Não Olhe Para Sombra
4 Diante dos Teus Olhos
Uma luz forte penetra nos olhos desmaiados de Taylor e Thomas que por sua vez estavam amarrados em cadeiras separadas, um de costas para o outro em uma sala aparentemente antiga.
Devido a forte intensidade da luz, que só iluminava os policiais e mantinha o resto da sala sob trevas, os dois acordam assustados e percebem que estão fortemente amarrados e praticamente imóveis. Enquanto Thomas se desesperava Taylor corria o olho ao redor da sala escura calmamente.
Ainda era noite e ainda estavam perceptivelmente na vila de Coatboard, porém em uma estrutura não identificada. Parecia uma cabana de madeira, quadrada e bastante espaçosa, com duas janelas pequenas laterais e uma porta a frente.
Em uma dessas janelas estava o maior desafio de Taylor, a criatura encapuzada, com seus profundos olhos azuis observava atentamente a cada movimento dos dois.
A porta da frente um ser tanto quanto esquisito para aquele ambiente, uma senhora de idade vestida com pele de urso e um machado na mão. Sua pele caída e suas profundas olheiras deixavam o rosto amedrontador.
Ela se aproxima dos dois arrastando o machado ensanguentado no chão deixando rastros vermelhos por todos os lugares que passava. Taylor manteve seus olhos fixos na criatura encapuzada que ainda o observava, mas Thomas estava soando frio e ficando cada vez mais nervoso.
A idosa chega o mais perto possível de Thomas onde a luz conseguiu iluminar o seu tremendo rosto. Thomas pensou que ali morreria, e a idosa o olhava com olhos de sede de sangue.
Mas a idosa continuou caminhando lentamente até o outro lado da sala onde havia um quadro, na imagem um homem aparentemente bem sucedido. A idosa ousa a falar pela primeira vez:
— Larry Leroy – sua voz era grave como de um homem e tremia como se não aguentasse mais falar – Meu falecido marido.
Taylor mudou a sua concentração para a idosa no exato instante e Thomas se aquietou. A idosa manteve o seu olhar para o quadro por alguns minutos e virou-se para os policiais novamente.
— Eu disse que Coatboard não era um lugar para você Taylor – A idosa afirma – Provavelmente não conseguirá sair daqui novamente.
— Então foi você quem matou aquele velho inocente – Taylor a enfrentou.
— Ele já estava morto há muito tempo – A velha dá um sorriso fraco e mostrou seus dentes podres – Você só não tinha percebido isso.
A idosa ainda com o fraco sorriso no rosto aponta para a porta da frente que estava aberta Taylor e Thomas olham para a porta na mesma hora. A frente da cabana havia uma floresta e havia alguém lá. Taylor corre o olho rapidamente para a janela e percebe que o encapuzado não estava mais ali, olhou para trás novamente e viu que a idosa e o quadro havia desaparecido.
— Tay – Thomas chama a atenção – Ele está se aproximando.
Alguém que estava na floresta estava caminhando lentamente em direção à cabana, a luz da lua não era capaz de iluminar o seu rosto. De seu corpo saía algo semelhante à fumaça frequentemente. A cada momento que Taylor ou Thomas piscava os olhos, o misterioso ser parecia se teletransportar para ainda mais perto da cabana de madeira. A lâmpada que iluminava Taylor e Thomas amarrados começou a falhar no mesmo instante.
Thomas e Taylor olharam para cima e assistiram a lâmpada parar de funcionar, quando olharam para a porta da frente viram que a pessoa que caminhava até eles não estava mais dentro do campo de visão.
Thomas fica pálido, agora estava no escuro da noite e alguém que estava ali agora mesmo tinha sumido diante dos seus olhos. Thomas olhou para o lado para se certificar de que seu amigo ainda estava ali. Taylor repetiu o movimento.
Na pequena troca de olhares os dois perceberam que o corpo estava atrás deles. Ambos tomaram um susto e se sentiram como fossem morrer ali no mesmo instante. O homem levanta a mão para atacar quando alguém grita na porta:
— Morra criatura demoníaca!
Essa pessoa lança um machado contra o corpo a fim de mata-lo, mas o corpo se transforma em fumaça negra e desaparece dali no mesmo instante. Taylor e Thomas caem no chão ainda amarrados, mas conseguem olhar para a porta.
Um homem grande, com barbas grandes e cabelos lisos se aproxima. Com apenas uma mão levanta Taylor e Thomas e desamarra as cordas. Taylor se impressiona com o porte de armas deste homem que aparentava ser um caçador.
— Não deviam estar aqui – O desconhecido fala com sua firme voz para a dupla – Ainda mais mexendo com o espírito de Paul.
— Paul? Que Paul? – Thomas pergunta curioso.
— Paul Shadow – Afirma o caçador com nojo de pronunciar o nome — responsável pela morte do esposo de Margaret.
— Quem é Margaret? – Taylor perguntava enquanto o caçador puxava a si e a Thomas para fora da cabana em direção a floresta de pinheiros que ficava logo a frente.
O caçador não respondeu a pergunta, e continuou puxando a dupla para dentro da floresta até uma região onde havia um lago com uma cerca de madeira. O caçador parou ali e finalmente a luz da lua conseguiu preencher o corpo de Taylor e Thomas.
— Margaret Mols, a guardiã da vila, ela já é bem idosa, mas amedronta qualquer um – Finalmente o caçador responde – Seu marido falecido era o homem mais importante daqui, porém era louco, ninguém conseguia impedi-lo quando ele desejava matar alguém. Certa noite sua loucura foi ao extremo, ele ficou tão fascinado em matar que acabou morrendo de dentro para fora.
— E quem é esse homem? – Thomas pergunta.
— Larry Leroy – o caçador vira para a dupla – O pior homem que já conheci. Alguns ainda dizem que ele vaga pelas ruas das cidades próximas todas as noites, mas eu nunca tive o azar de encontra-lo.
Taylor e Thomas ficam boquiabertos. Leroy morrera diante dos olhos de muitos, inclusive de policiais confiáveis, mas ainda existem vestígios de que ele ainda vive entre nós.
— Eu sou Malcolm, protetor guardião das florestas ao redor de Coatboard.
Taylor balança a cabeça como um gesto amistoso e prossegue a conversa pedindo informações sobre qualquer coisa que fosse sobrenatural em Coatboard. Malcolm detestava falar sobre isso, mas em ajuda ao novos visitantes resolver falar sobre:
— Coatboard é conhecida apor não viver ninguém aqui. Mas ao mesmo tempo muitos vivem aqui, não da forma em que esperávamos, mas sim em forma de espíritos, demônios ou até mesmo coisas que não sei nomear.
— Mas e Margaret? – Thomas senta em cima da cerca para prestar mais atenção em cada palavra do guardião.
— Ela não existe – Malcolm se demonstra preocupado – Ela aparece apenas para as pessoas que não deveriam estar em Coatboard. Muitos que passam por aqui morrem justamente por causa das aparições. Os poucos que sobrevivem relatam isso.
— Só ela vive aqui? – Taylor interrompe – E porque ela apareceu para nós?
— Muita coisa vive aqui senhor Taylor, mas ninguém sabe. Algumas criaturas vocês vão querer que nunca tivessem visto na vida. Por isso recomendo que vocês voltem para casa.
— Como ele sabe o seu nome? – Thomas fala baixo no ouvido de Taylor – Você disse para ele? – Taylor nega.
— Paul Shadow, foi morador de Fagenold por muito tempo. Mas finalmente aqui encontrou o seu lugar em forma de demônio – Malcolm fica cada vez mais sério – Todas as manhãs o seu corpo volta para lá, e apenas a noite ele acorda.
— Ele foi assassinado, e é o caso dele que estamos resolvendo – Thomas se levanta e indiretamente enfrenta o guardião.
— E se vocês não forem embora, os próximos assassinados aqui serão vocês – Malcolm pega o seu machado e começa a caminhar em direção ao lago.
— E quem fará isso? – Taylor calmamente se questiona.
— Eu – Malcolm olha para trás.
No mesmo instante Malcolm aumenta de tamanho e pelos em seu corpo começam a aparecer. Seus olhos que eram pretos se transformam em vermelhos, e em poucos segundos, Malcolm se transforma em um imenso lobo branco.
Taylor e Thomas pegam suas armas e tentam atirar no lobo. Mas a resistência do animal era maior que qualquer arma humana. Vendo que seus métodos não funcionariam, correm com todas as suas forças pelas trilhas da floresta em direção de volta para a vila. O animal de olhos vermelhos correu atrás.
Para dificultar a visão da caça, o animal se transformava em um lobo preto de olhos azuis quando saía da luz da lua, e voltava a ser branco de olhos vermelhos quando a luz da lua voltava a invadir o seu corpo.
— Caralho Taylor, faz essa merda parar – Thomas grita enquanto corre.
— E você quer que eu faça o quê? Me teletransporte? – Taylor grita furioso – Não sou um demônio ou sei lá que criatura dessa vila.
O lobo se aproximava cada vez mais. Taylor não tinha mais o que fazer, ele olhou para Thomas e gritou:
— Vá até o carro e me busque aqui. Buzine quando estiver perto – Thomas tentou gaguejar, mas Taylor não deixou espaço – Isso é uma ordem, faça o que eu mandei.
Thomas continuou correndo e Taylor se escondeu atrás de uma arvore grande. O lobo diminuiu a velocidade e começou a farejar em busca de Taylor. Depois de alguns segundos o lobo se transforma novamente em Malcolm, o caçador.
Malcolm corre o olho ao redor e vira-se em direção ao lago novamente e começa a caminhar. Taylor se levanta calmamente e anda agachado em direção a vila. Depois de poucos passos, pisa em um galho e faz um pequeno barulho.
— Achei você – Malcolm vira-se para trás novamente e pega o seu machado nas costas andando em direção a Taylor – Eu disse que aqui não era um lugar para você intruso.
Malcolm levantou o machado, mas o carro de Taylor o atropelou na mesma hora jogando o guardião contra um tronco de árvore.
— Entra logo Taylor – Thomas grita do volante.
Taylor entra no carro e Thomas acelera fundo pelas trilhas da floresta até alcançar a estrada de volta para Fagenold. Depois de perceber que ninguém os perseguia, Thomas voltou a dirigir normalmente.
Mas algo estava errado. Todas as placas de indicação para Fagenold haviam desaparecido. Mas a estrada era a mesma, mas desta vez não estava levando a dupla para o mesmo lugar.
Logo atrás, a criatura encapuzada de olhos azuis caminha lentamente na mesma direção de Taylor e Thomas, como se já soubesse exatamente para onde os dois estavam indo.
E sabia...
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