Não Olhe Para Sombra
3 A Vila Coatboard
Scott Taylor decide mandar as fotos do que estava a sua vista para Richard e Thomas, tirou as fotos em ângulos diferentes e enviou. Em menos de dois minutos, Richard o retorna com uma ligação.
— Puta que pariu Tay, porque não atendeu as ligações? – Richard parecia assustado e preocupado.
— Não queria incomodo algum – Taylor responde – Analise, por favor, as imagens que acabei de te enviar.
— Já sabemos os resultados, foi por isso que tentamos te ligar ontem – Richard responde desconcentrando, pois estava dentro do carro que estava dirigindo enquanto falava – Coatboard é uma vila que não possui ninguém, mas direto as pessoas são mortas ao tentarem se aproximar daquele local. Ninguém sabe o que diabos acontece.
Taylor desliga o telefone sem despedir, estava seguro de si de que iria encontrar alguma informação sobre este mistério. Ele procurou alguma digital ou marca nas paredes próximas a mensagem de sangue, mas não obteve sucesso. Procurou também nos pertences do idoso que cuidava do local, nem se quer uma identificação foi encontrada.
Para não perder mais tempo, Taylor retorna ao seu carro que ainda estava no local e seguiu as placas de Coatboard. A estrada era vazia e mal cuidada, as plantas ao redor invadiam o pedaço de asfalto que as cortavam dificultando a passagem de alguns carros ali.
Para piorar, carros abandonados começaram a aparecer à medida que Taylor se aproximava de Coatboard. Ele diminuiu a velocidade e observou carro por carro. Alguns estavam totalmente vazios por dentro, outros havia algum esqueleto e alguns com corpos que entraram em decomposição há pouco tempo.
Taylor prometeu a si mesmo que investigaria aquela região com mais precisão e detalhes assim que voltasse, e continuou em direção a cidade. Poucos metros à frente, Taylor vê de longe a torre do relógio da vila de Coatboard. Antes mesmo de chegar à vila, diminui a velocidade para não chamar a atenção e coloca sua arma em mãos.
A vila seguia uma estrutura antiga, uma rua no centro com residências e comércios ao redor e no final da rua uma biblioteca com uma torre relógio em cima. O clima ali era bem macabro, as janelas todas fechadas com cortinas, vidros e paredes arranhadas, esqueletos espalhados pelo chão e fraca iluminação gerada pela pouca energia que ainda restava.
Pela primeira vez, Taylor se sente ameaçado em algum lugar. Ele caminhava pelo centro da rua lentamente apontando a arma para todos os cantos e seu olhar permanecia atento a qualquer barulho ou movimento.
Taylor vai até o final da rua e volta, e nenhum sinal de vida foi encontrado. Decidiu-se então que iria entrar em estabelecimento por estabelecimento em busca de qualquer vestígio. Correu o olho pela pequena e vila e escolheu o primeiro estabelecimento que iria invadir. Um hotel no final da rua ao lado da biblioteca central.
Caminhou novamente lento até o local observando cada detalhe. Seu coração dispara ao olhar para uma das janelas do hotel e perceber que uma senhora que aparentava já bem velha, o observar. Assim que a idosa percebe o olhar de Taylor para si, fecha a cortina e some das vistas de Taylor. Isso o deixa ainda mais curioso para entrar no local.
“Então existe sim alguém aqui” foi o pensamento imediato de Taylor. Ele se aproximou à porta do hotel e a derrubou com o primeiro chute. Com a lanterna acessa e a arma em outra mão ordena pelo pior:
— Apareça! Não me faça ir atrás de você, pode ser pior – Sua voz de fúria amedrontaria qualquer ser humano ali, mas ninguém aparece.
A recepção do hotel possuía algumas mesas e um par de sofás, além do balcão central onde ficava o registro de todos os hospedes. Taylor olhou em baixo de todas as mesas e atrás dos sofás. Sem encontrar nada resolve ir ao balcão para ver alguns registros.
Taylor folheia alguns livros e alguns cojuntos de documentos e não encontra nada importante. Ele olha ao redor e vê a gaveta de registro de hospedes. A tentativa de abrir não deu certo, ela estava trancada. Taylor tenta novamente com mais força, mas a gaveta não abria em nenhuma hipótese. Tendo que optar pelo pior, Taylor atira contra a tranca e a gaveta abre sozinha com o peso das folhas de papel preenchidas a mão.
Taylor espalha as folhas sobre a mesa e se impressiona com o que vê. Havia mais ou menos duzentos registros de hospedagem e todos estavam com o mesmo nome de hospedeiro, em datas diferentes, mas também no mesmo quarto. Então Taylor pega o seu telefone e solicita uma ajuda.
— Thomas, eu preciso que você venha para Coatboard agora mesmo.
— Senhor, já está anoitecendo, e é uma vila bastante perigosa – Thomas responde com medo.
— Não interessa. Estou o esperando na recepção do hotel – Taylor o confronta – Ou venha imediatamente, ou perde seu emprego assim que eu voltar.
Thomas apenas concorda, pega o carro e sem dizer nada vai correndo até a pequena vila. Já era noite, e em uma hora e meia de viagem, Thomas chega ao local, vê o carro de Taylor e estaciona ao lado. Segundo as instruções, seu chefe estaria em um hotel, mas nem precisou procurar, pois o local estava iluminado com tochas e velas que o próprio Taylor ascendeu.
Taylor o aguardava no balcão com uma arma na mão, apontou para a porta assim que ouviu os barulhos dos passos. Thomas se assusta com a arma apontada para si, mas seu amigo reconhece rápido e abaixa a arma.
— De onde conseguiu tanta coisa para ascender várias tochas? – Thomas pergunta ao ver a recepção iluminada com fogo.
— Sempre ando com isqueiro e um pouco de querosene – Taylor responde e vai direto ao assunto – Olhe esses nomes, todos iguais, em horários diferentes, mas no mesmo quarto.
— Larry Leroy, quarto 601 – Thomas se espanta – é o dono das digitais encontradas no corpo de Paul.
— Essa não é a única novidade, tem alguém aqui – Taylor percebe o olhar desconfiado de Thomas – Alguém estava me observando pela greta de uma janela desse hotel.
— E se for alguma visão sua? E se essa pessoa já tiver ido embora? – Thomas tenta fazer mais perguntas, mas é interrompido pela impaciência de seu chefe.
— Eu teria ouvido qualquer barulho, esta é a única saída do hotel e ninguém saiu por aqui. Qualquer janela quebrada faria algum barulho, e qualquer pessoa que saísse daqui seria percebida por mim – Taylor começa a aumentar o tom de voz demonstrando o estresse – Por favor, Thom, não me encha de perguntas por que o dia aqui não foi lá um dos mais agradáveis.
— Só queria tirar as dúvidas – Thomas dá um passo para trás sério – Já olhou o quarto onde Leroy se hospedava pelo menos?
— Desculpe – Taylor reconhece o erro de estresse e prossegue – Não olhei, trancarei primeiro o hotel para evitar que qualquer pessoa saia daqui silenciosamente.
Taylor e Thomas pegam um pedaço de madeira pesado que estava logo abaixo do balcão e colocam sobre a porta. Para aumentar ainda mais a força, Thomas amarra a madeira com dois nós cegos. Apagaram todas as tochas da recepção sobrando apenas uma.
Juntos subiram as escadas lentamente evitando qualquer confronto perigoso. Taylor foi à frente com a arma mais potente e Thomas atrás com a tocha restante e uma arma comum. O hotel possuía seis andares e em cada andar quatro quartos.
A dupla passou andar por andar verificando as numerações, até encontrarem o quarto 601. A porta estava fechada, porém destrancada. Era um quarto pequeno com tons de cinza e azul nas paredes, com apenas um guarda roupa, uma cama e uma pequena mesa com abajur no final do quarto. A cortina estava fechada e a luz não funcionava.
Thomas iluminou as paredes com a tocha e os dois perceberam as marcas de unhas e sangue velho. Taylor coletou algumas amostras de digitais para futuras investigações.
Taylor se abaixou para olhar em baixo da cama quando ouviu um barulho familiar do lado de fora. Thomas afasta a tocha para não chamas a atenção e Taylor abre a cortina olhando para o lado de fora do hotel.
Uma caminhonete velha estaciona em frente ao bar da pequena vila e alguém encapuzado desce do volante em direção ao porta-malas. Olha para os dois lados e tira um corpo do veículo arrastando-o para dentro do bar.
Thomas e Taylor olhavam com atenção as detalhes quando a tocha simplesmente apagou deixando o ambiente totalmente escuro. Não tiveram tempo de acender novamente.
Alguma coisa puxa Taylor e Thomas ao mesmo tempo para de baixo da cama. A grande força do puxe fez com que a dupla batesse a cabeça no chão e desmaiarem na hora.
Taylor estava certo, realmente havia alguém ali.
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