A chuva de Seattle caía como agulhas prateadas sobre o asfalto negro, refletindo luzes distorcidas de postes e letreiros de néon. Jacob Black, dentro de seu uniforme tático, acelerava a moto preta como a própria noite. Para a cidade, ele era apenas mais uma sombra fugaz. Para o submundo, era Nightwolf — a presença que surgia sem aviso e deixava apenas silêncio e medo.

O comunicador em seu ouvido crepitou.

— Lobo. Temos problema no distrito financeiro. — A voz do homem era urgente, com o ruído de sirenes ao fundo. — Assalto ao Banco Central de Seattle. Estão fugindo numa van branca, placa falsificada. Se seguir pela Marginal Leste, vai cruzar com eles.

Jacob não respondeu com palavras. Apenas girou o acelerador. O rugido da moto cortou a noite como um uivo distante.

Minutos depois, a silhueta retangular da van surgiu à frente. Dois homens na traseira disparavam para trás, tentando acertar quem quer que estivesse perseguindo. Nightwolf inclinou-se, desviando das balas, e abriu mais o motor. A chuva castigava sua máscara, mas os olhos estavam fixos no alvo.

A perseguição levou até um trecho deserto do porto, onde armazéns abandonados formavam um labirinto de aço e ferrugem. A van derrapou e parou bruscamente. As portas traseiras se abriram e, um a um, doze homens armados saltaram para o chão encharcado.

O líder, um brutamontes com tatuagens no pescoço, riu com desdém.

— Então é você... o famoso Lobo da Noite. Ouvi dizer que não deixa ninguém de pé. — Ele cuspiu no chão. — Vamos mudar essa história hoje.

Jacob desceu da moto devagar, como se o próprio tempo tivesse desacelerado. A chuva pingava no metal de suas manoplas.

— Tentem. — A voz saiu grave, abafada pelo modulador da máscara.

O primeiro disparo ecoou. Nightwolf se moveu como uma sombra viva, deslizando para o lado e atingindo o atirador com o bastão telescópico. O som seco do impacto se misturou ao trovão. Outro veio por trás, mas Jacob girou, bloqueando o golpe e acertando o homem no estômago com precisão cirúrgica.

Em menos de um minuto, a cena era um balé brutal: golpes rápidos, quedas pesadas, gritos abafados pela tempestade. Um por um, os doze caíam. O último tentou correr, mas uma corda tensa no tornozelo o puxou para o chão.

Poucos minutos depois, todos estavam amarrados, inconscientes, alinhados lado a lado no chão frio. No peito de cada um, marcada com spray prateado, a figura estilizada de um lobo uivando para a lua — a assinatura de Nightwolf.

Jacob pegou um celular descartável, discou um número e falou apenas uma frase:

— Porto, galpão 17. Doze presentes para vocês. — E desligou.

Montou novamente na moto. O motor rugiu e ecoou pelo porto enquanto ele desaparecia na escuridão, deixando para trás apenas a chuva, o som distante das sirenes e o medo gravado no coração dos criminosos.

A moto cortava a noite como uma lâmina negra. A chuva diminuía, mas ainda formava pequenas trilhas na viseira da máscara de Jacob. O comunicador voltou a crepitar.

— Missão limpa? — perguntou Harry, a voz calma, como se fosse apenas mais uma noite comum.

— Doze homens, todos vivos. Polícia já no caminho. — respondeu Jacob, desviando por uma curva molhada sem perder velocidade.

Houve um breve silêncio do outro lado, e então Harry mudou o tom:

Vai querer o quê pro jantar, senhor?

Jacob respirou fundo. — Pizza.

Harry soltou um suspiro carregado de sarcasmo.

— Pizza... outra vez? Senhor, seu paladar anda infantil ultimamente.

— Preciso de carboidratos, Harry. Tanto quanto de proteínas. — respondeu Jacob, sem mudar o tom, enquanto acelerava ainda mais pela avenida quase vazia.

— Certo, certo... carboidratos para correr atrás de bandidos e proteínas para derrubar eles. Vou providenciar. — Harry fez uma pausa, com a voz levemente mais séria, mas ainda brincalhona: — Mas não se atrase. Pizza fria não combina com heróis urbanos.

Jacob sorriu por baixo da máscara — um raro momento de leveza em sua rotina.

— Estou a caminho.

O rugido do motor ecoou pelos túneis úmidos da cidade enquanto o Nightwolf desaparecia na escuridão, em direção ao único lugar que ainda podia chamar de lar.


Notas finais
Se tiver leitores continuo.