Método Único
9 Capítulo 7
Érick
Não demorou muito e o Sr. White, junto com dois outros professores, nos acharam. Ouvi-os gritando nossos nomes e fui rápido para respondê-los. Mia ainda estava mal. Chegamos ao acampamento e a ambulância já estava a nossa espera para levar-nos ao hospital. Eu só tinha alguns arranhões e estava com fome e frio. Quem precisava de toda a atenção era ela.
No hospital fizeram alguns exames e me liberaram rápido. Na recepção Paul e Jack esperavam por mim.
— Hey, cara! Como é que você tá? – perguntou Paul.
— Tranquilo. – respondi caminhando em direção a recepcionista – Pode me dar informações sobre a garota que chegou comigo? O nome dela é Amélia Diaz.
A mulher pesquisou alguma coisa e se virou para mim sorrindo. — Ela está bem, está tomando soro agora.
— Mas...
— Ei, cara, não é melhor você se sentar? – se preocupou Jack.
Eu não daria ouvidos antes de saber como ela estava realmente... Mas sentar me parece uma boa ideia agora.
Assim que me sentei, vi uma garota ruiva e um cara loiro levantando desesperados assim que um médico apareceu.
— Como a Mia está? — perguntou o cara loiro, parecendo aflito.
— Vocês são da família dela?
Prestei bem atenção.
— Eu sou a responsável no memento. Sou a professora dela. – disse a mesma senhora que nos deu o galão d’água.
Nem a vi passar por mim.
— Ela está bem, sofreu uma torção forte no tornozelo, mas nada grave. Um pouco de repouso e ficará melhor.
— Graças a Deus!
Ainda bem...
A senhora caminhou até minha direção e perguntou se eu estava bem. Até que ela não era tão assustadora assim.
— Vai ligar para os seus pais? – perguntou Paul.
— Não precisa. Eu estou legal.
Paul e Jack devolveram minhas coisas e disseram que tinham que ir para casa, me perguntando se eu queria carona. Expliquei que ainda não tinha sido totalmente liberado, pois esperava os resultados de alguns exames. Então eles se despediram e foram embora.
O cara loiro disse que pegaria algo para os dois comerem e a garota ruiva pediu café. Assim que ele saiu, ela se sentou ao meu lado.
— Você é Érick né? — perguntou séria.
Confirmei.
— Sei que é o tutor da Mia. Obrigada por cuidar dela. – disse ela pegando o celular – Droga, meu celular morreu! Posso usar o seu?
Estendi o meu para ela.
Por que mesmo agradecendo ela me parece tão ríspida?
Ela discou um número sem nem ter dúvidas. — Ah, oi tia, é a Camila. Então, a Mia acabou torcendo o tornozelo numa brincadeira, sabe como ela é desastrada né? Mas pode ficar tranquila que ela está bem... É, a gente está no hospital, mas não é nada grave, só que a gente vai voltar só amanhã, eu acho... Pode deixar, eu mando ela ligar depois... Beijo, tchau.
Devolveu o celular e agradeceu.
Por que só tinha ligado para a tia? Ela não ligaria para os pais dela também? Onde estavam esses pais afinal?
— É Camila né?
A garota parecia bem séria, mas confirmou.
— Você é bem próxima dela?
— Ela é minha melhor amiga. Por quê?
Ok. Acho que ela não gosta de mim. Tanto faz, estou curioso.
— Onde os pais delas estão? De verdade...
Ela me olhou um pouco surpresa, então virou para frente e abaixou o rosto com uma expressão triste.
— Eles não estão viajando não é?
Ela riu fraco. — Ela ainda fala isso para os outros?
...
— Ela não gosta de contar para os outros. Depois do acidente, todos começaram a olhá-la com pena. Ela ficava incomodada, dizia que ver os rostos das pessoas a olhando daquele jeito era o mesmo que ver sua própria dor e tristeza por toda a parte. Desde então, quando se mudou para morar com a tia, ela quis recomeçar, seguir os passos dos pais na música... Acho que esse também é um dos motivos dela não querer fazer muitos amigos, assim ela evita a intimidade, logo as perguntas sobre a família. David a conhece desde a infância, se mudou para cá um pouco antes dela. Já eu... me sinto honrada por ela me querer como amiga ao ponto de me contar tudo.
Hum...
— Eu nem deveria estar te contando isso, mas... – ela de repente mudou a postura triste e pareceu querer me peitar de frente – Estou falando isso para deixar bem claro que a Mia não é como uma de suas alunas, que só querem um flerte com um professor jovem de rostinho bonito. Ela já sofreu demais, então é melhor que se lembre disso, se um dia pensar em usar seus truques estúpidos para conseguir dinheiro fácil.
— U-uhum. — isso me assustou.
Todo mundo já sabe do meu método?
O cara loiro chegou meio estressado (ignorando minha presença), dizendo que tinha esperado na fila para nada, pois na vez dele acabou o café. Ela disse que era melhor assim, já que queria ver como Mia estava. (não podia entrar com comida).
Antes de entrar, ela deixou o cara loiro indo na frente, enquanto voltava na minha direção. — Ah e, não comente nada com ela... o que eu te disse.
Sem esperar pela minha resposta, ela entrou.
Não demorou muito para os dois voltarem. Camila falava no celular e parecia contrariada. — Mas pai... O quê? Ele desligou na minha cara! – e devolveu o celular com raiva para o cara loiro.
A mesma senhora foi até eles. — Acho que vocês deveriam voltar junto com os outros para a cidade. Seus pais devem estar preocupados. Principalmente os seus, Camila, já que veio sozinha para cá.
— Não deveria ter falado nada para você. – o cara loiro se repreendeu.
— Não fala besteira! Ela é importante para mim tanto quanto é para você.
Depois de relutar um pouco, ela concordou em ir embora para casa, já que a mesma senhora disse que ficaria aqui com ela e daria notícias.
O resto dos meus exames saiu. Eu realmente estava ok.
Quando voltei para a sala de espera, a senhora estava totalmente apagada no banco. Fui até a recepcionista de novo. — Pode conseguir um lençol ou algum edredom para aquela senhora ali?
— Sim, claro!
— Ah e, pode me dizer qual o quarto em que Amélia Diaz está?
Ela verificou no sistema. — 301.
— Obrigado.
Foi fácil achar o quarto. Mia parecia melhor. Ouvi Camila falar de ela ter tomado alguns remédios para dor.
— Você está aqui?
Levei um susto, mesmo que sua voz fosse bem fraca. Jurava que estava dormindo.
— Uhum. – me aproximei da cama.
Ela sorria de leve.
Por que ela estava sorrindo de repente?
— Veio por que me machuquei? – ela deu uma risada curta e fraca – Então devo me machucar mais vezes.
Que bobagens ela estava falando? Será que é uma das alucinações que Camila disse que estava tendo. Mas quem ela achava que eu era?
— Pare de falar e volte a dormir.
Ela franziu a testa e balançou a cabeça negando lentamente. Por um momento só me encarou e não disse mais nada. Olhou para minha mão e a pegou, tentando segurá-la com o máximo de força que podia. — Sinto sua falta, papai.
Dessa vez eu franzi a testa. Meu peito se apertou.
— Eu não... Ei, você tem que descansar. – tentei ser sereno.
— Vai estar aqui quando eu acordar?
Pensei um pouco. Talvez a pessoa que ela achava que eu era não fosse estar aqui, mas...
— Sim, eu vou.
Mia sorriu mais uma vez, diferente dos outros sorrisos que já vi, esse parecia triste. E voltou a dormir. Então a luz se refletiu em seu rosto, me deixando enxergar as lágrimas que desceram escondidas.
Ah, não devia ter perguntado nada para sua amiga. Não sei se isso é pena ou se me sinto mal por você, mas, de alguma forma, agora quero te proteger.
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