NIKUTAI NO YOUKUBÔ (desejos da carne)

11 Capítulo 11 PAIXÕES EM XEQUE...


Notas iniciais
♡♥ Aproveitando a inspiração e o feriadão. * risos ♡♥ Agradecimentos à Yoi que estuda japonês e, gentilmente, sugeriu a palavra correta para o nome da fic. Se notarem bem, o título mudou de Niku para Nikutai. ♡♥ Estou atrasada na resposta aos reviews, mas vocês sabem que eu sempre respondo, então peço só um pouquinho de paciência...

A jovem mantinha os olhos baixos em uma atitude submissa, como toda boa esposa devia ser. Era do tipo mignon e vestia-se de forma tradicional, mostrando que sua linhagem priorizava a tradição, mesmo vivendo no século XXI.

— Minha filha foi educada para ser uma esposa perfeita e gerar filhos saudáveis. Quando marcaremos a data do casamento? – perguntou Yamaguchi.

— Meu filho será nomeado oyabun na próxima lua nova. Quando assumir o clã, deverá se casar com sua filha e selar a união de nossas famílias.

Yamaguchi sorriu, sua família era uma das mais tradicionais dentro da Yakuza e a união com a família de Tadashi tornaria sua facção ainda mais influente. Olhou para Hiroaki que se mantinha sério e com uma postura ereta.

Em seus pensamentos mais íntimos, Hiroaki se perguntava como seria quando levasse a esposa para a cama. O fato era que não gostava de mulheres e nunca havia gostado, embora já tivesse tido experiência com algumas prostitutas. Não sabia o que era, mas quando estava com uma mulher algo sombrio dentro de si parecia aflorar e ele sentia vontade de bater e machucar.

Já com Griffon era diferente, sentia prazer e vontade de fodê-lo muitas e muitas vezes. Havia sido o primeiro cliente do prostituto e, desde então, assíduo em procurá-lo toda a semana. A relação com ele o libertara, revelando uma opção que jazia escondida dentro de si. Ser homossexual não seria vergonhoso se ele não fosse o herdeiro do clã. Porém, como oyabun era necessário que mostrasse um comportamento tradicional, fato que o deixava irritado por cercear sua liberdade.

Bem, tenho que me manter na linha até assumir a liderança. Depois, quem dita as regras sou eu! Pensou, enquanto todos bebiam saquê e, o simples fato de já sentir-se um oyabun o fez sorrir.

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Tadaka dirigia rápido e sempre com o olhar no espelho retrovisor. Seguiu por caminhos que não eram habituais até ter certeza que não estava sendo seguido e que o jovem, sob sua responsabilidade, estava à salvo.

Minos permanecia em silêncio, embora quisesse muito saber a história do velho Tadaka. Notara que ele mudara até mesmo a postura, antes dócil e tranquila. Suas feições estavam rígidas e seu olhar tão afiado como o de um animal selvagem. Passados alguns minutos, resolveu quebrar aquele silêncio incômodo:

— Acha que eles estão nos seguindo?

— Talvez. Não podemos arriscar.

— O senhor disse que eles são da sua família, mas... o que será que querem comigo?

— Diga você, jovem Griffon, com quem andou se metendo?

— Com ninguém que eu saiba. A não ser... Bem, Hiroaki é meu cliente. Ele sempre vai ao Dark Sex. Sei que o senhor sabe o que eu faço, então não tenho porque mentir ou esconder que faço programa.

O velho suspirou.

— Ele é meu sobrinho e será o próximo oyabun. Certamente, Tadashi exigirá dele um comportamento exemplar o que o priva de certas preferências sexuais.

— Eu jamais poderia imaginar que ele fosse seu parente.

— Eu deixei a família quando ele ainda não era nascido. Cedi a liderança do clã ao meu irmão ao escolher entre uma vida de aparências e morte e outra mais livre e feliz.

— E foi... fácil fazer isso? Quer dizer, eles permitiram que o senhor deixasse a organização?

— Não. Um yakuza será sempre um yakuza. A única diferença é que, ao sair, você se torna um pária, entregue a própria sorte ou... acabam com a sua vida. Quando perdi meus filhos no terremoto e minha esposa adoeceu, eu estava sozinho. Mesmo que eu procurasse meu irmão, ele me rejeitaria.

— Mas... mas, o senhor cedeu a liderança!

— Cedi em termos vergonhosos para Tadashi. Deixei a organização, porque me apaixonei pela mulher escolhida para ser a esposa dele e ela por mim. Era um amor proibido e impossível nos termos a que estávamos condicionados, então... nós fugimos. Meu irmão poderia ter nos matado, mas ele também nutria sentimentos por outra mulher. Ele sabia que eu era o errado na história e aceitou que minha vergonha e exclusão fossem o preço a ser pago.

Minos surpreendeu-se com mais aquela revelação. Sempre vira Tadaka como um velho tranquilo e bem-humorado que ganhava a vida dirigindo um táxi. Vê-lo como um gângster apaixonado e capaz de largar tudo por amor era, simplesmente, fantástico.

— Mas... quando mostrou sua tatuagem àqueles homens, eles podiam tê-lo enfrentado, então?

— Eu os confundi. Eles viram a tatuagem do clã a que servem, mas não sabem quem eu sou. – disse o velho com um meio sorriso.

— Mesmo assim, o senhor terá problemas. – disse Minos com uma expressão preocupada.

— Não se preocupe, jovem Griffon... Eu já estou velho e não serei intimidado. Minha preocupação é com você.

Os dois se olharam e Minos sorriu. Sempre fora acostumado a cuidar de si e dos outros, o que tornava a cena estranha, mas não menos confortante.

— Chegamos, agora vá para casa e tome cuidado. Procure não sair durante uns dois dias. Esse é meu celular, qualquer coisa, me ligue. – disse Tadaka estendendo um cartão para Minos.

— Obrigado. – respondeu Minos.

Quando Minos chegou à porta de seu apartamento, achou-a aberta e seu coração disparou. Será que haviam descoberto onde morava? Ele respirou fundo e, mesmo sentindo a tensão apoderar-se de seu corpo, entrou. Ouviu um gemido baixo que parecia vir do chão. Foi então que viu sua tia caída e seu coração pareceu deslocar-se até a sua boca.

— Halldora! – chamou ele, aflito, segurando-a em seus braços.

A mulher abriu os olhos e gemeu, antes de falar.

— E-Ele... ele me bateu... queria dinheiro. E-Eu s-sinto... muito. E-Eu t-tentei...e-evitar...

Minos percebeu o braço machucado, o hematoma no olho direito e o lábio partido. Tomou-a nos braços e a colocou no sofá. Só então percebeu que o apartamento fora revirado e, alguns objetos quebrados. Discou o número de emergência e falou o endereço. Depois, foi até Halldora que estava encolhida e soluçava.

— Vai ficar tudo bem. – disse ele consolando-a.

— N-Não... n-não vai... e-ele foi até... o s-seu quarto. E-Ele achou d-dinheiro n-nas suas c-coisas...

Minos fechou os olhos e suspirou. Afrodite já o havia alertado quanto ao ato de guardar dinheiro em casa. Isso é mania de velho, Minos! Não se usa mais guardar dinheiro embaixo do colchão. Eu abro uma conta poupança para você. Ele ouvira os argumentos do amigo, mas preferira ter seu dinheiro à vista e pronto a ser usado em qualquer emergência.

— Quantas vezes eu alertei você? Mais um amante marginal que nos rouba! Mas a culpa não é somente sua, eu também sou um imbecil! – disse ele frustrado e irritado, mas ainda assim com um tom complacente.

Halldora levou a mão ao rosto do sobrinho. Estava trêmula e as lágrimas continuavam a escorrer pela face pálida.

— Me deixe morrer... e-eu mereço...

— Não faça drama. Você vai ficar bem.

Em seguida, a ambulância chegou e os paramédicos levaram Halldora para o hospital. Minos foi junto, a cabeça fervilhando pelo fato de todos os seus planos irem por água abaixo, depois do acontecido. Todo o dinheiro economizado sendo, mais uma vez, perdido. Inspirou fundo para, em seguida, pensar no que fazer, enquanto o som da sirene cortava a madrugada...

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Não eram ainda 7h00 e Hades já estava sentado em sua escrivaninha. Já havia feito seus exercícios, feito a barba e tomado um banho rápido. Era uma segunda-feira que já prometia muito movimento, já que Aiolia e Ângelo estariam com ele em uma reunião para o fechamento de alguns contratos.

Pandora, apesar de toda a cena do fim de semana, pedira para ficar mais alguns dias em seu apartamento, até resolver se deixava o Japão ou tentava viver ali e ele cedera. Em parte, porque, mesmo ela sendo um espinho cravado em sua vida emocional, ainda assim era sua irmã e ele a amava e não a deixaria exposta e sozinha dentro de uma cultura estranha.

— Os senhores, Aiolia e Ângelo estão aqui. – disse uma voz feminina e Hades interrompeu suas divagações.

— Faça-os entrar. – respondeu ele.

Aiolia entrou sorridente, enquanto Ângelo permanecia sério, mas com uma expressão afável.

— Chegamos cedo demais? – perguntou o leonino.

— Não, chegaram em boa hora. Li os relatórios e estou para fechar um negócio com Johann Schoenenberg da Companhia Germânia. Gostaria de uma opinião de vocês já que teremos uma reunião almoço com ele.

Aiolia era um empresário inteligente e confiante. Diferente de Ângelo que sempre se mostrava implacável, ele podia ser considerado como um negociador benevolente. No entanto, era a primeira vez que sentia suas emoções se contraporem em um negócio e isso o incomodava.

— Olha, Hades... Eu redigi os relatórios e constatei que as cláusulas estão todas dentro do esperado, mas...

Hades percebeu a fisionomia dos dois e franziu o cenho. Havia algo mais que Aiolia e Ângelo não estavam dizendo.

— Mas o quê? Fale logo o que o incomoda. – falou Hades avaliando-o com aqueles olhos que mais pareciam duas esferas de gelo azul.

— Eu não suporto esse sujeito. – disse Aiolia levantando da poltrona e correndo os dedos pelos cabelos acobreados.

Tirando o foco de Aiolia, Hades olhou para Ângelo.

— O que está havendo?

Ângelo encarou Hades.

— Nós encontramos o alemão em um lugar e... não concordamos com o modo dele de agir.

Ainda sem entender, Hades olhou para um, depois para outro.

— Vocês dois estão parecendo dois adolescentes tentando esconder o que fizeram com o carro do pai. Francamente, digam às claras o que têm contra Johann de uma vez!

— Ele violentou um jovem! – disse Aiolia.

A expressão de Hades não mudou. Ele ficou em silêncio, por alguns segundos, como se estivesse digerindo aquela informação.

— E como soube disso? O homem chegou ontem à Tóquio.

Com um suspiro exasperado, foi a vez de Máscara da Morte intervir.

— O negócio é o seguinte, eu e Aiolia fomos a um prostíbulo e esse cara estava lá. Ele fez uma cena com um dos prostitutos, um garoto chamado Andrômeda. Ele só não machucou mais o rapaz, porque foi convidado a se retirar.

A simples menção do nome fez Hades enrijecer na cadeira. Eles tinham ido ao Dark Sex.

— Bem, senhores, fundamentar os negócios levando em conta a vida privada dos negociadores se torna um terreno perigoso.

— Eu sei. Só queria deixar registrado que não suporto esse sujeito e... não gostaria de sentar à mesa com ele, mesmo que pareça ridículo e antiprofissional. – falou Aiolia.

— E você, Ângelo?

— Eu prefiro conhecer mais do inimigo, pode ser que no futuro eu tenha de enfrentá-lo nos meus termos. – disse Máscara.

— Pois bem, vamos fazer assim, vou cancelar o almoço e pedir que ele venha, agora. Tornaremos a situação, estritamente, profissional e referente aos negócios. – falou Hades já levando o fone ao ouvido e falando com sua secretária.

Aiolia olhou para Ângelo que permanecia com aquela expressão fria e psicótica que o caracterizava.

Uma hora depois, Johann chegava ao escritório.

— Aconteceu alguma coisa? – perguntou o homem com um sotaque carregado.

— Imprevistos. – disse Hades olhando, fixamente, nos olhos frios do alemão. – Vamos até a sala de reunião. Aiolia e Ângelo nos aguardam.

Quando Johann encontrou os dois, sentados nas poltronas e degustando um café, pigarreou e apresentou-se como se nunca os tivesse visto.

— Bom dia, senhores.

Aiolia e Máscara responderam ao cumprimento como um movimento de cabeça e voltaram a beber café e folhear as pastas que tinham a sua frente.

— Bem, Sr. Johann estamos aqui para formalizar uma sociedade, mas antes gostaríamos de ouvir seus objetivos. – disse Hades. – Gostaria de um café?

Ja, danke! Quer dizer, sim, obrigado.

Hades notou-lhe o nervosismo, mas também a capacidade de reorganizar-se perante o que o incomodava. Permitiu-se analisar a postura e o comportamento do homem, reconhecendo nele, traços familiares a si. Não que fossem características que possuísse e as visse refletidas no executivo e sim, uma familiaridade própria da sua família, um traço de crueldade disfarçado em eficiência e cordialidade.

Algumas horas, mais tarde, após explanações e discussões sobre a Cia em questão, Hades decidiu pedir um tempo maior para analisar alguns dados, o que deixou Johann incomodado.

— Pensei que fecharíamos negócio hoje. Não tenho muito tempo, Herr Hades.

— Sinto muito, Sr. Johann. Não costumo agir por impulso. O senhor será informado da minha decisão daqui a dois dias.

— Então, sinto informar-lhe que levarei a mesma proposta a outros investidores, aqui em Tóquio. Tempo, para mim, é dinheiro.

— Faça como achar melhor. – respondeu Hades, secamente.

Assim que o alemão deixou a empresa, Hades compartilhou com Aiolia e Ângelo a sua impressão. Também não simpatizara com Johann, mas não fora isso a causa do adiamento da sua decisão. Sentia que o homem, tinha algo obscuro e que precisava ser investigado mais a fundo. Por alguns segundos, vira nele a mesma sagacidade que seus pais tinham, ao fazer negócios e, muitas vezes, o ato era um disfarce para encobrir perversões que ocorriam no ambiente de trabalho.

— Ele tem pressa em negociar a companhia. Vou pedir a Aiacos que faça uma varredura na Cia Aérea Germânia.

Aiolia sorriu mais aliviado, enquanto Ângelo se perdia em divagações, lembrando a expressão de Afrodite e sua última fala... Volte para o seu programa. Está tudo resolvido. Aqui, nós sabemos cuidar uns dos outros.” Ele se deu conta do quanto aquele loiro belo e atrevido começava a povoar seus pensamentos e também, as reações do seu corpo, mesmo que fosse um homem acostumado a manter a sobriedade e os assuntos particulares fora do âmbito comercial.

A voz grave de Hades interrompeu aquele estranho sonho acordado que comportava um beijo daqueles lábios cheios e rosados com uma pergunta sobre as ações colocadas à venda na bolsa de valores. Quando voltou à tona, Ângelo notou que havia perdido a maior parte daquela conversa e retornou para o assunto em pauta.

— Bem, senhores, acho que teremos de aguardar os próximos dias e então decidir. – falou Hades.

Aiolia e Máscara de Morte se levantaram, cada um, com uma estranha urgência. Ainda estavam sob o efeito da noite anterior e sentiam-se compelidos a relembrar o que havia acontecido de um jeito quase obsessivo. Entretanto, como bons negociadores, deixariam suas necessidades em segundo plano e afundariam a cabeça no trabalho até ter uma nova chance.

Assim que seus parceiros deixaram a empresa, a imagem de Minos surgiu na mente de Hades. Ele olhava para a vista fabulosa que tinha da Baía de Tóquio e tentava organizar os pensamentos. Sabia que o prostituto estaria de folga e que no decorrer da semana ele seria exclusivo de outro cliente. O simples fato de imaginá-lo com outro homem o deixava irritado consigo mesmo. Ele é um prostituto e você sabe muito bem disso!

Andou em direção à janela e então voltou a sentar em sua mesa ampla. Bateu levemente numa das teclas do computador e a primeira versão de um relatório que precisava ser revisto apareceu na tela. Trabalhar era a chave para colocar as coisas em seu devido lugar. Leu, mas não focou como deveria. Em seguida, fechou aquela tela e pegou o celular.

— Aiacos, pode localizar um celular para mim?

— Sempre ignorando as regras de polidez... Bom dia prá você também. – disse Aiacos rindo.

— Você me conhece, sabe que quando eu falo desta forma...

— É porque tem urgência em algo. Sim, eu sei. E se eu não fosse seu amigo, te mandaria tomar naquele lugar, porque ainda é falta de educação, caso deseje saber.

Hades deixou escapar um meio sorriso. A amizade com Aiacos era semelhante a que tinha com Radamanthys. Os três haviam se conhecido em um congresso e dali, estabelecido um relacionamento cordial que evoluíra para uma amizade mais profunda. O tipo de amizade que permitia que tanto ele, quanto Aiacos e Radamanthys pudessem mostrar-se como eram, sem máscaras ou meias verdades. Enquanto Radamanthys se tornara um adversário nos negócios, Aiacos ocupara um cargo de consultoria para assuntos relacionados à espionagem industrial. Ele era um hacker à serviço de um conglomerado de empresas japonesas que primavam pela segurança no tocante à informações e segredos industriais.

— Pode me fazer mais este favor? – perguntou Hades.

— Claro. Manda os dados.

— O nome do usuário é Minos Solberg de Griffon. Acha que pode localizar o celular dele?

— Se ele não estiver usando um celular descartável, eu localizo.

— Envia o resultado para o meu celular?

— Sim.

— Obrigado, fico te devendo mais essa.

— Com mais este favor, posso enriquecer e deixar de trabalhar duro.

Hades sorriu. Segundos depois, recebia o número 011-81-84-6782245. Ele olhou bem para a sequência, inspirou e ligou.

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Afrodite acordou tarde e se espreguiçou languidamente. Era segunda-feira, o dia do folga de todos da casa e somente isso bastava para arrancar-lhe um grande sorriso. Tomou uma ducha rápida e morna, vestiu-se e foi acordar Shun que, misteriosamente, não se encontrava no quarto.

— Mas onde será que ele se meteu? – perguntou o loiro.

Ouviu alguns passos e logo deu de cara com Aldebaran que estava vestido de modo informal com um jeans e camisa de malha. Olhou-o, de cima a baixo, e sorriu.

— Hummm... Estamos à paisana, hoje...

— Vou levar a senhorita Hilda para fazer compras. – disse ele sorridente.

— Compras... Sei... – rebateu Afrodite com um sorrisinho malicioso.

Aldebaran ficou corado, o que divertiu, ainda mais o prostituto.

— E você, o que vai fazer? – perguntou o segurança tentando desviar o assunto.

— Em primeiro lugar, tenho de achar o Shun, depois de achá-lo, vou convidá-lo para um passeio, aproveitando que o dia está ensolarado.

— Shun estava na cozinha preparando algo.

Afrodite agradeceu e beijou a bochecha de Aldebaran.

— Bom passeio e mantenha a tigresa em seu lugar... Não dá mole prá ela não, heim? Tenha ciência que, do seu trabalho bem feito, depende a paz aqui nesta casa.

O grandalhão sorriu e seguiu em frente, enquanto o loiro corria até a cozinha bem equipada da casa.

— Por que não passou em meu quarto? – perguntou Afrodite para Shun.

— Ah, eu queria fazer uma surpresa. – respondeu o jovem.

— Surpresa?

— Sim, estou fazendo uns waffles com recheio de geleia que aprendi na TV. Sei que você adora doce. Prove este!

Os olhos azuis de Afrodite brilharam de contentamento.

— Minha Santa Amaterasu... – disse ele fechando os olhos e gemendo de prazer ao morder o waffle.

Shun sorriu e, em seguida sentiu uma fisgada no lábio machucado pelo que acontecera na noite anterior. Afrodite percebeu e, mais uma vez, sentiu ódio daquele homem esquisito.

— Que tal irmos passear e aproveitar o sol? – perguntou o loiro.

— Com o rosto assim? – devolveu Shun com uma expressão de desânimo.

— Eu dou um jeito rapidinho nisso. Vamos comer e depois eu faço uma maquiagem que não vai aparecer nadinha.

Uma hora depois, lá estava Shun sendo maquiado por Afrodite. A base clara combinada com pó facial tornou-se o milagre que o jovem apreciava diante do espelho.

— Afrodite... você é genial! – exclamou Shun.

— Sou mesmo! Agora vamos, temos um dia inteiro pela frente!

Os dois deixaram o Dark Sex de braços dados e foram aproveitar a folga. Andaram pelo Ginza, fizeram algumas compras e depois aproveitaram para almoçar em um pequeno restaurante que já fora palco de outros encontros.

Afrodite leu o cardápio que incluía comida italiana e, de imediato, lembrou-se de um cliente em especial.

— Gosta de massa? – perguntou para Shun, enquanto tentava espantar a imagem do italiano da mente.

Não houve resposta, o que fez Afrodite desgrudar os olhos do cardápio e olhar para o amigo.

— O que foi? Parece que viu um fantasma. – disse o loiro rindo, até olhar para a porta e ver dois homens entrando e, reconhecendo-os de imediato.

Shun fez menção de levantar, mas foi impedido por Afrodite.

— Fique bem quietinho aí, onde está.

— Eu não vou conseguir comer direito, quero ir embora. – disse o jovem.

— Não seja fresco! Nós chegamos aqui primeiro e vamos aproveitar. – disse Afrodite. — Finja que não os viu e continue a ler o cardápio.

Shun suspirou e obedeceu. Continuou a ler, mas não prestava atenção em nenhuma palavra. Sorveu um gole generoso do vinho branco gelado que Afrodite pedira e tentou não olhar mais na direção da porta.

Aiolia foi o primeiro a vê-los. Sentiu a boca secar instantaneamente e seus pensamentos pareceram evaporar, deixando um grande vácuo em sua mente. Ângelo notou a mudança na postura do amigo e, em seguida, soube a razão... Sentados num canto afastado, estavam ambas as razões do estado alterado de ambos.

— Parece que la destinazione está brincando conosco... – falou Ângelo.

— O que faremos? – perguntou Aiolia.

— Ora, vamos cumprimentá-los. – respondeu Máscara da Morte.

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Minos já havia sido informado do estado de sua tia. Ela estava bem, apesar do braço quebrado e da luxação nas costelas. Ficaria sob observação por mais um dia e então teria alta. O hospital Sanno era um bom lugar, as enfermeiras eram dispostas e agradáveis e os médicos muito competentes.

— Eu vou cuidar de algumas coisas. Tente dormir. – disse ele para Halldora.

— Vamos ter que pagar alguma coisa? — perguntou ela, olhando em volta e constatando estar em um quarto todo branco.

— Não se preocupe com isso. Durma que eu volto daqui a algumas horas.

Halldora fechou os olhos que já estavam pesados e Minos apertou o canto interno dos seus, se sentindo cansado. Quando seu celular tocou, ele o levou ao ouvido sem nem ver quem era. Certamente era Afrodite perguntando o que ia fazer em seu dia de folga.

— Afrodite, eu to numa encrenca hoje, não posso curtir a folga com você e Shun. – disse ele.

Do outro lado, Hades franziu o cenho.

— O que aconteceu, Griffon?

Ao ouvir seu nome dito com aquela voz, Minos arregalou os olhos e o cansaço desapareceu, cedendo espaço à descarga de adrenalina.

— H-Hades? M-Mas como? Como conseguiu meu celular? – perguntou Minos.

— Não importa. O que aconteceu? Onde você está?

— Estou no hospital.

— Qual hospital?

— Olha, já está tudo bem, não precisa se preocupar. Foi algo com alguém da família e eu já estou indo para casa.

— Diga-me em qual hospital você está. – disse Hades com um tom que mesclava autoridade e preocupação.

— Estou no Sanno. – falou Minos com um suspiro.

— Fique aí, estou passando para pegá-lo. – disse Hades e desligou.

Minos ficou olhando para o celular. Como Hades havia conseguido o seu número? Será que Hilda o tinha fornecido? Foi até uma máquina de café, colocou uma moeda e selecionou um café puro. O gosto era horrível, mas tinha cafeína o suficiente para deixá-lo mais alerta.

Hades chegou rápido e o encontrou sentado em uma pequena sala de estar. Os dois se olharam e Minos sentiu, mais uma vez, seu coração disparar.

— Como descobriu o número do meu celular? – perguntou o jovem tentando superar o nervosismo.

— Você está bem? – devolveu Hades, ignorando a pergunta do jovem.

— Estou. – respondeu Minos.

— Você parece cansado. Vamos sair daqui e comer alguma coisa. Eu liguei para o doutor Fukugima e ele me disse que vai acompanhar a sua parenta. Ela é sua tia, não?

Ainda confuso, Minos assentiu com a cabeça e ficou olhando para Hades. Seria uma alucinação que desapareceria no ar, assim que deixasse o hospital? Sentiu a mão dele em suas costas e ficou ainda mais tenso.

— Relaxe, tudo vai ficar bem. – disse Hades.

Minos não disse nada, apenas o acompanhou, enquanto tentava entender aquela atitude. Jamais passara pela sua cabeça ver Hades ali. No entanto, tinha de admitir que, mesmo sendo algo surreal, ainda assim o fazia sentir algo agradável dentro do peito.

Os dois entraram no carro e Hades pensou onde levaria Griffon. Mais uma vez, estava agindo fora de seus padrões habituais. Quando ligara, esperava convencê-lo a encontrá-lo. Desejava tê-lo para si, transar com ele... Mas agora, vendo-o naquele estado, só queria confortá-lo, fazê-lo se sentir melhor. Teve uma ideia e começou a esmiuçá-la, enquanto rumava para um determinado lugar.

—Está me levando àquele apartamento? – perguntou Minos.

— Sim, mas não é para o que está pensando. – respondeu Hades.

Minos franziu o cenho.

— Eu não nasci ontem.

Hades sorriu.

— Não vou te foder, se é isso que está pensando.

— Ah, não? E o que vai ser então? Vai cozinhar prá mim? – falou Minos em tom de deboche.

Hades olhou-o bem dentro dos olhos.

— Você podia ser vidente, meu caro Griffon...

Minutos mais tarde, os dois estavam no apartamento onde haviam transado pela primeira vez. Enquanto Minos olhava aquela foto do senhor Tadaka e pensava em tudo que havia acontecido, Hades estava na cozinha e parecia se virar muito bem com os utensílios básicos. Dez minutos cravados e lá estava um sanduíche triplo que fez Minos ficar com água na boca.

— Eu gostaria de ter feito outra coisa, mas ia demorar muito e vejo que está com cara de quem não come nada há horas. – disse Hades.

— Não tive tempo de comer. . – falou Minos servindo-se.

Hades olhou-o comer, analisando as feições bonitas de Minos e se sentindo mais tranquilo ao vê-lo agir com a costumeira energia juvenil. Abriu um vinho tinto e serviu duas taças.

Depois de devorar o sanduíche, Minos brincou com o vinho dentro da taça, antes de adquirir coragem e perguntar:

— Por que você me ligou?

O olhar de Hades fixou-se no do jovem. Sabia que o momento chegaria e já sentia uma excitação antecipada.

— Porque eu quero você. Não por uma noite ou por uma semana. Quero pelo tempo que eu desejar e sem ter de competir com outros clientes.

— Ah, você me quer como... um puto exclusivo. – falou Minos sem demonstrar nenhuma emoção.

— Exatamente. Posso sustentá-lo pelo tempo em que ficarmos juntos. Você terá o seu dinheiro, roupas, tudo o que precisar. Podemos redigir um contrato e deixar tudo documentado. – disse Hades, esperando, ao menos um olhar entusiasmado do jovem.

Minos não soube a razão da fúria que se instalou dentro de si. A oferta era incrível, ele não precisaria se submeter a qualquer outro homem e quanto a ser, exclusivo de Hades, a ideia parecia ou, devia ser, muito prazerosa. Então, porque se sentia indignado e triste?

— Sinto muito, mas não vou abrir mão da minha liberdade. – disse ele, levantando da mesa.

— Como assim? Eu estou dando a você a chance de ser livre!

— Não, você está me oferecendo uma gaiola dourada e espera que eu seja o seu animalzinho de estimação para foder à vontade, o tempo que o seu desejo durar.

— Não está usando a razão, Griffon. Não é tão simples assim.

— Ah, não? Pois eu vejo tudo muito claro e prefiro deixar as coisas como estão.

— Minos...

Era a primeira vez que ouvia seu nome dito por Hades e o tom fez suas entranhas se moverem. Se ele tinha descoberto seu celular, certamente também sabia seu nome. Os olhares se encontraram e o jovem limpou a garganta, se preparando para continuar enfrentando-o.

— Prefiro que me chame de Griffon. – cortou o prostituto.

Hades sentiu como se lhe tivessem dado um golpe baixo e seu férreo autocontrole vacilou. Sensação nada agradável, sobretudo vindo de um jovem prostituto ao qual fizera uma proposta irrecusável e por quem nutria sentimentos inconfessáveis.

— Talvez eu tenha me precipitado. – disse o executivo, retomando a postura fria que o caracterizava.

Minos sentiu vontade de voltar atrás, mas não o fez. Já bastava o desconforto que sentia e toda aquela situação inusitada que se instalara ali. Era preferível morrer mil mortes distintas a submeter-se. No instante em que ouvira aquela proposta, sua consciência despertara, gritando que não desejava ser um puto. Queria ser um namorado ou até um amante, alguém com quem Hades pudesse se relacionar e não uma espécie de Oiran masculino patrocinado e enjaulado por ele.

Impossível, Minos, e você sabe disso muito bem! Você sempre carregará consigo essa marca e Hades... Hades pertence a outro mundo, distante a anos-luz do seu. A única oferta que você terá, ele já fez! É a oferta máxima feita a pessoas da sua espécie, não espere algo diferente disso! Você já esqueceu que não existem finais felizes?

— Eu agradeço o que fez por mim. Acho melhor ir embora. – disse ele.

O executivo nada disse. Inexplicavelmente, se sentia ultrajado e confuso. O que tinha feito de errado? Oferecera à Minos o que jamais propusera a outro. Nunca, em seus 32 anos ficara tanto tempo interessado em um homem. Já tivera amantes que não duraram mais que duas semanas e prostitutos que não passaram do primeiro encontro. Entretanto, com Minos, já havia superado ambas as marcas e seu desejo não arrefecia. Muito antes pelo contrário, desejava-o cada vez mais e sentia... ciúmes ao imaginá-lo tendo prazer com outro homem!

O tempo permaneceu estático durante cinco segundos. Então Hades levou a mão à nuca de Minos e sua boca procurou a dele com uma urgência febril. O ato fez o jovem agarrar-se a ele, igualando seu desejo ao do mais velho.

— Está vendo... você responde a mim. Se sente assim com os outros clientes? – disse Hades afastando os lábios dos de Minos. A pergunta foi feita em um tom cruel, quase uma vingança por ter sido recusado.

Odiando sentir-se ofegante, Minos se afastou de maneira violenta. A situação estava enveredando por um caminho que ele desconhecia. Apesar de ser experiente em sexo, não o era com as emoções. Os sentimentos em relação à Hades começavam a colidir dentro de si causando um estremecimento incômodo e uma angústia que ele mascarava com o sarcasmo e que o fazia dizer coisas que não sentia.

— Esqueceu que o meu talento é exatamente este, sentir e dar prazer? Sim, eu respondo a você e nunca escondi isso, mas também me excito com outros clientes.

Hades se levantou, mas não estava zangado. A expressão em seu rosto deixava ver que ele resolvera alguma coisa em sua cabeça.

— Está bem. – disse ele, olhando bem fundo nos olhos de Minos. – Vou fingir que acredito em você e você pode fingir que o que me disse é verdade. Afinal, voltamos ao início, não é mesmo? Recomeçaremos a disputa para ver quem blefa melhor?

Minos não respondeu. Sentia o rosto quente e um aperto no estômago. Mesmo que não demonstrasse, estava sobrecarregado de tensões e responsabilidades e a proposta de Hades só fizera piorar as coisas...

— Eu quero ir embora. – disse ele, no mesmo instante em que sentiu a comida deixar seu estômago e subir em direção à garganta.

Sem maiores explicações o jovem correu para o banheiro sob o olhar atônito de Hades. Foi o tempo de chegar ao vaso e vomitar. O executivo, rapidamente pôs-se atrás dele, mas Minos teve tempo de empurrar a porta, deixando claro que não queria ninguém consigo.

Lavou a boca e o rosto antes de sair e encontrar Hades com uma expressão preocupada.

— Venha, vou preparar um chá.

— Não. Eu vou embora.

Ao ver a expressão dolorida nos olhos violáceos, Hades sentiu-se culpado. Afinal, o que estava fazendo?Era tão egoísta ao ponto de constranger aquele que tocava seu coração e estava com problemas familiares?

— Perdoe-me, não é uma boa hora para você e eu... Eu estou sendo inconveniente. – disse ele e Minos viu que ele estava sendo sincero.

— Está tudo bem, me deixe ir... – falou o jovem.

Hades se aproximou, novamente, mas não de forma sexual. Tocou o rosto de Minos com a palma da mão e então o abraçou com força.

— Não vamos dizer mais nada... Descanse um pouco, antes de ir. Não pode sair assim. Venha sentar-se um pouco, enquanto eu providencio um chá.

Minos não estava em condições de protestar. Ficou recostado alguns segundos no sofá da sala, o corpo tomado por um cansaço repentino. Quando abriu os olhos, Hades lhe estendia uma xícara fumegante.

— Beba, enquanto está quente.

Obediente, Minos levou a xícara aos lábios, fazendo uma careta ao experimentar o chá amargo.

— Fará bem a você. Agora vou deixá-lo, aproveite e descanse. Só saia quando estiver em condições e pode deixar as chaves na portaria. – disse Hades.

O jovem franziu o cenho.

— Hades...

O executivo olhou-o, enquanto Minos respirava fundo. Mais uma vez, o silêncio baixava entre os dois, porém agora menos tenso e também menos carregado de ressentimento.

— O que foi? – perguntou ele se aproximando do jovem com um meio sorriso, enquanto retirava uma mecha de cabelo que teimava em ocultar os olhos violáceos que ele gostava tanto de olhar.

— Fique...

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— Olá. Que prazer em revê-los! – disse Máscara da Morte com os olhos azuis cravados em Afrodite.

O loiro sorriu, enquanto Shun fazia o mesmo.

— Que bela coincidência, não? Gostariam de sentar conosco? – perguntou Afrodite.

— É claro que gostaríamos! Obrigado! – disparou Aiolia sorrindo na direção de Shun.

O jovem sabia que a maquiagem disfarçava o rosto machucado, mas mesmo assim se sentia constrangido com o olhar fixo de Aiolia.

— Então... passeando? – perguntou Shun.

— Teríamos uma reunião almoço que acabou não se concretizando. Então o meu amigo aqui sentiu saudades da terra natal e viemos a um típico restaurante italiano sediado no Japão. – respondeu Aiolia.

— Ah, que bom. O Ginza é bom por isso, tem vários restaurantes e de diversas nacionalidades. – falou Afrodite bebendo um gole de vinho tinto.

Máscara da Morte fixou os olhos no movimento do pescoço alvo ao engolir a bebida. Parecia que tudo o que aquele homem fazia, exalava sensualidade, até mesmo engolir...

— Nós pedimos macarrão. – disse Afrodite e Máscara voltou ao presente.

— Não querendo desfazer do restaurante, mas o meu macarrão é mil vezes melhor. – disse Ângelo se surpreendendo consigo pelo fato de sentir-se à vontade ali.

— Hummm... pena que jamais saberemos se é mesmo. – disse o loiro.

Os olhos de Máscara se estreitaram.

— Saberá se aceitar meu convite...

Aiolia olhou para o amigo e depois para Shun. O jovem baixou a cabeça e sorriu, fazendo com que o leonino também o fizesse.

— Acho que estamos sobrando... – disse Aiolia, baixinho.

Shun olhou-o com um misto de inocência e malícia.

— Talvez seja a hora de eu ir... ao banheiro.

— Poderíamos dar uma fugida e passear pelo bairro. O que acha? – cochichou Aiolia.

Shun olhou-o de forma intensa. Nunca tomara a atitude de seduzir, mas com aquele homem, sentia vontade de ousar, de saber até onde poderia ir...O incidente com aquele cliente cruel o fizera pensar, colocar os pés no chão. Talvez fosse o momento de deixar a submissão para trás e assumir outro papel...

— Eu preciso... quero ir ao banheiro. – disse Shun e, pelo brilho dos olhos verdes, Aiolia percebeu que ele desejava outra coisa...

Com seu rosto angelical, Shun conseguiu a chave do banheiro que ficava nos fundos do restaurante, preservando a tradição japonesa de ser uma peça à parte da construção principal.

Como quem não quer nada, Shun foi à frente, sendo seguido por um leonino com olhar ansioso. Quando chegaram na peça apertada, o prostituto sorriu e encostou-se à parede num convite mudo, porém explícito...

Aiolia aceitou o desafio e tomou o rosto delicado em suas mãos, beijando-o com volúpia. Shun correspondeu e avançou nas carícias, tocando a ereção do leonino. O executivo gemia e enfiava as mãos por baixo da camiseta do jovem, roçando o polegar nos mamilos de Shun, enquanto a outra mão apertava o seu ombro, prendendo seu corpo no lugar enquanto ele se arqueava a esse contato.

Shun gemeu, excitado pela recusa de Aiolia em deixá-lo se mover. O leonino parecia querer dominá-lo e Shun achava deliciosa essa possessão cuidadosa, mas não menos intensa. Os olhos do jovem prostituto se fecharam e ele só conseguia sentir. Sentir as mãos e os lábios roçarem a sua pele, as coxas fortes de Aiolia pressionando os seus quadris, a ereção rija tocando a sua, ambas pulsando, pedindo para serem libertadas...

Foi então que Shun resolveu inverter a situação e passou os braços ao redor do pescoço de Aiolia. Colou-se a ele, tão faminto quanto o leonino e inclinou a cabeça, entregou-se ao beijo sôfrego deixando que ele lhe sugasse a língua...

Gemeu baixinho e provocou o executivo, roçando seu corpo ao dele, fazendo-o ofegar e afastar os lábios para respirar...

— Você me faz perder a razão... – murmurou o leonino rente aos lábios desenhados de Shun.

Ditas as palavras, Aiolia beijou-o na orelha, no pescoço e baixou as calças e as cuecas de Shun até o chão, roçando os lábios no falo liberto. Depois tirou as suas e puxou o prostituto pelas nádegas que, como um felino, deslizou a perna ao redor da dele.

— Tem um preservativo no meu bolso... – sussurrou Shun e Aiolia levou a mão para pegá-lo.

— Eu queria te sentir sem isso... – falou Aiolia.

— Quem sabe um dia... – disse Shun, puxando-o para um beijo profundo.

Após colocar o preservativo, Aiolia ergueu-o contra a parede e com um movimento rápido, penetrou-o arrancando um gemido estrangulado do jovem ao bater as costas na parede e sentir o falo túrgido invadi-lo de forma abrupta. O ambiente, a proximidade do proibido, tudo os excitava e Shun ouvia seus próprios arquejos e a respiração ruidosa de Aiolia, os sons parecendo uma carícia interna que atiçava o desejo que se contraía cada vez mais dentro dele.

A boca do leonino o devorava, depois provocava suavemente, depois o devorando de novo enquanto estocava fundo e rápido. Shun gemia descontrolado, os olhos marejados de luxúria e algo mais...

— Diga o seu nome... seu nome verdadeiro... – disse Aiolia entre dentes, sentindo chegar o orgasmo.

O olhar do jovem prendeu-se ao de Aiolia. Por alguns segundos aquela poderosa conexão varreu tudo ao seu redor e só havia os dois e aquele prazer insano e avassalador...

— Shun... — respondeu o jovem, seguido de um gemido baixo.

Repetindo o nome em pensamento, Aiolia se lançou para dentro de Shun com força, atingindo-o profundamente, jogando a cabeça para trás com um grito primitivo e desfazendo-se dentro do corpo do prostituto. O corpo de Shun estremeceu, se apertou em volta do falo que o preenchia de prazer e ele atingiu o clímax mordendo o braço para sufocar o gemido intenso, o sêmen jorrando entre seu tórax e o de Aiolia.

Abraçaram-se suados e estonteados. Shun sorriu, o belo rosto suado e corado, enquanto Aiolia inspirava fundo, tentando restabelecer a respiração e os batimentos cardíacos.

— Está tudo bem? – perguntou Shun vendo que Aiolia ainda arquejava.

— Sim, está tudo bem... Puxa! Esse orgasmo foi... tão forte... — respondeu ele, sorrindo.

O leonino que sempre fora contido e cheio de regras, agora vivia aquele momento que o fazia sentir o mais poderoso e viril dos homens. Limparam-se rapidamente e voltaram ao restaurante rindo e felizes como se nada tivesse acontecido.

Ao chegarem à mesa, ela estava vazia e uma mocinha sorridente os estava esperando.

— O senhor Ângelo já pagou a conta e pediu para dizer-lhes que ele e o senhor Afrodite tinham um compromisso inadiável.

Aiolia olhou para Shun e sorriu.

— Bem, acho que podemos fazer aquele passeio. O que acha?

Shun assentiu, sorrindo e sentindo o corpo saciado e feliz, como há muito tempo não se sentia...

Notas finais
♡♥ Agradecimentos especiais a quem lê e comenta, é muito bem ter um retorno do que se propõe. A quem acessa em silêncio, também agradeço. Quando verifico o contador fico surpresa com o número de pessoas que leem e acessam e quando os comparo aos comentários me impressiono um pouco! Bjs à todos e até o próximo capítulo!!! XD♡♥