NIGHTWOLF- Blood & Roses
22 15 minutos
O vento frio da tarde soprava pelas ruas quando Renesmee estacionou diante do prédio da Verdade Urbana. Ou melhor… do que restava dele. As paredes negras de fuligem, vidros quebrados e um cheiro forte de fumaça ainda pairando no ar mesmo depois de uma semana.
Ela avistou Quil, Claire, Embry, Paul e Jared reunidos na calçada, com expressões abatidas. Todos pareciam carregar um peso enorme nos ombros.
— Eu vim assim que recebi a ligação, e então? — Nessie perguntou, já temendo a resposta.
Quil suspirou, passando a mão pelo rosto marcado de cansaço.
— Recebi o laudo, o incêndio foi criminosao e o seguro… não vai cobrir.
— Quer dizer que…? — ela começou.
— Quer dizer que acabou. Não vamos voltar — completou ele, com amargura na voz.
Renesmee ficou alguns segundos em silêncio, sentindo o impacto da notícia. A Verdade Urbana era mais que um jornal independente… era o trabalho de amigos, um espaço de resistência, um ponto de encontro para ideias e denúncias. E agora… restava só cinzas.
Ela respirou fundo, tentando manter a voz firme.
— Olha pra mim, Quil… nós não somos só um prédio. O que nós fazem, a verdade que nós contam… ninguém pode incendiar isso.
Quil desviou o olhar, claramente tentando conter a emoção.
— É mais difícil continuar sem nada, Nessie.
— Eu sei… mas nós vamos encontrar um jeito.
Claire se aproximou, os olhos úmidos.
— Obrigada por vir, Renesmee.
Ela apenas assentiu e apertou a mão dela, transmitindo apoio sem precisar de muitas palavras.
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Jacob estava em Tacoma, em uma das fábricas que abasteciam parte de suas empresas.
O cheiro característico de óleo e metal preenchia o ar enquanto ele caminhava ao lado de Richard Hale, o responsável pelo local.
— Como você pode ver, estamos operando bem, mas… — Richard parou ao lado de uma enorme linha de montagem, observando os operários —, temos máquinas precisando de manutenção urgente. E, com a fiscalização marcada para daqui a duas semanas, não podemos arriscar.
Jacob fez um aceno firme com a cabeça.
— Isso será resolvido. Quero um relatório detalhado até amanhã de manhã.
— Sim, senhor — respondeu Richard, já pegando o celular para anotar.
Jacob seguiu pelo corredor metálico, o som de martelos e esteiras ecoando, até chegar ao escritório da administração. Ao entrar, encontrou Marcus Bennett, um de seus sócios, recostado na poltrona de couro com um café nas mãos.
— Marcus — Jacob começou, fechando a porta atrás de si —, por que diabos eu tive que vir até aqui para descobrir os problemas da fábrica? Por que isso não chegou na minha mesa?
Marcus, um homem de olhar calculista e barba perfeitamente aparada, ergueu as sobrancelhas com um ar quase desdenhoso.
— Porque, Jacob… eu estava esperando ver se o responsável resolveria sem precisar chamar você.
O tom tranquilo de Marcus só aumentou a irritação de Jacob.
Jacob manteve o olhar fixo em Marcus por alguns segundos, avaliando cada expressão dele.
— Espero que essa “espera” não tenha nada a ver com descaso… ou com segundas intenções — disse Jacob, com a voz baixa, mas carregada de firmeza. — Porque, se tiver, você sabe que vou descobrir.
Marcus soltou um sorriso breve, quase irônico.
— Jacob, você sempre foi desconfiado. Mas… — ele se levantou, ajeitando o paletó —, se acha que estou escondendo algo, sugiro que olhe por si mesmo.
Jacob não respondeu, apenas sustentou o olhar por mais um instante antes de sair.
O ar frio de Tacoma o envolveu quando ele atravessou o pátio da fábrica, o som distante das máquinas se misturando ao eco dos próprios passos. O motorista já o aguardava, encostado no sedã preto.
Jacob entrou no carro, fechou a porta e imediatamente pegou o telefone corporativo.
— Conecte-me à sede em Seattle — ordenou ao assistente virtual. Quando a ligação foi atendida, sua voz assumiu um tom rápido e direto: — Quero um relatório completo de Tacoma. Produção, manutenção, gastos extras… tudo. E quero para hoje.
Desligou, respirando fundo, e então pegou o celular pessoal. A notificação de mensagem fez seu semblante endurecido suavizar.
"Espero que o senhor Black tenha tempo para sua namorada hoje."
Ele deixou escapar um sorriso de canto. Seus dedos responderam rapidamente:
"O senhor Black tem todo o tempo do mundo para você."
Enquanto a mensagem era enviada, o motorista ligou o carro, e Jacob recostou no banco, já planejando como equilibrar negócios, investigações e… Renesmee.
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Renesmee fechou o notebook com um suspiro pesado. As ideias para ajudar o Verdade Urbana giravam na sua mente, mas nenhuma parecia viável sem recursos — e, no fundo, ela sabia que esse não seria um problema que se resolveria apenas com boa vontade.
Pegou o celular sobre a mesa e viu a mensagem recém-chegada:
"Vou me atrasar uns 15 minutos para o jantar."
Ela sorriu de leve, mas o sorriso se transformou em um suspiro. Não precisava de muito para imaginar o motivo: ou era algo relacionado aos negócios… ou ao Lobo da Noite. E, no caso de Jacob, às vezes as duas coisas se misturavam perigosamente.
Levantou-se, deixando o laptop sobre a escrivaninha, e caminhou até o closet. Ao abrir as portas, foi recebida por fileiras de vestidos, casacos e sapatos perfeitamente alinhados. Passou os dedos pelas peças, procurando algo que fosse elegante o suficiente para o jantar, mas que não deixasse transparecer o turbilhão de preocupações que carregava.
Segurou um vestido de tecido leve, em tom vinho, que caía delicadamente até a altura do joelho. Olhou para ele por alguns segundos, avaliando. Talvez fosse uma boa escolha… algo que dissesse “estou bem” mesmo quando não estava.
Renesmee colocou o vestido sobre a cama, já imaginando os acessórios que combinariam, e foi até a penteadeira. Enquanto tirava o elástico que prendia o cabelo, o pensamento voltou para Jacob… e para o que poderia estar ocupando os minutos que a separavam dele.
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A noite caía sobre Seattle como um manto espesso, e o ronco grave da moto do Lobo da Noite rasgava o silêncio das ruas molhadas pela garoa. Jacob inclinava-se sobre o guidão, o farol recortando a escuridão, enquanto à frente a van preta dos mascarados desviava perigosamente de carros e ultrapassava sem pensar na vida de ninguém.
— Senhor… — a voz de Harry soou no comunicador, calma, mas com aquele tom de quem sabia que a adrenalina estava prestes a subir. — Eles acabaram de sair da Fremont Avenue, vão pegar a ponte para o sul. Se acelerar na próxima curva, consegue cortar caminho.
— Já estou acelerando, Harry — Jacob respondeu, um meio sorriso nos lábios, mesmo com o capacete cobrindo o rosto. — E para de me chamar de “senhor”. Isso me faz sentir com vinte anos a mais.
— É respeito, senhor. — Harry respondeu sem perder o humor. — E também é porque não quero que você esqueça que já não tem mais dezoito anos pra ficar pulando em cima de vans em movimento.
Jacob riu pelo comunicador, mas os olhos permaneciam fixos no alvo. O motor rugiu mais alto quando ele fez a moto se alinhar à van.
— Relaxa, Harry. Eu ainda danço melhor que esses amadores dirigem.
Seguindo as instruções, ele cortou por uma rua lateral, cruzou um beco e reapareceu na frente da van, forçando-os a frear bruscamente. O Lobo saltou da moto em movimento, girou no ar e caiu de pé no asfalto molhado. Em segundos, os primeiros mascarados saíam armados, mas ele foi mais rápido — um golpe no braço do primeiro, uma rasteira no segundo.
O som de socos, passos e metal ecoava. Ele se movia como uma sombra viva, desviando e atacando, quando, de repente…
— Você prometeu se atrasar só quinze minutos — disse uma voz feminina, doce e carregada de ironia, diretamente no comunicador.
Jacob congelou por uma fração de segundo, reconhecendo instantaneamente o tom.
— Renesmee?! — disse, derrubando outro mascarado com um gancho de direita. — O que você tá fazendo no canal de comunicação?!
Do outro lado, dava para sentir o sorriso dela, mesmo sem vê-la.
— Não sabia que o “senhor Black” tinha uma definição tão… flexível de tempo.
— Harry… — Jacob golpeou mais um e prendeu o braço de outro bandido.
— Eu… talvez tenha deixado a senhorita Cullen assumir o controle senhor— respondeu Harry, com uma risada abafada. — Achei que ia ser engraçado.
A chuva fina começava a engrossar, tornando o asfalto escorregadio. Jacob girou o corpo para desviar de uma barra de ferro que quase acertou seu ombro, revidando com um chute seco no abdômen do agressor.
— Você tem treze minutos — a voz de Renesmee soou clara no comunicador, com aquela calma provocadora que só ela sabia ter.
Jacob deu um meio sorriso, mesmo no meio da confusão. Um dos bandidos tentou acertá-lo por trás, mas ele se abaixou e o fez voar por cima.
— Amor… estou meio ocupado aqui — disse, antes de bloquear um soco com o antebraço e girar o adversário contra a parede da van.
— Tem dois homens atrás de você — Renesmee avisou, no mesmo tom casual de quem comenta sobre o tempo.
Jacob olhou de canto de olho, deu um passo rápido para o lado e bloqueou os dois quase ao mesmo tempo — um com o cotovelo no queixo, o outro com um empurrão que o jogou no chão.
— Obrigado, amor. — Ele ajeitou a postura, mantendo o sorriso.
— Doze minutos — ela retrucou, a contagem regressiva soando como um desafio pessoal.
O Lobo da Noite girou, derrubou o último mascarado com um golpe certeiro e, em menos de três movimentos, todos estavam imobilizados.
Ele apertou o comunicador. — Missão cumprida.
— Dez minutos — respondeu ela, divertida.
Jacob subiu na moto, o motor rugindo alto na noite. — Estou a caminho. — E, mesmo sozinho na estrada molhada, ele sorria de um jeito que só Renesmee conseguia arrancar dele.
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