Não Existem Coisas Más - 1 Temporada
12 Capítulo XII - Que se passa aqui?
Notas iniciais
David e Stefan estavam a acabar o ensaio, e então Stefan arrumou a guitarra na bolsa. David mantinha-se sentado a olhar para o infinito, como o mundo estivesse a acabar, Stefan olhava para David e percebia que ele não estava cá, então resolveu ir-se embora. Stefan disse-lhe até logo e ele nem reagiu, definitivamente, ele estava na lua. Ele subiu as escadas para se ir embora, quando chegou à sala viu Vanessa deitada no sofá com os olhos fechados, parecia estar a dormir serenamente, ele aproximou-se dela e aninhou-se ao lado do sofá e ficou a admira-la, fez-lhe uma festa no rosto mas logo se arrependeu porque tinha medo que ela acordasse. Foi então que se levantou e aproximou-se da porta de saída e foi-se embora.
Vanessa acordou e deu-lhe a impressão que alguém tinha-lhe feito uma festa na cara, mas olhou à volta e não viu nada, mas pensou ter sido o seu irmão. Foi então que o foi procurar e ele ainda estava no estúdio sentado e com o baixo na mão, e a tocar uma música com o ritmo muito acelerado. Ela ficou a olha-lo da porta e ele ainda não tinha reparado que ela ali estava, ele começou a tocar e a cantar, aquilo que tinha escrito. Ele quando parou, Vanessa não se conteve e bateu-lhe palmas e correu para o colo dele abraçando-o. David sorriu e abraçou-a também.
- Bem, não sabia que tinha a minha fã número um a assistir. – disse ele ainda com a irmã no colo
- Também, não era suposto saberes. Foi por isso que não fiz barulho. E cada vez tenho mais a certeza que és o melhor cantor do mundo! – disse ela dando-lhe um beijo na testa
- Oh, não digas isso, que eu fico vermelho. – disse ele a corar – E para além do mais esta música não é nada de especial, e foi feita para tu também tocares.
- Eu? Estás tolo!
- Não estou nada, esta música é lenta só porque ainda não pus o acompanhamento da bateria. E não me digas que não vais querer fazer uma música com o teu mano. – disse ele fazendo beicinho
- Está bem, está bem, nós depois vamos tratar disso. Mimado! – disse ela abraçando-o
Monique estava sentada na sala à espera do seu irmão, pois ele tinha-lhe dito que tinha um assunto urgente para falar com ela. A porta abriu-se, e entrou Stefan, Monique nem se mexeu mas olhou para a porta. Stefan aproximou-se do sofá pousou a bolsa da guitarra e deu um beijo na testa na sua irmã e depois sentou-se ao lado da irmã, com uma cara de quem não tinha boas noticias para contar.
- Bem, pela tua cara vem aí coisa e não é boa. Por isso conta de uma vez, mano! – disse ela com cara de triste
- Pois tens razão, tenho notícias más para contar. Eu sei que não gostas delas mas tenho que te contar, e também imagino como vais ficar. – disse ele tentando arranjar maneira de contar
- Oh, Stefan conta isso de uma vez! Por favor, eu estou aqui numa agitação que não imaginas. – disse ela nervosa
- Oh mana, o que se passa é que… é que estamos tramados. Vieram viver para Montreal pessoas que para nós podem ser um perigo, pois se descobrem o que fizemos estamos feitos.
- Mas nós não fizemos nada, Stefan! Não devíamos estar sempre a fugir por uma coisa que não fizemos porra! – disse ela exaltada
- Tem lá calma, maninha. Eu sei que estamos inocentes, mas mais ninguém sabe disso, a história foi bem montada contra nós e nós não temos provas nenhumas a nosso favor. – disse ele levantando-se e andando de um lado para o outro
- Pois não, e porque será? Também nunca as procuramos, fugimos sempre. Tu próprio, sempre te preocupaste mais em fugir do que procurar provar a nossa inocência. – disse ela
- Não digas disparates, Monique! Eu sempre fiz tudo para te proteger, estás a ser injusta e muito mesmo. – disse ele chegando-se para a beira dela
- Não, não estou. Proteger-me? Correr de país para país, é uma forma muito estranha de proteger digo-te já! – disse ela e neste mesmo momento ela sentiu a mão do seu irmão na sua cara
- Desculpa, Monique! – disse ele agarrando-a – Eu não queria ter feito isto… — disse ele sendo interrompido pela sua irmã
- Não querias mas fizeste, mas digo-te uma coisa eu desta terra não quero sair, cansei-me de viajar, estou farta de fugir. E porque que tem que ser sempre como tu queres, Stefan? Vamos andar toda a vida nisto, a fugir do mundo? Não melhor fugir sem razão, por favor para de fugir e vamos realmente nos importar com o que é importante, arranjar provas! Vamos aquela maldita terra, para ver se as arranjamos e nos livramos disto de uma vez, por favor. – disse ela largando-se das mãos do irmão
- Tu estás parva só pode. Queres que toda a gente saiba aquilo que aconteceu, e nos censure por isso, ou melhor sermos presos. Ai sim, não resolvemos nada. – disse ele andando parecia uma barata tonta
- Se quiseres muda de cidade ou até mesmo de planeta, porque eu não saiu daqui! Já sou maior de idade, sei o que quero. – disse ela subindo as escadas para o seu quarto
- Monique! – gritou Stefan
Ela nem respondeu, simplesmente se fechou no quarto. Sentou-se na cama e desatou em lágrimas, ela sentia-se fugitiva mas sem razão. Tinha um aperto no coração que mais ninguém podia imaginar. Monique estava destroçada com a notícia e com o que tinha que fazer a seguir.
Não posso voltar a fugir, tenho aqui quem eu sempre desejei para mim. Não posso e não quero, eu preciso de lutar por ti, só tenho medo que tu ouças as palavras das outras pessoas, antes que eu consiga-me expressar. Eu não fiz nada do que me acusam, talvez o único erro que cometi foi fugir estes 8 anos, eu fugi de uma coisa macabra que nem eu nem o meu irmão cometemos, e ainda que já não bastasse temos que viver como fugitivos e olhar sempre por cima dos ombros para ver quando é que é a nossa vez de ir ver o resto dos nossos dias o sol aos quadradinhos. David cada vez que penso em ti, mais a certeza que tenho que cá ficar para tu me dares uma oportunidade de me ouvir, mas como é que vais ouvir uma pessoa como eu? Eu gosto tanto de ti, David! – disse Monique sozinha naquelas quatro paredes
Vanessa estava em casa a tocar bateria sozinha, quando de repente tocam à campainha, ela levanta-se para ir abrir a porta pois estava sozinha, a sua tia e irmão tinham ido às compras. Ela lá se dirigi à porta, e para seu espanto vê Chuck com um ramo de flores.
- Mandaram-me entregar estas flores para a menina Vanessa Desrosiers. – disse ele em tom meigo e com um sorriso
- É a própria! – disse ela pegando nas flores
- E também me disseram que por ter entregue as flores recebia um beijo. É verdade? – disse Chuck sorrindo e com um olhar sedutor
- Não sei, mas acho que não posso, tenho namorado e ele vive mesmo ali – disse ela apontando
- Mas ele disse que um beijo não fazia mal!
- Está bem, mas é melhor entrares. – disse ela fechando a porta
- E agora o beijo – disse ele chegando-se perto dela, ela pousou as flores na mesinha de entrada e pos-lhe os braços no pescoço e deu-lhe um beijo com a maior alegria do mundo
- Bem, acho que já esta a recompensa dada! – disse ela não o agarrando
- Sim, mas não era tudo o que vinha cá fazer. – disse ele com um sorriso matreiro
- Não? Então? – disse ela com uma cara de desconfiada
- Vinha cá também te convidar para um passeio, que tal? – disse ele dando-lhe um beijo na testa
- Hoje, não posso, Chuck. Tenho que cá estar quando o meu irmão chegar, tenho umas coisas para tratar com ele.
- Está bem, é pena. Mas eu compreendo! – disse ele com um cara tristinha
- Não fiques assim, amanhã já podemos sair se quiseres! – disse ela fazendo uma festa no seu rosto
- Se quiser? Mas é claro que quero. – disse ele largando-a e baixando-se para ver o que tinha na perna, pois estava alguma coisa a pica-lo
- Que foi, Chuck?
- Tenho aqui alguma coisa a picar-me – disse ele voltando a levantar-se e tirando das calças um espinho de uma rosa e de dentro da camisola também saiu um colar, que captou a atenção de Vanessa
- Que é isto? – disse ela pegando no colar, viu que nele estava um M desenhado e parecia que aquele colar tinha outra parte que encaixava
- Não é…não é nada! – disse ele atrapalhado metendo o colar para dentro
- Desculpa, alguma coisa é. Porque um M desenhado? – disse ela com cara desconfiada e afastando-se — Tu hoje de manha não o tinhas.
- Isso era porque o tirei. Mas calma, não é nada do que estás a pensar. – disse ele tentando-se chegar perto dela
- Eu não penso em nada, simplesmente porque conheço-te há pouco tempo. Mas o que quero agora é que tu saías, se faz favor! – disse ela afastando-se e apontando para a porta
- Mas…Vanessa, eu…
- Tu nada, saí! – interrompeu ela
Ele lá saiu contra feito e com cara triste e de quem tinha feito asneira. Ele atravessou a rua e sentou-se na entrada da porta com a cabeça nos joelhos.
David tinha chegado com a tia a casa, estavam todos animados. Estavam a tirar as compras da mala do carro e David vê Monique a passar no passeio e chama-a. Ela aproxima-se dele e ele comprimenta-a.
- Bem tia, esta é a Monique, é uma amiga da minha irmã, e Monique esta é a nossa tia. – disse ele apresentando-as
- Muito prazer! – disse Monique suspirando por estar perto de David
- O prazer…é todo meu – disse ela gaguejando e não se sentindo muito bem
- Tia! Esta bem? – perguntou ele atrapalhado
- Não…não estou…só preciso de ir lá dentro, desculpem! – disse ela entrando em casa atrapalhada
- Quer ajuda? – perguntou David mas a tia nem sequer respondeu – Está tudo bem, Monique? – disse ele a ficar corado
- Comigo está, a tua tia é que parece estar mal, não é melhor ires ajuda-la. – disse ela quando percebeu que ele se aproximava cada vez mais dela
- Não, a minha irmã está lá dentro! – disse ele pondo-lhe as mãos na nuca
- Bem, eu é melhor ir, desculpa – disse ela fugindo, outra vez
David ficou irritado por ela ter fugido outra vez, fechou a mala do carro com uma violência que até abanou o carro. Ele levou o resto das compras para dentro e pousou-as na cozinha, voltou para trás e fechou a porta com muita força que o barulho entoou a casa toda. David estava desolado, não sabia o porque de ela fugir assim, mas alguma razão tinha que ser. Vanessa assustou-se com o barulho e desceu a correr, olhando para o seu irmão de costas para a porta e com os olhos reluzentes, de lagrimas a formarem-se nos olhos. Vanessa desceu o resto das escadas e foi abraça-lo, ele bem estava a precisar daquele abraço, ele começou a chorar no ombro da irmã. E ela cada vez o abraçava com mais força, ele nem sequer tinha forças para o retribuir.
- Calma, maninho! Que se passou? – disse ela segurando a cara dele nas suas mãos
- Foi ela, outra vez…Ela fugiu, mais uma vez! Tenho alguma coisa assim de tão repugnante? Sou assim tao feio? Sou estupido? Alguma coisa tenho que ter.
- Não digas disparates, David! Tu és lindo, tanto por fora como por dentro, ela pode é simplesmente ter receio de começar uma relação, e isso é normal. Ela não nos conhece assim há tanto tempo, maninho. Tens que ter esperança e calma! E depois eu estou sempre aqui para ti, e para o que tu precisares. – disse ela dando-lhe um beijo na testa
- Obrigada, maninha. Eu amo-te tanto que nem imaginas, senão fosses tu a dar miminhos nem sei o que faria. – disse ele agarrando-a e dando-lhe um abraço forte
- Oh! – disse ela ficando corada – Agora podes me explicar onde a tia está?
- Não sei, ela entrou a correr. Disse que não se estava a sentir bem, apresentei-a à Monique e ela ficou assim, maldisposta. – disse ele não percebendo o que se tinha passado
- Então foi ela que entrou a correr? Bem, vamos lá em cima ela pode estar a precisar de alguma coisa. – disse ela dando-lhe a mão – E tu anima-te. Nem pareces o meu irmão.
- Sim vamos lá, então. – disse ele – Ai não? E assim? Já sou mais parecido com ele? – disse ele fazendo-lhe cocegas
- Assim sim – disse ela contorcendo-se toda pelas cocegas – Agora para! Primeiro vamos ver se a tia precisa de alguma coisa e depois tratamos disso!
- Ui, isso é uma ameaça? – disse ele fazendo-se de espantado
- Não é um aviso, agora vamos! – disse ela sorrindo e ele também retribuiu o sorriso
Subiram as escadas e foram pelo corredor até ao quarto da tia, que era o último do corredor. Chegaram à porta e David bateu, a tia respondeu que podiam entrar, eles entraram, a tia fez um gesto para eles se sentarem ali à beira dela. Eles obedeceram.
- Está bem, tia? O David contou-me o que se passou. – disse Vanessa preocupada
- Sim, estou, não precisam de se preocupar. Foi só uma má disposição passageira. – disse a tia com um sorriso
- Mas a tia ficou assim, só quando a apresentei à Monique. – disse David ainda confuso
- Pois, mas sabem…Nada esqueçam, foi das voltas que demos, não estou habituada a andar de carro tanto tempo. – disse a tia escondendo alguma coisa
- Se está bem é o que interessa, tia! Agora vamos preparar o jantar? – disse David com cara de esfomeado
- Tu só pensas em comer, maninho! – disse Vanessa despenteando-o
- Preciso de comer, porque….
- Estas em fase de crescimento! Já sabemos – disse a tia e Vanessa ao mesmo tempo, fazendo-o rir
- Vocês conhecem-me tão bem, que até já sabem o que eu vou dizer. – disse ele abraçando-o as duas
- Agora vamos lá, antes que ele nos sufoque! – disse Vanessa
Desceram os três, e foram diretamente para a cozinha e decidiram que iam fazer uma pizza. David comia mais do que ajudava, tudo o que pudesse apanhar, apanhava e comia, Vanessa atirava-lhe com farinha para ele parar de comer. A tia só se ria, de eles os dois se estarem a dar tão bem. Quando acabaram de a fazer, a cozinha parecia um campo de guerra da farinha.
Chuck estava no seu quarto a tentar se distrair, mas parece que isso não estava a resultar. Foi então que se atirou para a cama de barriga para baixo, mas logo depois se sentou na beira da cama e ficou a olhar para a janela, estava a ver o por do sol e a pensar o que se tinha passado naquela tarde. Sentia-se tão estupido e tão mal, ele nunca teve muito jeito para as palavras, mas nunca pensava que isso o ia atraiçoar num momento de pânico. Ele sentia-se incompleto, mas também ele não tinha feito nada de mal, só não tinha era explicado o que era o colar. Chuck colocou a cabeça nos joelhos e começaram as lagrimas a virem-lhe aos olhos.
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