A noite caía suave sobre a casa, e o quarto de Renesmee estava iluminado por uma luz dourada que deixava tudo mais íntimo. Diante do espelho, ela ajeitava os cabelos pela terceira vez, tentando acalmar o nervosismo que teimava em apertar seu estômago. Sua respiração estava ligeiramente acelerada — e não era apenas por causa do jantar, mas pelo homem que ela sabia que encontraria.

O vestido que usava era digno de um conto de fadas. De um tom rosa-claro quase perolado, tinha mangas curtas e delicadas, adornadas por pequenas rendas florais. A saia, levemente rodada, caía até o meio das coxas com um movimento gracioso, e uma fita de cetim marcava a cintura, realçando suas curvas de forma sutil. O tecido brilhava discretamente quando ela se movia, como se captasse a luz só para ela. Era romântico, doce… e fazia com que parecesse uma princesa saída de um livro.

Bella entrou sem bater, parando por um instante para admirar a cena. Um sorriso suave surgiu em seu rosto.

— Você está linda, minha filha… — disse com a voz carregada de orgulho e ternura.

Renesmee se virou e sorriu, um pouco tímida, mas feliz.

— Obrigada, mãe.

Bella se aproximou, ajustando um detalhe na manga do vestido, e depois inclinou levemente a cabeça, observando a filha com mais atenção.

— Mas… esse olhar… — comentou, quase em tom de brincadeira. — Você está com um brilho diferente.

Nessie riu baixinho e, num sopro de sinceridade, respondeu:

— Acho que nunca me senti assim antes.

As duas se entreolharam, cúmplices, e Bella segurou a mão da filha.

— Então vamos, princesa.

De mãos dadas, desceram as escadas. O ambiente da sala estava aquecido pela lareira, e lá estavam Edward Cullen e Charlie Swan, lado a lado, conversando tranquilamente, enquanto o pequeno Henry brincava no tapete com um carrinho de madeira.

Edward foi o primeiro a notar a chegada delas. Seus olhos se iluminaram e um sorriso orgulhoso tomou conta de seu rosto.

— Renesmee… você está deslumbrante. — Ele fez uma breve pausa, e completou com sinceridade: — E eu estou muito orgulhoso de você.

Nessie sentiu as bochechas corarem.

— Pai… não exagera. É só um jantar de compromisso, não um noivado. — Ela riu, tentando aliviar a solenidade do momento.

Edward apenas manteve o sorriso, mas não disse nada, o que só deixou Nessie mais consciente do que aquela noite realmente significava.


No quarto amplo e elegantemente organizado, Jacob ajustava o punho da camisa diante do espelho, o olhar atento, como se cada detalhe tivesse que estar impecável. Sobre a poltrona, o paletó escuro o aguardava, e ao lado, a caixa de veludo preto repousava, guardando um presente especial.

— Harry— chamou, sem tirar os olhos do reflexo —, deixa o kit de emergência no carro.

O fiel assistente assentiu prontamente e saiu para cumprir a ordem.— Espero que você não precise usar o traje esta noite. — A voz dele carregava mais preocupação do que censura.

Jacob não respondeu de imediato. Pegou a caixa sobre a cômoda, abriu-a com cuidado e revelou o colar. Era uma peça delicada, feita de ouro branco, com um pingente pequeno, mas rico em detalhes: um lobo, minuciosamente talhado em diamantes, cujas pedras cintilavam sob a luz como se guardassem um segredo antigo. A corrente fina e leve parecia feita para repousar perfeitamente na pele de alguém que ele queria proteger e encantar ao mesmo tempo.

Harry deu um breve sorriso de aprovação.

— Uma excelente escolha.

Jacob retribuiu o sorriso de canto, fechando a caixa e guardando-a no bolso interno do paletó.

Foi então que Seth apareceu no corredor, acompanhado de Leah.

— Cara… eu tô feliz por você — disse Seth, com um entusiasmo sincero. — Finalmente.

Leah, por outro lado, não se deteve muito. Apenas olhou para o irmão, soltou um breve comentário seco:

— Preciso trabalhar. — E saiu antes que alguém pudesse responder.

Harry observou a cena e balançou a cabeça.

— Ela vai aceitar… cedo ou tarde.

Jacob soltou um suspiro curto, conferiu o relógio no pulso e murmurou:

— Hora de ir.

Ele pegou o paletó, colocou-o com um movimento firme, e saiu, já com o olhar focado na noite que o aguardava.


A Range Rover preta parou suavemente diante da casa dos Cullen, iluminada pela luz quente que escapava das amplas janelas. Jacob desligou o motor, respirou fundo e ajustou o paletó antes de sair. O ar da noite estava frio, mas dentro dele havia um calor inquieto, como se cada passo o aproximasse de algo inevitável.

A porta se abriu antes mesmo que ele tocasse a campainha. Edward estava ali, alto e impecável, com um leve sorriso de aprovação.

— Jacob… bem-vindo — disse, estendendo a mão. — Como um novo membro da família.

Jacob apertou a mão dele com firmeza.

— Obrigado. É… uma honra.

Logo atrás, Bella surgiu, o olhar afetuoso e um sorriso genuíno.

— Jacob, é muito bom ter você aqui.

Ele assentiu, trocando um rápido abraço com ela, e então entrou no amplo hall.

Foi nesse momento que a viu.

Renesmee estava ao pé da escada, o vestido romântico e curto realçando a delicadeza de cada movimento, o cabelo preso em um coque que deixava seu rosto ainda mais iluminado. Seus olhos encontraram os dele — e naquele instante, o resto do mundo pareceu se desfazer.

Jacob não percebeu que havia prendido a respiração até Charlie se aproximar e dar um leve tapinha em seu ombro.

— Boa noite, rapaz — disse o avô de Nessie, com aquele tom meio sério, meio cordial.

— Boa noite, comandante — respondeu Jacob, apertando-lhe a mão antes de voltar o olhar para Renesmee.

Ele caminhou até ela, sem pressa, como se cada passo fosse medido.

— Boa noite, Nessie — disse, a voz mais baixa, quase íntima.

Estendeu a mão, e ela, sem hesitar, colocou a dela na dele. Foi um toque breve, mas carregado de algo que não precisava de palavras.


A sala de jantar dos Cullen estava impecável, iluminada por um lustre de cristal que projetava reflexos suaves sobre a mesa de madeira escura. Pratos finos, taças de vinho e arranjos delicados de flores completavam a cena.

Renesmee estava sentada à esquerda de Jacob, tão próxima que ele podia sentir o leve perfume adocicado que ela usava. Entre talheres e copos, seus olhares se encontravam vez ou outra — rápidos, mas carregados de significado.

O início da conversa foi leve. Bella contou sobre uma viagem a Paris que ela e Edward fizeram anos atrás, e Nessie aproveitou para falar de seu desejo de conhecer a Itália.

— Roma é linda, mas eu prefiro Florença — comentou Jacob, olhando diretamente para ela. — Acho que você iria adorar.

Ela sorriu, o olhar sustentando o dele por um segundo a mais do que seria socialmente neutro.

Tudo corria bem… até que Edward, inevitavelmente, direcionou o assunto para política.

— A situação atual exige líderes mais estratégicos — dizia ele, com a postura firme. — A diplomacia está se tornando insuficiente em certas áreas.

Jacob, sem desviar os olhos de Renesmee, disse com convicção:

— Concordo com você. A política precisa de pessoas que saibam agir e não só falar.

A troca de olhares entre ele e Edward durou um instante, mas o peso estava ali. Nessie percebeu e abaixou discretamente o olhar, mexendo na comida.

Foi Bella quem interveio, com um tom suave:

— Bom, antes que a gente transforme o jantar em debate de campanha… que tal falarmos sobre coisas mais agradáveis? — ela sorriu, lançando um olhar rápido a Renesmee. — Nessie, você ainda está pensando em retomar as aulas de fotografia?

A tensão se dissipou um pouco. Nessie respondeu animada, Jacob ouviu com atenção, e aos poucos a conversa voltou ao clima leve de antes.



Após o jantar, todos se acomodaram na sala, o ambiente aquecido pelo crepitar suave da lareira. Edward estava de pé próximo à janela, conversando com Charlie, enquanto Bella e Renesmee trocavam algumas palavras no sofá.

Jacob, com postura firme e olhar decidido, se aproximou de Edward.

— Sr. Cullen… — começou, chamando a atenção de todos. — Eu gostaria de deixar claro que quero um compromisso com sua filha.

Edward o encarou por um instante, avaliando cada traço da expressão dele, e então um leve sorriso surgiu.

— Fico feliz em ouvir isso, Jacob. Você tem o meu apoio — disse com um tom que misturava seriedade e satisfação.

Charlie, recostado na poltrona, abriu um sorriso orgulhoso.

— Minha neta fez uma excelente escolha — completou, cruzando os braços com aprovação.

Jacob então se voltou para Renesmee. Ela o olhava com uma mistura de surpresa e expectativa, o coração acelerado. Ele enfiou a mão no bolso interno do paletó e tirou uma pequena caixa de veludo. Ao abri-la, revelou uma corrente fina de ouro branco, com um delicado pingente em forma de lobo, inteiramente talhado em diamantes — o símbolo dos Black.

Nessie levou a mão aos lábios, surpresa.

— É lindo… — murmurou Bella, admirando a joia.

Jacob se aproximou, ficando diante dela, e com cuidado afastou os fios de cabelo de seu pescoço. Prendeu o colar com delicadeza, seus dedos roçando levemente a pele dela.

— Pertenceu à minha mãe — disse, a voz grave, mas carregada de emoção. — Agora, quero que pertença a você.

Renesmee engoliu em seco, tocando o pingente com a ponta dos dedos, sentindo o peso simbólico muito mais do que o físico. Jacob então segurou sua mão e, num gesto quase antigo, beijou-a com suavidade.

Os Cullen parabenizaram o casal, e naquele instante, o clima entre eles se tornava quase palpável, como se todos soubessem que algo importante havia sido selado.


A noite já havia se acalmado, e o burburinho da sala ficara para trás. Jacob e Renesmee finalmente estavam a sós, caminhando lentamente pelo jardim iluminado por pequenas luzes ao longo do caminho de pedra.

— Sabe… — Nessie disse, com um sorriso tímido — estou me sentindo uma adolescente de quinze anos, com o namorado pedindo permissão pro pai.

Jacob soltou uma risada baixa, aquele tipo de riso que aquece.

— Eu não me importo de seguir as regras políticas do prefeito… se isso significa estar com você — respondeu, piscando de forma cúmplice.

Eles continuaram andando até pararem próximos ao veículo de Jacob. A brisa leve da noite tocava os cabelos dela, e o silêncio entre os dois era carregado de um tipo de paz que só vinha quando se estava exatamente onde queria estar.

— Promete que vai se cuidar? — ela pediu, com um olhar que misturava ternura e preocupação. — E… nada de fazer coisas imprudentes.

Jacob sorriu de canto, aquele sorriso que era meio provocação e meio promessa, e então a puxou suavemente pela cintura.

O beijo aconteceu devagar no início, como se quisessem prolongar cada segundo. Mas logo o calor aumentou — a respiração se misturou, as mãos dele firmes em sua cintura, enquanto a dela subia até o peito dele, sentindo o ritmo do seu coração. Era o tipo de beijo que guardava promessas silenciosas, que dizia sem palavras o quanto eles estavam conectados.

Quando os lábios se separaram, eles permaneceram próximos, as testas encostadas, trocando palavras quase sussurradas.

— Boa noite, minha Nessie…

— Boa noite, meu lobo…

Jacob, por fim, se afastou, abriu a porta do carro e entrou. Antes de dar partida, olhou mais uma vez para ela, como se quisesse gravar aquela imagem para levar consigo. Nessie ficou parada no mesmo lugar, abraçando o próprio corpo, observando-o.

Assim que saiu pelos portões da mansão Cullen, a voz de Harry soou pelo rádio:

Senhor, assalto em andamento na Pike Place Market, Seattle.

Jacob apertou o volante.

— Estou a caminho — respondeu, a voz firme, já com o olhar de quem estava prestes a se transformar no Nightwolf outra vez.