Não Posso Te Amar
4 Capítulo 4
Notas iniciais
Alex era um homem ambicioso, que não media esforços pra conseguir o que queria.Nem que para isso, tivesse que passar por cima dos sentimentos daqueles que cruzavam seu caminho. Em sua história, havia algo de obscuro, seu passado era cheio de mistérios. Fora criado em um orfanato, aos 7 anos de idade, o Conselho o tirou dos pais porque a mãe era suspeita de contrabando e o pai era alcoólatra, chegando várias vezes embriagado em casa, sempre fazendo arruaça pelo bairro. O Conselho tinha recebido denúncias de que a casa onde eles viviam estava em uma situação precária. Que o ambiente era inviável para se criar uma criança. Mas a verdade era que aquela gente não sabia de nada, gente fofoqueira, odiosa, cruel, se achavam no direito de se meter na vida dos outros e não se davam nem sequer ao trabalho nem de dar a sua mãe, um bom dia. Eles desconheciam que sua mãe, inúmeras vezes ia dormir com fome, só para que o filho pudesse comer, o sofrimento pelo qual ela passava porque o pai, gastava todo o salário que ganhava naquele emprego miserável, um ferro velho nos arredores da capital em bebida. Todos os donos de bares nas proximidades estavam cobrando o que o pai devia, alguns até mesmo o ameaçavam tirar a sua vida e de forma inevitável, seu pai faleceu, aqueles que tinham mais dinheiro o mataram, havia prometido a sua mãe que iria vingar o que fizeram a seu pai, a mãe assustada, encarou os olhos do filho e de súbito não conhecia o seu menino, havia traços de maldade em seu olhar e logo em seguida ele fora ao abrigo. Ele tinha certeza que aquilo acontecera com eles porque eram pobres, miseráveis, se fossem ricos, como provavelmente era o velho, o pai de Patrícia, nascido em berço de ouro, sua história seria bem diferente. Tinha começado a chover e ele nem percebera. Correu até um bar para se abrigar, o casaco todo molhado e um garçom vinha em sua direção:
"--O que vai querer senhor?"- disse o garçom.
"- Uma dose de tequila por favor!''
O trago de tequila desceu ardendo em sua garganta, mas ele não percebeu. Estava envolvido demais em seus pensamentos para dar atenção a qualquer coisa.Ele precisava de algo forte para digerir aquele nó que se formará em seu estômago ao lembrar da mãe,da dor daquela vida miserável, das lágrimas dela quando pensava que ele já tinha dormido. Mas chega! Ele não deveria deixar aflorar as emoções desse modo! Ele deveria ser frio! O lado emotivo não combinava com um homem bem sucedido que planeja sua vingança! Ele daria uma vida decente a sua mãe, que morava com sua tia no interior.Era ela que o movia,não poderia deixar nada interferir em seus planos, aquele patife
que não perdoara a dívida do seu pai não tivera nenhuma compaixão e não sentiu nenhuma pena dele,então porque ele deveria deixar- se dominar por essas emoções tolas e que de nada iriam ajudar em seu objetivo. É óbvio que a alienada Patrícia não fazia ideia de nada sobre isso, era alguém que tinha uma vida pacata, confortável, em sua enorme redoma de vidro e alguém idealista, que achava que os problemas de uma classe baixa deveriam ser resolvidos com paciência,fé e otimismo, mas essas coisas não enchiam a barriga de quem passara fome e convivera com a incerteza de ter um abrigo no dia seguinte para passar a noite, sim o pai dela ficou rico, mas ele poderia garantir que não foi por meios limpos, o dinheiro exerce um poder sem precedentes sobre as pessoas. Queria dinheiro para dar uma boa vida a mãe, mas principalmente para fazer sofrer quem nunca se importou, quem fechou os olhos para as crueldades do mundo, já que tinham nascidos cercados de mimos e uma proteção exagerada, como a bonequinha do papai, Patrícia, sua namorada. Se Alex ficasse por mais tempo naquele bar, ficaria louco. Teria que partir para a ação de forma rápida, o temporal se aproximava, dia se transformando em noite diante de seus olhos, vestiu o casaco, deixou a gorjeta do garçom na mesa e virou uma sombra naquele dia chuvoso.
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