Não me deixe acordar
5 Ades
— Bem vinda, Sofia _ me saudou com a mesma alegria de antes.
Me abraçou animadamente e se afastou só o necessário para me beijar.
— Eu te vi hoje _ disse enquanto caminhávamos pelas plantas verdinhas ao redor do lago natural.
— Me viu, aonde?
— Na escola.
Lembrei da rosa vermelha e sorri.
— Sim, eu vi a rosa.
— Não, Sofia. Antes da rosa, meu amor. Nos vimos e até conversamos. Você não se lembra?
— Não lembro. É estranho porque eu saberia se te encontrasse.
Ficou cabisbaixo enquanto andávamos. Senti-me mal por não lembrar de tê-lo visto.
— Talvez não _ soou desapontado _ Sabe? A minha punição não foi tão ruim, porque estando aqui, na Terra, eu posso te ver de dia e nos seus sonhos _ sorriu _ Por isso, acho que a minha punição não pode ser só estar preso aqui. Talvez exista um filtro de sentimento que nos separa durante o dia. E isso sim, seria uma terrível punição.
Parou diante de uma roseira cheia de rosas vermelhas e colheu uma rosa e pôs nos meus cabelos, sobre a minha orelha esquerda. Eu, parada diante dele, sorri ao ser adornada com a rosa. Ele sorriu de volta.
— Me explica como seria esse filtro?
— Como sentir raiva de alguém sem motivo aparente.
Lembrei do Alef, mas de forma alguma o anjo que eu amava, seria o garoto que eu não suportava. Ninguém podia despertar dois sentimentos tão contrários. Ou será que podia?
— Como são os anjos?
— Nem todos são bons. Mas cada um segue o seu propósito. Não escolhemos como queremos ser.
— E os anjos como você?
— Sim, nós somos bons. Eu nasci junto com você. Junto com a sua energia consciência, sou parte de você. O seu par ideal. O meu dever é te proteger, te sussurrar ao ouvido sempre que você precisar de motivação, de um conselho _ sorriu da minha expressão atenta.
Sorri junto.
— Se você é o meu par perfeito, nós podemos...
Achou graça da minha pergunta antes que eu terminasse de falar.
— Não _ balançou a cabeça negativamente para enfatizar _ É estranho que seja assim, não é? Ter um par perfeito que nunca será o seu parceiro?
— É frustrante... Então você e eu...
— Não sou mais o seu anjo da guarda, Sofia. Não como antes.
Acordei de manhã, vestida e na minha cama. O Shane deve ter me trazido.
No estacionamento, avistei um garoto encostado em um carro, com fones nos ouvidos. Tinha um olhar de desdém no rosto. Como se nada ao seu redor tivesse importância real.
Passei pelo novato que tirou os fones e me encarou. Girou a cabeça acompanhando o meu caminhar quando eu passei.
Diferente do Alef, deste garoto eu gostei. Ele era moreno, pele clara, alto e magro. De que tipo de música será que ele gosta?
Encontrei o Alef no armário.
— Bom dia, Sofia.
— Bom dia, Alef _ peguei meus livros _ Viu o novato?
Me olhou surpreso _ Um novo aluno?
— Sim _ sorri e segui para a sala de aula.
O novato sentou na minha frente. Ficava me olhando sempre. Me dava uma coisa estar no seu olhar. Me sentia atraída por ele.
— Bom dia _ disse o sr. Messie ao entrar _ Um aluno novo. Se apresente para a classe, por favor.
— O meu nome é Ades _ falou como se discursasse, imponente, a sua voz era firme.
Lançou um olhar afiado sobre o Alef antes de sentar. Os dois altões se conheciam.
Fiquei curiosa.
No intervalo, Ades ficou ao meu lado na fila da comida.
— E aí, Sofia? _ puxou assunto, nenhum sorriso ao me olhar.
— Que música você curte?
— Clássico.
— Hum _ fiz uma careta.
— Música é música, Sofia.
— Não é não.
Deu uma risada.
Sentou comigo.
— O Alef não para de olhar para cá. Vocês são amigos?
— Não olha pra ele não? _ peço.
Mas assim que eu olho em direção ao Alef, ele caminha em nossa a direção.
O Alef sentou ao meu lado e encarou o Ades sem dizer uma palavra, mas pelo jeito que se olham pareciam conversar.
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