Não Existem Coisas Más - 1 Temporada
1 Capítulo I - Principio de uma nova etapa
Notas iniciais
Ola, eu sou Vanessa Desrosiers tenho um irmão, David Desrosiers, nós somos daqueles irmãos tipo que não se dão lá muito bem, temos 4 anos de diferença e ele é o irmão mais velho, somos daqueles que mais de 5 minutos juntos e tudo parece fazer que comecemos uma nova discussão, talvez sejamos muito parecidos e talvez seja essa a razão por chocamos tanto. Vivemos em San Francisco numa moradia grande e espaçosa e somos uma família que não passa problemas financeiros, felizmente, mas harmonia familiar e pais presentes falta bastante, os nossos pais pouco nos ligam, mas quando nos ligam o David está sempre a refilar que ligam-me sempre mais a mim do que a ele. Será que ele tem
ciúmes da atenção que os nossos pais me dão? Não sei, mas poucas coisas ele faz comigo, às vezes lá me ajuda nos trabalhos de casa mas é só quando é obrigado, eu acho que ele não gosta de mim. Os nossos pais lá andam a viajar em trabalho outra vez, chegam hoje de uma viagem ao Canada.
David Desrosiers, estava no quarto a ouvir música quando o telemóvel tocou, mas como a música estava alta ele não ouviu. Os seus pais já deviam ter voltado há muitas horas atrás mas ele nem dava pelas horas passar e como já era normal eles andarem fora, ele nem se
lembrava que hoje estavam de volta. Vanessa ouvia do seu quarto, que era ao lado do quarto de David, o telefone do irmão a tocar e como ele não atendia por ter a musica muito alta, ela foi ter com ele ao quarto, bateu à porta e ele não respondeu, mas era normal ele não ouvir, entrou no quarto dele e ele nem se apercebeu da entrada dela, então ela foi-lhe bater no braço e ele abriu os olhos e desligou a musica, ele ia começar a mandar vir e ela interveio antes disso.
– Eu sei que não devia entrar assim no teu quarto, mas eu bati à porta e tu como é óbvio não ouviste. Era só para te dizer que o teu telemóvel esta farto de tocar, e já tocou imensas vezes. – disse isto e virou-lhe as costas e saindo mas deixando encostada a porta do quarto dele
David, debloqueou o telemóvel e viu 10 chamadas não atendidas mas não conheceu o numero, era um numero fixo, ele como estava mal-humorado nem se deu ao trabalho de ligar de volta e esperava que o numero voltassem a ligar. Ele levantou-se da cama e dirigiu-se à porta,
para ir à cozinha comer qualquer coisa para depois ir dormir, mas nisto o
telemóvel volta a tocar e ele voltou atras para pegar o telemóvel e ver quem era o tal número mistério. Vanessa do seu quarto ouviu o telemóvel do irmão a tocar outra vez, mas desta vez ele atendeu, ela ouviu-o a falar com alguém mas não conseguia entender o que ele dizia, foi então que se dirigiu para a porta do quarto para ver se tinham sido os pais a ligar. Quando lá chegou ela já não o ouvia a falar, foi então que espreitou pelo bocado da porta que tinha deixado aberta e viu que o seu irmão sentado no chão com as mãos na cara e a esconder as lagrimas, ouvia-se o choro dele no corredor, ela bateu à porta antes de entrar e ele por estranho que fosse mandou-a entrar, e ela entrou sentando-se à beira dele.
– David, posso-te perguntar porque que estas assim? – perguntou ela com receio da resposta do irmão
– Vanessa, tenho uma coisa para te contar…e isto não vai ser fácil dizer-te, nem sei como o fazer. Nunca tivemos uma relação que fosse normal de irmãos, logo é mais complicado dizer-te isto.– disse ele continuando a chorar e com um sufoco que lhe não deixava falar
– Mano, estás-me a assustar com essa conversa, por favor diz-me o que se passa. Eram os pais que estavam a ligar? – disse ela bastante assustada
– Não, mas é sobre os pais. Mana…os pais quando estavam a regressar para casa, tiveram um acidente muito grave e….– ele foi interrompido por o choro desesperado da irmã e por a sua preocupação
–Mas estão bem, não estão? Diz-me que sim, David… – disse ela assustada e num choro imenso
–Infelizmente… foram encontrados sem vida no local... – disse ele não se contendo e começou a chorar apavorado não aguentando a dor que sentia
– Diz-me que isso não é verdade, mano…não pode ser, não pode, David, não pode – ela ficou destroçada com a notícia e estava inconsolável num choro sem ter fim, ele por impulso ou outra razão qualquer agarrou-a e abraçou-a, ela surpreendeu-se com aquele abraço, mas depois daquela ação dele tudo parecia que era mais fácil suportar e que estava mais protegida, ela sempre quis um abraço do irmão, mas que ela se lembre aquele era o primeiro, ela sentia-se mais calma mas continuava a sofrer com a notícia.
– Calma, pequenina. É uma notícia terrível e que nunca estamos preparados para a receber, mas a vida é assim e nós os dois vamos superar esta fase vais ver. Eu estarei sempre aqui para ti. – disse ele abraçando-a cada vez mais, ele nunca tinha se tinha sentido tão perto
da sua irmã, mas a sensação era ótima, eles estavam desolados não sabiam o que se ia passar a seguir nem como seguir em frente, por muito que nunca se tivessem entendido, ambos tinham perdido aquilo que mais amavam e só se tinham um ao outro, e os seus pais se estivessem a ver queriam que eles se apoiassem mutuamente, afinal eram irmãos.
– David, posso-te dizer uma coisa? – disse ela abrandando o choro mas continuando abraçada a ele.
– Sim, diz mana. – disse ele de maneira terna
– Eu gosto imenso de ti, posso por vezes não demonstrar mas eu gosto. És tudo o que tenho agora, por isso não me abandones, por favor! – disse ela apavorada e assustada
– Eu também, pequenina, eu também. E não te vou abandonar, não te preocupes. Também és tudo o que tenho e que amo neste momento. Desculpa por ter sido um irmão estupido, até agora, mas confesso que tinha ciúmes, da atenção que os pais te davam, fui tão estupido. É nestes momentos que queria poder voltar atras no tempo – disse ele olhando-a nos olhos, mas abraçado a ela na mesma
– Não te preocupes, mano. Nós iremos recuperar o tempo perdido e sermos irmãos como o sentido da palavra o diz. – disse ela sorrindo e chorando ao mesmo tempo para o irmão
– Disso podes ter a certeza, a partir de agora seremos só tu e eu. Como já devíamos ter sido, pois passamos muito tempo juntos sem dar valor aquilo que eramos. – disse ele passando-lhe a mão no rosto e limpando-lhe as lágrimas, naquele momento a dor que sentiam era
forte mas aquela ligação que tinham reacendido era ainda mais forte.
Eles ficaram assim mais algum tempo abraçados em silêncio, só o abraço já significava muito para ambos, aquele momento estava a ser complicado mas assim abraçados parecia que o mundo e o tempo parava e tudo se tornava mais fácil. Ela por fim adormeceu no colo do irmão, mas ele não conseguia dormir, por isso ficou acordado a olhar para ela, pois era a única que lhe transmitia paz e força, ele ao tempo que estava a olhar para ela estava a pensar para como teria sido capaz de ter perdido aquele
tempo todo com a sua única irmã e perdido todo crescimento dela, pois ela agora já tinha 10 anos e não era mais criança nenhuma. Mas ele sentia que contudo que ele tinha feito e aquilo que não fez e devia ter feito, ela nunca deixou de gostar dele e que se calhar era a única que precisava de atenção que por vezes ele era o único que podia ter dado. Ele estava perdido nos pensamentos quando o seu telemóvel voltou a tocar, ele atendeu o mais rapidamente possível para que a sua irmã não acordasse.
– Estou? Quem é que fala? – disse ele não sabendo quem era que estava a ligar
– Estou, é a tia Eduarda, a irmã do teu pai. Já estás a ver quem é?
– Sim, tia. Pode dizer. – disse ele reconhecendo a voz
– Era para vos dizer a ti e a tua irmã, claro, que sinto muito o que se passou. E também para lhes dizer que não vou poder ir ao funeral porque tenho aqui uns problemas que não posso adiar, mas que depois do funeral vocês veem viver comigo, pois são menores de idade e não podem viver sozinhos como é obvio, então ofereço-me para tomar conta de vocês, acham boa ideia? – perguntou ela
– Não faz mal tia, nós sabemos que se pudesse vir você viria. E sim, é uma boa ideia, e obrigado por o que esta a fazer por nós tia Eduarda, a família é muito grande mas nem toda a gente é como a tia, e depois vão ao funeral chorar por falsidade ou por obrigação. – disse ele revoltado
– Tens razão meu filho, mas a família não se escolhe. Depois envio-vos os bilhetes de avião para ai, vou marcar a viagem para a semana para terem tempo de arranjarem as vossas coisas e virem descansados, está bem? – disse ela com um brilhozinho nos olhos
– Está bem, tia. Mais uma vez obrigado. – disse ele quase a chorar
– De nada, vocês são como filhos para mim, já sabem, vi vocês os dois crescerem. Depois no dia que vocês vierem eu vou-vos esperar ao aeroporto não se preocupem com nada. – disse ela também meia emocionada
– Sim. Eu depois conto isso à Vanessa é que ela está aqui no meu colo a dormir, não se preocupe você com isso.
– Era mesmo isso que te ia pedir, David. Então já está tudo combinado. Até ao dia que vocês chegarem. E já sabes se precisarem de alguma coisa, não hesitem em telefonar.
– Sem problema. Até a esse dia, tia. Beijinho – disse ele emocionado
– Beijinho – disse ela desligando o telefone
David olhou para o seu colo e viu que a irmã continuava a dormir sossegada, mas ele olhou para a janela e viu que já era de manhã olhou para as horas e já eram 9h, tinha sido uma noite longa e ele sem dormir. Ele deu-lhe um beijo na testa, e mexeu-lhe no nariz para ela acordar, e ela lá se espreguiçou e abriu os olhos, ele sabia que aquilo ia resultar, pelo menos era o que a sua mãe dizia. Ela ao abrir os olhos, olhou para ele deu um leve sorriso, ele ao ver aquele sorriso deliciou-se, nunca tinha visto um sorriso tão magico, ela levantou-se do colo dele e sentou-se ao seu lado.
– Bom dia, irmão! – disse ela sorrindo mas no fundo era tristeza que ela sentia.
– Bom dia, mana. Mas agora vai tomar um bom banho que eu vou lá abaixo fazer o pequeno-almoço para nós, para depois te contar uma outra notícia. – disse ele em tom carinhoso,
– Mas podes dizer agora, mano. Estás-me a deixar preocupada. – disse ela curiosa e assustada ao mesmo tempo.
– Não, é melhor ficar para falarmos ao pequeno-almoço, mas não te preocupes não é nada de grave. – disse ele reparando que ela estava com medo que fosse outra má noticia.
David dirigiu-se ao piso de baixo para preparar o pequeno-almoço e Vanessa seguiu para o banho. Ele estava contente por conseguir-se entender com a sua irmã, mas por outro sentia um grande vazio dentro dele por ter perdido duas pessoas que amava e que sempre o amaram, mesmo eles sendo pais ausentes, ele sempre soube que os para os seus pais os filhos eram a prioridade principal, bastava um estar doente, e ou a mãe ou o pai, ficavam em casa a tomar conta deles. Foram pais ausentes, mas no fundo sempre presentes e preocupados, e tentavam sempre que eles os dois se entendessem. Ele naquele momento estava a pensar que tinha desperdiçado tanto tempo a fazer birras e a discutir com os pais que nem se apercebeu que estava a perder o tempo que podia ter trazido mais harmonia à família, mas ele sabia que tudo naquele momento tinha mudado, e ele agora estava dedicado a aproveitar o tempo com a sua irmã. Ao tempo que pensava preparava o pequeno-almoço, preparava umas panquecas e um sumo de laranja natural, pois não havia mais nada de jeito para o pequeno-almoço, pôs tudo na mesa e nisto, ouviu a sua irmã a gritar lá de cima.
– David, preciso de ajuda. – gritou ela da casa de banho
– Já vou, mana – disse ele e subiu logo as escadas. Chegou lá em cima e bateu à porta da casa de banho – Diz, já aqui estou!
– Vai ao meu 2º gavetão e procura uma camisola azul com carapuço, e pendura ai à porta, por favor.
– Sim já vou buscar. Mas agora ajustaste-me, pensava que tinha sido alguma coisa de grave. – disse ele ainda a recuperar o folgo por ter vindo a correr
– Desculpa, David. Não era essa a intenção, mano – disse ela meia triste do outro lado
– Eu sei que não era, não te preocupes. Eu já vou buscar! – disse ele ternurento
David foi então que foi ao quarto da irmã, e reparou que nunca tinha lá entrado, mas era um quarto tão grande quanto o dele eram da mesma medida, as paredes estavam pintadas de azul cor de mar e o teto de um laranja claro. Na mesinha de cabeceira reparou que estava uma fotografia dela com os pais, e na outra estava uma dela só com ele, aquilo fez que ele percebe-se mais uma vez que tinha sido tão estupido todos aqueles anos. Depois destas emoções todas ele ia se esquecendo da camisola, foi então que já não se lembrava se ela tinha dito no 1º ou 2º gavetão, ele então começou pelo primeiro revistou tudo mas não viu a camisola dentro dele, quando ia a fechar para passar para o segundo ele reparou que estava uma folha dobrada com o nome dele, ele pegou na folha e reparou que ela estava toda amassada, ao primeiro não se lembrou daquela folha mas depois veio-lhe à ideia que aquela era a folha que a uns anos atras tinha estado na sua secretaria e que ele nem sequer tinha aberto e só tinha amassado e deitado no balde do lixo, mas a curiosidade agora
apertava então ele abriu e viu um desenho de escola primaria pintado a tinta, com duas pessoas apenas uma era ele e outra era ela, dizia nas camisolas quem era quem, e esses duas pessoas estavam a sorrir juntas depois reparou num canto que dizia “Eu gosto muito de ti, Irmão”, aquilo fez com que lhe caísse lagrimas dos olhos e molhasse o papel. Nesse momento reparou que tinha a data de quando tinha sido feito e logo percebeu que era a mesma que a data que se celebrava o dia
do pai, ele percebeu aquilo como se ela visse nele um segundo pai.
Como fui tão estupido estes anos todos? Como? Ela só queria que eu percebesse que ela gostava de mim. E eu estupido não lhe liguei nenhuma, porque estava a preocupar-me demais com as birras e a só a queria afasta-la de mim. És tão estupido David Phillippe Desrosiers! – ele
neste momento falava sozinho, mas alguém interrompeu o seu monologo
– David, a camisola? Não encontras? – disse ela
– Não, quer dizer, sim encontrei.Já a vou levar! – disse ele, procurando logo a camisola no 2ºgavetão
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