Não era uma vez
10 Dia de mar, sol e surpresas.
Notas iniciais
– Ok. Se você pudesse ter um superpoder, qual você escolheria? – Breno toma o copo de refrigerante de minhas mãos e começa a beber.
– Uhn, deixa eu pensar. – Pego o meu copo de volta e me ajeito na toalha de praia. – Acho que o controle da água. E você?
– Hidrocinese, boa. Eu acho que eu escolheria telepatia... – Breno começa a mexer na nossa caixa que trouxemos com comida para a praia, mesmo que a gente esteja à alguns passos de casa, ou seja, dois preguiçosos.
– Pra que você ia querer saber o que os outros estão pensando? – Tomo o sanduíche de suas mãos. – Vai que alguém está pensando alguma coisa ruim sobre você?!
– Exatamente! – Breno pega outro sanduíche e se senta ao meu lado. – A vida ia ser tão mais fácil se a gente soubesse o que os outros estão pensando, se ele e realmente seu amigo, se aquela garota esta afim de você...
– Meu amigo Breno, você e uma pessoa extremamente insegura. – Começo a rir de sua careta. – Não leve para o lado pessoal, o que eu quis dizer e que você tem que parar de se preocupar com que os outros pensam, manda eles se fuderem e vai ser feliz.
– Xingamentos não combinam com você. – Breno me olha por cima de seus óculos escuros.
– Eu estou tentando parecer descolada... – Começo a sorrir.
– Não foi você que acabou de falar pra não se preocupar com os outros?! – Breno começa a sorrir para mim.
– Vai se fuder. – Começamos a rir.
Assim que termino meu sanduíche, olho para os lados me certificando que não há ninguém por perto e me levanto.
– Breno você vai fechar os olhos e só abrir quando eu mandar! – Breno engasga com o refrigerante e me encara confuso.
– Viu! Agora seria um bom momento pra saber o que você está pensando! – Puxo Breno até ele ficar de frente para casa.
– Fecha o olho e não abre e nem olha para trás. – Me certifico que ele está fazendo o que estou mandando e retiro meu vestido ficando só de biquíni.
Corro para o mar mais rápido que consigo, assim que as ondas estão batendo nos meus joelhos, uma onda me pega desprevenida e acabo levando o maior caldo da minha vida, estou na beirada do mar cuspindo água e com areia em todos os lugares que você possa pensar quando sinto uma mão agarrando meu braço e me ajudando a levantar.
– Breno! Eu disse que era pra você ficar de olhos fechados. – Assim que consigo enxergar de novo dou um berro e caio de novo da água.
– Angelina! – Ouço Breno gritar e vir correndo em nossa direção.
Nem olho para trás e saio correndo para dentro do mar, sinto minhas bochechas queimando e minhas mãos não param de tremer, vou até o fundo e finalmente olho para a praia onde vejo duas pessoas discutindo, e para meu desespero elas começam a vim em minha direção.
– Ang? – Breno me olha confuso. – Está tudo bem? Ele fez alguma coisa com você?
Breno para na minha frente e se coloca em frente a mim e o garoto que sorri, tento me esconder na frente de Breno e ele percebe isso e se coloca em minha frente e começa a encarar o menino.
– Não me lembro de ter te convidado para nadar. – Breno diz ríspido.
– Eu só queria ver se ela está bem! – Chris tenta me olhar através de Breno. – Eu não sei se você se lembra, mas nós conhecemos no avião. Sou eu, Chris!
– E eu me lembro... – Digo sem graça, estou só com a cabeça de fora da água e me seguro no braço de Breno para não ser puxada pelo mar. – Eu estou bem, obrigado.
– Você deve ter engolido muita água. – Chris se aproxima e Breno não faz nada para impedir.
– Não muita... – Olho de Chris para Breno. Chris sorri gentil para mim e percebo que ele está vestindo roupa de surfe, e Breno nem sequer me olha, ele continua ali parado olhando para a praia. – Uhn, você surfa?
– Na verdade eu tinha acabado de sair do mar, quando te vi levando o caldo... – Chris finalmente percebe que estou segurando o braço de Breno e me olha confuso. – Desculpa, eu estou incomodando você e seu namorado?
Breno finalmente deixa de brincar de estatua e encara Chris, para ser sincera não sei o que aconteceu com Breno, mas ele não parece o mesmo de sempre e o clima começa a ficar pesado entre os dois. Começo a rir e acabo engolindo água, Breno me segura pela cintura me mantendo acima da água.
– Não, não. Eu não tenho namorado, na verdade nunca tive um namorado, nem sei o que essa palavra significa sabe, eu não tenho namorado... – Assim que percebo os dois garotos estão me encarando, tento mergulhar, mas Breno me segura. – Esse e o Breno meu amigo, Breno esse e o Chris.
– A gente já se conhece, não é pinga, pinga! – Chris sorri para Breno que o encara furioso.
– Pinga, pinga? – Pergunto confusa.
– Acho melhor a gente entrar Ang! – Breno começa a me puxar para a praia.
– Ei foi mal! – Chris vem atrás da gente. – Eu estava brincando, você sabe...
– O que está acontecendo? – Pergunto confusa, mas ninguém me responde.
Assim que a água começa a bater no meio da barriga, começa a tentar me soltar de Breno, mas ele nem nota meu desespero até que Chris puxa seu braço que está me segurando.
– Ei cara, você não está vendo que ela quer que você a solte! – Chris grita para Breno que finalmente me larga e continua andando sem olhar para trás.
– Você está bem? – Chris me olha preocupado.
– To, e só que eu... – Olho para os lados tentando pensar em uma desculpa. – Eu sinto muito, por tudo isso!
– Está tudo bem! – Chris começa a sorrir. – Na verdade foi ótimo ter te encontrado de novo, aquele dia nem teve tempo de pegar seu número.
– É verdade, eu estava com pressa. – Olho para Breno pegando sua camisa onde estávamos e sair apressado para a casa.
– Você morra aqui perto? – Chris tenta chamar minha atenção.
– Eu estou passando alguns dias na casa da minha madrinha, Jennifer. – Digo.
– Você e afilhada da Jennifer Hill? – Chris me olha surpreso. – Que legal, ele e super... uhn, gente boa.
– Super gente boa. – Digo ironicamente, mas o garoto não percebe.
– Eu não morro muito longe daqui umas dez casas para a esquerda da sua. – Chris aponta a direção. – Eu vou dar uma festa na sexta, por que você não vai?!
– Festa. – Digo desanimada. – Eu não conheço ninguém aqui...
– Você pode levar o pinga... Quer dizer, Breno! – Chris sorri esperançoso.
– Não sei se ele vai querer, mas eu vou pensar... – Sorrio para o garoto.
– Eu vou deixar um convite na sua casa! – Chris pega minha mão e a beija. – Não acho que foi coincidência a gente se encontrar de novo. Você deveria ir, por favor!
Chris sai do mar e me deixa ali sozinha em meio as ondas, suspiro e me deixo ser levada pelo balançar do mar enquanto observo o garoto loiro com os cabelos molhados, iluminados pelo sol se afastar. Assim que não consigo mais ver a silhueta de Chris, saio correndo do mar e me enrolo na toalha, e me sento no chão. “Se você tivesse saído da frente da TV e ido para a academia com a sua mãe, você não estaria nessa bobeira agora!” Digo para mim mesma.
A festa será na sexta-feira, ou seja, eu tenho dois dias para descobrir o que aconteceu com o quatro olhos e convencê-lo a ir comigo, e se eu for a festa, terei que sair para comprar uma roupa nova. Mas antes de começar a colocar o plano em ação acho melhor ir lanchar porque meu estomago não para de roncar.
Me levanto, visto o vestido e arrumo as coisas e volto para a casa, assim que deixo a caixa na entrada, corro para a cozinha e ataco um bolo de chocolate e alguns salgadinhos, estou sentada no chão encostada na parede quando começo a escutar duas pessoas falando sobre mim, ouço falarem que sou estranha, que não tenho modos, e que talvez eu seja a nova caridade de Jennifer. Me levanto e saio correndo para meu quarto.
Assim que acabo de fechar a porta alguém bate nela, me sento ao lado da cama e abraço os joelhos, as batidas continuam e cada vez mais insistente, até que ouço a porta abrir e passos vindo em minha direção.
– Já está chorando com saudade da mamãe?! – Ouço a voz de Lizandra.
Como odeio essa garota.
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