Paul entrou como um raio na sala do segundo andar, a respiração ofegante e os olhos arregalados.

— O prédio tá em chamas! — ele gritou, a voz carregada de urgência.

Renesmee e Claire congelaram por um segundo, mas logo o pânico tomou conta. L largaram tudo o que tinham nas mãos e correram atrás dele.

O cheiro de fumaça era sufocante, o ar quente queimava a garganta. Quando estavam quase alcançando a escada, um estalo alto ecoou acima deles e, de repente, uma barra de ferro caiu com um estrondo, bloqueando o caminho.

— Ai, meu Deus! — Nessie gritou, o coração disparado.

Paul olhou rapidamente ao redor e apontou para a direita. — Saída de emergência! Por aqui!

A fumaça ficava mais densa a cada segundo. Ele puxou Claire pela mão, correndo na frente, enquanto Nessie vinha logo atrás, tossindo. Paul chutou a porta com força, a ferragem se abriu e uma lufada de ar frio entrou.

Claire passou pela saída num salto, mas, antes que Renesmee conseguisse atravessar, um pedaço do teto desabou, caindo entre ela e Paul.

— Nessie! — Paul gritou, tentando se aproximar.

Outro estalo e mais madeira em chamas caiu, obrigando Renesmee a recuar, o rosto iluminado pelas chamas.

O fogo já rugia alto, engolindo tudo ao redor. Com o coração acelerado, ela olhou desesperada para os lados, tentando encontrar outro caminho antes que a fumaça a sufocasse.


Jacob, já totalmente vestido como o Lobo da Noite, ajustou a última presilha da armadura quando Henry entrou na sala de controle com o semblante grave.

— Incêndio no prédio do Verdade Urbana — disse rápido, quase sem respirar.

O coração de Jacob disparou como se alguém tivesse apertado um gatilho dentro dele. Ele puxou o celular do bolso e discou para Renesmee. Uma, duas, três chamadas… nada.

— Ela não atende… — murmurou, a voz mais baixa, mas carregada de tensão. — Henry, liga para a mansão Cullen. Pergunta por ela. Diz que é urgente… e em meu nome.

Enquanto Harry corria para o telefone, Jacob puxava a máscara do Lobo sobre o rosto e subia na moto. O motor rugiu alto, e ele saiu em disparada pelas ruas.

O comunicador no capacete estalou.

— Não está em casa, senhor — a voz de Henry veio firme, mas preocupada.

Jacob fechou o punho no acelerador.

— Então ela está lá…

O vento frio cortava seu corpo, mas o calor que queimava dentro dele era mais forte. Minutos depois, ele derrapou ao parar diante da rua bloqueada por bombeiros e curiosos. O prédio estava engolido por fumaça e labaredas.

Ele correu até um beco lateral, puxou de sua mochila um dos ganchos de escalada e, com um disparo, se lançou para o telhado de um prédio vizinho. Dali, tinha visão direta do caos.

Foi então que viu — uma janela no segundo andar, Renesmee gritando por ajuda, batendo no vidro.

Sem pensar, ele engatou outro disparo de cabo, atravessou o vão e arrombou a janela com o corpo. Os estilhaços voaram, e o calor o atingiu como um murro. O rugido do fogo era ensurdecedor.

Ele correu pelo corredor em chamas, a visão limitada pela fumaça espessa. No andar acima, um grito familiar cortou o barulho:

— Socorro!

Ele subiu dois degraus por vez, desviando de vigas caídas e faíscas. Então, entre as chamas, ela apareceu — ofegante, os cabelos desgrenhados, os olhos arregalados de pavor.

— Você… — ela mal conseguiu falar antes de se jogar nos braços dele.

Ele a abraçou firme, erguendo-a do chão.

— Precisamos sair daqui, agora! — disse com urgência.

O Lobo da Noite a segurou no colo e começou a abrir caminho contra o inferno de fogo que os cercava.


O calor era sufocante, as chamas rugiam como se quisessem engoli-los. O Lobo da Noite manteve Renesmee firmemente contra o peito, o corpo dele servindo de escudo contra a fumaça e o fogo.

— Segure-se em mim… e não solte por nada — ordenou com a voz rouca, abafada pela máscara.

Nessie engoliu em seco e assentiu, os braços se enroscando ao redor do pescoço dele. Ela podia sentir o coração do Lobo batendo acelerado, forte e determinado.

Um estalo alto ecoou acima deles e, antes que ela pudesse reagir, um pedaço de madeira em chamas despencou. Ele girou o corpo e ergueu o braço, recebendo o impacto diretamente para protegê-la. O cheiro de tecido queimando e o som abafado de dor fizeram Nessie arregalar os olhos.

— Você se machucou… — murmurou, a voz embargada pelo medo.

Ele nada respondeu. Apenas manteve o olhar fixo na janela à frente. Com um movimento brusco, quebrou o vidro com o cotovelo, e o ar frio da noite invadiu o ambiente sufocante.

Com a outra mão, disparou o cabo de resgate que se prendeu na fachada externa.

— Agora! — disse, saltando.

Eles voaram para fora do inferno de chamas, o mundo virando borrão de luz e fumaça até tocarem o chão com força ao lado do prédio. O Lobo ainda a carregava, mas seu corpo já oscilava.

— Você está bem? — ela perguntou, tentando se soltar para ver o ferimento dele.

Ele não respondeu. O passo dele se tornou lento, pesado… cambaleante.

— Ei! — Nessie gritou, sentindo o pânico tomar conta — Precisamos de ajuda aqui!

Dois socorristas correram na direção deles, mas antes que pudessem alcançá-lo, o Lobo da Noite caiu de joelhos, ainda segurando Renesmee, e então desabou no chão, inconsciente.

A máscara escura refletia as luzes piscantes das viaturas, enquanto o som das sirenes ecoava ao redor.



As luzes vermelhas e azuis das viaturas pintavam o cenário caótico. O ar cheirava a fumaça e metal queimado.

Um dos paramédicos correu até Renesmee, colocando a máscara de oxigênio sobre o rosto dela.

— Respire fundo, senhorita… — disse, enquanto verificava seus sinais.

O outro paramédico ajoelhou-se ao lado do Lobo da Noite, já iniciando compressões firmes em seu peito.

— Temos que tirar essa máscara — avisou, levando as mãos ao rosto encoberto do justiceiro.

— Não! — Nessie interveio, agarrando o braço dele. — Ele não pode ser exposto!

O paramédico hesitou, olhando para ela, mas antes que pudesse responder, uma voz autoritária ecoou:

— Lobo da Noite! Está preso! — Sam Uley avançava, algemas em mãos.

Mas, num instante, a população se adensou ao redor, formando um círculo humano em volta do justiceiro caído.

— Ele é um herói, não um bandido! — gritou um homem na multidão.

— Se quiser prender o Lobo, vai ter que prender todos nós! — completou outra voz.

A tensão se espalhou como eletricidade. Sam franziu o cenho, analisando as dezenas de rostos decididos, e recuou lentamente. Os outros policiais, percebendo o clima, seguiram o exemplo.

No centro daquele escudo humano, o Lobo começou a recobrar a consciência. A voz de Harry soava em seu comunicador, aflita:

— Senhor! Está me ouvindo?

Ele ergueu lentamente as mãos ao rosto, como para confirmar que a máscara ainda estava lá.

— Está tudo bem… — Nessie murmurou, ajoelhada ao lado dele. — Você me salvou.

Ele abriu os olhos e a encarou.

— Você está bem? — perguntou, com a voz rouca.

— Sim… mas você está ferido — respondeu ela, tentando tocar o braço dele.

O Lobo desviou o olhar para os paramédicos, assentindo como forma de agradecimento. Então, sem mais uma palavra, ergueu o lançador de cabos e, num movimento rápido, desapareceu pelas alturas, sumindo entre as sombras e os prédios de Seattle.

Nessie permaneceu ali, ofegante, com o eco das sirenes e o peso de um silêncio que dizia mais do que qualquer explicações.



O rugido da moto ecoou pelo túnel subterrâneo até sumir na penumbra da Toca do Lobo. O som desacelerou, irregular, como se cada metro percorrido fosse um esforço.

Harry já estava à porta quando o viu chegar — o justiceiro, mancando, a roupa chamuscada, o ombro esquerdo manchado de sangue.

— Senhor! — Harry correu, amparando-o antes que ele caísse. — Você está ferido, precisamos tratar disso agora!

Jacob tentou afastá-lo com um gesto cansado.

— Estou… bem… — a voz dele saiu arrastada, quase um sussurro.

— Bem? O senhor quase morreu lá! — retrucou Harry, já puxando-o para dentro, ignorando a resistência.

Jacob deu dois passos, cambaleou, e o mundo ao redor pareceu girar. As sombras da toca se fecharam sobre ele e, antes que pudesse dizer qualquer coisa, seus joelhos cederam.

— Jacob! — Harry o segurou antes que batesse a cabeça no chão.

O corpo do Lobo da Noite ficou pesado e imóvel nos braços do assistente, a respiração lenta e irregular. Harry o deitou sobre a maca improvisada e correu para pegar o kit médico, o coração acelerado.

— Aguente firme, chefe… você não vai me deixar falando sozinho agora.

A luz fraca do subsolo tremulou, projetando a silhueta imóvel do herói, enquanto o som distante da cidade parecia alheio ao que estava prestes a acontecer.