NIKUTAI NO YOUKUBÔ (desejos da carne)
15 Capítulo 15 VÓRTEX!
Notas iniciais
Ângelo estava usando um paletó cinza com camisa e sem gravata. Afrodite admirou-o por alguns segundos, relembrando uma cena semelhante que ocorrera no passado...
Dois anos antes, quando ainda frequentava a Universidade de Gotemburgo e conhecera Kanon, um jovem fotógrafo que trabalhava para uma das mais importantes revistas de moda do país. Ele o havia seduzido com elogios e aquele olhar incisivo que fazia qualquer um derreter-se aos seus encantos. Os ternos que vestia o faziam parecer mais um homem de negócios que um amante da arte de fotografar.
O talentoso fotógrafo era um mito no meio artístico e fora ele quem o convencera a tornar-se modelo e aventurar-se, fazendo- deixar o curso de arte dramática. Começaram a namorar e logo, Kanon revelou uma face agressiva e hedonista. No entanto, apaixonado pelo fotógrafo, pensara que era somente uma fase, um estresse causado pelas pesadas exigências sobre si, já que a sua família era conhecida e tradicional.
A ideia de trabalhar no Japão partira do próprio Kanon e, junto com ela, a proposta de viverem juntos. Sei que você não é conhecido pelos orientais, mas certamente vai conquistá-los com a sua beleza! Seremos só você e eu...embora eu tenha um irmão gêmeo que pretende se estabelecer no país.
No início, a mudança resgatou o jovem atencioso e de bem com a vida, até a sua inserção no mundo vertiginoso das festas milionárias e decadentes de executivos em busca de emoção, enquanto o mantinha afastado de tudo e todos sob a desculpa que estava preparando o ambiente para a sua apresentação como modelo.
As oscilações de humor tornaram-se constantes, Kanon passava da depressão à euforia e já não conseguiam manter uma boa convivência. As brigas viraram rotina, assim como o vício nas drogas da moda, ecstasy, speed, metoxetamina e qualquer uma que lhe trouxesse excitação.
Quando o confrontara, exigindo mudanças no relacionamento e na postura, a reação violenta o surpreendeu. As agressões do amante o levaram ao hospital e, nesse meio tempo, Kanon deixou o país, abandonando-o sem dinheiro, passaporte ou qualquer outro documento.
Nunca entendera a crueldade do ato de quem um dia jurou amá-lo. Preferiu acreditar que ele enlouquecera devido ao vício e, apesar da curiosidade, nunca mais soube ou quis saber do ex-amante. Ele, simplesmente, sumira, evaporara!
— Estou bem? – perguntou Máscara da Morte, cortando as lembranças do loiro.
— Está muito elegante. – respondeu Afrodite com um meio sorriso.
— É impressão minha ou você estava lembrando-se de algo importante? – falou o executivo.
— Não mais. O que me importa, agora, é o futuro.
Ângelo aproximou-se devagar, o olhar sério e focado nos olhos azuis de Afrodite.
— Negar o passado não nos liberta. Quer me contar, agora, quem o machucou?
Afrodite hesitou, mas ao deparar-se com a força nos olhos de Máscara da Morte, resolveu abrir aquele compartimento secreto que era a sua vida.
— Bem, eu era estudante de teatro e deixei a universidade para tornar-me modelo fotográfico. Meu... namorado era fotógrafo e foi ele quem me incentivou a abandonar tudo e vir para o Japão com ele. Eu fui um completo idiota em confiar nele, cegamente, e aceitar vir para um país desconhecido e com leis e regras muito diferentes do que eu conhecia. Fiquei dependente dele e... as coisas entre nós não deram certo. Resumindo, ele me agrediu e me deixou aqui sem um centavo. Eu fiquei desesperado e acabei tendo de sobreviver fazendo... Bem, você sabe.
Ângelo não o olhou com compaixão e sim com uma emoção raivosa e sombria.
— Você está dizendo que o cara, simplesmente, bateu em você e o abandonou no hospital?
Sentindo o rosto quente, Afrodite fez que sim com a cabeça e desviou o olhar. Reviver o sentimento de humilhação era profundamente desagradável.
— Não sofra mais por este maledetto!— disse Máscara segurando-o pelos ombros.
— Eu não sofro. Só que...
— Escute... Eu falei sério sobre o que sinto. Deixe-me ajudá-lo a retomar a sua vida.
— Ângelo... Eu sei que as suas intenções são boas, mas...
— Eu sei, você não consegue confiar em alguém da mesma forma que antes. Vamos fazer um trato, venha comigo a este jantar e depois nós conversaremos sobre o seu futuro. Mesmo antes de saber a sua história, eu senti que este tipo de vida não é para você.
Afrodite entreabriu os lábios para falar e Ângelo colou os seus aos dele. O beijo foi intenso, repleto de desejo. O executivo enterrou os dez dedos nos cabelos sedosos, imobilizando-lhe o rosto, enquanto beijava-o profundamente, fazendo amor com aquela boca que o enlouquecia e encantava.
— Não vou deixar que nada e nem ninguém o machuque. Nunca mais. – falou Ângelo com a voz rouca.
Sem dizer nada, Afrodite apenas abraçou o corpo másculo, sentindo a solidez do peito forte. Ângelo estreitou-o, ainda mais, fazendo-o sentir o calor de seu corpo.
— Obrigado... me sinto abençoado por conhecê-lo. – disse o loiro, por fim.
— Não, bello... a benção é você. – murmurou Máscara da Morte, enquanto permaneciam abraçados e a noite aveludada tomava conta de todos os espaços...
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Embora Shun não estivesse acostumado a falar muito, junto de Aiolia conversava sobre banalidades e riam bastante durante o trajeto de carro para a Fundação.
De tempos em tempos, olhava para o leonino com curiosidade. Nunca tinha conhecido alguém como ele. Achara-o confiante e charmoso, no entanto percebia também uma vulnerabilidade escondida sob o sorriso largo e as atitudes galantes.
— E você? Perguntou sobre mim, mas sei muito pouco sobre o que pensa e o que faz. – arriscou Shun entre uma conversa.
— Eu? Bem, minha vida se resume a tentar ser o filho perfeito até o dia em que caí em mim e vi que nada do que eu fizesse me tornaria um. Casei, separei e agora decidi viver segundo as minhas regras.
— Você é filho único?
— Agora sou. Perdi um irmão mais velho na adolescência. Nós não convivemos muito, mas ele sempre foi um exemplo a ser seguido e o preferido do nosso pai. Às vezes, penso que meu pai preferia que eu tivesse morrido e não o Aiolos.
Shun franziu o cenho, percebendo uma mágoa disfarçada na frase dita como se fosse algo casual.
— Você e seu pai não se dão bem?
— Eu diria que temos uma convivência civilizada. Ele já cansou de tentar interferir na minha vida e agora se aposentou de tudo, inclusive de mim.
O jovem deu uma olhada para o perfil de Aiolia e suspirou.
— Falei algo que o chocou? – perguntou o leonino.
— Não, apenas pensei em como as relações podem ser complicadas e, ao mesmo tempo, como podemos ter intimidade com quem acabamos de conhecer.
Aiolia diminuiu a velocidade para estacionar e, assim que desligou o motor, virou-se para Shun com um sorriso lento e sexy.
— Pensei a mesma coisa quando o conheci.
Shun sorriu, também e logo os dois subiam a escadaria do prédio da Fundação. Num gesto espontâneo, Aiolia segurou a mão delicada de Shun, a beijou e parou de andar.
— Você mudou a minha vida, Shun. Espero que não se assuste com o que eu vou dizer, mas... preciso de você. Preciso deste seu sorriso e deste seu olhar capaz de me acalmar e seduzir, tudo ao mesmo tempo. Preciso deste sentimento verdadeiro que está além de tudo o que eu já vivenciei.
— Aiolia...
— Espere, ouça o que eu tenho a dizer. Sei que parece tudo muito rápido, mas meus sentimentos estão claros prá mim como nunca estiveram. Eu fui casado e fui apaixonado pela minha mulher, mas... hoje, agora, eu sei que não era tudo o que eu podia sentir. Sempre faltou algo entre eu e Marin. Eu achava que não, mas ela foi a primeira a detectar que não havia amor entre nós. Desde que eu o conheci, algo despertou aqui dentro e não foi só o sexo incrível, foi algo mais profundo que me faz querer você como jamais quis alguém.
— Eu também sinto, Aiolia, mas... minha vida e a sua são incompatíveis.
— Pois vamos torná-las compatíveis! Eu quero que venha viver comigo. – disse Aiolia segurando-o pelos ombros.
— Aiolia! Acabamos de nos conhecer e você nem sabe...
— Eu sei o que preciso saber. Não quero você naquele prostíbulo, quero você ao meu lado.
— E-Eu... V-Você... Não é tão simples assim e eu... eu não quero depender de você ou qualquer outro.
Aiolia levou a mão aos cabelos e depois tornou a encarar Shun.
— Você é bom com desenhos e eu conheço alguns donos de agências publicitárias. Faça um portfólio e eu arranjo as entrevistas. Com o seu talento, acredito que logo arranjará um emprego nesta área. Enquanto isso, eu serei seu cliente exclusivo. Está bem assim?
A voz profunda e o olhar intenso percorreu Shun como uma carícia e ele sentiu algo mexer em suas entranhas. A proposta era boa, mas a questão era: Ele seria bom o suficiente?
— E então? – insistiu Aiolia, vendo que Shun parecia petrificado, olhando-o com aqueles enormes e lindos olhos verdes.
O que Eren faria? Ele nunca se acomodaria, ele lutaria, ele faria o que deve ser feito... A mente de Shun viajava na imaginação mesclada à realidade. Não esperava aquela proposta, mas, ao mesmo tempo, sua intuição sinalizara que, após conhecer Aiolia, sua vida nunca mais seria a mesma.
— Eu aceito! – disse por fim, fazendo com que um sorriso amplo se abrisse nos lábios do leonino.
Aiolia puxou-o e beijou-o, rapidamente, nos lábios.
— Então vamos! Agora, somos você e eu. Juntos!
Os dois terminaram de subir a escadaria sorrindo e logo adentraram a porta da fundação.
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Halldora acordou com a cabeça latejando. Tinha de se lembrar da algo, mas a cabeça doía e boiava em um redemoinho. Sentiu algo molhado no rosto e entrou em pânico. Sonhara que estava se afogando...
Ela abriu os olhos e viu que pendia um fio do seu braço. Milhares de pequenos pontos dançaram à frente de seus olhos doloridos, enquanto ela fixava no gotejador do soro que fluía em sua veia.
— A senhora acordou. – disse alguém.
Aos poucos, os pontos foram se agrupando em uma imagem, era uma mulher colocando uma gaze em cima de uma bandeja.
— Só estou refazendo o seu curativo. – disse a voz, colocando outra gaze na cabeça de Halldora.
Ela tentou falar, mas não conseguiu produzir som algum. Sua garganta estava seca e a língua parecia amortecida.
— Deve estar com sede. Vou dar-lhe um pouco d’água com outro analgésico. A senhora é muito forte. Não devia ter acordado agora. Isso é um bom sinal. – disse a enfermeira.
Depois de beber a água e engolir o comprimido, Halldora conseguiu falar.
— Meu sobrinho...
— Um jovem bonito com cabelos longos e platinados?
— Sim, ele mesmo...
— Ele virá pela manhã. O Doutor disse que a senhora estava sedada e sob observação.
— Que bom... eu pensei...
— Não se preocupe, ele não a abandonou. – falou a enfermeira já acostumada com o típico medo do abandono de alguns pacientes.
Halldora tentou sorrir, mas até isso era difícil. Optou por apertar a mão da jovem enfermeira e tornar a fechar os olhos.
Assim que deixou o quarto, a enfermeira dirigiu-se ao vestiário. Finalmente, terminara o plantão de 24 horas. Chegando lá, notou um burburinho entre as colegas que assumiriam o próximo turno.
— Mas o que aconteceu? – perguntou ela, sorrindo.
— Você não soube? Chegou um médico novo no hospital!
— E daí? Médicos chegam e vão a toda hora.
— Ah, mas esse não é qualquer um. Além de bonitão ele é um cirurgião de fama internacional. Já tem enfermeira disputando a tapa uma oportunidade de assisti-lo.
— Mais um motivo para não se entusiasmar muito. Deve ser arrogante como a maioria deles. Bem, meninas, eu vou que está na minha hora. – falou Cassiopeia.
A jovem enfermeira deixou o hospital, enquanto as demais comentavam sobre o novo médico.
Em seu quarto, Halldora rezava: Mesmo que eu mereça, por favor, não permita que Minos me abandone...
Aos poucos, enquanto o analgésico a livrava da dor e o sedativo aplicado ao soro começava a levá-la, de volta, ao mundo dos sonhos, Halldora relaxava e voltava a sonhar...
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Da galeria com lateral de vidro que abrangia toda a extensão do corredor, Hades podia ver o saguão da Fundação e a entrada onde os convidados continuavam chegando. O olhar dele focou em uma pessoa assim que cruzou o salão e o segurança que estava ao seu lado disse:
— Vou ficar de olho nele, senhor.
— Faça isso com toda a discrição e cuidado. Temos muitos jovens aqui.
— Sim, senhor.
Hades acompanhou a trajetória de Hiroaki com o cenho franzido. O que ele estava fazendo ali? Seria mais uma piada de mau gosto se aquele moleque fosse convidado de Saori. Teria que ter uma conversa séria com aquela desmiolada!
O yakuza parecia bem à vontade e olhava as fotos que cobriam os corredores que levavam ao grande salão. De repente, ele viu Minos do outro lado e estreitou os olhos como um gato que visualiza um belo pássaro.
Griffon?Mas o que ele está fazendo aqui? Pensou o japonês, enquanto percorria os olhos pelo ambiente.
Nesse meio tempo, Lune deslizava por entre os convidados, fugindo de Johann que continuava a persegui-lo com aquele olhar desvairado. Merda! Mas como esse louco me encontrou aqui? Preciso falar com Hades!
Johann percebia que Lune o estava evitando, mas, em seu íntimo, aquele jogo de gato e rato o excitava. A noite estava apenas começando...
— Senhoras e senhores! O jantar será servido no refeitório. Nossas recepcionistas irão encaminhá-los! – disse a voz em alto e bom tom, através dos autofalantes.
Minos procurava Hades com o olhar, mas não conseguia ver muita coisa com tanta gente circulando. No entanto, quando olhou para a entrada, viu Shun, com Aiolia e, em seguida, Afrodite, acompanhado por Ângelo. Piscou, um tanto surpreso, mas logo foi na direção dos amigos que sorriram surpresos também.
— Uau!— disse Minos olhando para os dois amigos. – Vocês estão arrasando.
— Você também está elegante. – disse Shun e Afrodite concordou.
— Bem, temos que dar uma palavrinha com Hades, não é Ângelo? – falou Aiolia.
— Sim, nós temos. Vocês três não saiam de vista, voltamos logo. – disse Ângelo.
Quando os dois executivos os deixaram, os três dispararam uma enxurrada de perguntas entre si.
— O que vocês estão fazendo aqui, seus safados? – disparou Minos.
— Creio que o mesmo que você, delícia albina!— brincou Afrodite.
— Acho que nós três estamos tendo um encontro público com nossos clientes. – falou Shun com um risinho baixo.
— Ângelo me fez uma proposta e eu... aceitei!- disse Afrodite.
— Aiolia também me fez uma e eu também aceitei. – falou Shun.
Minos ficou calado, olhando para os dois. Afrodite e Shun fizeram uma expressão de: E você? enquanto Minos mordia o lábio inferior.
— Não vai dizer nada? – falaram os dois, ao mesmo tempo.
Com um suspiro, Minos respondeu:
— É... Hades e eu...
— Fala logo! Vocês também estão de caso e bem antes da gente, seu safado! – disse o loiro rindo.
— É tudo tão novo... Vocês sabem que eu não acredito em finais felizes, não é? – falou Minos.
— Nem eu. – disse Afrodite. – Mas, quero tentar viver uma vida de verdade e ter prazer de verdade. E o Ângelo... Ah, minha santa Amaterasu ele sabe como dar prazer na cama e fora dela. Quero ficar com ele o tempo que der.
— Aiolia me faz sentir vivo e feliz. Não é só o sexo, tem uma coisa forte ligando a gente. – falou Shun.
— Hades descobriu que eu sou menor e não quer que eu volte ao Dark Sex. Ele me quer e eu a ele, mas não sei... Olhem prá tudo isso, o cara é mega poderoso.
— Uma vez eu disse a você o quanto inteligente e interessante você é. Hades é mais velho e reconhece isso. Você sabe que não é só sexo, isso ele tem à rodo, se desejar. É só ele estalar os dedos e muitos aqui iriam de olhos fechados para a cama com ele. Se ele escolheu você, é porque gosta de você. – disse Afrodite.
Minos olhou para o amigo e sorriu. Queria acreditar, porque sabia que estava apaixonado pelo executivo.
— Vamos beber alguma coisa? – disse ele mudando de assunto.
— Você não pode beber, é menor... – brincou Afrodite.
Minos fez um gesto obsceno para o amigo e riu. Logo, os três estavam degustando a champanhe deliciosa e cara, enquanto Hiroaki vinha na direção do grupo.
— Ora, ora, mas que interessante encontrá-los aqui. Decidiram dar nas altas rodas? – disse o japonês encarando Minos.
Afrodite e Shun se olharam e, em seguida, focaram em Minos.
— Fomos convidados, assim como você. – disse Minos.
— Convidados? Por clientes? Bem, aproveitem, então. E você, Griffon, vamos ter uma conversinha às sós. Pouco me importa se está com algum cliente. Nós dois temos uma pendência para resolver.
Antes que Minos respondesse, um dos seguranças se aproximou do japonês.
— Sr. Hiroaki? Seu carro está obstruindo a passagem de alguém que precisa sair. Seu motorista pode retirá-lo de onde está e estacioná-lo neste box, por favor? – perguntou o homem alto vestindo um terno escuro.
— Eu mesmo o farei. – disse Hiroaki, pois havia dispensado o motorista e deixado seus dois seguranças do lado de fora da Fundação. — Griffon, eu volto. Me espere aqui. – completou antes de acompanhar o segurança.
Afrodite olhou para o mezanino e viu Hades que acompanhava toda a cena.
— Humm... olha só quem está conduzindo tudo. Garanto que foi ele quem tirou o aprendiz de gângster de circulação. – disse o loiro.
Minos ficou apreensivo. Mais por Hiroaki que por Hades. O japonês podia ser da máfia, mas Hades possuía uma prontidão e análise difíceis de superar. Lembrou-se do que ele dissera, horas atrás: Está para chegar o dia em que terei medo de um moleque brincando de gângster!
— Eu vou ver o que ele vai fazer. – disse Minos.
Antes que o jovem desse um passo na direção tomada por Hiroaki, uma das recepcionistas surgiu a sua frente estendendo-lhe um pequeno papel branco.
— O Sr. Hades pediu que lhe entregasse isso. – disse ela sorrindo.
Minos pegou o bilhete e abriu sob os olhares curiosos de Shun e Afrodite.
“Logo vou encontrá-lo. Fique onde está e aproveite a festa”
— E aí? – perguntou Afrodite.
— Me mandou um recado dizendo para eu ficar onde estou e aproveitar a festa que logo ele encontra comigo. É claro que isso é uma mensagem subliminar prá eu ficar na minha. Ele já tinha dito que não queria o Hiroaki perto de mim.
— Olha, quer saber? Acho que, neste caso, ele tem razão. O yakuza vai surtar quando souber que você não vai mais dar prá ele.
— É, eu sei. Mas eu preferia ter falado com ele.
— Prá quê? Acha que ele ia aceitar na boa só porque seria você falando? Hades fez certo em deixá-lo longe dele. Se homens que nunca foram violentos podem sê-lo, quando contrariados, imagina os que fazem da violência a sua marca registrada. E eu estou falando por experiência própria!
— Afrodite tem razão, Minos. Lembra o que aquele homem fez comigo? – disse Shun.
— Eu sei, galera. Mas, sei lá...
— Sei lá o quê, Minos? Permita, pelo menos uma vez na vida, que alguém cuide de você prá variar. – disse Afrodite, no mesmo instante que seus olhos visualizavam Johann circulando pelo salão.
— Gente... falando no diabo, olha só quem está entre os convidados... Eu não acredito! – falou Shun.
Enquanto os três olhavam na direção de Johann, Aiolia e Ângelo voltaram a se aproximar. Os dois já haviam percebido a presença do executivo, porém não havia nada a fazer.
— Fiquem tranquilos, se o imbecil aprontar, a gente dá um jeito. – disse Ângelo.
— É isso mesmo. Não vamos deixar que um escroto desses estrague a festa. Vamos ao refeitório que o jantar logo será servido. Com tanta gente, teremos a sorte de nem encontrarmos esse sujeitinho. – falou Aiolia.
— É, vamos beber champanhe e brindar à vida. – disse Minos e os quatro ergueram as taças em um brinde regado a sorrisos.
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Naoko guardou os papéis na pasta. Embora seu irmão tivesse fechado aquele negócio, ela ainda estava apreensiva. Sua intuição dizia que havia algo de obscuro naquela proposta, mesmo que a primeira vista, tudo estivesse okay.
Raiden a esperava fora da sala. Quando ela saiu, o olhar dele deslizou por sobre a curva dos quadris dela antes de subir até a blusa branca que mais sugeria que revelava a curva de seus seios pequenos.
Ficou sério ao perceber que ela o ignorava. A atitude dela o irritava do jeito que mulher alguma jamais fizera. Ela era bonita, competente, mas agia como um espinho em sua pele, uma pedra no sapato... Porque ela fazia questão de quebrar a tradição? Porque não se resignava em servir ao pai e ao irmão? E porque, mesmo irritado com as atitudes dela, ele a desejava com um ardor desmedido?
— Seu pai mandou buscá-la. Ele a espera para o jantar. – disse o japonês.
— Meu pai me espera? – perguntou ela, surpresa.
— Sim, ele disse que gostaria de conversar às sós e que eu deveria acompanhá-la.
— E meu irmão?
— Seu irmão está representando a família em um jantar beneficente.
Um sorriso de escárnio brincou nos lábios finos de Naoko. Sim, enquanto o irmão representava a família, seu pai a encheria de perguntas. Ela daria as devidas explicações, enquanto o outro buscaria diversão. Como sempre!
Ela olhou nos olhos escuros de Raiden e viu neles o desejo explícito. Então, numa atitude ousada ela tomou-lhe o rosto entre as mãos e o beijou. Seu pai podia esperar até que ela também tivesse o seu prazer... O segurança correspondeu, a língua inquirindo a recepção fogosa da boca feminina, sentindo todo o corpo arder sob o poder daquela mulher...
Naoko deslizou as mãos para dentro do casaco e começou a desabotoar-lhe a camisa, sôfrega pelo contato com a pele do amante. Ele a tomou nos braços, empurrando-a contra a parede. O corpo forte colou-se ao dela, enquanto Naoko provava o sabor da pele do pescoço dele.
Raiden agarrou-lhe os cabelos, enquanto a língua dela pincelava o pomo de Adão e suas unhas o arranhavam com vontade.
As mãos firmes do yakuza seguiram para acariciar as pernas entreabertas, arrancando a calcinha e fazendo um calor úmido explodir dentro dela. Em seguida, subiram e circundaram, envolvendo-lhe as nádegas e então lhe erguendo os quadris, enquanto sua boca buscava a dela e a envolvia num beijo sôfrego e molhado.
Ela estava tão úmida e ávida... Raiden podia sentir o sumo encharcando-lhe a pele. O sexo dela estava inchado, abrindo-se para as investidas da mão e dos dedos dele como uma flor de lótus abrindo as pétalas, expandindo e tremendo freneticamente sob o seu toque.
Quando a sentiu gemer entregue, abriu o próprio zíper e libertou sua ereção. A carne máscula nua e rija a preencheu numa única investida, fazendo-a gritar. Naoko mordeu o lábio com força e enlaçou as pernas em torno dos quadris estreitos e arfou de prazer ao sentir que ele a sustentava firme, enquanto se movia para dentro dela.
O orgasmo irrompeu violento e rápido. Primeiro para Naoko, depois para Raiden. Ele a esperou estremecer e murmurar seu nome, então investiu com força, trincou os dentes e se entregou ao gozo com um longo, baixo e primitivo gemido. E daquela forma, inundou a mulher que amava com seu sêmen... Sim, amava. Amava e odiava, numa eterna dicotomia, a dança trágica e erótica que se repetia como uma maldição cada vez que ela o seduzia.
— O que faremos agora... – murmurou Raiden com sua testa encostada à dela.
— Voltaremos à rotina. Solte-me. – disse ela, secamente.
Raiden obedeceu vendo-a arrumar-se e, em seguida, rumar para o banheiro. Levou a mão aos cabelos negros e se recompôs também. Seria sempre assim? Rastejaria como um verme sempre que ela ordenasse? Furioso, socou a parede e foi esperá-la no carro.
No banheiro, Naoko se olhava no espelho. A face ruborizada e os cabelos em desalinho. O sexo com Raiden era sempre intenso e prazeroso. Gostava dele. Muito. Mas as emoções sempre se revelariam um ponto fraco e isso ela não se permitiria. Não nascera para ser submissa, nem fraca! E não o seria, muito menos por causa de um homem!
Lavou o rosto e usou uma toalha para limpar-se. Teria tempo de tomar um banho antes de jantar com seu pai. Fitou-se no espelho, ensaiando expressões e tentando substituir a languidez pós-sexo com a agressividade que lhe era característica.
Quando entrou no carro, Raiden não a olhou.
— Podemos ir. – disse ela.
— Sim, senhora. – respondeu Raiden e o percurso foi feito no mais absoluto e constrangido silêncio.
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— Hades!
A voz suave e assustada de Lune fez o executivo voltar o rosto, enquanto procurava por Minos.
— O que foi? – perguntou ele.
— Aquele homem horrível! Ele está aqui e está atrás de mim!
— De quem você está falando? Acalme-se, Lune.
— Johann! Eu fui amante dele, depois de você e o homem é louco!
— Você era o amante misterioso... – falou Hades em um tom baixo, mais para si mesmo.
— Como?
— Nada, fique tranquilo. Os seguranças vão cuidar dele. Venha, vou pedir que um dos seguranças o acompanhe até o refeitório.
— Hades... – murmurou Lune agarrando-se ao braço do executivo.
— Sim, Lune. O que foi, agora?
— Posso perguntar uma coisa? Algo pessoal?
Hades soltou o ar e fixou os olhos em Lune.
— Pergunte.
— Você e eu... Bem, quando eu rompi o contrato, você não fez nenhum gesto em minha direção, porque eu... eu nunca manifestei o desejo de ser um Switcher?
O cenho de Hades franziu, enquanto ele tentava entender aquela pergunta.
— Posso saber a razão de tal pergunta?
— O seu novo animalzinho disse que... ele é o ativo e que você descobriu o prazer de ser... fodido! Isso é verdade?
A pupila de Hades pareceu expandir e diminuir, tudo num ínfimo instante. Ele parecia um felino belo e perigoso e continuou com o olhar fixo nos olhos violáceos de Lune que sentiu os pelos da nuca arrepiar.
— Você andou conversando com Minos? – a voz de Hades soou grave e profunda.
— S-Sim, e-eu... eu quis conhecer o meu sucessor! – disse Lune gaguejando. – E ele foi bem vulgar, caso deseje saber!
Os olhos azuis acinzentados brilharam de modo peculiar.
— Como eu disse antes, quando nos reencontramos... Minha vida pessoal, como o próprio nome evoca, diz respeito somente a mim e a quem a divide comigo. Mas, vou compartilhar algo com você, pelos velhos tempos. Minos não é meu animalzinho, é meu amante e, um amante inigualável. Com ele, tudo é possível... Satisfeito? Agora, acompanhe o segurança e nunca mais ouse chamar Minos de vulgar ou será que esqueceu tudo o que já fez, quando foi minha cadela?— sussurrou Hades bem próximo ao ouvido de Lune.
Minos viu Hades e Lune muito próximos. Pediu licença aos amigos e procurou chegar mais perto. No entanto, ao perceber a atitude íntima dos dois, sentiu o sangue ferver e decidiu virar as costas antes de fazer algo impensado. O ciúme o corroia como nunca e o fazia sentir uma vibração esquisita dentro do peito. Merda! Tenho vontade de enfiar a mão na cara daquele sujeito e na de Hades também!Eu não posso chegar perto do Hiroaki, mas ele pode ficar de segredinhos com aquele idiota metido!
O ato de afastar-se, impediu Minos de ver um Lune estarrecido pelo que acabara de ouvir e sendo acompanhado por um segurança alto e avantajado que parecia uma versão oriental do *Rei do Crime.
Quando Hades o achou, ele estava irritado e bebia sua quarta taça de champanhe próximo a uma das colunas enfeitadas, tentando se acalmar para encontrar os amigos que já tinham se encaminhado até o refeitório.
— O jantar será servido. Vamos? – perguntou Hades retirando a taça de champanhe da mão de Minos.
— Pensei que ia acompanhar o seu amigo artista. – disse Minos com o semblante fechado e tentando retomar a taça retirada de si.
— Ele não é meu acompanhante e sim um dos homenageados da noite. Algo o aborreceu? – falou Hades.
— Eu não devia ter vindo. – disse Minos.
Hades levou o indicador até o queixo de Minos, fazendo-o encará-lo. Fitou-o bem dentro dos olhos, notando-lhe a irritação e deliciando-se com o ciúme indisfarçável que o jovem demonstrava.
— Se você não viesse, como eu iria descobrir que gosto de ser fodido por um fedelho? – perguntou o executivo.
O semblante de Minos mudou da irritação para a surpresa.
— Ele contou o que eu falei, aquele... otário idiota! Eu disse aquilo prá zoar com ele. Não sei se ele era bom de cama quando foi seu amante e também não quero saber. Ele veio se achando e sugerindo que eu era inferior a ele. Eu não ia deixar aquele otário ficar se vangloriando.
— Então o senhor mancha a minha reputação, simplesmente, para zoar com alguém de quem não gosta?
— Ficou zangado?
Hades cravou os olhos gélidos em Minos, porém não havia neles nenhum traço de contrariedade e sim de humor. Minos o instigava e surpreendia por seu destemor e resiliência. Mesmo agora, quando perguntava se estava zangado, ele não vacilava ou temia se expor. Gostava disso nele. Aliás, gostava dele e se via fazendo concessões que nenhum outro usufruíra de si.
— Digamos que vou encontrar uma punição adequada para esse ato desrespeitoso. Agora vamos, você bebeu mais que devia e precisa comer. – disse Hades com um sorriso malicioso.
Minos sentiu o peito aliviar. Se Hades não havia ficado zangado era porque o tal Lune não tinha mais importância em sua vida.
— Hades...
— O que é?
— Por que eu?
O executivo fitou-o e, em seguida se encaminhou em direção a uma porta solitária em meio ao corredor.
— Siga-me. – disse ele.
Minos obedeceu. A sala era pequena e estava escura. Hades não acendeu a luz e puxou o jovem para dentro. Antes que o jovem esboçasse qualquer reação, Hades cobriu-lhe a boca com a sua em um beijo longo, profundo e explorador enquanto pressionava o corpo contra o dele. Alternando o ângulo da cabeça de um lado para o outro, fez amor com a boca ávida e quente de Minos.
Acostumado com o ardor do executivo, Minos envolveu-lhe o pescoço com os braços e o puxou mais para perto, ambos sentindo a excitação crescente que lhes tensionava o corpo.
Ofegante, Hades traçou com a língua o contorno da boca de Minos e lhe sugou os lábios, arrancando um gemido baixo e excitado do jovem. Então, quando sentiu o latejar da própria ereção, afastou-se e sussurrou próximo ao ouvido de Minos:
— Isso responde a sua pergunta?
— Sim, você me deseja. Resta saber até quando. – disse Minos, desapontado e se desfazendo do contato físico.
— Minos... – disse Hades segurando-o pelo braço, quando um coro de gritos femininos irrompeu o ar.
Os dois estancaram. Hades colocou-se a frente de Minos, enquanto abria a porta lentamente. O corredor estava vazio e o som parecera vir do refeitório.
— Fique aqui. – disse Hades.
— Negativo, eu vou com você. – teimou Minos.
— Obedeça! Se algo grave estiver acontecendo e os seguranças não estejam dando conta, você estará livre para buscar ajuda. Espere cinco minutos. Se eu não voltar, saia com cuidado e chame a polícia.
Na escuridão, Hades não pode ver o olhar aflito de Minos, mas, mesmo naquela situação inusitada, sentiu que não devia deixá-lo sem uma resposta mais esclarecedora para a pergunta feita, instantes atrás.
— E continuando... Sim, eu o desejo Minos. Desejo mais que qualquer outro que eu já tenha tido. Mas não é só isso... Você é importante prá mim e de um jeito quase assustador. Agora fique aqui. Eu vou ver o que está acontecendo. – disse Hades deixando a sala.
Minos quis dizer algo, mas as palavras não saíram. Quando Hades desapareceu em meio ao corredor amplo, ele sentiu uma estranha opressão no peito e, de repente, a frase não dita exigiu sair de seus lábios:
— E eu te amo...
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