No jardim, o clima era mais leve.

A luz suave da noite caía sobre eles enquanto Renesmee girava a taça nas mãos, observando o reflexo do vinho.

— Jacob Black sempre se manteve longe dos holofotes — comentou ela, com um meio sorriso. — O que fez mudar de ideia e investir na política?

Ele arqueou a sobrancelha, analisando-a.

— Isso é uma pergunta formal para uma entrevista… ou informal?

— Informal — respondeu ela, firme, mas com um brilho curioso nos olhos.

Jacob inclinou-se ligeiramente, quebrando a barreira de formalidade.

— Então, pode me chamar apenas de Jacob.

— Nesse caso, você pode me chamar de Renesmee.

— Combinado, Renesmee — disse ele, experimentando o nome como se fosse uma joia rara. — E para responder à sua pergunta… em algum momento, é necessário mudar de visão. Não podemos lutar a vida inteira contra o mundo sem entrar no jogo.

Eles seguiram lado a lado, retornando ao salão. A música voltava a se fazer ouvir, e o brilho dos lustres refletia nos olhos dela. Ao avistá-los, Edward Cullen se aproximou, com aquele sorriso controlado de quem analisava cada detalhe.

— Parece que o senhor Black está se entendendo com minha filha — disse Edward, com tom sugestivo.

Antes que Jacob pudesse responder, as luzes se apagaram abruptamente. O salão mergulhou em escuridão total, e a música cessou como se tivesse sido engolida pelo silêncio. Um murmúrio de confusão se espalhou entre os convidados.

Quando as luzes voltaram, cinco homens encapuzados já estavam no centro do salão, armas em punho. O líder deu um passo à frente e anunciou com voz ríspida:

— Isto é um assalto! Todo mundo no chão, agora!

O clima de gala transformou-se em pânico num piscar de olhos.


Os gritos se espalharam pelo salão enquanto os convidados, vestidos de gala, eram forçados ao chão.

Jacob, agindo no instinto, envolveu Renesmee com o braço, puxando-a contra o peito num gesto firme de proteção. O calor da tensão passava da pele dele para a dela.

Um dos ladrões — alto, de voz carregada de sarcasmo — caminhou até Edward, observando-o de cima a baixo.

— Respeitável prefeito Cullen… — disse, curvando-se de forma irônica. — Uma honra participar da sua festinha.

Enquanto ele falava, outros encapuzados se moviam como predadores, arrancando joias de pulsos, colares e relógios caros, empurrando convidados para o chão.

O ladrão diante de Edward desviou o olhar para Renesmee, o sorriso cruel surgindo sob a máscara.

— E essa? — apontou o queixo para ela. — Quanto vale sua filha, prefeito?

Edward manteve o queixo erguido, mas a tensão em seu maxilar era evidente. Jacob, com os sentidos aguçados, já pensava em Harry, tentando imaginar como acionar o plano sem expor a identidade do Lobo da Noite.

O ladrão deu um passo à frente e tentou puxar Renesmee pelo braço.

— Vem comigo, princesa… — rosnou.

Antes que ele pudesse completar o movimento, Jacob reagiu com velocidade, segurando o punho do criminoso e empurrando-o para trás.

— Tira as mãos dela — disse, a voz baixa e carregada de ameaça.

O ladrão, surpreso, não hesitou em revidar: ergueu a coronha da arma e desferiu um golpe seco contra a lateral da cabeça de Jacob. O som surdo ecoou. Jacob caiu pesadamente no chão… e ficou imóvel, fingindo estar desacordado.


— Ai, meu Deus, Jacob! — o grito de Renesmee cortou o barulho de vozes e passos apressados, carregando um tom de puro desespero.

O ladrão que havia golpeado Jacob olhou para ela com um meio sorriso por baixo da máscara.

— Nada pessoal, senhor Black… — disse, dando de ombros. Em seguida, fez um gesto com a cabeça para dois comparsas. — Levem o esquentadinho lá pra dentro e trancam ele.

— Soltem ele! — Edward avançou, instintivamente tentando se colocar entre Renesmee e os criminosos.

Mas outro assaltante o empurrou brutalmente, desferindo um golpe com a coronha da arma contra seu ombro, forçando-o a recuar. O prefeito respirou com dificuldade, mas manteve o olhar fixo em sua filha, como se quisesse transmitir força silenciosa.

Enquanto Renesmee ainda lutava para se soltar, dois ladrões arrastaram Jacob pelo braço, seu corpo aparentemente inerte, até um banheiro do salão. A porta bateu com força, e o som do trinco sendo girado ecoou, abafando o burburinho da festa.

Por alguns segundos, o silêncio tomou o ambiente fechado. Então, Jacob abriu os olhos.

Ergueu-se lentamente, tocando a lateral da testa onde o golpe havia deixado uma dor latejante. Passou os dedos no ponto exato e soltou um suspiro rápido apertando discretamente um botão embutido no forro do smoking, falou baixo, quase sussurrando:

— Harry… preciso de apoio. Agora.

— Entendido, senhor — respondeu Harry pelo comunicador oculto. — Vou mandar a encomenda pela sua localização.

Jacob andou até a porta do banheiro, encostou o ouvido, avaliando os passos e vozes do lado de fora.

— Preciso da presença do Lobo… do lado de fora.

Houve uma breve pausa antes da voz de Harry voltar, firme e calculada:

— Drones a caminho.

Jacob já começava a tirar o smoking, revelando o uniforme tático por baixo, enquanto minutos depois um zumbido agudo preencheu o ambiente. A janela lateral do banheiro se abriu com um leve estalo, e um drone negro, compacto, entrou carregando uma caixa reforçada.

— Entrega feita, senhor. — A voz de Harry soou quase satisfeita. — A polícia cercou o hotel. E… o Lobo já está do lado de fora.

Jacob abriu a caixa, o brilho frio do equipamento refletindo em seu rosto.

— Ótimo. Quantos são?

— Quatorze homens, senhor.

Jacob encaixou as luvas, prendeu o colete e respirou fundo.

— Apague as luzes.

Harry riu baixo, como quem saboreia o momento.

— Entrada triunfal, senhor… Auxiliares entrando em três… dois… um…

No mesmo instante em que Jacob puxou a máscara sobre o rosto, o salão mergulhou na escuridão.


No salão, o ar estava pesado de tensão. Os ladrões mantinham as armas apontadas, e um deles já arrastava Renesmee pelo braço.

— Vamos, rápido! — rosnou o homem. — Em minutos, a polícia vai fechar o cerco!

Renesmee se debateu, tentando se soltar, os olhos fixos no pai, que ainda se recuperava do golpe que levara. Antes que alguém pudesse reagir, as luzes se apagaram, mergulhando o ambiente numa escuridão quase palpável.

Então veio o som: passos rápidos, um impacto seco, um grito sufocado. Outro disparo ecoou, mas se perdeu entre os gritos de pânico dos convidados. Na escuridão, algo — ou alguém — se movia com precisão de predador.

Um dos bandidos foi derrubado com um golpe certeiro. Outro tentou correr e foi puxado para dentro da sombra, desaparecendo em silêncio.

A voz de Harry surgiu no comunicador, cortante e precisa:

— Dez minutos para a chegada da polícia, senhor.

Jacob — ou melhor, o Lobo da Noite — respondeu com um sorriso que ninguém podia ver:

— Tempo suficiente.

Um novo impacto ecoou, e mais um bandido caiu. A sequência foi rápida: socos, quedas, armas deslizando pelo chão. O som metálico de algemas improvisadas ecoou no salão.

Quando as luzes voltaram, o cenário fez todos prenderem a respiração. No centro do salão, os quatorze bandidos estavam desacordados, amarrados com cordas grossas. No peito de cada um, marcado em tinta branca, estava o símbolo inconfundível: o lobo de Nightwolf.

Os convidados se entreolharam, em choque e fascínio, enquanto câmeras e celulares eram erguidos para registrar a cena.



Renesmee aproveitou a confusão para escapar da aglomeração no salão. Seus olhos, atentos, seguiram a silhueta do Lobo da Noite desaparecendo por um dos corredores laterais.

Sem pensar, ela correu atrás dele, o salto ecoando no mármore até alcançar uma das janelas altas, parcialmente abertas pela brisa fria da noite.

— Espere! — a voz dela soou firme, mesmo que o coração batesse acelerado.

O Lobo parou, mas não se virou. Apenas manteve a postura ereta, as mãos relaxadas ao lado do corpo. Sua voz grave cortou o silêncio:

— Você gosta de se meter em problemas, senhorita Cullen.

Renesmee sorriu de leve.

— Não posso agradecer meu salvador?

Ainda de costas, ele respondeu:

— Faça isso não se metendo em perigo.

Ela inclinou a cabeça, como quem toma uma decisão impulsiva:

— Amanhã. Às 21 horas. No farol abandonado de Discovery Park.

O Lobo permaneceu imóvel por um instante que pareceu longo demais… e então, sem dizer palavra, saltou pela janela, desaparecendo na escuridão.

O vento frio entrou, balançando seus cabelos soltos. Renesmee ficou ali, sozinha, com a sensação de que havia acabado de atravessar uma porta sem volta.