NIGHTWOLF- Blood & Roses
20 Eu te amo
Na manhã seguinte, o quarto de Renesmee estava mergulhado na penumbra suave da luz que entrava pelas cortinas. Ela se levantou devagar, ainda sentindo o peso das revelações da noite anterior. Depois de se vestir, desceu as escadas, os passos ecoando suavemente pelo corredor até a cozinha.
O aroma de café fresco se misturava ao som baixo da TV ligada. Na tela, a apresentadora falava com entusiasmo:
— E mais uma vez, o misterioso “Lobo da Noite” entrou em ação. Durante a madrugada, ele impediu o assalto de uma gangue no centro da cidade…
Imagens borradas de câmeras de segurança mostravam a figura mascarada em meio à ação. Renesmee parou, o olhar preso na tela. O coração apertou. Ele havia saído outra vez… com o braço ferido. Silenciosa, ela se sentou à mesa.
Edward entrou na cozinha, trazendo consigo o jornal dobrado.
— Bom dia, filha. — disse, pousando o jornal sobre a bancada. — Já viu as notícias de hoje?
Antes que ela respondesse, ele mesmo estendeu o exemplar, mas algo no sorriso dele a fez desconfiar. Renesmee pegou o jornal e, ao abrir, seu estômago revirou.
Na primeira página, em letras grandes:
"Romance ou acordo político? Renesmee Cullen e Jacob Black juntos no Kerry Park"
A foto congelava o momento do beijo — o beijo impulsivo que mudara tudo —, com flashes de fotógrafos ao fundo.
Renesmee sentiu o rosto esquentar, mas não respondeu de imediato. Segurou o jornal com força, enquanto sua mente corria entre lembranças e preocupações, sem saber se aquilo complicaria ainda mais o que estava por vir.
Edward ficou em silêncio por um momento, observando a filha com um olhar sério, mas não hostil.
— Eu vinha percebendo o interesse do Black — começou, apoiando as mãos no encosto da cadeira. — Mas prometi à sua mãe que não transformaria isso em um acordo político.
Renesmee ergueu o olhar, confusa.
— Então… por que esse tom?
— Porque quero Jacob Black no meu escritório hoje à noite. — A voz dele foi firme, quase um comando. — E antes que pergunte, não é uma ameaça. É… necessidade.
Ela tentou se explicar, mas ao ver a foto no jornal novamente, sentiu as palavras travarem na garganta.
— Pai… não é o que parece.
Edward arqueou uma sobrancelha, quase com um sorriso de canto.
— Eu realmente espero que não. Mas, até lá, vou querer respostas.
Sem conseguir sustentar o olhar dele, Renesmee recuou.
— Preciso sair.
Virou-se e saiu da cozinha, o jornal ainda queimando em sua memória. Assim que chegou ao quarto, pegou o celular e digitou rápido para Harry:
“Me diz que ele está bem.”
O coração dela parecia bater mais alto enquanto esperava. Minutos depois, a resposta veio:
“Ele está bem, senhorita Cullen.”
Renesmee soltou o ar que nem percebera estar prendendo. Digitou de volta:
“Chego na mansão Black em 15 minutos.”
Ela se levantou, pegou uma calça jeans, um suéter confortável e um casaco por cima. No espelho, prendeu o cabelo em um coque simples, como se quisesse passar despercebida. Colocou a bolsa no ombro, deu uma última olhada para o celular e saiu rapidamente.
O carro de Renesmee parou diante dos portões da mansão Black, e Harry já a aguardava próximo à entrada principal. Ele abriu a porta para ela, com a expressão calma, mas o olhar atento.
— Senhorita Cullen — disse num tom respeitoso. — O senhor Black está dormindo.
Renesmee, sem hesitar, respondeu:
— Então me leve até o quarto dele, por favor.
Harry inclinou a cabeça, fazendo um gesto para que ela o seguisse. Subiram a ampla escadaria, os degraus cobertos por um tapete espesso que abafava os passos. Seguiram por um longo corredor iluminado por luz suave, até que ele parou diante de uma porta de madeira maciça.
Antes de abrir, Harry a encarou por um instante.
— Senhorita… o senhor Black nunca amou ninguém. — Sua voz era grave, sincera. — Mas você… ele ama. É por isso que não queria envolver você nisso.
Renesmee sentiu o peito apertar, mas um pequeno sorriso brotou em seus lábios.
— Eu sei… só o amor faz um homem entrar em um prédio em chamas por uma mulher.
Harry assentiu levemente, abriu a porta e a deixou entrar, fechando atrás de si.
O quarto era amplo, com uma cama king size no centro, lençóis de algodão branco e cortinas pesadas bloqueando parte da luz do dia. A decoração era luxuosa, mas sóbria — madeira escura, toques metálicos, prateleiras com livros e alguns objetos antigos.
Jacob estava deitado, o braço ferido apoiado sobre o peito, respirando de forma profunda e regular. O contraste entre sua força evidente e aquela vulnerabilidade momentânea fez o coração dela bater mais rápido.
Renesmee se aproximou devagar, sentando-se ao lado dele. Seus olhos percorreram cada detalhe do rosto dele, como se tentassem memorizar — ou confirmar — que aquele era o homem que salvara sua vida e que, de alguma forma, a transformara.
Jacob se moveu levemente na cama, soltando um suspiro pesado antes de abrir os olhos. A luz filtrada pelas cortinas desenhava sombras suaves em seu rosto. Quando finalmente a viu, sentada ao lado dele, a surpresa brilhou em seus olhos castanhos.
— Nessie… — a voz dele era rouca, como se ainda estivesse entre o sono e a vigília. — O que você está fazendo aqui?
Ela desviou o olhar por um instante, tentando controlar a mistura de alívio e irritação que sentia.
— Eu estava preocupada — disse com sinceridade. — Você não devia sair por aí sendo herói quando ainda não está recuperado.
Jacob sorriu, um sorriso calmo, quase culpado. Ele ergueu a mão boa e tocou o rosto dela com delicadeza, o polegar acariciando sua pele como se quisesse memorizar aquela sensação.
— Eu não consigo evitar… principalmente quando sei que você está por perto. — Fez uma pausa e seus olhos se aprofundaram nos dela. — Eu te amo, Nessie.
As palavras, carregadas de verdade, a atingiram como um sopro quente no peito. Ela sentiu o ar prender-se na garganta antes de responder, quase num sussurro:
— Eu também te amo.
O mundo pareceu se estreitar até que só houvesse os dois. Jacob se inclinou lentamente, e quando seus lábios se encontraram, não houve hesitação. O beijo começou suave, quase tímido, mas logo se tornou mais intenso, como se todo o tempo que haviam perdido até ali estivesse sendo compensado naquele instante.
Renesmee deslizou as mãos pela nuca dele, sentindo o calor que irradiava de seu corpo, enquanto Jacob a puxava pela cintura, aproximando-a até que não houvesse espaço entre eles. O coração dela batia descompassado, cada batida se misturando ao ritmo dele.
Era um beijo de rendição — não havia máscaras, nem segredos, nem barreiras. Apenas o sentimento cru e incontrolável que os ligava. Naquele momento, não importavam as consequências, o mundo lá fora ou o perigo que sempre os cercava. Importava apenas que, finalmente, eles se pertenciam.
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