Não solte a minha mão!
14 Sufoco.
Notas iniciais
percebi que estávamos percorrendo a casa. arthur me carregava no colo como se eu fosse uma criança, subiu as escadas em forma de espiral depressa e se aproximou de seu quarto. eu continuava o beijando. ele entrou em seu quarto e empurrou a porta com as costas para que ela fechasse novamente.
talvez aquilo fosse tudo o que arthur quisesse comigo. mas eu estava completamente sem noção, e não queria pará-lo.
ele me jogou em sua cama, e logo se deitou em cima de mim. agora ele me beijava muito, e acariciava meu corpo com as mãos. eu pude sentir a sua respiração ofegante em meu pescoço. e eu o puxava cada vez mais perto de mim. ele tirou a sua camisa rapidamente, e já começava a me despir também.
foi aí então que ouvimos chamados.
– arthur! arthur!
paramos para ouvir. e a voz ja parecia estar bem perto.
– é a voz da minha mãe!
arthur falou aquilo ja colocando a sua camiseta novamente.
– e agora? -perguntei.
– se esconda embaixo da cama!
eu di uma olhada rápida para embaixo da cama. e fiz cara de nojo. havia muita coisa lá embaixo. mas não pude fazer outra escolha. quando tinha acabado de me esconder a porta se abriu.
– onde voce estava todo esse tempo? -ouvi arthur perguntar.
– eu precisava de paz. estava na casa da praia. e seu pai ficou no nosso apartamento perto do trabalho dele. ele anda muito ocupado, e achou melhor ficar por lá até que as coisas se acalmem.
–ele não tem tempo nem de vir pra casa ?
–não meu filho. -houve uma pausa.- mas não foi por isso que eu vim aqui... será que você pode me explicar por que seu carro esta batido em um murro?!
– puta que pariu! eu não acredito que esqueci de levá-lo para o concerto! merda!
– voce bateu seu carro no murro da nossa casa? você estava bebado?
– a-aconteceu.
– a gente fica dois dias fora de casa e você já faz uma dessas!
–foi sem querer. mas eu vou dar um jeito nele.
– você teve sorte que seu pai ainda não voltou pra casa. e não se deparou com aquilo lá fora.
estava tudo quieto agora. eu não sabia o que estava acontecendo. não podia ver nem se quer os pés deles. tinham roupas e pacotes de comida na minha frente.
– filho. eu e seu pai andamos muito ocupados. não temos mais tempo para nada. por isso vamos viajar na terça a noite.
–ta mãe agora vai embora daqui, vai!
– nossa! por que nao posso ficar no seu quarto?
– po-por que eu quero tomar um banho agora!
– deixa disso! você pode tomar seu banho depois, agora deixa eu continuar... eu e seu pai vamos para a turquia!!! não será o máximo?
– pode crer.
arthur estava nervoso, até eu pude sentir.
– a gente pensou em levar você também, mas a gente sabe que você prefere ficar em casa, e além do mais, você ainda tem a faculdade por essa semana. e eu vou ligar toda a noite pra saber se você está se comportando. como eu sempre faço!
– ta ta tudo explicado mãe! agora pode ir.
– vamos ficar por lá uma semana. seu pai conseguiu férias adiantadas!
– que ótimo!.... agora vai porra!
ouvi os passos da mãe dele irem em direção da porta de saída do quarto. mas eu não pude me conter. de verdade, havia muita poeira embaixo de toda essa bagunça que se escondia junto comigo. eu não pude resistir e expirei.
eu não sei o que estava acontecendo. mas ouvi que os passos da mãe dele pararam. depois de alguns segundos ouvi arthur se pronunciar:
– fui eu!
e ela riu. pareceu ter acreditado. ouvi ela ir embora, fechando a porta. então senti arthur me puxar pelos pés. ele me ajudou a levantar.
– desculpa. eu não pude evitar aquilo!
– tudo bem. -ele sorriu.- ela não estava olhando pra mim.
– eu preciso sair daqui. preciso ir pra minha casa.
– eu tenho que concordar, infelizmente.
nós sorrimos um para o outro.
–eu não acredito que você esqueceu o carro batido lá fora! você é maluco!
–pois é. eu esqueci mesmo.
ele se aproximou de mim, e me beijou.
depois do beijo, ele pegou a minha mão e foi me conduzindo pelas escadas. a gente ia com o maior cuidado. a mãe dele podia estar ali, em qualquer lugar, pronta para nos pegar... ele pediu pra que eu ficasse um instante sozinha. e foi para a porta dos fundos. logo ele veio e disse que estava tudo 'limpo'. quando saímos da casa pela porta dos fundos. ele chamou um taxi pelo celular.
ficamos lá no jardim esperando até que ele viesse.
– o taxista é meu amigo. ele já sabe a estrada escondida que tem aqui no jardim.
– estrada escondida?
–é. olha ali.
ele apontou para alguns arbustos. e lá mesmo, havia uma estrada bem pequena que dava justamente para a rua. parecia tudo planejado, por que daquele lado tambem havia um portão de saída. arthur foi até lá, e o abriu.
– esse taxista pelo jeito, já salvou a sua pele muitas vezes não é?
ele sorriu e afirmou com a cabeça.
não tenho nem palavras para expressar o que eu estava sentindo. eu estava com raiva de mim mesma.
assim que o taxi chegou. arthur o pagou e informou a ele onde me levar.
– a gente se fala amanhã.
– tchau. -eu respondi.
fechei a porta do carro. e saímos dali.
o taxista puxou assunto comigo. e ficamos conversando por um tempo.
– então arthur está de 'rolo' com você agora?
– não! -eu respondi depressa.- a gente é só amigos!
– amigos... sei. ele não costuma me chamar nesses casos.
– é que... -eu fiquei sem saber o que responder a ele.
– ele apronta demais esse garoto! semana passada, eu tive que vim socorre-lo de novo. a menina, coitada. saiu da casa apenas de roupão.
– nossa!
– eu conversei com ela. e ela disse que não teve tempo de vestir suas roupas!
ele deu varias gargalhadas. eu estava me sentindo a pior coisa do mundo. uma qualquer. uma dessas vadias de uma noite só! ai que raiva!!
eu até já imaginava o que o taxista devia estar pensando de mim. também, o que ele devia pensar? é claro que ele não acreditou na historia de eu e arthur sermos apenas amigos. se bem, que eu não sei o que somos.
cheguei em casa, e a primeira coisa que fiz foi tomar um copo de água. para tentar me acalmar um pouco. eu não sei como pude ser tão... estúpida!
arthur não quer nada comigo. e mesmo sabendo disso, eu não conseguia me afastar dele.
mas eu estava disposta a fazer isso. agora seremos apenas colegas de aula.
somente isso.
Fale com o autor