A porta do salão se abriu de repente, e o som das sirenes lá fora foi substituído pelo barulho apressado das botas da polícia.

— Ninguém se mova! — ordenou um dos oficiais, enquanto outros imobilizavam e algemavam os ladrões, ainda atordoados e com o símbolo do Lobo da Noite preso às cordas que os mantinham no chão.

Renesmee, ofegante, entrou novamente no salão. Antes que pudesse pensar, Bella surgiu em sua direção e a envolveu num abraço apertado.

— Meu Deus, você está bem? — a voz de Bella tremia.

— Estou — respondeu Renesmee, mas sua mente já estava em outro lugar.

Ela se afastou de repente, olhando ao redor.

— Jacob! Ele pode estar ferido.

Sem esperar resposta, saiu correndo pelo corredor, guiada pela lembrança de onde os bandidos o haviam levado. Ao chegar próximo, ouviu batidas firmes na madeira.

— Ei! Tem alguém aí! — a voz dele vinha abafada.

Renesmee girou a maçaneta, mas estava trancada. Revirando os olhos, sacou um grampo de cabelo e, com dedos rápidos, forçou a fechadura até ouvir o clique.

A porta se abriu, revelando Jacob com o rosto sério e um corte ainda sangrando na testa. Ele deu um passo para fora, examinando o corredor como se buscasse ameaças.

— O que aconteceu? — perguntou, com a respiração controlada, como se tivesse perdido apenas alguns segundos de ação.

Renesmee o encarou, ainda com o coração acelerado.


Os paramédicos terminaram de limpar o ferimento na testa de Jacob e colocaram um curativo discreto. Ele agradeceu com um aceno, dispensando mais cuidados.

Ainda no saguão do hotel, Edward se aproximou, apertando a mão dele com firmeza.

— Obrigado por ter se arriscado pela minha filha, senhor Black. — a gratidão era genuína, mas havia também um tom de avaliação no olhar do prefeito.

— Eu apenas fiz o que qualquer um faria — respondeu Jacob, sem perder a postura.

Edward assentiu e, com um meio sorriso, deu um passo para trás, deixando Renesmee sozinha diante dele.

— Então… — ela começou, com um leve sorriso no canto da boca. — Existe alguma forma de agradecer por você ter me defendido?

—Não é necessário — Ele disse em um tom mais descontraído.

— Faço questão.

Jacob inclinou levemente a cabeça, como se pensasse na resposta.

— Jantar comigo. — disse de forma direta, mas com um tom calmo.

— Acho justo. — ela respondeu, aceitando sem hesitar.

Ambos trocaram um último olhar, e Renesmee recuou, caminhando até o carro preto da família, onde Bella já a esperava.

Minutos depois, Harry surgiu discretamente pelo lado oposto, aproximando-se de Jacob.

— Como foi a festa senhor? — perguntou Harry ao abrir a porta do carro.

— Foi proveitosa — Jacob entrou no banco do passageiro. — Pena que acabei trabalhando na minha folga.

O motor ronronou, e o carro deslizou para longe das luzes do hotel, deixando para trás o caos que já começava a se dissipar.


•••••••••••••••••••••••••••



O som seco dos golpes de Jacob contra o saco de boxe ecoava pelo galpão. O ar estava carregado de esforço e concentração, mas o barulho da TV na sala chamou a atenção de Harry. Ele parou diante do televisor, onde a repórter anunciava:

“E na noite passada, a tentativa de assalto com reféns no Baile de Outono terminou de forma surpreendente. Entre os reféns estavam o prefeito Edward Cullen e sua família. Antes da chegada da polícia, o vigilante noturno conhecido como Lobo da Noite entrou em ação, neutralizando e imobilizando os criminosos.”

A imagem cortou para a porta de uma mansão iluminada pelo sol da manhã. O prefeito Edward Cullen estava diante de microfones, cercado por jornalistas e câmeras. Vestia terno escuro, com um semblante sério, mas firme.

— Seattle não tolerará crimes como esse — começou, a voz firme, mas controlada. — A quadrilha responsável pagará pelo que fez, e quero garantir à população que todos os reféns estão bem. Entre eles, minha esposa e meus filhos. Agradeço à polícia pelo pronto atendimento e, sim… — Edward fez uma breve pausa — agradeço também ao vigilante conhecido como Lobo da Noite. Ontem à noite, ele impediu que um crime maior fosse cometido.

A transmissão voltou para o estúdio, mas Harry nem percebeu — ele olhava para Jacob que, agora, caminhava até a sala, enxugando o suor com uma toalha.

Harry estendeu um copo de suco gelado.

— Parece que o prefeito Cullen está em dívida com você, chefe.

Jacob pegou o copo e olhou para a TV, onde agora aparecia o capitão da polícia, Sam Uley, diante dos repórteres:

— O que aconteceu ontem foi um episódio à parte — dizia Sam, com o tom controlado, mas carregado de desaprovação. — Ainda acredito que o Lobo da Noite deve deixar o trabalho da polícia… para a polícia.

Jacob soltou um meio sorriso irônico, deu um gole no suco e apoiou o copo sobre a mesa.

— É… — murmurou, mais para si mesmo — boa sorte com isso, capitão.


•••••••••••••••••••••••••••••


A cozinha da casa dos Cullen estava cheia do aroma de café fresco e pão quente. Renesmee tomava o café da manhã calmamente, o jornal aberto à sua frente, ainda com a mente voltando aos eventos da noite anterior.

Na sala ao lado, assessores conversavam com Edward em tom sério.

— Senhor prefeito, acreditamos que, após o ocorrido, seria prudente que sua família utilizasse seguranças particulares — sugeriu um deles.

Renesmee, sem tirar os olhos da xícara, respondeu firme:

— Não preciso de guarda-costas.

O clima foi interrompido quando uma das empregadas se aproximou, carregando um grande buquê de rosas vermelhas.

— Com licença, senhorita Renesmee… acabou de chegar para você.

Bella arqueou as sobrancelhas, um leve sorriso no rosto.

— Parece que alguém conquistou um coração ontem à noite.

Renesmee pegou o buquê e o pequeno envelope preso a ele. O papel tinha um perfume leve e uma caligrafia firme. Ela leu em silêncio:


"Rosas para a jovem mais bela de Seattle — Jacob Black"


Edward, que observava de longe, deixou escapar um sorriso satisfeito.

— Parece que Jacob Black está interessado...

Renesmee ergueu os olhos para o pai, séria.

— Ele é apenas um amigo, pai.

Ela se levantou, entregando o buquê à empregada.

— Coloque isso em algum vaso, por favor.

A funcionária sorriu.

— Se quiser, posso deixá-las no seu quarto, senhorita.

— Ótimo, faça isso — respondeu Renesmee.

Bella, curiosa, acompanhou com o olhar enquanto a filha pegava a bolsa.

— Vai sair?

Renesmee deu um pequeno sorriso.

— Tenho um compromisso.



O som das portas de vidro se fechando atrás dela marcou a chegada de Renesmee à sede do Verdade Urbana. O prédio, movimentado como sempre, exalava aquele misto de café e papel impresso.

Logo na recepção, Claire a avistou e abriu um sorriso caloroso.

— Nessie! Eu vi na TV… aquilo no baile… você está bem?

Renesmee assentiu, tentando manter a voz firme.

— Estou, Claire. Foi uma noite… intensa.

Do outro lado do balcão, Jessica, com seu tom habitual de ironia, comentou:

— Ora, se não é Renesmee Cullen. Claro que vai sobreviver… afinal, a cidade inteira pararia se algo acontecesse com a filha do prefeito.

Renesmee ergueu uma sobrancelha, ignorando a provocação como se nem tivesse ouvido.

— Quil está? — perguntou, voltando-se para Claire.

— Sim, está na sala dele. Mas está no telefone… — Claire avisou.

Renesmee atravessou o corredor, sentindo o burburinho da redação ao redor. Na sala envidraçada, viu Quil encostado na mesa, falando ao telefone com anotações espalhadas à sua frente.

Ela esperou pacientemente até ele encerrar a ligação. Assim que desligou, Quil abriu um sorriso.

— Olha só quem veio me visitar.

Renesmee cruzou os braços, um leve ar de triunfo no rosto.

— Consegui. Hoje à noite, tenho uma exclusiva com o Lobo da Noite.

O olhar de Quil se acendeu imediatamente, como se estivesse diante do furo do ano.

— Você está brincando…