Não solte a minha mão!
13 Eu podia matá-lo!
Notas iniciais
eu ainda estava confusa sobre aquilo.
mas eu me afastei. sentei-me em um banco à alguns metros dali. os dois ficaram conversando um breve tempo. depois, percebi que eles estavam discutindo um com o outro. eu queria chegar mais perto para ouvir a conversa. mas quando decidi fazer isso, Arthur já vinha ao meu encontro.
–vamos embora daqui. -ele ordenou ao chegar perto de mim.
–quem era ele?
Arthur não respondeu. pegou nossos skates e colocou em seu carro.
– você o conhece?
Arthur me ignorou totalmente.
–vocês estava discutindo não é?... por que?
–vamos embora eu já disse!
–me responde!
–tem coisas que é melhor você não saber!
entrei no carro irritada. Arthur mudou de assunto, mas eu o ignorei também.
– amor. quem te falou sobre essa historia de eu estar envolvido com drogas?
– tem coisas que é melhor você não saber! -respondi irritada.
– é sobre mim. eu preciso saber.
– e você... esta mesmo envolvido com drogas Arthur?!
ele tentou fugir da resposta, ligando o radio e colocando o som alto. mas eu logo desliguei aquela barulheira.
–me responde!
–você precisa confiar em mim.
eu estava confusa, e nada respondi.
– eu estava... e-eu estava envolvido com drogas sim. -ele gaguejou.
– mas eu parei. eu juro.
– Arthur... por que?
– porque o que?
– por que se envolveu com drogas, traficantes... por que?
– foi num momento de fraqueza. varias coisas estavam acontecendo comigo. eu já não sabia quem eu era. comecei a andar com pessoas que usavam e acabei usando também.
ele parecia arrependido.
– no começo foi bom. eu esquecia dos meus problemas e só queria viver minha vida. mas depois eu vi que era errado.
– e aquele homem da praça, tem alguma coisa a ver com isso?
– tem. -ele suspirou. — eu fiz muitos amigos, mas muitos inimigos também. aluscinaçoes, brigas... dividas.
– você tem dividas com eles?
– pior que tenho. e eles estão me enchendo por causa disso.
– por que você não paga?
–minha mesada não é o suficiente. mesmo que eu pagasse todo mês uma quantia... e eu não posso ficar juntando dinheiro.
– a gente sempre dá um jeito. parece que você não quer pagar.
– na verdade. foi uma aposta que eu fiz. e ... não pode ser paga com dinheiro.
eu estava assustada agora. e ele percebeu.
– eu não devia ter te contado. desculpa.
– e é paga com o que então?... a aposta Arthur. se paga como?
– eu perdi a aposta. e agora eu tenho que me mandar da cidade. eu sei. parece bobeira, e a aposta foi uma bobeira mesmo... eu tenho que ir embora daqui. eu já tentei, mas meus pais não querem se mudar. e não querem que eu me mude sozinho, então... eu vou fugir...-houve uma pausa- eu acho...
eu arregalei meus olhos. a historia não estava totalmente esclarecida. mas parecia ser perigosa. depois que eu vi aquele homem na praça, não duvido de mais nada.
– fugir??! ta maluco?
– eu não tenho outra escolha. eles já me ameaçaram até de morte!
–e a policia? já pensou nisso?!
– não quero meter a policia no meio disso.
– e prefere ser morto então??! Arthur, se toca cara!
– eu quero deixar as coisas se acalmarem. eles podem acabar esquecendo dessa confusão e me deixando em paz.
– e você vai ficar de braços cruzados esperando que alguma coisa aconteça?
– eu não tenho medo.
–você é maluco!
– eles podem ter uma gangue... mas eu posso ter a minha também não é?
– gangue? desde quando você tem uma gangue??!
– eu tenho muitos amigos, tão malucos quanto eu. não duvide disso.
– meu deus. brigas entre gangues são horríveis. não vou deixar você fazer isso.
ele riu. e me provocou:
– e como você pretende me impedir?
– eu me dou super bem com policiais. -sorri.
–pufh! -ele bufou irônico.
quando percebi já estávamos na casa dele. não tinha ninguém la apenas os empregados, que agora eram poucos.
– eu preciso que essa historia fique só entre nós!
– se você me prometer que vai resolver isso, e não vai fugir... eu não conto pra ninguém. -sorri.
–tudo vai ficar bem.
ao dizer isso, ele me abraçou e me beijou suavemente.
eu estava assustada com toda essa historia. Arthur era um mal exemplo pra mim, e eu sabia que era um perigo só de estar ao lado dele. ele é muito problemático. eu podia acabar sendo prejudicada. e o pior de tudo é que eu sabia disso. mas de alguma forma, não queria me afastar dele.
por um lado. eu fiquei feliz por ele ter me contado, mas por outro lado... eu estava triste com tudo aquilo. ele pediu pra que eu confiasse nele. e era tudo o que eu queria, confiar.
– eu to assustada com tudo isso que você me disse.
– não queria te preocupar com meus problemas. mas foi você quem insistiu pra que eu contasse.
– eu sei.
estávamos sentados no jardim. nossas mãos estavam entrelaçadas, e se encaixavam muito bem.
– Arthur.
– o que?
– o que você quer comigo?
–como assim?
– ontem, hoje... a gente se beija mas eu não sei como isso vai ser depois.
–deixa o depois pra depois...
– não, é serio. poxa, você pega todas. e eu sou apenas mais uma, não é?
ele engoliu de seco.
– eu não sei o que esta acontecendo. eu não resisto a você, Arthur. mas não quero ser como todas que sempre estão aos seus pés. só me avise se eu devo parar de pensar que estamos namorando.
–você acha que estamos namorando?
– e estamos fazendo o que?
–ficando...
– ficando?. eu sabia...
–eu não posso dizer que estou apaixonado por você, ou que quero passar o resto da minha vida ao seu lado.
–então o que você quer comigo?? consegue olhar nos meus olhos e ser sincero?
eu o encarei, já chorando.
– seja sincero. o que você quer comigo?
– a gente vai ficando e depois resolve o que faz.- ele falou inseguro.
– meu deus. como eu posso gostar de você? COMO?
eu já estava gritando e chorando ainda mais.
–quer saber. o que mais me dói?... é ouvir você me chamar de amor mesmo sem saber o que isso significa.
eu levantei enxugando minhas lagrimas e sai correndo dali.
ele veio atrás de mim.
– não corre de mim!
– quero ficar a quilômetros de distancia de você! -gritei.
então algo me veio a cabeça novamente. eu parei me virei e gritei na sua cara:
– você não tem coração. subornou uma garota que dizia ter uma filha com você! mandou ela sumir com a criança mesmo sem saber se era sua filha ou não!... e se fosse sua filha?! isso não importa pra você?
–como você?..... arrh joão!
– você é um monstro Arthur! UM MONSTRO! como eu posso gostar de você??! a vontade que eu tenho é de nunca mais te ver... por que você não some? quer saber, fuja mesmo! va pra bem longe daqui. pra bem longe, bem longe de MIM!
–não! para com isso! ei...
ele tentava se explicar. mas nem ele sabia o que dizer.
– podia ser sua filha...
–aquela garota transava com todos!
– mas mesmo assim. podia ser sua filha...
–porra, para com isso debra. eu sabia que não era minha filha!
– cala a boca! eu quero que você morra!
–nossa. tudo bem então.
eu me afastei. arrrrrr que raiva! eu podia mata-lo!!
enquanto me afastava, percebi que ele me olhava com um olhar triste, ele estava imóvel me vendo partir.
não me perguntei como nem porque. mas eu voltei.
voltei e o beijei com força.
toda aquela raiva se transformou em amor.
ele podia ter feito tudo errado. mas ainda continuava sendo o cara que eu amo. de alguma forma, eu percebo que ele gosta de mim...
ele se surpreendeu com o meu beijo inesperado . o correspondeu, me pegou em seu colo e me beijava com vontade.
cruzei minhas pernas na sua cintura, e ele me levou dali. não sabia pra onde. mas não quis abrir meus olhos para descobrir.
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