Não era uma vez
9 Amigo
Notas iniciais
Acordo com o sol clareando meu rosto, sento na cama e me espreguiço. Olho para os lados e percebo que meu quarto está arrumado, ontem minhas roupas e sapatos estavam espalhados pelo quarto e agora não vejo nada, provavelmente alguém veio durante a manhã e arrumou. Dou um longo suspiro e volto a me deitar sem ânimo para levantar, ontem à noite minha madrinha nem sequer veio me procurar depois do jantar para conversar, perguntei por ela a uma empregada e ela me disse que Jennifer havia se retirado para o quarto logo após as visitas irem embora. Com meu comportamento de ontem, provavelmente hoje eu seria convidada a me retirar de sua residência.
Após alguns minutos de alto lamentações, eu me levante e vou para o banho e como minha madrinha deve ser daquele tipo de pessoas que não se preocupam com a conta de água (diferente de meus pais) demorei bons minutos de baixo da água. Sai me sentindo mais leve, vesti um short preto com uma blusa florida e calcei uma rasteirinha simples e desci para o café da manhã.
Para minha surpresa, Jennifer se encontrava na sala comendo torrada com geleia, fiquei parada na porta sem saber o que falar ou fazer.
– Bom dia Ang. – Jenn disse animada assim que me viu. – Pensei que você iria dormir até a tarde hoje.
– Bom dia... – Me sentei na sua frente, do outro lado da mesa.
– Você viu como o dia está bonito hoje? – Olhei confusa para a mulher à frente, mas Jennifer nem pareceu notar. – Eu acho que você deveria ir andar na praia hoje, pegar um bronze, nadar no mar...
– A senhora está bem? – Pergunto ainda confusa.
– Hoje infelizmente não poderei ficar com você, minha querida. – Minha madrinha nem sequer parece me notar. – Tenho muitos compromissos, mas farei de tudo para almoçar com você.
– Sem problema. – Pego um pedaço de bolo de chocolate e começo a comer.
– Olha só as horas! – A mulher se levanta. – Tenho que ir senão vou me atrasar, o Bernard vai ficar por sua conta hoje, se quiser ir a algum lugar e só falar com ele.
– Ok, mas acho que vou ficar quieta hoje... – Mas Jennifer se foi antes de eu conseguir terminar a frase. – Ok...
Termino meu café da manhã sozinha, fico um pouco na sala, deitada em um sofá muito bonito, mas nada confortável. Estou de cabeça para baixo olhando o papel de parede quando vejo um par de tênis e pernas na minha frente.
– O que você está fazendo? – Breno me olha curioso.
– Nada. – Digo desanimada. – E você?
– Nada também. – Breno se senta ao meu lado, volto para a posição de gente normal sentar. – Odeio ficar sem nada para fazer.
– Eu já adoro, meu passa tempo favorito e não fazer nada. – Digo brincando, mas Breno me olha confuso não sabendo se estou falando sério ou não. – Eu estou brincando, na verdade eu gosto e de ler e assistir filmes e séries.
– Então por que você não está na sala de televisão? – Breno me pergunta.
– Eu não sei onde fica. – Breno começa a rir. – Qual é?! Essa casa e enorme, e eu não gosto de sair abrindo portas na casa dos outros.
– Era só você perguntar para alguém.
– Eu não quis incomodar... – Digo por fim. – As pessoas aqui não parecem gostar de mim...
– Deixa de bobeira. – Breno me dá uma leve cotovelada. – Você só e meio estranha...
– Obrigado, me sinto muito melhor agora. – Nós dois começamos a rir.
Estamos rindo e empurrando um ao outro quando uma mulher para em nossa frente.
– Senhorita Angelina, você tem uma visita. – Olho confusa para Breno e ele apenas dá de ombros. – Está no quintal dos fundos a sua espera.
A mulher vira e sai em silêncio, fica parada encarando Breno até que ele começa a ficar vermelho e começa a rir, o garoto se levanta e me puxa junto.
– Eu não sei quem. – Digo andando ao seu lado. – Você é meu único amigo aqui...
– Você chegou ontem Ang. – Breno começa a corar. – Provavelmente você fará mais amigos.
– Não sei se quero conhecer as pessoas daqui. – O garoto me olha confuso. – Digamos que o jantar de ontem não foi muito legal...
– Nossa eu me esqueci, nem perguntei como foi...
– Maravilhoso... – A garota parada a nossa frente diz, suspiro desanimada ao ver Lizandra. – Fazia tempo que eu não ia a um jantar tão divertido.
– O que você quer? – Não me preocupo em esconder meu desânimo e mal humor.
– Vejo que você já achou gente da sua laia. – Lizandra observa Breno das cabeças aos pés, o que o deixa mais nervoso que já estava. – O filho do motorista.... Você se rebaixou em Ang, antes era um astro de cinema e agora o filho do motorista.
– Eu acho melhor você ir embora. – Digo irritada. – Muito melhor ser amiga do filho do motorista do que ser amiga da filha da puta.
– O que... – Lizandra começa a ficar vermelha como um tomate, começo a sorrir.
– Obrigado pela visita. – Fecho a porta na cara da menina e viro as costa e começo a andar rápido. – Acho que agora seria uma boa você me mostrar onde é a sala de televisão.
– Você não precisava me defender. – Não consigo intender o garoto, ele parece chateado, irritado e feliz ao mesmo tempo.
– Eu estava te defendendo. – Digo por fim. – Eu estava me defendendo. Odeio aquela garota...
– Eu também. – Breno diz baixo, mas consigo escutar.
– Você conhece ela?
– Mais o menos. – Breno para em frente a uma porta e me encara. – Mas eu não quero falar sobre isso.
Concordo com a cabeça, olhando para seu rosto sei que não é a hora para insistir, mas isso não significa que irei esquecer. Ficamos o restante do dia na sala, assistimos filmes e algumas séries. Almoçamos ali mesmo já que minha madrinha não conseguiu vir para o almoço, comemos tantas pipocas que nem sequer jantei, me despedi de Breno e fui direto para meu quarto. Tomei banho e cai direto na cama.
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