NIKUTAI NO YOUKUBÔ (desejos da carne)

14 Capítulo 14 - DIGA-ME COM QUEM ANDAS...


Notas iniciais
Galera amada, aqui estou depois de um tempo sem conseguir atualizar devido a certas circunstâncias alheias a minha vontade! Mas, vamos lá! Bom findi e espero que gostem!!! Bjs e amo vocês!

Hades saiu da cama e buscou seu celular. Havia cochilado com Minos nos braços, um ato prazeroso que inaugurava uma nova rotina. Desde que começara sua vida sexual nunca adormecera abraçado com alguém, nem mesmo permanecia deitado, após o sexo. Sempre sentira aversão a este tipo de intimidade que agora, com Minos, se revelava uma necessidade natural e agradável...

Um olhar demorado por sobre o ombro nu confirmou que Minos dormia tranquilamente, enfim relaxando após tantas tensões. Observá-lo assim e saber-se parcialmente responsável fez um meio sorriso brincar em seus lábios, enquanto se aproximava, devagar, e descia a mão até os cabelos revoltos do jovem envolvendo os dedos naquele mar de fios platinados... Faria tudo para tirar os problemas dos ombros dele. Era muita responsabilidade para alguém com tão pouca idade, apesar da maturidade que ele mostrava em muitas situações e da sexualidade intensa que o tornava um amante inigualável.

Pensou em todos os passos a serem dados, a partir dali. O primeiro era evitar que o jovem voltasse ao prostíbulo. Não deixaria nenhum outro homem encostar a mão em Minos. Podia ser irracional, mas mesmo antes de saber que ele era menor, já pensava em como impedir que ele voltasse ao Dark Sex. A verdade pura e simples é que estava apaixonado e mesmo que não dissesse com as palavras exatas, tentava mostrar com atos que se importava com ele.

Seu celular exibia oito chamadas não atendidas, sendo três de Aiacos e cinco de Saori.

Droga! Esqueci o jantar beneficente. Pensou, enquanto fazia a ligação.

— Saori? Sim, eu sei que o jantar é hoje à noite. Como? Você convidou quem? Não, não me importo. Até a noite.

Respirando fundo, após contar até dez, Hades desligou. Saori tinha o dom de agir de forma impensada e com as mais variadas desculpas, mas ainda assim, neste exato momento, a atitude dela em convidar certa pessoa não seria capaz de tirá-lo do sério. Havia outras coisas mais importantes que isso. Agora era a vez de Aiacos.

— Então, descobriu algo interessante?

— Seu futuro parceiro de negócios tem uma ficha extensa. Brigas familiares, a esposa suicidou-se no ano passado, o único filho do casal morreu de câncer dois anos antes e... Ah, existiu um amante misterioso, um rapaz de vinte e quatro anos que o deixou no início deste ano. Parece que houve um pequeno escândalo que foi abafado devido ao fato do rapaz ser conhecido no meio artístico e acusá-lo de estupro e cárcere privado. Fora a tragédia total que parece ser a vida do sujeito, sua empresa parece em ordem e com ações em alta.

Com o cenho franzido, Hades perguntou:

— Essas ações estão à venda?

— Sim, ele disponibilizou 35% delas no mercado de ações e já duplicou o patrimônio, antes mesmo de oferecê-la a você.

Hades desligou e ficou pensando na urgência estampada no olhar de Johann. Ele quase surtara quando ele pedira mais um tempo de análise. Se estava tudo certo, qual seria o real motivo da pressa?

— Aiacos, veja o preço das ações e a hora em que elas foram colocadas à venda. Dê-me retorno ainda hoje, está bem?

— Ok! Câmbio e desligo, senhor! – brincou o hacker.

Houve um movimento na cama e Hades viu Minos levantar-se ainda meio zonzo de sono, o corpo esguio exibindo as marcas do prazer.

— Que horas são? – perguntou ele tirando alguns fios teimosos da frente dos olhos e se espreguiçando.

— Estamos no meio da tarde. Como eu disse antes, sua tia vai pernoitar no hospital e está sob o efeito de sedativos. Amanhã cedo poderá vê-la e levá-la para casa. Aproveite e descanse mais um pouco. – respondeu Hades demorando o olhar no corpo nu de Minos.

— Preciso fazer umas coisas, principalmente falar com Hilda.

Os olhos azuis, antes ardentes exibiram um brilho diferente e Hades usou do autocontrole para falar de forma serena, porém firme.

— Minos, eu falei sério quando disse que você não voltará ao prostíbulo sozinho. Eu cuido disso.

— E eu falei sério quando disse que gosto de ser livre prá decidir sobre a minha vida. – rebateu o jovem.

— Então estamos num impasse. Um telefonema meu e o Dark Sex fecha por aliciamento de menores.

— Droga! Quero que fique fora disso porque, apesar de ser menor, eu sempre fui responsável por minhas escolhas. Hilda me deu um emprego sem saber dessa história. Eu falsifiquei o documento de identidade! Agora ela agendou com Hiroaki e ele não é alguém com quem se deva brincar. Eu preciso acertar as coisas, entende? Não quero prejudicar outras pessoas por algo que eu fiz.

A simples menção do nome do yakuza fez Hades enrijecer o corpo.

— Se aquele imbecil ou qualquer outro tocar em você, eu não só fecho, como tomo todas as providências para que aquele prostíbulo nunca mais seja reaberto em Tóquio ou arredores. E não pense que Hilda é ingênua, ela é ambiciosa e fecha os olhos para faturar, isso sim.

— Hiroaki não é um simples cliente, você sabe disso.

— Está para chegar o dia em que terei medo de um moleque brincando de gângster!

— Ele é meio doido e mata pessoas. Mesmo que você seja o cara ele não tá nem aí para a sua posição social. A família dele é uma das mais tradicionais e...

— Aposto que ele é patético na cama, assim como o é, fora dela. Estou certo ou... vai defendê-lo dizendo algo contrário? – cortou Hades.

Minos franziu o cenho, admirado com aquele tipo de pergunta em meio a discussão. Hades o olhava como se estivesse com ciúmes, fato que o fez morder o lábio e ter vontade de rir.

— Pior que é verdade... Ele tem sérios problemas nesse assunto. – respondeu o jovem com um meio sorriso. – Mas não o considero um mau sujeito, apesar de tudo. Ele sempre me tratou bem e eu acho que somos muito parecidos, tanto eu quanto ele não gostamos de dar satisfações.

Hades elevou uma sobrancelha, a seriedade acentuada no rosto viril. Então se aproximou de Minos, olhando-o, demoradamente, antes de puxá-lo pela cintura e colar o corpo dele ao seu. Também estava nu, a pele fria retomando o ardor ao sentir a do jovem junto a si.

— Não ouse se comparar àquele imbecil... E não quero ele perto de você. Fui claro? – disse o executivo fazendo-o sentir as mãos firmes em sua pele.

Porra, você sabe ser muito chato!— esbravejou Minos.

— E você sabe ser teimoso e desafiador. O que me obriga a fazer isso... – disse Hades impondo, ainda mais, seu corpo ao de Minos..

Minos abriu a boca para rebater e o executivo aproveitou para atacar. Beijou-o com força, decidido a dominar aquela conversa. Entretanto, ao sentir a língua de Minos misturar-se à sua em uma luta feroz, foi dominado pela entrega selvagem e o desejo atravessou-o diante da evidência que Minos não era como os outros... Mesmo sendo muito jovem, a determinação e a personalidade faziam dele um amante único.

O jovem fechou os olhos e viajou naquela carícia. Hades revelava outra parte de si, um lado protetor que, ao mesmo tempo em que o fazia baixar as suas defesas, deixava-o com medo de se entregar por completo. O executivo o queria, era o que ele havia dito com todas as palavras. No entanto, querer estava ligado ao desejo, mas amar já era outra coisa...

— Vamos encerrar esse assunto e tomar um banho juntos. – disse Hades puxando Minos em direção ao banheiro. – Quero que me acompanhe hoje à noite.

Com o cenho franzido, Minos sorriu meio descrente.

— Acompanhar você? Tá falando sério? Onde?

— A um jantar da Fundação.

Um sorriso distendeu os lábios bem feitos de Minos e Hades percebeu que a alegria dele era como um poderoso afrodisíaco.

— Eu não tenho nada aqui que possa vestir para um jantar desses. Tenho que ir até em casa.

— Vamos sair juntos e comprar algo para você.

O sorriso, antes largo, virou um trejeito de contrariedade.

— Só falta agora você me dar os seus cartões de crédito e me chamar de Vivian.

— Vivian? Quem é Vivian?

— Vivian é o nome da prostituta vivida pela Júlia Roberts no filme Uma Linda Mulher. Você nunca viu este filme?

Com o cenho franzido, Hades olhou-o, antes de responder.

— Não, não vi. Mas o que isto tem a ver com a minha proposta? O que tem de errado oferecer a você uma opção, já que eu o convidei de última hora?

A voz de Hades soou macia, era a segunda vez que ele agia diferente do habitual e Minos sentia uma duplicidade de sentimentos. Uma parte sua sentia um prazer real em ser desejado, mas a outra sentia medo. Quando vivera sua primeira paixão, a perda fora muito dolorosa. Era um amor adolescente, mas não menos importante. No entanto, com Hades era diferente, sentia que os sentimentos envolvidos naquela relação eram fortes demais, exigentes e inquietantes.

O jovem bufou, depois levou as mãos aos cabelos.

— Quer saber? Eu agradeço a oferta, mas se quer mesmo me levar a este jantar, me deixe ir até minha casa. Você... pode me buscar depois.

Inesperadamente, Hades sorriu. De certa forma, a resistência de Minos mostrava o quanto ele era forte e isso o agradava.

— Está bem, eu o apanharei às 20h00min horas.

Foi a vez de Minos franzir o cenho e olhar para Hades com estranheza. O executivo aceitara o que ele dissera sem discutir.

— Estamos combinados, então?

— Sim, estamos. Agora vem cá... – disse Hades e logo os dois estavam embaixo do chuveiro.

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Afrodite olhou para Ângelo que dormia. O loiro havia se levantado da cama de forma suave e bem devagar. Tomara uma ducha e vestira suas roupas, sorrindo ao ter que catá-las pelo quarto. Fazia muito tempo que não vivenciava um momento assim, de uma sexualidade plena, alegre e intensa. Tinha que se esforçar para não ficar fantasiando, desejando que aquilo perdurasse...

Já estava anoitecendo e o melhor a fazer era sair de fininho e retornar ao Dark Sex. Olhou em volta para ver se encontrava papel e caneta. Deixaria um bilhete agradecendo por tudo que havia vivido e se prepararia para a realidade, novamente. Essa lição já havia sido aprendida bem antes de tornar-se um prostituto.

Um pequeno bloco de notas e uma caneta jaziam sobre o criado mudo. Afrodite pegou-os e começou a escrever. Pensou em várias coisas, mas optou por algo breve e educado:

“Ângelo, não tenho palavras para descrever e agradecer o nosso encontro. Obrigado pelo delicioso almoço e pela incrível companhia.”

Afrodite.

Nem bem terminara, sentiu uma mão forte cobrir, inteiramente a sua.

— Não me diga que ia sair de fininho. – disse Ângelo com a voz rouca.

— Sei que você tem muitos compromissos e também deve trabalhar muito. Eu preciso ir. – respondeu o loiro.

A expressão no rosto de Afrodite fez com que algo se mexesse no peito de Máscara da Morte. Havia força e delicadeza nas belíssimas feições dele, mas também uma solidão velada escondida sob o sorriso sedutor.

Com uma espontaneidade que era estranha para si, Ângelo levou a mão ao rosto delicado e beijou-o, de leve nos lábios. Depois, esfregou, de leve, o indicador no nariz arrebitado.

— Isso faz cócegas. – disse Afrodite franzindo o nariz e sorrindo.

— Faz? – rebateu Ângelo, também rindo.

Os dois se olharam e parecia que o tempo congelava, novamente. Era estranho, mas nenhum dos dois podia fazer algo sobre isso. Acontecia e pronto.

— Fique mais um pouco. – disse o executivo apertando, de leve, a mão macia do loiro.

— Eu preciso mesmo ir.

— Deixe-me ver se tenho alguma ligação e eu te levo. Por favor... – insistiu Máscara.

— Está bem.

Ângelo verificou seu celular e havia duas chamadas não atendidas. Reconhecendo o número de Aiolia, ele retornou de imediato. Após falar rapidamente com o amigo, olhou para Afrodite que estava parado em frente à janela, recebendo sobre si a luz de um neon. A cena deixou-o extasiado e confuso, porque a sensação que sentia era de um profundo bem-estar, como se o estivesse esperado desde sempre...

— Eu e Aiolia temos um jantar beneficente para ir. Gostaria de me acompanhar?

— Eu?

— Sim, você.

— Ângelo... Esses momentos com você tem sido maravilhosos, mas você tem um nome a zelar e eu tenho uma vida que não casa com a sua. Eu sou realista e creio que você também é ou não seria um homem de negócios. Agora, eu gostaria de ir. – disse Afrodite levantando da cama.

Máscara da Morte passou os dedos longos pelo cabelo, os cachos negros caindo sobre a testa dando-lhe um ar ainda mais selvagem que o habitual.

— Sim, eu sou realista. E por sê-lo, percebi em mim algo que nunca tinha acontecido. Eu não sabia o que era paixão até conhecê-lo.

— Isso é apenas sexo. Você esteve muito tempo sem ele. – rebateu o loiro evitando olhar para o executivo.

— Você é um homem experiente. Pode afirmar que o que aconteceu entre nós dois foi somente sexo?

Droga! Pensou Afrodite se afastando, nervosamente.

Máscara levantou-se da cama, o corpo poderoso e nu mostrando-se, enquanto vestido, Afrodite dava um passo para trás, sua razão lutando contra as emoções que aquele italiano despertava.

Ignorando a barreira invisível que Afrodite tentava erguer entre eles, Ângelo se aproximou. Os olhos cristalinos do loiro se estreitaram, mas por baixo da insegurança havia um clarão de desejo.

— Não sou homem de fugir do que sinto. Fui casado durante sete anos e sempre achei que a vida calma e sem paixão era satisfatória. Quando perdi minha família, achei que não havia feito o suficiente, que não tinha vivido tudo que podia. Passei muito tempo imerso em culpa e dor. No entanto, sei que se a minha vida não tivesse mudado, eu nunca saberia o que era estar, realmente, vivo. Você me trouxe uma nova dimensão do sexo, Afrodite. Uma dimensão que me ensinou a fazer amor.

O loiro mordeu o lábio, lutando contra o desejo de acreditar naquelas palavras e decepcionar-se, novamente.

— Eu não sei quem magoou você, mas sinto que teve alguém. – disse Ângelo tocando-o no rosto.

Afrodite franziu o rosto, parecendo uma vela de tão branco.

— Por favor... Foi há muito tempo e já perdeu a importância. Eu vivo o hoje, o agora. E, nesse exato momento, preciso ir.

— Vai fugir de mim, bello? Tudo bem... – falou Máscara com um suspiro. – Eu também não sou do tipo que acredita em meras palavras. Vou provar a você que estou falando sério. Deixe-me tomar uma ducha e me vestir. Vou levá-lo, pois deve estar cansado.

Os olhos de Afrodite suavizaram. Ele baixara a guarda. Seus olhos se encontraram com os de Ângelo, a ponta da língua do loiro apareceu, rosa, delicada e passeava por sobre o lábio inferior. O coração de Máscara da Morte bateu mais forte e, sem pensar, ele se inclinou na direção o loiro e o beijou com suavidade, lutando contra o instinto de tomá-lo, novamente de forma selvagem e intensa. Sentiu o hálito quente dele e sorriu, sussurrando:

— Não ouse fugir... Ou melhor, me acompanhe até o banheiro. Podemos conversar, enquanto tomo banho ou... podemos tomar um banho juntos. O que acha?

Afrodite riu.

— Acho uma excelente ideia. – respondeu ele, com fogo no olhar.

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O semáforo mudou para a cor verde e o potente carro seguiu adiante. Em seguida, Aiolia ligou o som e a música alegre preencheu o silêncio.

— Que tipo de música você prefere? – perguntou ele a Shun.

— Gosto de tudo. Só não aprecio trash metal. — respondeu o jovem.

— Eu também. – disse Aiolia sorrindo. – Agora, poderia me falar um pouco sobre você.

A voz dele soou natural, mas Shun sentiu-se tenso. O que contaria a ele? Que sua vida se tornara um turbilhão aos cinco anos de idade, quando um terremoto havia destruído a sua família? A perda, a dor, o sofrimento levando-o a passar por lares adotivos, fazendo-o experimentar a perversidade humana.

Ainda estava vívido em suas lembranças o sorriso do casal que o adotara e a forma carinhosa com que o haviam recebido. Tudo transcorria bem até o momento em que ele fizera 12 anos. O olhar do homem mudara, as brigas entre o casal irromperam como se fossem uma maldição e um dia, na escuridão da noite, o ato abusivo que o marcou, profundamente. Foram apenas toques, mãos que pareciam feitas de fogo, marcando-o, acariciando-o de forma obscena. Ainda não sabia muito bem como reagir a isso. Como agir com alguém que lhe dera amor e agora cobrava o preço de forma tão sórdida?

A primeira fuga, então aconteceu. A assistente social o resgatara e ele fora acolhido por outra família, onde o conflito repetiu-se, dessa vez, com um desfecho estranho e cheio de angústia e culpa.

O irmão adotivo da nova família o recebera bem e juntos, descobriram que a afinidade entre os dois era enorme, para alegria de seus “novos pais”. Com o passar do tempo, o amor, antes fraterno transformou-se em algo mais. Veio a adolescência e as exigências do corpo. Os momentos às sós tornaram-se quase um vício e os dois passaram a viver um caso proibido. O sexo revelou-se prazeroso, embora cheio de culpa. Até o dia em que foram descobertos e tudo mudou. Mais uma vez fora obrigado a deixar tudo para trás e uma etapa escura e solitária começou...

Iniciou-se uma fuga constante da assistência social. Não queria saber de famílias, tinha de aprender a viver sozinho, escolher seu caminho, conviver com o resultado de suas escolhas. Aos 16 anos abandonara os estudos e não sabia fazer muita coisa.

No entanto, notava os olhares sobre si, principalmente de homens mais velhos. Em alguns momentos, quando a fome apertava, aceitava o convite de alguns e trocava sexo por comida e um lugar para passar a noite. Este foi o início de um caminho difícil onde aprendera a submeter-se para sobreviver.

Um dia, uma mulher bonita o viu sair do carro de um cliente e se aproximou. Ela lembrava uma daquelas deusas míticas do folclore de seu país e as palavras que ela dissera, mudaram o seu destino: “Eu tenho um lugar onde vai poder fazer o que sabe com segurança e ainda terá um lugar para ficar. Um jovem com o seu rosto e corpo tem muito a ganhar comigo...”

A mulher se chamava Hilda e o lugar era o Dark Sex.

— E então? – insistiu Aiolia notando que Shun parecia devanear.

— Hã... Bem, eu não tenho muito a contar sobre mim. Resumindo eu tive alguns contratempos, acabei tendo que... bem, você sabe. E é isso! – disse Shun com um sorriso forçado.

Aiolia percebeu que aquele era um terreno delicado e, se insistisse, desfaria a atmosfera leve e sedutora que pairava entre os dois.

— Tudo bem. Vamos deixar o passado em seu lugarzinho e falar no futuro. Quer ir a um jantar comigo?

— Jantar?

— Sim, um jantar beneficente. Vai ser hoje à noite.

Shun ficou desconcertado, mas também curioso.

— Jantares assim exigem traje adequado.

— Que nada! Eu vou vestido de forma esportiva. Uma calça e uma camisa serão perfeitos para a ocasião.

Um sorrisinho escapou dos lábios do jovem.

— Você fica impecável até quando está nu. – disse ele fixando os olhos no rosto bonito do executivo.

Aiolia sorriu, os olhos brilhando de orgulho e contentamento. Como Shun conseguia com uma meia dúzia de palavras, deixá-lo tão feliz e à vontade?

— E então? Aceita vir comigo? Diga que sim! Por favor! – falou Aiolia com um jeito propositalmente infantil.

— Não sei...

— Por favor! Por favorzinho... – insistiu fazendo um olhar mendicante e puxando-o pelo braço, enquanto dividia a sua atenção entre ele e o trânsito.

Shun fez que sim com a cabeça com medo que Aiolia cometesse um acidente agindo daquele jeito.

— Está bem, mas olhe para frente. Não quero morrer jovem. – respondeu Shun sorrindo, enquanto fingia um olhar severo.

Ao sustentar o olhar doce e divertido de Shun, Aiolia percebeu que já havia tomado uma decisão: desejava aquele jovem ao seu lado e faria qualquer coisa para que isso se tornasse uma realidade possível.

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O trem chegou ao Roppongi rapidamente. Minos desembarcou e olhou para o relógio. Eram quase 18h00min horas e ficara de ser pego às 20h00min. Não deixara que Hades o trouxesse e também não havia chamado o táxi do senhor Tadaka. Precisava pensar um pouco em cada fato que estava acontecendo consigo e o fazia melhor sozinho.

Andou rápido para casa, pois não queria se atrasar. Imerso em seus pensamentos não percebeu a jovem com cabelos longos e trançados que se aproximava fingindo ler uma revista de moda. Num dado momento, ela chegou bem perto e sussurrou algo, fazendo Minos olhá-la.

— O que disse? – perguntou ele, olhando-a com o cenho franzido.

— Sr. Griffon, minha senhora deseja vê-lo e está disposta a pagá-lo para que responda a algumas perguntas. Vá até este endereço amanhã, neste horário, e não se arrependerá. – disse ela estendendo um pequeno envelope e, em seguida, misturando-se à multidão que caminhava.

Minos achou aquilo muito estranho, mas pensaria sobre o assunto depois. Entrou em seu apartamento que permanecia desarrumado e com as marcas da agressão sofrida por Halldora. Inspirou fundo, jogou o envelope que recebera sobre a mesa e tratou de ir para o quarto escolher uma roupa adequada.

Pelo menos seu guarda-roupa estava intacto e as roupas novas que comprara com Afrodite permaneciam no cabide.Tomou um banho rápido e vestiu-se de forma esportiva como Hades havia sugerido. Uma calça social escura e uma camisa polo justa e preta. Olhou-se, achando estar bem e prendeu os cabelos em um rabo de cavalo baixo e firme, revelando bem as feições de seu rosto.

Às 20h00min em ponto, Hades ligou para o seu celular dizendo esperá-lo. Minos desceu e avançou na direção do Nissan negro. Percebendo a análise minuciosa de Hades, pensou que talvez tivesse errado na vestimenta, porém, para sua surpresa, o executivo também não vestia terno. Salvo a marca das roupas e a camisa de manga longa que Hades usava, os dois estavam vestidos de forma semelhante.

— Está muito bem, senhor Griffon. – disse Hades sorrindo com um olhar de aprovação.

— O senhor também está. Quase não o reconheci. – rebateu Minos e os dois riram.

— Este jantar beneficente não deve ser tão formal, já que foi planejado para receber os jovens. Pude deixar o terno de lado.

— Você fica bem assim... — disse Minos olhando-o com malícia. — Embora eu o ache um tesão de terno. – completou.

— Bom saber. – disse Hades levando a mão à coxa do jovem, acariciando-a de forma lenta, enquanto sorria.

Chegando à Fundação, Minos surpreendeu-se com tanta gente,muitos eram da sua idade ou até mais novos. Todos olhavam para Hades como se ele fosse um deus e, consequentemente, observavam a companhia dele com curiosidade.

O salão estava quase lotado, porém a amplitude do espaço permitia que o deslocamento fosse fácil. O teto envidraçado deixava ver o céu estrelado e as paredes claras foram envolvidas por tecidos drapeados e coloridos para criar uma atmosfera lúdica e dinâmica.

Havia vasos enormes exibindo flores brancas entre lanternas tradicionais aromatizadas, o que enchia o espaço com um aroma embriagante. Garçons circulavam por entre os convidados servindo champanhe, água e alguns canapés. O jantar, propriamente dito, seria servido às 21h00min no refeitório da Fundação.

— Hades! – falou Saori vindo ao encontro do executivo.

— Boa noite, Saori. Este é Minos. – disse ele.

— Oh! Boa noite, Minos. Que surpresa agradável! Fiquem à vontade. – falou ela com um sorriso amistoso.

Minos apertou a mão delicada e então olhou em volta, vendo um homem acenar em sua direção, ou melhor, na direção de Hades.

O executivo sorriu ao ver Aiacos adiantar-se com uma taça de champanhe na mão e uma expressão curiosa.

— Aiacos, Minos. Minos, Aiacos. – disse Hades.

Os dois apertaram as mãos e Minos sentiu-se à vontade com Aiacos. O hacker tinha um ar de deboche e divertimento que casava perfeitamente com a personalidade rebelde de Minos. Não demorou muito para que engatassem uma conversa descontraída e encontrassem pontos em comum.

— Eu tenho de ver alguns detalhes sobre esta noite. Aiacos, pode fazer companhia ao Minos até que eu volte?

— Claro, juiz!— devolveu o hacker sorvendo um gole de champanhe.

Minos franziu o cenho com aquela brincadeira, mas riu.

— Juiz?

— É uma brincadeira que surgiu entre nós quando ele me salvou de uma roubada. Um dia eu te conto com detalhes, agora vamos circular por aí. – disse Aiacos sorrindo.

Enquanto caminhava e era apresentado por Aiacos a algumas pessoas, Minos se deteve na figura imponente de um homem jovem belo e sério, cujos cabelos eram semelhantes aos seus. Ele surgira na entrada tendo, atrás de si, uma legião de fotógrafos e, por alguns minutos, houve uma comoção geral entre alguns presentes.

Saori foi ao seu encontro, assim como Hades. O jovem sorriu para ambos, mas Minos notou que o olhar dele se detinha no executivo e de um jeito muito íntimo.

— Quem é aquele? – perguntou ele.

— Ele se chama Lune de Balron e é ator do teatro Kabuki contemporâneo.

Pelo visto, Hades o conhece bem ... – deixou escapar Minos.

Aiacos não respondeu. Como um velho amigo de Hades, conhecia bem os interesses do juiz e sabia do breve caso dele com Lune. No entanto, Minos se revelava uma novidade peculiar. Nunca vira Hades tão interessado em alguém desta forma. Podia jurar que via nos olhos frios do amigo um brilho inédito que estava além do puro desejo...

Antes que Minos falasse, Lune disse algo e sorriu, sendo acompanhado por Hades e Saori. Em seguida ele distribuiu autógrafos e posou para fotos. A sensação que o ator ainda tinha algo com Hades começava a irritá-lo e fazia com que sentisse a garganta seca. Quando um garçom passou, oferecendo mais champanhe, Minos aceitou e bebeu quase tudo de um só gole.

— Vai com calma... – falou Aiacos.

Minos sorriu com sarcasmo.

— Não se preocupe, eu sei beber. Precisava molhar a garganta. Só isso.

— Olhe, eu conheço Hades há bastante tempo e se ele está com você, pode confiar que nada é capaz de distraí-lo.

— Você não me conhece. Talvez eu não seja a melhor opção. – disse Minos.

A resposta de Minos fez Aiacos perceber o porquê de Hades gostar dele. O jovem era franco, rápido em argumentar e possuía uma beleza singular. Se ele soubesse que conhecia detalhes da vida dele, embora, pessoalmente, ele fosse mais interessante...

— Se Hades o convidou para acompanhá-lo, você se tornou a única opção, meu caro Minos! – retaliou Aiacos.

Um breve sorriso brincou nos lábios do jovem que logo foi cercado por um pequeno grupo de jovens que queria conversar e saber o que ele era de Hades. Por alguns minutos, Minos despistou algumas perguntas e respondeu outras. Aiacos ficou por perto, mas viu que o jovem agia com segurança e era desinibido.

Despistando os fãs e fotógrafos, Lune fez uma manobra graciosa e acabou por ter Hades para si. O jovem ator ainda se sentia atraído pelo rosto ameaçador e absurdamente atraente do executivo. A excitação tomava conta do seu corpo ao lembrar-se do breve caso que haviam tido. Talvez se eu não tivesse me apaixonado, ainda estaríamos juntos... Pensou, enquanto o encarava com o coração acelerado.

— Então, você continua o seu trabalho na Fundação... Fiquei muito honrado com o convite. – disse Lune com um sorriso lento.

— E você tornou-se famoso. – falou Hades sem sorrir.

— Tornei-me um bom ator, só isso. Tenho saudades dos velhos tempos...

— O presente costuma ser sempre melhor. Seja bem-vindo, Lune. Agora se me dá licença, eu vou encontrar meu acompanhante.

— Arranjou um novo submisso ou... – disse o jovem, aproximando-se de Hades de forma sedutora.

— Minha vida pessoal só diz respeito a mim, Lune. – cortou Hades e seus olhos haviam se transformado em duas esferas de cobalto, duras e impiedosas.

A agudeza no tom de voz penetrou o coração de Lune. Como Hades podia tratá-lo assim, depois de tudo que haviam feito? No entanto, ele abriu um sorriso quente e vagaroso:

— Seu tom sugere que eu ainda o perturbo. Não pretendia invadir a sua privacidade. Perguntei por curiosidade...

— Como presidente da Fundação, eu agradeço a sua presença. – disse Hades mal mexendo os lábios, enquanto um dos seguranças se aproximava e falava algo baixo, próximo ao seu ouvido.

A postura dele atiçou Lune. Sua breve história com Hades havia sido passional e quente. Não havia nada que ele lhe pedisse que não fizesse. Submetera-se aos mais variados fetiches e seu único erro fora se apaixonar pelo executivo que sabia ser ardente no sexo, mas extremamente frio fora da cama. Acabou não suportando aquela duplicidade e resolveu se afastar, viver outras relações, embora jamais o esquecesse...

Assim que Hades se afastou junto do segurança, o ator olhou na direção de Minos e sorriu. Vamos ver quem é a nova cadela...

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Johann retirou um lenço do bolso e enxugou o rosto suado. A negociação com a corporação japonesa havia sido extenuante. Maldita mulher! Poderia ter fechado o negócio rapidamente se ela não argumentasse o tempo todo. Mas, enfim, Hiroaki aceitara os seus termos e, quando a verdade chegasse a público ele já teria conseguido seu intento! Se não estivesse tão tenso, até poderia rir da facilidade com que executou cada ato em meio aos pensamentos e lembranças que lhe viam à mente.

Com pressa, tratou de deixar o prédio comercial e dirigir-se à Fundação Saori Kido, onde concluiria o plano cuidadosamente engendrado. Olhou ao redor, a metrópole fervilhante de neons, anúncios e transeuntes. Havia um brilho insano nos olhos azuis e sua respiração estava ofegante. A excitação era visível, então ele fez um esforço para disfarçá-la. Não havia chegado até ali para por tudo a perder.

Respirou fundo antes de exibir o convite ao segurança. Após a verificação, ele entrou ouvindo os próprios passos sobre o piso frio. Foi então que a visão do homem que o abandonara e quase o levara à insanidade revelou-se ainda mais bela do que ele se lembrava. Ele sentiu o coração retumbar nos ouvidos, mas mesmo assim, caminhou devagar para não chamar a atenção.

Aproximando-se de Minos, Lune não percebeu o olhar doentio sobre si. Decidira saber mais daquele que roubara seu lugar.

— Então... Você é o novo acompanhante de Hades? – perguntou ele de forma direta.

Minos encarou-o com o cenho franzido e um sorriso debochado. Podia ser jovem, mas seu instinto de sobrevivência sempre falava mais alto e ele não levava desaforo para casa.

— Sou. E você era o velho, acertei?

A resposta rápida surpreendeu Lune.

— Gostei de você, tem senso de humor... embora estranhe que Hades o tenha escolhido. Você não me parece um submisso e nem sofisticado.

— E não sou.

— Como assim?

Com uma inspiração forçada, Minos aproximou-se de Lune e cochichou em seu ouvido.

— Como é? – perguntou Lune com uma expressão horrorizada.

— É verdade... Quem come sou eu! Hades descobriu como é bom ser fodido.

— Você só pode estar brincando! Hades nunca deixaria...

— Mudanças, meu caro... incríveis e gostosas mudanças... Você não imagina o rabo apertadinho e quente que ele tem... Agora, se me dá licença, tenho que procurar o juiz e dar um trato naquela bundinha deliciosa. – sussurrou Minos piscando o olho com malícia e dando as costas ao ator.

Lune custava a acreditar naquele absurdo... Ou será que era verdade? Que a sua relação esgotara, porque ele jamais cogitaria em ser o ativo!

Enquanto o ator tentava assimilar aquela informação, Johann vinha ao seu encontro. Quando Lune elevou os olhos e viu o executivo, seu rosto empalideceu.

— Isso não pode estar acontecendo... – murmurou para si mesmo, enquanto os olhos azuis se conectavam aos seus com um misto de desejo e insanidade.

Notas finais
Agradecimentos, sempre, a quem lê, comenta, silencia, dá uma espiada, enfim. Obrigada pelo apoio, carinho e presença!!!XD