NIGHTWOLF- Blood & Roses
9 Rosas
A porta do salão se abriu de repente, e o som das sirenes lá fora foi substituído pelo barulho apressado das botas da polícia.
— Ninguém se mova! — ordenou um dos oficiais, enquanto outros imobilizavam e algemavam os ladrões, ainda atordoados e com o símbolo do Lobo da Noite preso às cordas que os mantinham no chão.
Renesmee, ofegante, entrou novamente no salão. Antes que pudesse pensar, Bella surgiu em sua direção e a envolveu num abraço apertado.
— Meu Deus, você está bem? — a voz de Bella tremia.
— Estou — respondeu Renesmee, mas sua mente já estava em outro lugar.
Ela se afastou de repente, olhando ao redor.
— Jacob! Ele pode estar ferido.
Sem esperar resposta, saiu correndo pelo corredor, guiada pela lembrança de onde os bandidos o haviam levado. Ao chegar próximo, ouviu batidas firmes na madeira.
— Ei! Tem alguém aí! — a voz dele vinha abafada.
Renesmee girou a maçaneta, mas estava trancada. Revirando os olhos, sacou um grampo de cabelo e, com dedos rápidos, forçou a fechadura até ouvir o clique.
A porta se abriu, revelando Jacob com o rosto sério e um corte ainda sangrando na testa. Ele deu um passo para fora, examinando o corredor como se buscasse ameaças.
— O que aconteceu? — perguntou, com a respiração controlada, como se tivesse perdido apenas alguns segundos de ação.
Renesmee o encarou, ainda com o coração acelerado.
Os paramédicos terminaram de limpar o ferimento na testa de Jacob e colocaram um curativo discreto. Ele agradeceu com um aceno, dispensando mais cuidados.
Ainda no saguão do hotel, Edward se aproximou, apertando a mão dele com firmeza.
— Obrigado por ter se arriscado pela minha filha, senhor Black. — a gratidão era genuína, mas havia também um tom de avaliação no olhar do prefeito.
— Eu apenas fiz o que qualquer um faria — respondeu Jacob, sem perder a postura.
Edward assentiu e, com um meio sorriso, deu um passo para trás, deixando Renesmee sozinha diante dele.
— Então… — ela começou, com um leve sorriso no canto da boca. — Existe alguma forma de agradecer por você ter me defendido?
—Não é necessário — Ele disse em um tom mais descontraído.
— Faço questão.
Jacob inclinou levemente a cabeça, como se pensasse na resposta.
— Jantar comigo. — disse de forma direta, mas com um tom calmo.
— Acho justo. — ela respondeu, aceitando sem hesitar.
Ambos trocaram um último olhar, e Renesmee recuou, caminhando até o carro preto da família, onde Bella já a esperava.
Minutos depois, Harry surgiu discretamente pelo lado oposto, aproximando-se de Jacob.
— Como foi a festa senhor? — perguntou Harry ao abrir a porta do carro.
— Foi proveitosa — Jacob entrou no banco do passageiro. — Pena que acabei trabalhando na minha folga.
O motor ronronou, e o carro deslizou para longe das luzes do hotel, deixando para trás o caos que já começava a se dissipar.
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O som seco dos golpes de Jacob contra o saco de boxe ecoava pelo galpão. O ar estava carregado de esforço e concentração, mas o barulho da TV na sala chamou a atenção de Harry. Ele parou diante do televisor, onde a repórter anunciava:
“E na noite passada, a tentativa de assalto com reféns no Baile de Outono terminou de forma surpreendente. Entre os reféns estavam o prefeito Edward Cullen e sua família. Antes da chegada da polícia, o vigilante noturno conhecido como Lobo da Noite entrou em ação, neutralizando e imobilizando os criminosos.”
A imagem cortou para a porta de uma mansão iluminada pelo sol da manhã. O prefeito Edward Cullen estava diante de microfones, cercado por jornalistas e câmeras. Vestia terno escuro, com um semblante sério, mas firme.
— Seattle não tolerará crimes como esse — começou, a voz firme, mas controlada. — A quadrilha responsável pagará pelo que fez, e quero garantir à população que todos os reféns estão bem. Entre eles, minha esposa e meus filhos. Agradeço à polícia pelo pronto atendimento e, sim… — Edward fez uma breve pausa — agradeço também ao vigilante conhecido como Lobo da Noite. Ontem à noite, ele impediu que um crime maior fosse cometido.
A transmissão voltou para o estúdio, mas Harry nem percebeu — ele olhava para Jacob que, agora, caminhava até a sala, enxugando o suor com uma toalha.
Harry estendeu um copo de suco gelado.
— Parece que o prefeito Cullen está em dívida com você, chefe.
Jacob pegou o copo e olhou para a TV, onde agora aparecia o capitão da polícia, Sam Uley, diante dos repórteres:
— O que aconteceu ontem foi um episódio à parte — dizia Sam, com o tom controlado, mas carregado de desaprovação. — Ainda acredito que o Lobo da Noite deve deixar o trabalho da polícia… para a polícia.
Jacob soltou um meio sorriso irônico, deu um gole no suco e apoiou o copo sobre a mesa.
— É… — murmurou, mais para si mesmo — boa sorte com isso, capitão.
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A cozinha da casa dos Cullen estava cheia do aroma de café fresco e pão quente. Renesmee tomava o café da manhã calmamente, o jornal aberto à sua frente, ainda com a mente voltando aos eventos da noite anterior.
Na sala ao lado, assessores conversavam com Edward em tom sério.
— Senhor prefeito, acreditamos que, após o ocorrido, seria prudente que sua família utilizasse seguranças particulares — sugeriu um deles.
Renesmee, sem tirar os olhos da xícara, respondeu firme:
— Não preciso de guarda-costas.
O clima foi interrompido quando uma das empregadas se aproximou, carregando um grande buquê de rosas vermelhas.
— Com licença, senhorita Renesmee… acabou de chegar para você.
Bella arqueou as sobrancelhas, um leve sorriso no rosto.
— Parece que alguém conquistou um coração ontem à noite.
Renesmee pegou o buquê e o pequeno envelope preso a ele. O papel tinha um perfume leve e uma caligrafia firme. Ela leu em silêncio:
"Rosas para a jovem mais bela de Seattle — Jacob Black"
Edward, que observava de longe, deixou escapar um sorriso satisfeito.
— Parece que Jacob Black está interessado...
Renesmee ergueu os olhos para o pai, séria.
— Ele é apenas um amigo, pai.
Ela se levantou, entregando o buquê à empregada.
— Coloque isso em algum vaso, por favor.
A funcionária sorriu.
— Se quiser, posso deixá-las no seu quarto, senhorita.
— Ótimo, faça isso — respondeu Renesmee.
Bella, curiosa, acompanhou com o olhar enquanto a filha pegava a bolsa.
— Vai sair?
Renesmee deu um pequeno sorriso.
— Tenho um compromisso.
O som das portas de vidro se fechando atrás dela marcou a chegada de Renesmee à sede do Verdade Urbana. O prédio, movimentado como sempre, exalava aquele misto de café e papel impresso.
Logo na recepção, Claire a avistou e abriu um sorriso caloroso.
— Nessie! Eu vi na TV… aquilo no baile… você está bem?
Renesmee assentiu, tentando manter a voz firme.
— Estou, Claire. Foi uma noite… intensa.
Do outro lado do balcão, Jessica, com seu tom habitual de ironia, comentou:
— Ora, se não é Renesmee Cullen. Claro que vai sobreviver… afinal, a cidade inteira pararia se algo acontecesse com a filha do prefeito.
Renesmee ergueu uma sobrancelha, ignorando a provocação como se nem tivesse ouvido.
— Quil está? — perguntou, voltando-se para Claire.
— Sim, está na sala dele. Mas está no telefone… — Claire avisou.
Renesmee atravessou o corredor, sentindo o burburinho da redação ao redor. Na sala envidraçada, viu Quil encostado na mesa, falando ao telefone com anotações espalhadas à sua frente.
Ela esperou pacientemente até ele encerrar a ligação. Assim que desligou, Quil abriu um sorriso.
— Olha só quem veio me visitar.
Renesmee cruzou os braços, um leve ar de triunfo no rosto.
— Consegui. Hoje à noite, tenho uma exclusiva com o Lobo da Noite.
O olhar de Quil se acendeu imediatamente, como se estivesse diante do furo do ano.
— Você está brincando…
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