Não solte a minha mão!
11 Qual o problema?
Notas iniciais
eu correspondi. e ele me puxou para mais perto dele. senti que a mão dele soltou o meu braço, para segurar a minha cintura. quando percebi, minhas mãos já estavam em torno de seu pescoço. e ele me beijava ainda mais.
eu estava arrepiada, e meu coração pulsava forte.
estávamos ali no meio do jardim. a qualquer momento alguém poderia nos ver. mas eu realmente não me importei com aquilo. eu estava sem fôlego, percebi que ele também estava ofegante, mas não tive coragem de parar o beijo.
suas mãos passeavam pelo meu cabelo. ele tinha um beijo maravilhoso.
então, ele prendeu meu lábio inferior entre seus dentes e se afastou devagar até se desprenderem.
abri meus olhos e dei de cara com a imensidão dos seus olhos olhando pra mim. ele sorriu. mas eu me afastei dele rapidamente:
–me...me solte!
–você correspondeu! qual o problema?
eu estava vermelha. nervosa demais.
–você... você é o problema!
ele arregalou os olhos tentando entender.
– a gente não devia ter se beijado!
– mas por que? você não gostou?
–eu tenho que ficar longe de você. você é problema pra mim!
eu me virei para ir embora. só que mais uma vez senti meu braço ser puxado.
–porque sou problema pra você?
–por que ... você pega todas, e eu só vou ser mais uma! além do mais, você não gosta de mim e nunca vai gostar!... vai por mim.
ele estava confuso. eu também.
–foi só um beijo! -ele sorriu.
–esse é mais um problema. pra você, é tudo só mais um beijo, só mais uma garota, só mais uma transa... pra mim, não Arthur.
–você ta querendo dizer que não quer ser nem minha amiga?
–se pra ser sua amiga eu preciso te beijar, transar com você sem compromisso nenhum... eu não quero mesmo!
–é você quem ta dizendo tudo isso!
–você pode nao acreditar Arthur. mas eu te conheço o suficiente pra saber do que você gosta!
–ãn?
–você acha que comigo vai ser a mesma coisa? que eu vou estar sempre as seus pés te elogiando e esperando você me dar uma chance ou me levar pra cama como essas retardadas da faculdade fazem??!
ele estava assustado. uma garota o ignorando? só podia ser brincadeira!
–você nao quer nada comigo é isso?
–mas e você? você quer algo comigo?
o silencio perturbou. claro que eu já sabia disso, ele estava sem reação.
–Arthur. eu não sou uma qualquer. que fique bem claro pra você.
–mas... a gente só... se beijou!
–e você me trouxe aqui com outras intenções???!
olhei profundamente em seus olhos. ele abaixou o rosto e ficou quieto.
–ótimo... vou embora.
eu me virei e comecei a andar. então o ouvi novamente:
–promete que não vai mudar nada entre a gente?
difícil de dizer. mas eu me virei pra ele e sorri.
– não vai mudar nada.
ele sorriu.
eu estava com um pouco de raiva dele. e inúmeras coisas me vieram a cabeça.
só acho que eu agi do jeito que deveria ter agido. deve ter sido bom pra ele ouvir uma verdade. eu estava disposta a falar com ele normalmente, mas por mais que eu quisesse nao seria a mesma coisa de antes.
voltando pra casa, logo que desci do taxi, vi laura. a chamei e ela veio correndo.
–debra! onde você estava?!
–você não vai acreditar, eu tava na casa do Arthur.
ela riu maliciosamente. então eu contei toda a historia, só deixei a parte do beijo de fora, não era necessário!
ela me contou do filme que era realmente muito bom como joão havia dito. falou também que depois ele a levou pra jantar, depois caminharam pela praça e ficaram juntos a tarde toda.
–eu acho que ele gosta de mim!
ela estava eufórica. eu nao quis decepciona-la. mas ele é amigo de Arthur, então deve ser igual a ele. não parece. mas vai saber...
ela me contou tudo. estava tão feliz que eu percebi que ela estava era apaixonada. eu fiquei feliz por ela estar feliz. mas bem no fundo, eu estava chateada.
chateada com tudo o que aconteceu com Arthur. eu sei que parece tolice, mas eu tinha uma esperança de que comigo podia ser diferente. e ele pudesse gostar de mim como eu estava gostando dele.
sim, eu tô gostando do Arthur. apesar de tudo, ele é legal e eu queria que ele mudasse. desse valor ao que tem.
laura foi pra casa após me contar de sua tarde maravilhosa, segundo ela.
eu fiquei em casa assistindo TV, meu pai estava na casa do vizinho, e estava tudo muito tedioso. aquela seria a ultima semana do semestre na faculdade, então entraríamos em férias. eu teria a noite livre para descansar.
fui dormir pensando em Arthur. e nas loucuras que ele me fez passar no cinema. depois o meu sequestro, ele tocando violão, enxugando minhas lagrimas... era tudo pra me levar pra cama?!
que hipócrita!
dormi e sonhei com ele. pra piorar minha situação. ate em sonhos, fala serio!
no dia seguinte, eu descansei. afinal era domingo. ate que o telefone tocou.
– alô ?
– ér... ooi.
– quem fala?
– Arthur.
arregalei meus olhos.
– Arthur?
– é.
– o que você quer? como teu meu numero?
– a laura deu teu numero pro joao, e ele pra mim.
– arr ela me paga!
– nossa, você ainda ta zangada comigo? achei que nada mudaria.
– não é isso... é que... esquece!
– eu te liguei pra saber se você quer sair, fazer alguma coisa?
eu ri.
–ta de zuação né?
–não. -ele parecia falar serio.- vamos se arrume que eu já passo aí te buscar!
–nem em sonho! não vou sair com você! eu quero descansar hoje, me desculpe.
– nada disso. não existe NÃO pra mim. passo aí as 14: 30. até.
então ele desligou o telefone sem que eu pudesse reagir.
e agora? qual é a dele?
eu não fui me arrumar. afinal eu tinha dito não. e ele não poderia me obrigar.
as 14:34. ouvi buzinas tocando la fora. olhei pela janela, e era o carro dele que estava la. ele abaixou o vidro do carro e disse:
– você já esta pronta?
–eu já disse que não vou. vá embora!
–eu não vou sair daqui.
– o problema é seu!
fechei a cortina e voltei a ver televisão. era quase impossível, ele continuava buzinando. até meu pai pediu o que estava acontecendo.
–é um cara da faculdade pai.
– o que ele quer com você?
–quer sair comigo.
–porque você nao vai?
eu arregalei os olhos.
–quero descansar!
–tudo bem, mas mande ele parar de buzinar. eu quero dormir.
meu pai voltou para o quarto, e eu para a janela. Arthur estava la apertando firme na buzina e sorri pra mim com cara de palhaço.
– para com isso! -gritei.
–só se você sair comigo!
–eu já disse que...
então ele buzinou novamente.
–PÁRA!! eu vou chamar a policia!
–nao precisa tudo isso debra. é só você vir!
eu revirei os olhos:
–se você não parar de buzinar, eu nunca mais falo com você. eu juro!
–ok. mas eu não vou sair daqui!
então ele desceu do carro. veio até a minha casa e se sentou escorado na porta. ele estava sentado na área, no chão. escorado na porta!!!!
eu observava pela janela.
meu deus, ele estava com cara de quem não sairia dali.
o que eu fiz pra merecer isso??!!
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