Máscaras
1 Prólogo
O sol terminava de se por atrás de uma cortina de nuvens compacta e cinzentas, banhando em longas sombras o cenário chuvoso da cidade de Leeds. Era àquela hora que todos se recolhiam, pouco movimento nas ruas frias e nevoentas, somente alguns pedintes nas calçadas gélidas. Era inverno, algo em torno de menos seis ou menos quatro graus, todos com um mínimo de sanidade procuravam se aquecer em suas residências quentes e aconchegantes.
- Por que temos que vir para esse fim de mundo gelado mesmo?
O tom de voz irritado deixava claro o desagrado por ter deixado a terra natal, mesmo no inverno a Grécia não costumava ser muito fria. E como repugnava o frio.
- Seu pai quer que você crie laços com uma família de grande importância daqui. Negócios, lembra-se?
Nem mesmo virou-se para responder ao escorpiano, ele já havia levantado aquela questão tantas vezes naquela semana que sua resposta era automática. Sua atenção era fixa na espada repousada sobre seu colo, estava polindo o metal trabalhado à cerca de duas horas, desde que começara a chuva.
- Como estão os preparativos para o baile?
- Sinceramente? Não faço a menor idéia. Os criados estão organizando, disseram que estará pronto em cerca de uma semana, acho que já enviaram os convites.
Deslocou sua atenção da janela agora completamente escura, para o bar em sua estante vitoriana, serviu duas doses de conhaque antes de tornar a falar.
– Essa cidade é tão enfadonha, Aiolia.
Abriu um pequeno sorriso mediante as palavras duras do grego sobre o local, serviu-se do copo que este lhe oferecia, tomando um pequeno gole antes de responder.
- Não é tão ruim, Milo. Dê uma chance. Tem pessoas bem interessantes por aqui.
- Só fala isso porque conheceu aquele espanhol ontem à noite. – A malicia era evidente em suas palavras, o que deixou o leonino levemente desconcertado.
- Só estou lhe dizendo para dar uma chance à cidade. Virá pessoas de toda a Inglaterra para seu baile. Deve ser no mínimo interessante. – Repousou a espada e o copo sobre uma das mesas a um canto. – Estou indo me deitar, boa noite, Milo.
Observou o amigo se retirar com um sorriso em lábios, irritar o leonino sempre lhe animava.
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O toque da aldrava ressoou sobre a madeira escura, levando o ruivo a erguer os olhos do livro que prendia sua atenção, esperou até seu mordomo atender antes de voltar à atenção para a leitura.
- Monsieur Camus?
Ergueu novamente os olhos, o semblante sério, podia ser facilmente confundido com indiferença para quem não o conhecesse.
- Sim?
- Chegou um convite, monsieur. – Estendeu o papel com letras trabalhadas em dourado.
Recolheu o convite das mãos do mordomo, logo em seguida ouviu ele se retirar. Colocou o papel, ao seu lado, sobre a mesa de mogno escuro sem ao menos abri-lo. Já estava acostumado a convites para bailes, em geral das moças solteiras da cidade, no total ignorava-os.
- O que é isto?
Suspirou ao ter sua atenção novamente roubada do livro, levou os olhos até a fonte da voz e viu seu sobrinho, Hyoga, lendo o convite com certa animação.
- Nós vamos, Mr. Camus?
- Non.
- Por que não? É um baile de máscaras, organizado por um grego.
- Não quero ir, Hyoga. É perda de tempo.
- Desde que saímos da França e viemos para cá, nunca saímos, Camus. Não conheço ninguém nesta cidade.
Estreitou os olhos com certa exasperação ao observar o tio fechar o livro e se levantar.
- Não é em bailes que conhecerá gente interessante, vá a biblioteca.
- Não mesmo. Irei a esse baile.
Impassível como sempre voltou-se para o mais novo, uma das sobrancelhas levemente erguidas.
- Você vai?
- Sim vou. – Sabia que estava pisando em terreno perigoso, mas o baile prometia ser magnífico.
- Com quem?
- Já tenho idade para ir sozinho.
Analisou a situação toda por um instante. Bebidas, mulheres e seu sobrinho, sozinho no meio de tudo isso. Fechou ainda mais o semblante antes de responder.
- Tudo bem, Hyoga. Nós vamos ao baile.
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Abriu os olhos com a repentina claridade branca que invadiu seu quarto, momentaneamente desnorteado pelo sono interrompido, tudo que fez foi agradecer intimamente por ser inverno, assim mesmo estando claro, não havia sol em seu rosto.
- Já passa de onze horas, irmão.
Revirou-se na cama cobrindo a face com o travesseiro de plumas, resmungou qualquer coisa em resposta às palavras em tom doces do irmão.
- Vamos, Ikki. Nós temos que ir à cidade.
Sentou-se na cama ao lado do mais velho sorrindo com a indolência dele, pousou as mãos sobre o cobertor puxando de uma só vez o pano macio e aconchegante. Seu rosto enrubescendo quase que instantaneamente.
- E você nunca vai dormir vestido, não é mesmo?
Finalmente sentou-se na cama, a expressão pesada pela noite mal dormida.
- Vestido? Para que? Somo somente eu e você aqui, Shun. Os serventes nunca ficam no mesmo cômodo que eu.
Uma breve risada fez-se ouvir, enquanto dirigia-se ao banheiro, entrou na banheira que já se encontrava cheia de água quente à sua espera. Demorou cerca de meia hora no banho relaxante, quando saiu vestiu os trajes vitorianos de forma rápida e desleixada. Chegando a sala encontrou Shun entretido lendo a correspondência.
- Chegou um convite, irmão.
- Convite?
Sentou na poltrona diante do mais novo, que lhe estendeu o convite com um sorriso em lábios.
- Vamos? Parece divertido.
Analisou o convite, logo em seguida deu de ombros.
- Tanto faz.
- Eu irei.
- Então eu irei para tomar conta de você, não é? Já chegam as moças aqui na porta procurando por você Shun.
Abriu um largo sorriso abraçando o mais velho.
- Vai ser primoroso. – Deu um beijo em sua face, antes de prosseguir. – Agora vamos almoçar.
Notas finais
Esta aqui vai dedicada à Marina, que me inspirou à escrever uma fic de vários capítulos, senão eu nunca ia ter paciência. p-
Espero que curta e os outros também. Beijos. :3
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