NIKUTAI NO YOUKUBÔ (desejos da carne)

5 Capítulo 5 LABIRINTO DE PAIXÕES...


Notas iniciais
♡♥ Oi, galera amada!!! Mais um capítulo e aviso que agora irei atualizar outras fics anteriores a essa que estão me implorando uma chance também! * risos Bjs e boa semana a todas!!!XD♡♥

“No negro mistério, deste labirinto

Perdi-me em teu corpo, algemado ao desejo...”

Griffon...

O nome impregnou sua mente e seus sentidos com uma mistura de perplexidade e prazer. De imediato, a noite ardente surgiu em lembranças tão vívidas que seu corpo reagiu e o surpreendeu.

Desde quando começara a perder o controle de suas emoções?O que havia naquele prostituto que o atraía tanto, como se ele fosse um labirinto cujos caminhos do desejo eram tão enlouquecedores e atraentes para si...

Minos continuou sorrindo e bebendo vinho, a despeito do estremecimento de seu corpo e do coração disparado. Hiroaki falou alguma coisa, mas ele não ouviu, preso ao olhar intenso que Hades mantinha em sua direção, embora ambos estivessem disfarçando.

Ali, sob as luzes muito claras do restaurante, podia vê-lo de outra maneira... Os cabelos negros e longos, o perfil forte destacado pela pele clara, o nariz fino, a boca sensual capaz de dar prazeres tão... peculiares e aquele olhar que devassava seu corpo e além dele... O que estava acontecendo consigo?

— Griffon! Ouviu o que eu disse?

A voz de Hiroaki tirou-o dos devaneios e o fez enfrentar uma realidade um tanto tensa. Um japonês enorme, estilo lutador de sumo, entrava pela porta com uma expressão grave e caminhava em direção à mesa na qual estavam sentados.

— Hiroshi está vindo. Mandei que não me interrompessem, a não ser por algo grave. Creio que a nossa noite vai ser interrompida. – disse o yakuza, irritado.

Minos piscou, meio pego de surpresa e fez uma expressão de fazer o quê, né? e Hades, por sua vez, acomodou Pandora sem tirar os olhos da cena que se apresentava ali. Observou com atenção o grandalhão que parecia tenso e também a posição de Minos diante de tudo. Seu corpo preparou-se para qualquer ato que exigisse uma ação imediata. Principalmente se houvesse riscos para a integridade física de Griffon.

— Temos problemas, chefe! – disse o grandalhão sob o olhar desgostoso de Hiroaki.

— O que aconteceu? – perguntou ele com um suspiro.

— Seu pai exige a sua presença. Agora.

Hiroaki olhou para Minos e, em seguida tirou um maço de notas do bolso da jaqueta.

Merda! Griffon pegue um táxi para casa. – disse o japonês colocando o dinheiro sobre a mesa. – Tenho que resolver umas coisas.

— Tudo bem, mas antes vou terminar o vinho, afinal, ele custou bem caro... – respondeu o jovem.

— Isso, termine de comer e beber. Amanhã irei procurá-lo, reserve a noite para mim.

— Parece que essa coisa de “reserva” traz má sorte. – rebateu Minos.

O japonês olhou-o com desconfiança, mas em seguida, riu.

— Esse seu rabo tá ficando difícil de foder. – disse ele ao ouvido de Minos, enquanto tocava a coxa do jovem por baixo da mesa. – Mas, eu não desisto.

Hades percebeu que a conversa entre os mafiosos transcorria tranquila, então se permitiu relaxar, enquanto a garçonete vinha com o cardápio.

— O que foi, conhece aquele cara com os cabelos platinados? – perguntou Pandora olhando na direção da mesa em que Minos estava.

— Ligeiramente. – respondeu ele olhando para o cardápio.

— Bonitinho ele... Diferente e... bem sexy. Me apresenta? – disse ela olhando na direção de Minos.

— Controle-se, Pandora. Não deixe que a roupa domine você. – disse Hades.

Pandora não ligou para o comentário e continuou olhando. Minos entretanto, notou a atenção que aquela mulher bonita direcionava em sua direção e se perguntou se ela também era uma garota de programa, levada ali pelo Dom Hades. Ficou conjecturando se ele era bissexual e quem seria aquela a mulher. Talvez uma puta com pedigree, como dizia Afrodite ou fosse a amante dele... Como poderia descobrir? E por que se sentia um tanto incomodado de vê-lo acompanhado?

Hades já estava inquieto com Pandora olhando para Minos, de forma ostensiva, quando ela repentinamente levantou-se da mesa.

— Aonde vai? – perguntou Hades, mas ela não respondeu.

Ela caminhou altiva pelo salão, sendo notada por alguns homens que sorriram de forma maliciosa, porém discreta.

— Hades disse que o conhece. Vejo que está sozinho e... Eu gostaria de saber se deseja nos acompanhar? – perguntou Pandora aproximando-se da mesa de Minos com um sorriso sedutor.

Minos colocou a taça de vinho sobre a mesa e encarou Pandora. Analisando-a com curiosidade e surpresa. Por alguns segundos pensou se Hades planejara aquilo, assim que vira Hiroaki deixá-lo sozinho. Um ménage?

— Hã... Creio que não fomos apresentados. – disse Minos.

— Eu me chamo Pandora. Agora, venha. Preciso urgentemente de ajuda com aquele homem ali. Se o conhece, sabe que ele não tem senso de humor e conversa pouco. Estou entediada. – disse ela rindo e Minos começou a pensar que a sua ideia poderia estar, cem por cento, correta.

Hades custou a acreditar no que Pandora estava fazendo. Seu par de olhos gélidos experimentou uma fúria muda e perigosa. Ele respirou devagar, o segredo para manter-se no controle e esperou o desfecho da atitude inesperada.

Quando Pandora chegou à mesa ao lado de Griffon, ele já havia absorvido o impacto e olhou para os dois com uma fingida serenidade.

— Olha só quem eu trouxe para nos acompanhar. – disse ela sorrindo e segurando o braço de Minos.

— Boa noite, Griffon. – falou Hades.

— Boa noite. Foi muita gentileza da sua amiga convidar-me para conversar. – disse Minos com uma expressão maliciosa.

Hades bebeu um gole de vinho e olhou para os dois.

— Minha irmã tem o péssimo hábito de desconhecer os seus limites. Mas, por favor, sente-se e perdoe a falta de educação dela.

Os olhos violáceos de Minos quase se arregalaram. Irmã? Aquela mulher era irmã dele?

— Sua irmã? – deixou escapar a pergunta com uma mudança visível na expressão facial.

— Sim, minha adorável irmã Pandora. Acho que nenhum nome foi tão apropriadamente dado a alguém como foi a ela. – disse Hades fulminando-a com os olhos.

— Pandora é um nome forte! – argumentou ela tomando uma taça de vinho na mão e sorvendo um gole. — Meu pai costumava dizer que havia três significados para o meu nome, "a que tudo dá", "a que possui tudo" e "a que tudo tira."— continuou ela, com orgulho.

— De fato, Pandora foi a primeira mulher criada por Zeus como punição aos homens pela ousadia de Prometeu. – disse Minos.

— Vejo que conhece bem a mitologia, lindinho. Isso o torna ainda mais interessante do que você já é... – falou Pandora apoiando os dois cotovelos na mesa e olhando, atentamente, para Minos. — Griffon também é um nome forte e de origem grega. Aliás, nós três compomos uma interessante trindade mitológica. — completou ela com um olhar bastante demorado sobre o jovem.

O jovem engoliu em seco, a irmã do homem com quem transara, enlouquecidamente, horas atrás, estava flertando descaradamente com ele.

— Não esquecendo que o personagem que lhe cedeu o nome foi responsável pelas desgraças da humanidade, creio ser melhor encerrar o momento Wikipédia, Pandora. – falou Hades.

Acostumada aos cortes do irmão, Pandora sorriu debochada e bebeu mais um gole de vinho, enquanto Minos se sentia desfilando em um campo minado...

— Bem, já está tarde e eu preciso ir. Obrigado pela gentileza. – disse ele.

— Ah, não... Não vá! Vamos fazer o seguinte, vamos deixar o deusinho mal-humorado do submundo ir curtir a sua cama e vamos nos divertir, você e eu. Você deve conhecer bem a cidade e eu sou uma turista louca para se divertir. Onde podemos dançar por aqui? – perguntou Pandora.

— Pandora... – falou Hades entre dentes, pegando-a pelo braço. – Deixe de ser inconveniente! O senhor Griffon tem mais o que fazer do que sair pela noite com uma doida que recém conheceu!

— Que tal deixar que ele decida, heim? Eu sou uma pessoa normal. Você é um chato controlador! Se depender de você, eu não vou fazer nada de interessante nessa cidade.

— Senhorita, eu teria muito prazer em levá-la para conhecer a noite em Tóquio, mas estava, apenas jantando com um amigo e...

— Hades, meu caro! Não acredito encontrá-lo aqui. – disse uma voz grave interrompendo a fala de Minos.

Hades elevou os olhos para o homem que se aproximava da mesa. Radamanthys de Wyvern era um de seus adversários mais fortes, mas ainda assim, ambos haviam construído uma sólida amizade, algo raro no mundo dos negócios. Não esperava encontrá-lo ali, mas a despeito das surpresas que tivera, aquela era até bem-vinda.

— Radamanthys, como vai? – falou Hades estendendo a mão.

— Melhor agora que os encontrei aqui. Estou sozinho, a minha companhia teve um imprevisto. – respondeu ele olhando direto para Pandora.

— Minha irmã Pandora e o senhor Griffon. – disse Hades.

— Muito prazer, senhorita. Senhor Griffon. – falou Radamanthys beijando a mão de Pandora e apertando a de Minos.

Pandora notou o olhar intenso de Radamanthys e sorriu, sedutora, apreciando aqueles olhos profundos e dourados, assim como o toque da mão máscula na sua. De imediato, deslocou sua atenção de Minos para o homem mais velho e que parecia devorá-la com os olhos...

Minos sentia-se, totalmente, deslocado ali. Senhor Griffon? Fala sério... Tratou de aproveitar a chance e deu continuidade à ação.

— Eu já estava de saída. Boa noite! – disse Minos já levantando da cadeira.

— Espere, eu te dou uma carona. – falou Hades já se levantando e, olhando para Radamanthys, pediu: — Poderia cuidar da minha irmã por uma hora, por favor?

— O prazer será todo meu. – respondeu Radamanthys e Pandora derreteu-se com a ênfase sentida na palavra prazer, sem nem questionar o pedido de Hades.

Minos quis falar que não era preciso, mas Hades não lhe deu tempo. Os dois deixaram o restaurante em silêncio e logo estavam no estacionamento. O jovem sentia que tinha sido salvo pelo gongo, mas agora não sabia como agir.

— Não precisa levar-me a lugar nenhum, eu vou pegar um táxi. – disse por fim.

— É o mínimo que posso fazer, dada à atitude descortês de minha irmã. Percebi que não jantou. – falou Hades.

— Não deu tempo, mas bebi um bom vinho. Comerei algo no caminho.

— Faço questão de, ao menos, deixá-lo próximo ao seu destino.

— Por que está fazendo isso? – perguntou Minos franzindo o cenho.

Hades fitou-o daquela forma profunda e incisiva que o caracterizava.

— Porque eu quero. Basta, para você?

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A mansão em estilo tradicional estava silenciosa. O grande jardim de pedras, com uma fonte cristalina e bonsais compunha um cenário tranquilo e agradável. As carpas coloridas nadavam por entre nenúfares, enquanto a brisa fresca da noite agitava, levemente, as folhas das cerejeiras.

A filha mais nova já trouxera o chá e Tadashi Samura apreciava a espiral fumegante antes de sorver um gole da bebida. Como patriarca da família e oyabun da facção Gardênia, ele estava à espera de seu filho e sucessor. Sua esposa já havia deixado este mundo e era ele quem cuidava da educação dos filhos, um homem e três mulheres. Hiroaki o sucederia na liderança do clã e dos negócios, mas antes ele precisava fazê-lo entender que certas fraquezas não seriam mais permitidas...

Já sentindo que havia algo errado, Hiroaki entrou em casa, retirou os sapatos e foi até o jardim como instruíra a serviçal que o recebera.

— Tadashi-sama o aguarda. – disse ela com o olhar baixo.

O jovem suspirou e foi ter com o pai. Para ele tê-lo chamado com urgência, devia ser algo muito grave. Nem bem adentrara o arco em forma de dois dragões entrelaçados que levava ao jardim, ouviu a voz grave e baixa de seu pai.

— Aproxime-se, Hiroaki.

— Boa noite, pai.

Tadashi voltou a cabeça e olhou dentro dos olhos do filho.

— Tem ideia do motivo de eu tê-lo chamado aqui? – perguntou ele bebendo mais um gole de chá.

— Quer falar do meu casamento ou dos negócios?

— Não, quero falar das suas constantes incursões pelo Kabukicho e do seu relacionamento com um prostituto chamado Griffon.

Hiroaki sentiu o sangue gelar, mas manteve o olhar e a postura ereta. Tadashi encarou-o, sério e com autoridade.

— Pai, eu...

— Não desejo nenhuma explicação. Encerre esse assunto. Um oyabun não pode ter fraquezas que o deixem exposto ao inimigo. Se ainda fosse uma mulher! Já pensou no que essa sua deficiência pode causar ao nosso clã? Seu casamento já está marcado e será no próximo mês. Até lá acabe com esse... esse relacionamento. Fui claro?

— Sim, pai.

— Pode se retirar.

Hiroaki saudou o pai e saiu. Lá fora, levou a mão aos cabelos negros e pensou em Griffon. Sentia-se atraído por ele, gostava do sexo que faziam e do jeito selvagem do prostituto. Deixá-lo seria extremamente ruim, mas não tinha escolha. Ou tinha?

— Olá, irmão! Estava com o nosso pai? – perguntou uma voz feminina surgida das sombras.

— Olá, Naoko. – respondeu ele sem muita vontade.

A jovem de cabelos negros e longos se aproximou dele com um sorriso falso. Vestia um kimono tradicional que salientava o corpo mignon e a tornava um exemplar tradicional da feminilidade japonesa. Era apenas um ano mais nova que Hiroaki e tinha um sonho que se revelara impossível, já que havia um homem para suceder seu pai na liderança da facção da Gardênia. Achava-se mais forte e inteligente que ele, já que para um yakuza, seu irmão era complacente demais.

— O que aconteceu? Vejo que está angustiado... Soube que papai mandou chamá-lo às pressas.

Hiroaki olhou-a com raiva, percebendo que ela se comprazia com o seu sofrimento.

— E você está exultante com isso, não é mesmo? Foi você que contou a ele?

— Eu? Contar o quê? Que o filhinho amado dele é gay? Digamos que... Ele descobriu com uma pequena ajuda, já que discrição não é o seu forte, irmãozinho. – disse ela, agora rindo.

— Se você fosse homem, eu juro que...

— Se eu fosse homem, meu querido, eu seria o próximo oyabun e você estaria livre para enfiar o seu pauzinho no rabo de todos os putos do Kabukicho! Você é fraco e prisioneiro das suas paixões patéticas!

— Bem, pelo menos eu tenho um homem para foder! Não podemos dizer o mesmo de você, não é irmãzinha? Você é tão insuportável que só se casará porque nosso pai é rico e poderoso. Agradeça aos deuses ter nascido nesta família ou seu destino seria a solidão eterna, porque nem prá ser uma puta da zona vermelha você serve!

— Aproveite enquanto pode! Nosso pai ainda vai dar-se conta que você não nasceu para liderar. – disse ela dando as costas ao irmão.

Hiroaki fez um gesto obsceno com os dedos, e ao voltar-se para a porta, deu de cara com sua irmã mais nova, Tsuki. Ela sorriu e ele devolveu-lhe o gesto. Diferente de Naoko, a relação entre os dois era de uma grande cumplicidade, mesmo com a grande diferença de idade entre os dois. Ela era delicada e de pele clara, fazendo jus ao seu nome que significava “Lua” e desde que nascera, revelara-se frágil e gentil.

— Naoko continua sempre cruel... – disse ela indo ao encontro do irmão.

— Eu cuidarei dela. Espero que ela não esteja incomodando você. – falou Hiroaki.

— Nosso pai a mantém na linha, mas sabe que isso só a torna mais amarga.

— Quando eu me casar, levarei você comigo, Tsuki. Não vai mais ser a escrava da casa.

A jovem riu baixinho.

— Não sou escrava, irmão. Apenas sirvo ao nosso pai.

— Prá mim é a mesma coisa! Bem, vou terminar uns negócios. Assim que eu voltar, vamos jogar Runescape?

Os olhos de Tsuki brilharam.

— Mas é claro! E eu vou fazer um lanche prá nós. – disse ela, sorrindo.

Hiroaki deixou a casa e foi encontrar com seus homens. Descobriria quem havia dado com a língua nos dentes e fornecido as informações que sua irmã usara contra ele.

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— Por acaso, você já ouviu a palavra consensual?— disparou Minos, ainda parado enquanto Hades entrava em seu carro.

— Entre, Griffon. – disse ele, ignorando a fala do jovem.

Minos franziu o cenho e o ignorou também. Deu as costas e começou a andar na direção oposta. Hades bufou e deu a partida, emparelhando o carro com Minos que caminhava rápido.

— Por favor, entre. – falou Hades.

O jovem olhou-o, mas nada disse. Seguiu em frente, enquanto Hades aumentava a velocidade para ultrapassá-lo e chegar até à saída. Quando estava perto do portão, ele estacionou e desceu do carro, colocando-se frente à Minos.

— A única coisa que eu desejo é compensá-lo pela noite atribulada. Não sei se estava à trabalho ou, apenas se divertindo. E, sinceramente, isso não importa. Só me acho no dever de, pelo menos, deixá-lo próximo do seu destino. – disse Hades.

Minos enterrou os dentes perfeitos no lábio inferior com certo nervosismo. A verdade era que ficar próximo de Hades o perturbava, suscitando emoções estranhas e um tesão fora do normal. Não queria ficar como muitos que conhecera que acabavam se apaixonando pelos clientes e trazendo problemas para si. Paixão era uma palavra que deveria ser riscada do vocabulário de um prostituto, como bem dizia Afrodite.

Olhou para Hades que continuava esperando uma resposta. Sua mente dizia para encerrar o assunto e negar, mais uma vez, enquanto em seu íntimo, queria passar mais um tempo ao lado daquele homem. A batalha se acirrava, enquanto Hades o fitava com aqueles olhos...

— Tá, eu aceito. — disse ele vencido pelo desejo de ficar mais um tempo perto do homem mais velho.

A frase dita com certo receio fez Hades sorrir, interiormente, embora mantivesse o semblante sério.

— Onde eu te deixo? – perguntou de forma displicente.

— Me deixa no Dark Sex, tenho umas coisas prá acertar com a Hilda. – respondeu ele.

— Então, vamos lá. – falou Hades e entrou, abrindo a porta do carro para Minos que se acomodou do mesmo modo que na noite anterior e isso lhe trouxe uma espécie de Déjà vu.

No caminho para o prostíbulo, o ambiente dentro do carro mudou drasticamente. Sem que nenhum dos dois se desse conta, começaram a conversar sobre vários assuntos e Hades surpreendeu-se com a capacidade crítica e o conhecimento de Minos.

Quando estavam chegando próximo ao Dark Sex, Minos viu uma barraquinha que vendia Yakitori, ainda aberta. O aroma do frango assado se espalhando no ar o fez salivar.

— Pare, aqui. Eu não vou resistir àquilo. – disse Minos olhando na direção da barraca.

Hades parou, vendo Minos descer com a agilidade e vivacidade de uma criança. Observou como o homem franzino e sorridente da barraca o atendeu, como se fossem velhos conhecidos. Resolveu descer e olhar tudo mais de perto. O homem conversava com Griffon e quando o viu, saudou-o com reverência.

— Deseja um também, senhor? – perguntou o japonês.

— Sim, por favor.

Minos surpreendeu-se com a atitude de Hades. Na sua visão, ele não era o tipo de homem que comeria comida de rua.

— Vocês estão juntos? Querem sentar ali? – apontou o homem para uma parte com mesinhas agregadas à barraca. – Tenho cerveja gelada e saquê prá acompanhar! – emendou sorrindo.

Hades olhou para Minos e sorriu com uma expressão Por que não? Após uns dez minutos, os dois saboreavam o espetinho e bebiam cerveja gelada. Minos comia com visível prazer já que aquela era a sua primeira refeição do dia.

— Você come como faz sexo... – deixou escapar Hades, apreciando o prazer expresso nos gemidos de satisfação que Minos deixava escapar.

Ao ouvir aquilo, Minos sentiu o rosto ficar quente e riu.

— Comer e foder são dois prazeres dos quais não abro mão. – disse ele.

Hades também riu e mastigou, lentamente, a carne macia do seu Yakitori.

— Então somos dois, Griffon...

Minos quase engasgou quando viu a maneira como Hades mastigava a carne e o fitava, ao mesmo tempo. O erotismo parecia uma segunda pele, naquele homem, revestindo-o de uma sensualidade marcante em cada ato ou palavra.

Os dois comeram e beberam em silêncio. A noite estava clara e o céu já não exibia mais as nuvens carregadas. Passados alguns minutos, ambos já haviam terminado de comer os Yakitoris e também, a cerveja.

— Bem, já estou satisfeito. Preciso ir. Obrigado por tudo. – disse Minos levantando e fazendo menção em pagar.

Com agilidade, Hades pegou-o pelo pulso.

— O prazer foi meu e tenho que agradecer por mais essa... experiência prazerosa a que me apresentou. Como eu disse antes, espero ter minimizado a noite atribulada. O lanche é por minha conta. Cuide-se, Griffon.

Minos olhou para a mão circundando seu pulso. Era uma pegada firme, porém a forma com que ele pressionava os dedos em sua pele parecia o mesmo jeito quando o tocara ao transarem. Estranhamente, sentiu vontade que aquele toque se estendesse para outros lugares de seu corpo e quando olhou nos olhos de Hades, percebeu que ele parecia desejar o mesmo.

— Ok! Cuide-se você também e... fico te devendo uma. – disse o jovem sorrindo e tentando descontrair, enquanto o mais velho o soltava.

Hades sorriu.

— Vou cobrar de você...

Sem olhar para trás, Minos encaminhou-se ao prostíbulo com uma excitação mesclada de alegria e ansiedade. Não desejava criar expectativas, mas a cada encontro com Hades, seu corpo sentia vontade de estar com ele, de beijá-lo, de senti-lo dentro de si. Inspirou fundo e pensou no que Afrodite diria. Então soltou o ar com força e disse à si mesmo: esqueça esse cara, Minos, ou você vai se dar muito mal...

No interior do Dark Sex, Hilda verificava as contas da casa, quando Minos bateu na porta do escritório.

— Entre! – disse ela.

O jovem entrou e ela sorriu.

— Ah, pensei que não o veria por aqui hoje. Como foi com Hiroaki?

— Não foi. Fomos interrompidos por um problema surgido de última hora.

— Mas vai ser azarado assim na puta que o pariu!— falou Hilda com uma risada alta.

— Ele quer que eu reserve amanhã à noite. – falou Minos se atirando na poltrona de couro próxima à escrivaninha.

— Eu acho que ele está apaixonado por você.

Minos riu.

— Apaixonado por mim? Sem essa! Ele gosta de me comer, porque tem a ilusão de me dar prazer, só isso.

— E você acha pouco? Um homem com ejaculação precoce acha alguém que goza junto com ele. Tem mais é que te colocar num pedestal.

— Ele é um yakuza e logo vai ser um oyabun. Creio que logo não o veremos mais por aqui.

— Aí é que você se engana, meu lindo... Quando ele tiver poder, aí sim que a coisa vai ficar melhor para o seu lado. Ele pode até querer instalá-lo em um apartamento de luxo só para tê-lo ao seu dispor.

Minos riu. Era só o que faltava, servir de gueixa para um yakuza com disfunção sexual.

— Eu jamais aceitaria. Não vou me prender a ninguém. Nunca.

— Mas diga, o que quer? Se vai me pedir para suspender os descontos, nem precisa. Voltei atrás quando o nosso homem misterioso retornou.

Minos olhou-a e quando ia falar, o telefone tocou. Hilda atendeu olhando para Minos e esboçando um sorrisinho diabólico.

— Mas é claro! Já reservei o rapaz de sua preferência. Como? Deseja que ele o encontre fora daqui? Bem, não costumamos fazer isso com frequência, mas como o senhor está na lista Vip eu abrirei uma exceção. O número da minha conta no banco? Sim, enviarei para o senhor hoje mesmo!

Hilda desligou o telefone e tornou a olhar para Minos.

— Falando em reserva, adivinhe quem acabou de ligar reservando três noites com você? – perguntou ela.

— Hiroaki?

— Não. Infelizmente, ele não teve sorte, novamente e, negócios, são negócios! Parece que você está agradando mais um cliente importante...

Franzindo o cenho, Minos encarou-a e, antes que o seu cérebro processasse quem poderia ser, Hilda falou:

— Foi o tal homem mascarado... Bem, agora faça-me o favor de fazer tudo o que ele quer. Ele está pagando uma fortuna para ter você fora daqui.

Mesmo que estivesse esperando a notícia, ao ouvi-la, Minos sentiu o coração acelerar. Ele o queria e fazia questão de tê-lo fora do prostíbulo. Sabia que não devia nutrir nenhuma expectativa quanto a isso. Muitos clientes não gostavam de foder no prostíbulo e preferiam outro ambiente, embora nem todos pudessem pagar pela extravagância. Era apenas isso, uma extravagância.

— Ele disse onde vai ser? – perguntou Minos.

— Não, ele disse, apenas, que vai mandar um carro buscá-lo, amanhã, pontualmente, às 20h00min.

Minos teve que controlar o riso para que Hilda não percebesse que havia acontecido algo. Fingiu não se importar com o fato e deixou o escritório. Quando fechou a porta, Afrodite viu-o e foi ao seu encontro.

De imediato, o loiro percebeu algo de diferente no amigo.

— Minha amada deusa Amaterasu! Você tá com aquela cara... – disse o loiro fitando Minos nos olhos.

— Que cara? – perguntou Minos.

— Cara de quem trepou divinamente ou ganhou em um jogo de azar! Como eu sei que você não joga, aposto no sexo.

— Nem trabalhei hoje. Hiroaki tinha reservado a noite e acabou tendo de me deixar sozinho.

— Bom, então é isso!

— Como assim? Você não disse que eu tava com uma cara de quem trepou divinamente?— falou Minos com uma voz afetada.

— Sim, eu disse. mas, como o cliente em questão não pode ser considerado uma trepada feliz, você deve ter ficado com a sensação da última transa. E essa, pelo visto, foi bem pervertida... to vendo umas marquinhas no seu pescoço daqui... – disse Afrodite com um olhar investigativo e malicioso.

Minos pigarreou. Aquele loiro parecia um oráculo, sempre falando coisas que não via, mas que descrevia com tanta exatidão que chegava a ser assustador.

— Você é capaz de guardar um segredo? – perguntou Minos.

— Meus lábios são um túmulo! Exceção, é claro, quando eu chupo um cacete prá lá de delicioso, mas... vai lá, conte-me tudo! – respondeu ele, rindo.

— Lembra do tal cara mascarado?

— E eu poderia esquecer? – disse Afrodite revirando os olhos.

— Pois é, depois que ele saiu daqui, ele ficou me esperando e a gente acabou transando. Mas, a Hilda nem sonha. Agora ele ligou e reservou três noites comigo e quer que seja fora daqui.

— Santa Amaterasu... Griffon. Cuidado! Você sabe que não deve, não é? Não caia na tentação de achar que isso vai durar!

— Eu sei, mas confesso que...

— Que o quê, criaturinha albina?

— Ele fode bem prá caralho e eu nunca senti prazer com outro, como sinto com ele.

— Ai, meu Zeus das picas ardentes! Vê se mantém essa cabecinha no lugar. O cara tem mesmo um pau divino, mas é somente isso, pau! Não meta o coração no meio desta história, ouviu?

— Eu sei, Afrodite.

— Espero que saiba mesmo ou isso vai destruir você!

Minos riu e cochichou algo no ouvido do loiro.

— Jura! – falou Afrodite.

— Juro. – confirmou Minos.

O loiro sorriu.

— Se manda daqui! Vai descansar, vai, senão esse teu rabo nascido virado prá lua não vai dar conta do cacete de ouro.

Minos riu e deixou o prostíbulo. Por um instante, ele achou que Hades estaria ali, esperando-o. Mas, não havia nenhum carro estacionado, apenas os táxis do ponto. Então ele foi até o táxi verde que sempre o esperava e sorridente, disse ao motorista:

— Vamos prá casa,Odí-chan?

Tadaka sorriu, dando uma longa tragada no cigarro antes de apagá-lo e colocar no lixo.

— Mas é claro, meu neto!

Notas finais
***A frase que abre o capítulo é minha, aproveitando a inspiração. * risos ***Yakitori: espetinhos de frango assados em fogo de carvão, temperados com shoyu e muito popular como aperitivo. Vendidos em barraquinhas que abrem no final de tarde e vão até à noite, em qualquer canto de Tóquio. ***oyabun = chefe da máfia japonesa. **** AGRADECIMENTOS: Muito obrigada a cada uma que comenta, que lê em silêncio, que comenta quando dá ou quando se entusiasma com o capítulo. Enfim, toda a participação é bem-vinda e aceita com muito carinho! Bjs e até o próximo capítulo!XD♡♥