NIGHTWOLF- Blood & Roses
27 Flashes
Vamos refazer com a descrição do vestido incluída no momento certo.
A família Cullen desceu a elegante escadaria de mármore, mas todos os olhares naquela casa se voltaram para Renesmee.
Ela usava um vestido vinho longo, de tecido acetinado que abraçava seu corpo com perfeição. A cintura era marcada, realçando sua silhueta, e o decote ombro a ombro deixava a pele à mostra com elegância, enquanto as mangas estilo princesa traziam um ar de romance clássico. A fenda lateral, discreta, revelava apenas o suficiente para provocar curiosidade. O cabelo estava preso em um coque sofisticado, algumas mechas soltas emoldurando o rosto. As joias eram delicadas, apenas um par de brincos de diamantes e uma pulseira fina, completando o visual sensual e romântico ao mesmo tempo.
Edward, impecável em seu terno preto, deixou escapar um sorriso enviesado.
Edward: — Está uma verdadeira senhora Black.
Renesmee ajeitou a bolsa de mão combinando com o vestido e ergueu o queixo com leve provocação.
— Ainda sou senhorita Cullen, papai.
Bella, orgulhosa, não disfarçou o brilho nos olhos. Henry, o irmão, apenas soltou um assobio baixo, arrancando um olhar repreensivo de Edward.
Ao entrarem na limusine, o trajeto seguiu até o bairro Broadmoor, em Seattle — uma área de mansões cercadas por muros altos e jardins impecáveis.
Assim que a limusine dos Cullen estacionou diante da mansão Weber, o clarão dos flashes iluminou a noite. Repórteres avançaram, microfones e câmeras quase entrando pela porta do carro antes mesmo que Edward tivesse tempo de sair.
— Senhor Cullen! — gritou um deles. — Como o senhor se sente indo à casa do seu principal rival político?
— É verdade que esta é uma tentativa de reconciliação ou apenas estratégia eleitoral? — pressionou outro.
Bella desceu com Henry ao lado, segurando firme a mão dele, mas o cerco da imprensa não dava trégua.
Outro fotógrafo se virou para Renesmee, ignorando completamente a pergunta política:
— Senhorita Cullen, é verdade que vai se casar com Jacob Black?
— O anúncio será feito aqui na festa? — um terceiro insistiu, quase tropeçando na barra do vestido dela.
Os seguranças da mansão Weber intervieram, abrindo caminho com os braços para afastar o tumulto. Nesse momento, Henry, distraído, sentiu a mão da mãe escorregar da sua. Seus olhos brilharam ao ver um drone de segurança sobrevoando, com luzes piscando em azul e branco. Fascinado, ele se afastou alguns passos para ter uma visão melhor.
Ninguém percebeu de imediato que, no outro extremo da entrada, um veículo preto seguia em alta velocidade em direção a rua , lento, mas em linha reta para onde Henry estava.
A Broadway Avenue, próxima à mansão dos Weber, ecoava com o ronco grave da moto preta do Lobo da Noite. As luzes da cidade refletiam no visor da máscara, enquanto Jacob perseguia dois integrantes do Corvo que haviam sido avistados fugindo de uma tentativa de assalto a uma joalheria.
— Já separei seu terno, senhor, — a voz de Harry soou pelo comunicador no capacete.
Jacob derrubou um dos bandidos com um golpe seco, fazendo o homem rolar pelo asfalto. — E qual foi que você escolheu?
— Recebi uma dica de que a senhorita Cullen vai de vestido vinho. Escolhi um que combina perfeitamente.
Um sorriso rápido curvou os lábios de Jacob. Ele desviou de um poste e acertou um soco no segundo criminoso que tentava reagir. — E a surpresa?
— Está no bolso do smoking, senhor. Vai gostar.
Um terceiro membro do Corvo entrou no carro preto e arrancou em alta velocidade. Jacob subiu na moto, o motor rugindo.
— Ele está indo na direção da Interlaken Boulevard, — informou Harry.
— Tem muita gente lá… — Jacob acelerou mais. — Não podemos deixar ele chegar perto.
Ele pegou um atalho por uma rua lateral estreita e emergiu bem à frente do veículo do bandido. Os faróis cortavam a noite e, alguns metros à frente, um pequeno corpo surgiu no caminho — um menino, parado e distraído olhando para o céu, sem perceber o perigo.
Jacob nem pensou. Largou a moto no meio do movimento, correndo em velocidade quase sobrenatural. No último segundo, agarrou a criança pela cintura e rolou para o gramado, o carro passando com um zumbido mortal a poucos centímetros.
Ao erguer o menino nos braços, ofegante, Jacob olhou para o rosto assustado — era Henry Cullen, o filho caçula de Bella e Edward.
Os flashes pipocavam como relâmpagos em noite de tempestade. O som de vozes misturava-se ao alvoroço, quando Renesmee e seus pais avistaram a cena — o Lobo da Noite segurando Henry nos braços, protegendo-o do caos.
Edward não esperou por seguranças nem protocolos. Ignorando qualquer barreira, avançou correndo até o filho. Bella e Nessie o seguiram de perto, o coração de ambas disparado.
— Henry! — a voz de Edward soou carregada de alívio e urgência ao tomar o menino nos braços, abraçando-o com força. Bella, ainda trêmula, passou a mão pelos cabelos do filho para conferir se ele estava bem.
Os repórteres cercaram o Lobo, microfones e câmeras esticados, gritos misturados:
— Lobo! Olhe para cá!
— Vocês salvou Henry Cullen!
— Quem é você de verdade?
O mascarado tentou se afastar, mas a multidão se fechava. Foi então que um policial surgiu, abrindo caminho. — Lobo da Noite, você está preso!
Jacob — sob a máscara — parou, atônito. E nesse instante, seus olhos encontraram Renesmee. Ela estava deslumbrante no vestido vinho, iluminada pelas luzes e câmeras, e aquele olhar dele ficou preso nela. Por um breve momento, esqueceu que havia dezenas de pessoas observando. Ela, tímida, esboçou um sorriso.
Edward, ouvindo a ordem de prisão, deu um passo à frente, o tom gelado e firme:
— O que acha que está fazendo, oficial?
O policial hesitou.
— Este homem salvou a vida do meu filho.
O Lobo olhou para Edward, surpreso com a defesa direta. Edward o encarou por um segundo e, com um aceno, disse:
— Obrigado.
Jacob não respondeu. Apenas assentiu, deu um último olhar rápido para Renesmee e, com um movimento ágil, montou na moto. O motor rugiu alto e, em segundos, ele desapareceu pela noite, deixando atrás de si um rastro de fumaça e curiosidade.
O rugido da moto ecoou até morrer no silêncio da Toca do Lobo. Jacob estacionou bruscamente, respirando fundo ainda sob o calor da perseguição. Com um movimento rápido, puxou a máscara e passou a mão pelos cabelos úmidos de suor.
Harry estava à espera, de braços cruzados.
— Está atrasado, senhor. — A voz carregava um misto de reprovação e costume.
Jacob deu um meio sorriso cansado.
— Nessie vai me perdoar. — Largou a máscara sobre a bancada e caminhou até Harry.
O mordomo estendeu o terno impecavelmente passado.
— Tenho certeza que sim, senhor— Harry sorriu entregando o smoking a ele.
Jacob pegou a peça e já começou a subir as escadas, sem parar de andar.
— Estarei no carro em vinte minutos. — avisou, com aquele tom que não deixava espaço para discussão.
Harry observou-o desaparecer pelo corredor, já imaginando que, naquele ritmo, o atraso ainda seria inevitável. Mas conhecia Jacob o suficiente para saber que, naquela noite, ele não pretendia perder a entrada triunfal.
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