pulsações dentro de Minos e, enquanto sentia seu corpo ser sacudido por um intenso prazer, desejou não estar usando preservativo. De repente, quis sentir-se parte daquela umidade e daquele calor sem que houvesse barreira entre sua carne e a dele...

Hades ainda sentia seu falo latejar e se movia apertado no corpo de Minos, enquanto seu corpo estremecia e seus dedos cravavam nos quadris do amante. Ele jogou a cabeça para trás, deleitando-se com o aperto delicioso e o calor que emanava do corpo do jovem quando o orgasmo o atingiu, mas fez questão de ficar com os olhos abertos, bebendo do prazer de Minos, dos tremores do corpo jovem, os lábios se abrindo, os olhos fechados, o gozo explodindo em jatos...

Fechando os olhos e sentindo o clímax de Hades, Minos também gozou estremecendo e se contorcendo de um modo avassalador. Não precisara ser masturbado, bastara apenas a invasão profunda e tudo explodira em um orgasmo tão forte que lhe tirou o ar.

Ficaram trêmulos, junto um do outro, com Hades segurando Minos, os fios platinados e exóticos do jovem grudando no suor da testa e os de Hades grudados às costas. As mãos do mais velho se moveram para aquele rosto deliciosamente afogueado, segurando-o para então começar a mordiscar o seu maxilar e deslizar a língua até a orelha, mordendo o lóbulo, circundando toda a região, deixando a respiração pesada escapar por sua garganta, enquanto saía de dentro dele e retirava o preservativo.

— Bem vindo ao meu mundo... Griffon... – murmurou Hades, enquanto arrastava Minos para a cama, onde ambos desabaram com o peito arfante e os corpos cobertos de suor. Antes de fechar os olhos, Minos sorriu e completou:

— O inferno não é tão ruim, afinal...

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Enrolada num robe negro que encontrara no quarto do irmão, Pandora foi até uma das enormes janelas da cobertura. A cidade começava a acordar com seu tráfego e movimento. Instantes atrás, uma senhora havia entrado e se apresentado como empregada do senhor Hades e já estava na cozinha, preparando o café da manhã.

Onde será que ele se meteu? Pensou Pandora, quando a senhora baixa e de sorriso simpático lhe ofereceu uma xícara de chá.

— Obrigada, mas prefiro um café bem forte. – disse ela à mulher.

— Exatamente como o seu irmão. Vou providenciar. – disse ela fazendo uma reverência ao estilo oriental.

— Senhora Shizuko... – chamou Pandora.

— Sim?

— Meu irmão... ele... costuma ficar fora?

— Eu não sei dizer, senhorita. Chego cedo e fico envolvida com meu trabalho. Só sei que o senhor Hades gosta do café, pontualmente às sete.

Pandora deu um sorriso tímido e a senhora Shizuko a deixou com seus pensamentos. Em seguida, Hades entrou, olhando-a com uma expressão interrogativa.

— Onde você andou? – perguntou ela indo ao seu encontro.

— O que está fazendo em pé, há esta hora?

— Acordei sozinha, você não estava e eu senti medo.

— Não é mais criança para temer o escuro ou a solidão, Pandora. E por que está usando o meu robe?

Ignorando a pergunta do irmão, Pandora mordeu o dedo indicador e perguntou:

— Onde você foi?

— Aceitei-a como minha hóspede, não como alguém a quem devo dar satisfações. – cortou Hades.

Grosseirão! Custa agir como se fosse um irmão normal?

— Sou seu irmão mais velho. O normal seria você dar-me alguma satisfação, o que eu dispenso. Já tomou café?

— A sua empregada está cuidando disso. – falou Pandora, emburrada.

— Então me espere à mesa, na sala de jantar. Já vou estar com você.

Hades deu as costas à Pandora e ela notou-lhe os cabelos mais longos, talvez por estarem molhados...

— Já sei onde você foi... – disse ela ladeando o rosto. — Deve ter ido transar por aí! Cabelos molhados são um sinal clássico de noite passada em motel! – gritou em seguida, rindo de forma quase histérica.

Sem dar ouvidos à fala da irmã, Hades continuou até chegar ao seu escritório. Deu alguns telefonemas, verificou os últimos gráficos no computador e saiu pela porta lateral que dava para o pequeno ginásio particular que mantinha.

Era uma sala ampla com aparelhos de musculação, objetos de treino para artes marciais, um tatame e um suporte para armas brancas como espadas, punhais, sais, bastões e tonfas.

Ao pisar no tatame, Hades retirou o terno e colocou somente uma calça larga de um kimono que já o esperava em um cabide, dentro de um pequeno vestiário, deixando o torso nu.

Alongou o corpo, começando pelos braços, até chegar às pernas e, em seguida foi até o suporte das espadas para treino e pegou a katana. Preparou-se para realizar as posturas de combate, iniciando com o chudan no kamae onde a espada era posicionada à frente do corpo, apontando para a garganta do oponente e buscando manter a linha central do corpo.

Seu corpo moveu-se com leveza e eficiência de um guerreiro, cada músculo compondo o esforço que ele propunha. A respiração compassada e a flexibilidade completavam a postura e, ao executá-la, Hades visualizava o que desejava obter, fosse o fechamento de um negócio, a execução de uma tarefa da Fundação, qualquer coisa que lhe exigisse foco.

Repetiu a forma, até chegar ao jodan, posição onde a espada era segurada acima da cabeça, em um ângulo que variava de 45 a 20 graus em relação ao solo. Era o seu movimento preferido, onde podia pressionar o “inimigo” não só no físico, mas em seu espírito. Era uma atitude, uma mentalidade em que o domínio de si atingia o domínio do outro. Era conhecida, também, como kokoro no kamae ou a postura que atingia o coração...

Foi nesse instante que a imagem de Minos insurgiu em sua mente e o fato o surpreendeu. Sua mente estava sempre vazia, nestes momentos. O treino o preparava para a jornada exaustiva a que se impunha e nada se sobrepunha a isso. Porém, a noite prazerosa insistia em apresentar-se, revivendo sensações, estimulando lembranças...

O olhar de Minos, a irreverência, a rebeldia... Ele era como uma katana, belo, afiado, a lâmina à espera do mestre. Parecia se submeter, mas na verdade só era subjugado por sua própria paixão. Jamais encontrara alguém que o desafiasse como ele o fazia, nem que exalasse aquela sensualidade crua e indomável que o extasiava na cama e... fora dela.

Precisava encerrar aquele assunto. Havia sido uma noite de sexo e era só!

Clap! Clap!Clap! As palmas soaram no silêncio e Hades girou o pulso, interrompendo seus pensamentos e virando a espada na direção do som.

— Não disse que me esperasse na sala de jantar? – perguntou ele.

— Uau! Não sabia que você era um ás do Kung-Fu. Meu irmão, além de lindo é um guerreiro perigoso e mortal! Que sexy!

Hades franziu o cenho e inspirou fundo, indo até o suporte e colocando de volta a katana em seu lugar. Depois olhou para Pandora que parecia uma menina excitada. Olhando-o com aqueles olhos grandes e brilhantes. Ela nunca perderia aquele olhar?

Kung-Fu é uma arte marcial chinesa. Eu pratico Kendô, uma arte marcial japonesa.

— Ah, que diferença faz? Chinês, japonês, coreano, todos tem olhos puxados e uma coisinha assim no meio das pernas! – disse Pandora rindo e fazendo um sinal com o polegar e o indicador.

Ao contrário do que ela esperava, Hades não riu. Apenas olhou-a como se ela tivesse falado uma imbecilidade e lhe deu as costas. Pandora seguiu atrás, sem importar-se com a frieza do irmão. Enfiou o braço no dele e foi tagarelando, enquanto ele revirava os olhos e se questionava de ter permitido que ela ficasse.

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Minos acordou passado das três da tarde. Ignorou, completamente, os gritos de sua tia o chamando para almoçar e embarcara em um sono profundo e rápido, logo que deitara na cama. Estava exausto e precisava dormir para trabalhar à noite. Ainda sentia os olhos pesados e o corpo dolorido, mas estava de muito bom humor.

O apartamento estava silencioso, todos haviam saído e Minos sorriu, agradecendo aos deuses pela benção da solidão. Tirou a roupa e encaminhou-se para o banheiro. Um banho o deixaria mais desperto e preparado para a jornada noturna, embora ele não estivesse a fim de ir trabalhar.

Olhou-se no espelho e franziu o cenho, sua pele exibia marcas de mordidas e um roxo nos quadris que quase se poderiam tirar as digitais de tão nítidas que estavam.

Lembrou-se de Hades e da forma como tinham transado... A pegada firme, os beijos vorazes, a ereção constante, o corpo quente e viril. Já tinha tido clientes metidos a garanhões do sexo, mas nenhum deles se comparava àquele homem...

Examinou o corpo em frente ao espelho e, estranhamente, sentiu-se orgulhoso de cada uma das marcas em sua pele. Cada uma delas representava o tesão que despertara em Hades e senti-lo perder o controle, enquanto transavam tinha sido o máximo.

Deixou a água quente escorrer pelo corpo e gemeu ao sentir uma ardência naquele lugar. Ai, cacete! Espero que eu tenha um cliente que se satisfaça com um oral, porque a porta dos fundos tá comprometida.

Saiu do banho, secou os cabelos e vestiu o tradicional jeans e uma camiseta preta, justa ao corpo. Ainda estava sozinho, então resolveu abrir o envelope que Hades lhe dera. Chegara a pensar em não aceitar o pagamento, mas isso soaria antiprofissional e seria uma idiotice. Afinal, mesmo tendo uma noite espetacular, aquilo não era um encontro, era trabalho. Ele era um prostituto e Hades era um cliente, matemática básica onde um mais um resultava no número dois.

Retirou o dinheiro do envelope e não acreditou na quantia. Era o triplo do que era cobrado do Dark Sex. Por um lado, aquilo aumentou o seu orgulho, por outro dava a impressão que era uma forma de tornar aquele encontro único.

Com um suspiro, Minos deixou o apartamento encontrando o burburinho tradicional do bairro. Ao olhar em direção à esquina, encontrou o senhor Tadaka e resolveu ir trabalhar de táxi.

— Está livre, Odí-chan?— perguntou Minos enfiando o rosto para dentro do táxi verde.

— Prá você? Mas é claro, meu neto!- respondeu Tadaka sorrindo.

Minos entrou e logo se deitou, como de costume, no banco de trás.

— Para o mesmo lugar onde eu o pego sempre?

— Sim, por favor. – disse Minos e Tadaka percebeu que o jovem estava, excepcionalmente, feliz, naquele dia.

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O dia transcorrera repleto de atividades. Uma reunião exaustiva sobre os projetos sociais da Fundação Kido, depois outra, sobre as oscilações da bolsa de valores de Tóquio e, finalmente uma terceira para prevenir problemas com vazamento de informações.

A noite caia, novamente, sobre Tóquio e Hades voltava para casa, enfrentando o trânsito lento e tentando evitar pensamentos indesejados que teimavam sobrepor-se a sua mente e ao seu controle.

Quando abriu a porta do elevador, encontrou Pandora vestida para sair. Ela usava um vestido preto colado ao corpo e bastante curto, scarpins vizzano com salto agulha e uma delicada gargantilha de brilhantes com uma pequena safira. Prendera os cabelos em um coque baixo e feminino que deixava sua nuca à mostra e fizera uma maquiagem que fazia sobressair os olhos e os lábios delicados com um batom vermelho cintilante.

— Vamos jantar fora, quero conhecer a noite. – disse ela, antes mesmo que Hades dissesse boa noite.

Hades olhou-a e suspirou. Talvez fosse melhor sair e assim ocupar-se com outras coisas e, conhecendo Pandora, certamente ela o manteria bastante ocupado...

— Está bem, mas aconselho que troque esta roupa.

— O que tem demais? – perguntou ela colocando as mãos na cintura.

— Está parecendo uma vadia para os padrões orientais. – respondeu ele.

— Infelizmente, trouxe pouca roupa. Amanhã farei compras, mas por hoje, ficarei muito feliz em ser a vadia que será protegida pelo querido e talentoso irmão. – rebateu ela sem mostrar-se nenhum pouco ofendida com a rispidez do irmão.

Sem vontade de continuar aquela conversa, Hades foi até o bar e serviu-se de uma dose de uísque. Sua mente havia se empenhado em resolver os problemas durante o dia e agora vagava nas luzes coloridas a que tinha acesso na vista de sua cobertura. Liberto das pressões diurnas, mais uma vez, a imagem de Minos invadia suas lembranças e um arrepio de prazer sussurrava em seu ouvido.

Sorveu o restante do uísque numa tentativa de afastar aquela sensação. Não era homem de perder-se em devaneios, ainda mais quando a questão era sexo. Precisava voltar ao seu habitual passeio pelos lugares onde era conhecido como Dom e o faria, assim que retornasse e deixasse Pandora em casa.

— Vou tomar um banho rápido e saímos. — disse Hades e Pandora sorriu como uma criança ao ganhar um doce.

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Minos pagou o táxi e desceu. Assim que atravessou a rua, notou uma limusine negra em frente ao Dark Sex. Quando chegou perto, o chofer deixou o enorme carro e foi até ele.

— Meu patrão quer falar com o senhor. Por favor, entre – disse o homem uniformizado.

O jovem sorriu. Será ele? Não... Esse carro, não é o estilo dele. Bom, talvez...

Antes que Minos tivesse a confirmação das suas suspeitas, um homem tatuado e sorridente se revelou.

— Entre, Griffon, hoje nós vamos dar uma volta. – disse Hiroaki.

Com o cenho franzido e sentindo uma profunda decepção, Minos tentou argumentar.

— Hilda sabe disso?

— Ela tinha me prometido você, ontem à noite. Não sei o que me aconteceu, eu dormi e quando acordei já era de manhã. Eu já tinha pagado a ela e paguei mais para que me desse a preferência, hoje à noite. Teremos a noite inteira, e eu quero aproveitar cada minuto com meu puto preferido.

— E nós vamos fazer o quê, especificamente? – perguntou Minos com uma expressão neutra.

— Ora, vamos jantar em algum lugar discreto, depois vou foder esse seu rabo delicioso...

— Jantar fora?

— Sim, jantar fora em outro bairro. Vamos, entre logo!

Minos se acomodou no banco traseiro e olhou ao redor. O interior tinha aparência e perfume de luxo puro. O yakuza não poupava esforços para ser visto como alguém bem-sucedido ou talvez suprir a deficiência sexual que tinha. Pelo menos na aparência ele quer ser fodão... Pensou Minos, enquanto Hiroaki alojava o corpo tatuado ao seu lado.

Naquele espaço escuro, o japonês reduziu o espaço entre eles e fitou os lábios de Minos, o desejo explícito nos olhos escuros e puxados.

— Vem aqui... – disse ele, puxando Minos para perto de si.

Minos cravou os dedos no couro macio do assento da limusine e desviou do beijo do japonês, deixando que ele passasse a língua em seu maxilar e depois o beijasse no pescoço. Foi um ato instintivo, mas logo o prostituto se deu conta do que estava acontecendo. Não podia agir assim, tinha que fingir e agir como sempre o fizera ou teria problemas.

Hiroaki olhou-o com paixão e buscou-lhe a boca, mais uma vez. Minos se deixou beijar e logo a mão do yakuza estava entre as suas pernas, acariciando-o de forma íntima.

— Chegamos, patrão. – disse o chofer estacionando, para alívio de Minos.

Estavam no bairro Ginza, o primeiro a receber ruas em estilo ocidental e tornar-se uma referência em lojas. À noite, ele parecia com um pedaço de nova York colocado dentro do Japão e continha uma dinâmica bastante diferente dos demais bairros. Restaurantes diversos, praças de alimentação, tudo disposto da mesma forma que na América ou Europa, atraindo muitos turistas e os próprios japoneses que desejavam desligar-se, um pouco, das tradições rígidas do seu país.

— Venha, aqui podemos ficar sossegados. – disse o yakuza.

Minos o acompanhou até chegarem a um restaurante que dizia ser especializado em comida italiana e estava um tanto vazio, apesar de haver alguns casais que conversavam entusiasmados e famílias dispostas em mesas unidas.

Hiroaki entrou ereto e logo, uma jovem sorridente veio atendê-los, encaminhando-os até uma mesa composta de uma toalha xadrez com um arranjo contendo uma vela dentro de uma garrafa.

— Fiquem à vontade. Aqui está o menu. – disse ela sempre com um sorriso.

— Peça o que quiser. – falou o yakuza para Minos.

Dando-se conta que não comera nada depois da maratona de sexo, Minos olhou o cardápio e se deteve nas imagens que mostravam pratos com massas, porém muito diferentes das tradicionais massas servida no Japão.

— Estou com fome. – admitiu, ele. – Acho que vou pedir esse aqui. – completou apontando para o menu onde dizia macarrão à carbonara.

Hiroaki fez o pedido, acrescido do melhor vinho da casa. Quando o prato foi trazido, o japonês brindou, de forma um tanto entusiasta, o que acabou arrancando um sorriso de Minos.

Os dois ainda sorriam, quando um casal entrou, chamando bastante a atenção. A mulher era bonita, jovem e se vestia demasiado provocante para os padrões japoneses e o homem que a acompanhava era elegante e discreto, mesmo usando roupas casuais como uma calça escura e uma camisa de malha sem mangas.

Minos viu primeiro a mulher e depois o homem. Quase engasgou com o vinho, quando reconheceu quem era o homem.

Hades escolhera o Ginza na esperança que, depois do jantar, Pandora aproveitasse e fizesse algumas compras. Ali, ela acharia roupas ocidentais e seria menos uma coisa a ter que se ocupar com ela.

Também, observara aquele pequeno restaurante vazio e achou que ela seria menos notada naquela roupa. Entretanto, no exato momento em que direcionara o olhar para encontrar uma mesa, o que lhe chamara a atenção não foram os olhares dirigidos à Pandora e sim um rosto conhecido que saltou aos seus olhos e fez o seu corpo enrijecer...

Notas finais
♥♥Agradecimentos a quem acompanha e acha um tempinho para comentar, também aqueles que favoritam e leem em silêncio, aqueles que recomendam por achar que vale a pena compartilhar, enfim, muito obrigada pelo carinho recebido, seja de que jeito vier!!! Até o próximo. XD♥