Não solte a minha mão!
26 Apenas o começo.
Notas iniciais
enquanto estávamos dentro do carro, indo em direção à um lugar que eu não sabia qual. percebi que eu estava vestida de uma forma meio indecente. como estava quente eu usava apenas um short jeans claro desfiado, e um top. que deixava minha barriga toda à mostra. eu usava um chinelo azul claro. arthur estava diferente. ele usava uma camiseta branca bem simples, uma bermuda vermelha até os joelhos,e um sapato super estranho.
– que sapato é esse? -eu tive de perguntar.
– não gostou? -ele ria.
– de maneira nenhuma!
– achei legalzinho.
rimos.
– e esse boné? -perguntei me referindo a um boné que não era de aba reta.
– é meu boné da sorte.
– feio desse jeito? -rimos.- estou brincando, mas ele parece velho.
– ele é velho. foi o meu primeiro boné.
– o primeiro de todos?
– eu tinha sete anos de idade.
– até que ele não é tão ruim assim. -falei colocando-o em minha cabeça.
– fica bem em você. -ele sorriu.- se quiser, fique com ele.
– não. eu não posso aceitar.
– você ficou ainda mais gata com ele. não tire!
rimos e eu decidi usar o tal boné.
agora, estávamos longe da cidade. logo, eu pude ver um sítio.
– um sítio?
– é do meu tio. eu cresci aqui.
– nossa, é lindo!
– é sim. tem muitos animais, acho que é por isso que eu passava todos os dias das minhas férias aqui. eu gosto da natureza.
eu sorri ao ouvi-lo. então, paramos o carro. assim que descemos, dois cachorrinhos vieram nos lamber.
– que fofos! -falei pegando um em meu colo.
– esse é o pitty. e aquele outro o fredd.
eu ri, enquanto pitty lambia meu rosto.
–arthur!! -um homem aparentemente de uns 54 anos se aproximou para abraça-lo.
eu fiquei observando os dois se abraçarem e conversarem. era o tio de arthur, dono do sítio.
– mas quem é essa moça bonita? -ele perguntou se referindo a mim.
– eu sou debra, prazer. -estendi minha mão.
– o prazer é meu, meu nome é carlos. sou tio de arthur. -ele estendeu a mão também para me cumprimentar.
eu sorri.
– parece que ele gostou de você.- seu carlos falou olhando para mim.
– para com isso tio. você me deixa com vergonha!-disse arthur.
–quem disse que eu estou falando de você? estou falando do pitty!
rimos. então eu soltei pitty dos meus braços e nos sentamos numa varanda da bela casa de madeira.
– meu tio é uma pessoa muito especial pra mim debra. foi ele e minha tia que cuidavam de mim quando eu era pequeno. eu fui criado aqui, por que meus pais viajavam muito à trabalho. meu tio e minha tia foram como pais pra mim.
– e a sua tia? onde está? -perguntei.
– ela já morreu. faz uns três anos.
– eu sinto muito!
– tudo bem. -ele sorriu de canto. — você sabe andar à cavalo?
– não! — eu ri.
– então vai aprender! -ele me puxou pelo braço e depois passou seu braço em minha cintura me conduzindo até as baias que ficavam perto de um lago lindíssimo! onde alguns patos nadavam.
haviam quatro cavalos nas baias. um preto, outro marrom, outro branco e o outro uma mistura de marrom com preto. eu ri muito ao ver a sequência de cores.
– qual você escolhe?
– quero o preto. -falei.
então arthur o pegou e o selou.
fiquei parada ao ver arthur o montar.
– vem. -arthur estender sua mão para que eu pudesse subir. foi meio complicado subir em um cavalo com chinelo nos pés, mas deu certo na segunda tentativa.
arthur me segurou firme para que eu não me desequilibrasse enquanto o cavalo dava os primeiros passos. arthur segurava a corda do cavalo com uma mão e com a outra segurava-me pela cintura.
depois, arthur deu mais impulso e o cavalo começou a andar mais rápido. uma sensação maravilhosa! o vento batendo em meu rosto e a respiração de arthur em meu pescoço. um momento único, o qual eu jamais esqueceria.
agora, o cavalo já corria pelo campo verde. arthur pegou em minha mão me dando a corda do cavalo e me ensinando a conduzi-lo.
então chegamos em um lugar maravilhoso. todo cheio de vida. descemos do cavalo e deixamos ele comendo a grama verdinha. arthur pegou em minha mão e fomos passear. ele me mostrou onde brincava de esconder com seus primos quando era pequeno. uma casa- da-árvore, agora já destruída pelo tempo. vi algumas lágrimas se misturarem ao sorriso de arthur enquanto ele lembrava da sua infância.
sentamos na grama e conversamos entre beijos e abraços.
a gente tinha muito o que conversar. havíamos ficado muito tempo sem nos ver, sem nos falar. e eu ainda estava com saudade dele.
– arthur... seu nariz! — falei assustada.
– o que tem? -ele passou a mão sobre o nariz. e ela ficou vermelha de sangue.
– está sangrando muito!
– tudo bem. -ele tentou me manter calma.- já vai parar. não se preocupe.
então,ele se levantou e pegou uma toalha que estava sobre a sela do cavalo. colocou- a sobre o nariz tentando conter o sangramento.
'sangramentos nasais e nas gengivas são alguns sintomas de leucemia.'
logo, ele voltou a se sentar na grama ao meu lado, ainda com a toalha no rosto.
–sangramentos não são sintomas de leucemia crônica, e sim de leucemia aguda!- falei apavorada.
– é por causa do transplante da medula. não se preocupe.
ele tirou a toalha do rosto.
– olha só. já parou. -ele sorriu.
'' Leucemia crônica – quando a transformação maligna ocorre em
células-tronco mais maduras. Nesse caso, a doença costuma evoluir
mais lentamente, com complicações que podem levar meses ou anos para ocorrer.''
ficamos conversando mais um tempo e depois decidimos voltar.
arthur me surpreendeu muito hoje, eu não sabia que ele havia crescido em um sítio.
– tem um lugar que eu gosto muito aqui. -arthur disse me conduzindo à caminhonete quando chegamos até ela.- vem.
entramos na caminhonete e andamos por alguns segundos. então arthur parou em um campo. lá, ele falou que costumava jogar futebol quando pequeno. era um lugar lindo demais, tranquilo, e que acalmava a qualquer um. havia um penhasco mais a frente, eu e arthur nos aproximamos de lá e pudemos ver ao longe a cidade.
em meio aquela paisagem, arthur me beijou calmamente. eu acariciava o seu corpo com as mãos. quando passei minha mão em seu braço, pude ver manchas vermelhas sobre eles. ao ver que eu estava olhando essas manchas, arthur levou o meu olhar ao seu.
– tá tudo bem. -ele afirmou com um sorriso nos lábios.
então arthur abriu a parte traseira da caminhonete, onde nos sentamos e ficamos observando a paisagem.
maravilhoso!
conversamos, nos beijamos, rimos...
algo me dizia que era apenas o começo.
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