Notas iniciais
Olá gente como vai? Aqui estou eu com mais um capítulo para vcs e espero que gostem, muito obrigada pelos recados deixados e peço encarecidamente que me deixem recado sobre o capítulo, pois estou sentindo falta dos comentários, att o proximo.

[Recapitulando]

Charles olhou para Jane.

— Ela tem de ir agora? Não podem trocá-la, ou fazer o que for necessário, e deixá-la aqui?

Jane assentiu para a enfermeira, que partiu e voltou com roupas limpas. Jane dispensou-a e trocou o bebê no berço, ruborizando enquanto era observada.

— E só isso?

— Por enquanto.

Ele a pegou novamente e segurou-o por alguns minutos, até que a menina adormeceu.

— Acho que a aborreci.

Jane colocou-a no berço e cobriu-a.

— É hora de Helena dormir — respondeu rindo.

***

Não podia virar-se, porque ficariam frente a frente.

Lágrimas brotaram em seus olhos e ela piscou para contê-las. Havia sido diferente com Mary, Charlotte e todos os outros. Ouvir Charles dizer que sua filha era uma bela criança soava como um elogio. Ela não era uma mulher tomada pela emoção, não era a mãe de Fitzwilliam, cujo julgamento sofria a in­terferência do amor materno, mas um homem duro que não a aprovava nem gostava dela.

A proximidade fez com que seu coração batesse mais depressa. Era uma tola por sentir algo por aquele homem. Até aquele instante, ele jamais de­monstrara um único instante de afeição. Ou estava enganada? Fora terno à sua maneira, tentando con­fortá-la, preocupando-se com o inchaço de seu tor­nozelo e carregando-a para preservar a perna ferida. Seria fácil apoiar-se em seu peito e deixar-se envol­ver pelo calor do corpo másculo. A reação era hu­milhante, e rezou para que ele se afastasse antes de perceber os sentimentos que provocava.

— Fiquei realmente orgulhoso com a maneira como recebeu meus convidados, Anne.

Os joelhos tremeram.

— Mas...

— Vai mencionar sua mãe?

Ela assentiu.

— Esqueça.

Esperava que ele a censurasse pelo comporta­mento de Caroline. O silêncio criava a impressão de que Charles esperava por outro incidente a qual­quer momento, e não gostava disso.

— Mas o piso da sala...

— Gruver encontrou algumas peças sobressalentes na garagem.

— Oh. E quanto ao vaso de sua mãe?

— Nunca gostei muito dele.

— Mas ela...

— Esqueça. Vamos enterrar esse assunto. Definitivamente.

— Está bem.

— Talvez possa convencê-la a jantar conosco numa noite dessas.

Não queria Charles e Caroline no mesmo ambien­te, mas como poderia ser cruel com a mulher?

— Seus cabelos me enlouquecem desde a primeira vez em que a vi — ele confessou em tom íntimo.

As palavras afetaram sua capacidade de raciocí­nio. Se ele a tocasse, não seria capaz de controlar-se.

— Há muito desejo tocá-los e descobrir se são tão macios quanto parecem. Quando me aproximo de você, sinto o perfume de seus cabelos e desejo acariciá-los.

Estava tão perturbada que não conseguia pensar.

— Sente tudo isso por causa dos meus cabelos?

— Não só pelos cabelos.

Oh, céus! Os olhos se fecharam contra sua von­tade, como se assim pudesse proteger-se contra o efeito daquela voz profunda. O sangue corria de­pressa por suas veias.

— Talvez seja a maneira como os cachos re­pousam sobre sua nuca, ou a tonalidade da pele. Ela parece ser tão macia quanto a de sua filha.

Sentia arrepios. A ideia de ser tocada por ele pro­vocava um calor tão intenso que temia derreter.

— Posso ver o pulsar da veia em seu pescoço. Tenho certeza de que poderia senti-la se a tocasse com os lábios. Por que seu coração está batendo tão depressa, Anne?

Jane pensou que poderia desmaiar. Procurou algum lugar onde pudesse apoiar-se, e sentiu a mão dele se fechando sobre a sua.

Com a outra mão, Charles tocou seus cabelos e aproximou-se para sentir seu perfume. Os dedos ágeis removeram os grampos e ele afastou as mechas onduladas, aproximando o rosto de sua nuca.

O calor se tornou mais intenso e envolvente.

Os lábios roçaram seu pescoço e viajaram até a orelha, de onde passaram ao queixo.

Jane inclinou a cabeça para trás numa oferta silenciosa; as mãos ergueram-se lentamente. Ele a segurou pelos cabelos e beijou-a.

Jane agarrou-se aos ombros fortes para não cair. O beijo a inflamou como as palavras, os lábios quen­tes e sedentos despertando sensações desconhecidas. Correspondeu com avidez, com uma ânsia que dei­xava a modéstia e o pudor em frangalhos.

Jane perdeu a noção do tempo, de lugar e de propriedade.

— Quero você — ele sussurrou, pressionando a prova do desejo contra seu corpo.

A intimidade era chocante e excitante. Devia empurrá-lo. Devia pôr um ponto final naquilo. Mas ele a pressionou contra o corpo, e tudo que Jane conseguiu pensar foi em como seria se es­tivesse despida.

Charles devia estar imaginando a mesma coi­sa, porque começou a desabotoar seu vestido. De maneira desavergonhada, ela o ajudou a remover a parte superior do traje, livrando-se também do corpete.

Ele fitou seus seios com um misto de admiração e paixão.

Jane estremeceu. Jamais fora fitada por um homem daquela maneira.

Charles tocou um seio com gentileza e acariciou a pele sensível. Beijou-a novamente, dessa vez com mais ternura, porém com a mesma paixão.

O pai do seu bebê a engravidara, mas nunca a in­cendiara com seu desejo. O que conhecera com ele não podia ser comparado ao que sentia nesse momento.

Ele a levou para o divã, onde a acomodou sobre as almofadas e acariciou seus ombros nus.

Jane suspirou de prazer, passou um braço em torno de seu pescoço e ergueu o corpo em sinal de rendição. As mãos viajavam por seu corpo, ali­mentando o fogo que a queimava. Quando abriu os olhos para fitá-lo, não pôde conter-se e tocou o rosto moreno e sério.

Ele abaixou a cabeça e beijou um seio, sugando-o. O prazer prolongou-se até que ela sentiu o leite brotando abundante. Embaraçada, empur­rou-o e constatou que Charles atendia ao seu pedido silencioso, embora se mostrasse intrigado com a interrupção. Sem dizer nada, beijou-a no­vamente nos lábios, abraçando-a e acariciando suas costas.

Depois deslizou as mãos por seu ventre até en­contrar o ponto mais íntimo de seu corpo, despertando-a para um prazer que até então desconhecia.

Charles estava confuso com as respostas sin­ceras e intensas.

Seria capaz de sufocar a vergo­nha de tê-la seduzido conferindo um prazer que negaria a si mesmo?

Em algum momento o plano fracassara.

Como saberia se ela estava cedendo para conquistar as graças de um homem rico, ou se a abordara num momento de vulnerabilidade e dissera todas as coisas que ela precisava ouvir?

As respostas não eram fingidas. Saberia reconhecê-las.

Mas, pior que tudo, era a dúvida que não con­seguia ignorar. Talvez a levasse a pensar em Fitzwilliam. Anne estava solitária. Se houvesse real­mente amado seu irmão, podia sentir-se atraída por ele por conta das semelhanças físicas.

Charles ficou quieto. Esperando.

Queria possuí-la, mas odiava a ideia de encerrar o encontro de maneira tão precipitada.

— Charles?

— Sim?

— Não vai...

— Não — respondeu, tomando a difícil decisão.

— Mas... mas...

— Você teve um bebê há pouco tempo, Anne.

— Há meses.

— Mas não precisa ter outro. Não agora.

Ela ergueu o corpo devagar, fitando-o com aque­les olhos cheios de dúvidas. Um rubor intenso tin­gia seu rosto, mas não saberia dizer se fora pro­vocado pela vergonha ou pela excitação.

— Está tudo bem, Anne.

— Não é o que sinto.

Tentou beijá-la, mas ela virou o rosto. Queria beijá-la. Precisava mais daquele beijo do que da satisfação física que teria sido conferida pela con­sumação do ato sexual. Por que estava tão preo­cupado com o que ela sentia ou pensava? Podia tê-la naquele momento, e seria a melhor expe­riência de sua vida, estava certo disso.

Se a tranqüilizasse, se a afagasse novamente e reacendesse a paixão, ainda poderia possuí-la.

Mas não o faria. Estava envergonhado do pró­prio comportamento. Plantar sua semente no ven­tre de Anne apenas para provar que era capaz de conquistá-la não teria o sabor de vitória que havia esperado sentir.

Não provara nada.

Exceto que era incorrigível.

E que ela estava vulnerável.

E que a queria como não desejara qualquer ou­tra coisa em sua vida.

Merecia passar a noite acordado. Merecia aquele sentimento incômodo e doloroso que o devastava.

Mesmo que aquela criança não fosse filho de Fitzwilliam, a mulher que tivera nos braços fora sua esposa, e só um canalha teria pensado em seduzi-la. Desejá-la era terrível. Agir de acordo com esse desejo era ainda pior.

Tinha de preservar o que restava da honra.

Soltou-a e Anne virou-se de costas, ajeitando as roupas com movimentos apressados que traíam seu constrangimento.

— Anne?

Ela levantou a cabeça e fitou-o nos olhos, sem sequer tentar esconder as lágrimas.

— Por favor, não diga nada — pediu. — Só quero ir para o meu quarto.

Não sabia o que teria dito. Que estava arre­pendido? Seria mentira. Não devia ter planejado o jogo de sedução, mas teria agido de forma di­ferente, se pudesse voltar atrás? Preferia não ter conhecido a maciez de sua pele ou o sabor de seu corpo? Seria melhor se não a tivesse tocado?

A humilhação estava estampada em seus olhos. Não estava arrependido por tê-la seduzido e ex­citado. Só lamentava que ela houvesse pertencido a Fitzwilliam primeiro, e que assim o privasse do direito de conhecer as delícias de seu corpo.

Silencioso, afastou-se enquanto Anne pegava o bebê do berço e deixava o escritório como se demônios a perseguissem.

Charles olhou para os grampos espalhados no chão perto do divã. Recolheu-os e apertou-os entre os dedos. Não, não estava arrependido pelo que acontecera.

Só lamentava um dia ter conhecido uma mulher chamada Anne Patrick Bingley.