Não Me Esqueça

2 I - Olhos (nem tão) Verdes


Notas iniciais
OIOI GENTE! (Kéfera mode on)
Duas (ou dois) leitoras (os) e um review?? Realmente não esperava isso logo no prólogo!!! *-*
Bom, como prometido, mais um cap!!

Nem posso acreditar que eu estou voltando para o Rio. Cinco anos depois de tudo eu estou finalmente embarcando em um avião para voltar pra casa! Cinco anos longe de lá, longe dele, e eu finalmente posso voltar!

Olhei pela janelinha do avião, dava para ver um pouco de Vitória ainda, mas logo começamos a sobrevoar as nuvens, para longe de lá, para longe da minha vida. Para mais perto de um recomeço, um recomeço melhor.

Estranho, foi exatamente esse meu pensamento quando eu embarquei a cinco anos.

E eu me enganei. Lá eu tinha meu amor, lá eu tinha minhas amizades, lá eu tinha liberdade. Morando com a minha tia, o que eu tinha era uma prisão livre. Não podia ter contato social, amizade só com gente rica e de família tradicional, namoro só arranjado, tinha que ser a melhor aluna, me vestir como a rainha da Inglaterra... Ser eu era extremamente proibido.

Logo as minhas lembranças da ultima semana no Rio vieram a tona.

Me lembrei do acidente de carro, da hora que eu acordei no hospital, com Felipe me encarando preocupado. Da notícia da morte dos meus pais, e do alívio que eu senti por estar finalmente fora das garras deles. Me lembrei de minha tia chegando no hospital e me falando que agora eu moraria com ela. Do pavor de me afastar dele. Da tristeza na hora de nos despedirmos e, acima de todas essas lembranças, da promessa que fizemos naquela ultima noite no hospital.

Quando dei por mim já estávamos aterrissando. Peguei minhas coisas e desci do avião. Fui na esteira e peguei minhas malas. Com certa dificuldade as levei até o ponto de táxi, onde peguei um e fui para meu novo apartamento.

É incrível como uma cidade pode mudar em apenas cinco anos. Muitas coisas eu não me lembrava ou eram novas. Ruas, viadutos, avenidas, prédios, centros comerciais... Tudo parecia diferente na Cidade Maravilhosa.

Será que Felipe também está diferente? Será que ainda tem os olhos verdes? E os cabelos castanhos-mel? Ainda é um nerd extrovertido? Será que está fazendo faculdade de medicina mesmo ou resolveu ser outra coisa? A carreira de modelo deu certo? Tantas dúvidas!

Será que eu o reconheceria? E ele, me reconheceria?

“E eu nunca vou te esquecer. Vou esperar você voltar pra mim. Sempre serei seu. Eu Prometo.” Era essa a frase que me acalmava, que me impedia de pensar que ele estava morto, ou me esquecera, ou não morava mais no Rio, ou qualquer coisa desse gênero.

- Chegamos, moça! – o taxista falou, me assustando e me tirando dos meus devaneios.

- Obrigado. – falei para ele. Paguei a viagem e ele me ajudou a tirar as coisas do táxi e subir com elas para o 5º andar. Dei uma gorjeta para ele e ele se foi.

O apartamento vinha mobiliado, então eu só tive que passar um pano na casa e guardar minhas coisas pessoais nos seus devidos lugares. Ele era relativamente grande, duas suítes, um banheiro social, um quartinho de empregada, duas salas, duas varandas, uma cozinha gigante e um escritório.

Em um mês meu melhor amigo, Alex, viria morar comigo. Tínhamos comprado a casa juntos, com a ideia de fazermos de fazermos direito na UFRJ. Alex havia repetido um ano, portanto não estaríamos no mesmo período, mas pelo menos moraríamos na mesma casa,

Terminei de arrumar tudo e resolvi fazer a compra do mês de uma vez, teria que comer algo no jantar e não gosto de comida de restaurante.

Só tinha um problema: Eu não sabia onde tinha um supermercado por perto e muito menos carro para me levar lá. Resolvi então que jantaria, só hoje, no restaurante ao lado do prédio, e amanhã, quando meu carro chegasse ao Rio, iria fazer a compra do mês.

Tomei um banho para tirar o suor da viagem e coloquei uma roupa menos rainha da Inglaterra, como Suzana Motta me obrigara a usar pra viajar. Realmente é muito recomendado e confortável viajar com a roupa pinicando, tia!

Peguei minha carteira e meu iPhone e desci.

O restaurante não era daqueles enjoados em que se tem que fazer reservas, a comida só se pode ser vista com um microscópio e os garçons parecem estar em um baile de gala. Ainda bem! Cinco anos frequentando lugares assim me faziam odiá-los.

Ele era bem confortável, música dos anos 80 tocando ao fundo, garçonetes andando de patins, discos de vinil pelas paredes. Foi então que eu entendi porque se chamava Retro. Sim, pode me chamar de burra!

Me acomodei em um canto e pedi uma pizza portuguesa. Em menos de doze minutos ela ficou pronta e eu me servi. Pela primeira vez na minha vida eu gostei da comida de um restaurante, aquela pizza estava divina!

Terminei de comer e ia pagar pra ir embora quando um cara com uma daquelas roupas meio gays dos anos 80 subiu num palco que ali havia, até então não notado por mim. Um holofote focou nele e logo ele começou a falar:

- Olá pessoal! Como alguns de vocês já sabem, e outros ainda desconhecem, toda sexta tem karaokê no Retrô! E hoje haverá um prêmio para o melhor cantor, um ano de comida grátis! – ele anunciou. Um ano dessa pizza divina grátis? – Então preencham essas fichas – ele balançou uns papéis na mão -, e que a sorte esteja sempre ao seu favor!

Desde quando isso aqui virou Jogos Vorazes?

Fui a primeira a preencher uma ficha, depois me sentei e esperei começar o karaokê.

Muitas pessoas se inscreveram depois de mim, e confesso que fiquei olhando para ter certeza de que nenhuma delas era o Felipe, mas infelizmente ele não estava ali.

Depois de uns dez copos de coca-cola (vício), o homem subiu novamente no palco.

- Vamos começar? A nossa primeira cantora é Alice Motta Gonsalves!

Um pouco vermelha eu subi no palco e peguei o microfone. Vi que na seleção de músicas só tinha músicas dos anos 50, 60, 70 e 80, então selecionei Stupid Cupid, uma das poucas músicas que eu sabia a letra toda ali.

Stupid Cupid

Stupid Cupid you're a real mean guy

I'd like to clip your wings so you can't fly

I am in love and it's a crying shame

And I know that you're the one to blame

Hey hey set me free

Stupid Cupid stop picking on me

I can't do my homework and I can't think straight

I meet him every morning about half past eight

I'm acting like a lovesick fool

You've even got me carrying his books to school

Hey hey set me free

Stupid Cupid stop picking on me

You mixed me up for good right from the very start

Hey go play Robin Hood

With somebody else's heart

You got me jumping like a crazy clown

And I don't feature what your putting down

Since I kissed his loving lips of wine

The thing that bothers me is that I like it fine

Hey hey set me free

Stupid Cupid stop picking on me

You got me jumping like a crazy clown

And I don't feature what your putting down

Since I kissed his loving lips of wine

The thing that bothers me is that I like it fine

Hey hey set me free

Stupid Cupid stop picking on me

Hey Hey set me free

Stupid Cupid stop picking on me

Stupid cupid

Stupid cupid

Stupid cupid

Stupid cupid

Stupid cupid

Stupid cupid

Stupid cupid

Stupid cupid

Terminei com todos ali me aplaudindo, modéstia à parte, eu sou uma excelente cantora! Desci do palco e voltei para o meu lugar. Várias pessoas cantaram, algumas doeram meus ouvidos, outras realmente sabiam cantar e eram fortes candidatos, duas pessoas passaram mal e não cantaram.

O homem (queria saber o nome dele) subiu DE NOVO no palco.

- Bom, gente! Eu escolhi cinco pessoas que eu acho que cantaram bem, agora é questão da plateia escolher quem é melhor. Subam aqui: Roberta Alencar de Melo, Rafael Alcântara Menezes, Diogo Soares, João Carlos Tavares e Alice Motta Gonsalves.

Ainda não acreditando, subi no palco. Ele foi falando o nome de cada um novamente e a plateia foi aplaudindo. Eu fui a mais aplaudida e ganhei o prêmio.

Saí de lá, sem pagar devido ao prêmio, e voltei para o meu novo prédio. Chamei o elevador e entrei nele. Quando saí, esbarrei em um cara e derrubei todos os livros que ele segurava. Ele se abaixou para pegar tudo, me impedindo de ver seu rosto.

- Me desculpa, eu...

- Olha por onde anda, garota! – disse sem sequer levantar os olhos para mim

- Olha, eu to tentando ser educada, mas...

- Tinha que ser ruiva! – falou o sem noção finalmente olhando para mim. Ele entrou no elevador e a porta se fechou, não sem antes me deixar vislumbras aqueles olhos, que embora não estivessem mais verdes, eu reconheceria em qualquer lugar.

- Lipe...

Notas finais
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Bjuuuuz