Não Deixe O Amor Passar
15 Capítulo 15 - Um Amor Para Recordar
Notas iniciais
Las Vegas — Nevada
Dois meses. Já fazia dois meses que ele estava de volta a Las Vegas. E dois longos e torturantes meses que não conseguia tirar a linda e jovem morena Sara Sidle de seus pensamentos. Estava absolutamente, perdidamente apaixonado por ela. Estava também frustrado. Desde que chegara a Vegas não conseguira manter contato com a perita, tampouco tivera a chance de despedir-se dela quando partira de São Francisco. Quando ele saiu do quarto, indo ao seu encontro para lhe contar que precisaria voltar urgentemente para sua cidade por causa de um caso, ela já não se encontrava mais ali. Ela o havia abandonado.
Voltara a Las Vegas rapidamente porque havia surgido um caso muito difícil e Catherine lhe ligou pedindo que voltasse o quanto antes. O caso envolvia assassinatos em série. Um maníaco matava jovens mulheres por asfixia aparentemente de maneira aleatória, mas no fim se provou que ele matava mulheres semelhantes e com a mesma profissão que sua mãe tinha quando jovem: bailarinas. Ele havia sido abandonado pela mãe quando ainda era bebê, para ela seguir com a carreira profissional e o resultado foi que o assassino passou a odiar tais profissionais. Grissom pensou ingenuamente que seria questão de pouco tempo resolvê-lo, pedir demissão e voltar a São Francisco para os braços de sua doce Sara. No entanto, aquele caso provou ser mais difícil do que parecia. Conseguiu resolvê-lo com o empenho de toda sua equipe, não tão rápido como desejava, mas enfim conseguiu. Quando enfim pensou que poderia partir, se viu envolto em outros tantos casos que exigiram sua presença e liderança e lançaram por terra seus sonhos mais lindos.
Tudo o que tinha eram lembranças dos doces momentos que vivera com Sara em São Francisco. Como queria voltar! Como queria tê-la em seus braços novamente. Todas as noites, em seu apartamento, ficava deitado, desperto, lembrando-se dos lábios de Sara, da doce entrega de seu corpo em seus braços, seu tremor em resposta às carícias em sua pele macia. A cada dia aquilo crescia e ficava mais difícil dormir a cada suspiro que dava. Como sentia a falta dela! A todo o momento se imaginava despindo-a, beijando-a, acariciando-a e era amaldiçoado por uma imaginação sensualmente vívida, de modo que cada pensamento era quase real, exceto por não satisfazê-lo. Isso estava deixando-o louco. E não ter notícias dela mais ainda.
Encontrava-se agora sentado atrás de sua mesa, em seu escritório com olhar fixo em um ponto qualquer. Tentou mais uma vez comunicar-se com Sara sem obter êxito. O número não existia mais. Com uma dor lancinante no peito, como quem fora trespassado por uma espada, ele passou a acreditar que ela já não o amava. Idiota! Burro! Só um tolo poderia acreditar que ele era tudo o que ela precisava. Naquele momento tomou a decisão mais difícil e dolorosa de sua vida: esqueceria Sara, tudo o que ela significou para ele, todos os momentos que viveram juntos. Sufocaria aquele sentimento avassalador que lhe consumia a alma.
Ele sorriu tristemente. Havia sonhado os sonhos mais lindos com ela: construiriam uma família, estariam cercados por amigos, teriam um lar... Havia desejado ter tudo com ela. Cheio de fantasias como um adolescente tolo, se permitira erguer um castelo de ilusões e naquele lindo olhar, cheio de emoção previra mil aventuras. Imaginara também as noites com ela. Como imaginara! Aquele corpo esguio fora sua luz, sedução, poema divino cheio de esplendor. E aquele sorriso? Ah, aquele sorriso! Perdera as contas de quantas vezes se vira preso, inebriado, entontecido com aquele olhar. Fascinação. Essa era a palavra. Ela fora sua fascinação, mas agora tudo seria diferente*.
Tomada essa decisão, Grissom fechou-se completamente e tornou-se ainda mais reservado que antes. Vivia apenas para o trabalho, não tirava folga ou férias, e não se permitia envolver-se emocionalmente com ninguém. Nas semanas que se seguiram, tudo correu bem. Ele já nem se lembrava mais de Sara. Mas o destino sempre conspira a favor dos corações que estão predestinados a ficarem juntos, e o que é uma tragédia para uns, pode ser a chance de um novo começo para outros.
Ele não estava preparado para o aconteceu. Um inquérito administrativo. Uma jovem e inexperiente perita que viera trabalhar com eles, havia morrido durante uma investigação. Ela analisava a cena do crime sozinha, seu companheiro de trabalho Warrick Brown, havia deixado-a sozinha ali para fazer uma aposta em corridas de cavalo. Ele pensou que não haveria problemas, mas ela foi surpreendida pelo criminoso, que ainda se encontrava na cena. Ele precisava de uma pessoa imparcial para essa investigação. Por mais que tentasse apenas um nome vinha em sua mente. Relutou o quanto pode, mas enfim deu-se por vencido. Fez o possível e o impossível para entrar em contato com aquela que um dia fora a dona do seu coração. Conseguiu o que queria. Mas não falou com ela, falou com o supervisor dela por telefone.
_ Senhor Johnson, aqui quem fala é Gilbert Grissom – ele começou a falar – preciso de um favor seu. Preciso de Sara Sidle aqui em Vegas urgente.
E explicou tudo o que havia acontecido. Johnson concordou. Ele teria Sara novamente junto a si, mas nem em sonho cometeria o mesmo erro. Não daria novamente seu coração para ela. Ele já havia superado aquela fase. Ou pelo menos pensava que havia superado. Dessa vez seriam apenas companheiros de trabalho, nada mais. E, se Deus permitisse, por pouco tempo. Ele não tinha ideia de como seria diferente.
*Releitura da música Fascinação de Elis Regina.
Notas finais
Só continuo a fic se tiver mais comentários. Amo escrever, mas sem incentivo, ficamos desmotivados... (momento de drama kkkk)
Até o próximo capítulo!
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