Mystic
5 Transfiguração
Notas iniciais
A chuva... Um fenômeno natural na qual Rem sempre admirava. Maldição para uns, benção para outros. Quando ela vem, tudo pode se renovar ou se acabar... Estranhamente nesse momento, só podia ouvir o som que ela fazia ao seu redor, era fria, quase congelava, porém agradável, infelizmente seu coração já estava quase na mesma situação...
Estava prestes a perder a consciência, quando então ouviu uma voz grave, porém muito suave, que dizia:
–Você quer viver?
Rem foi levado a algum tipo de sala escura, nada de moveis ou qualquer tipo de decoração, a não ser pelo fato de haver um pedestal com uma espécie de luz brilhante ou algo do tipo, havia muitas cores ao mesmo tempo, queimava como fogo, porém fazia barulho de muitas cachoeiras. Nem ao menos por um momento conseguiu entender onde estava e o que era aquilo.
–Você quer viver? — Novamente a voz veio ate ele.
–Quem é você? Onde estamos? — Perguntou Rem atônito.
–Eu sou eu, nada mais do que isso, eu existo desde a criação de tudo, eu sou o protetor das nações, o guardião na qual a terra tem clamado por muito tempo... Nós estamos dentro de você, meu jovem, na sua consciência...
–Do que você está falando e desde quando entrou em mim? — Rem ficou extremamente confuso naquele momento, aquilo pareceria ser loucura aos seus olhos...
–Eu sempre estive aqui, desde quando você nasceu, eu já estava dentro da sua mente, dentro de seu corpo, esperando o momento certo, a hora em que precisaria de mim e eu precisaria de você...
– Precisa de mim para quê?
–Essa guerra tem durado tempo demais Rem, já é hora de acabar com ela, chega de perguntas por hoje... Você ainda tem uma luta pra terminar... Até mais Rem! Nossa conversa será adiada para outra hora...
– Não! Espera aí, eu ainda preciso sab-b-e
Rem sentiu algo pulsando em seu peito, e um calor muito grande o tomou, a água da chuva em seu corpo começou a evaporar, e o calor, embora forte, não era algo agonizante, ao contrário, era confortante.
Seu corpo começou a se levantar e mexer, como se tivesse algo o controlando, não conseguia medir ou sentir seus movimentos, menos ainda o fato de enxergar o que se passava a sua volta, via apenas alguns vultos e em flashs. Sentia que estava se movendo rapidamente e um sentimento muito forte misturado com êxtase corria em suas veias, sentiu-se como se estivesse incontrolável, mas também, em verdade nem sabia o que se passava ao seu redor... Tudo estava acontecendo muito rápido, quando então sentiu uma explosão de calor em sua mão. Nesse momento sua visão começou a voltar ao normal e em alguns segundos saberia o quê se passava... Por alguns segundos Rem se perguntou se havia morrido e estava no inferno...
Quando retomou os sentidos, a surpresa. Olhou calmamente tudo ao seu redor e ficou sem nenhuma explicação lógica em sua mente para o quê se passava.
–O que aconteceu aqui?
Disse Rem apavorado e perplexo diante da situação em que se encontrava. O Devil, de alguma forma, estava caído ao chão morto com um grande buraco em seu peito e seu corpo todo chamuscado por fogo e destroçado. Naquele momento, o Devil parecia apenas um coelho que foi destroçado por uma raposa. Rem Olhou suas mãos e elas estavam cheias de sangue negro e sua armadura estava quente...
–E-eu f-fiz isso?
Quando então tomou por surpresa, a ferida, que quase o levara à morte, que o fez perder todos seus sonhos e esperanças, magicamente, estava cicatrizada. O espanto o consumiu, ainda sentia-se quente e aquele sentimento dentro de si. E então ouviu:
– Jamais vi algo assim em toda minha vida...
Olhou para o lado rapidamente e a viu, era a princesa. Uma linda elfa de cabelos loiros e olhos verdes. Mas nesse momento, ela estava escorada em uma árvore, molhada pela chuva e suja por lama com os olhos arregalados mirados em Rem:
–Quem é você?
Vê-la o deixou alegre, pois o objetivo de tudo era resgatá-la com vida e segura, ela estava em péssimas condições comparadas a que vivia, mas ao menos estava viva. Rem resolveu responder sua pergunta para tentar localizar-se:
– Meu nome é Yuuka Rem, sou um guerreiro do Reino Humano. E, primeiramente minha missão era te levar sã e salva ao reino humano — parou Rem e engoliu a saliva — mas as coisas mudaram um pouco e cá estamos nós.
Deu um leve sorriso fingindo que sabia de tudo que aconteceu ao seu redor, pois não queria espantar a pobre princesa, parecia tão gentil e inocente. Por isso tentou mostrar convicção em suas palavras...
–O quê foi aquilo?
Quando ela perguntou isso, caiu sobre Rem à realidade outra vez, afinal, o que aconteceu aqui? Ele deveria estar morto nesse momento, a princesa era pra ter sido levada pelo Devil. Mas tudo estava bem, incrivelmente ele estava curado daquela ferida que deveria ter sido mortal e o Devil estava morto. Aquilo tudo indagava-o profundamente...
–Suas mãos e seus olhos estavam em chamas, e-e então você veio correndo e saltando pelas árvores numa velocidade na qual meus olhos mal conseguiam acompanhá-lo. E então como se fosse nada você com um olhar sombrio, perfurou o Devil como uma folha. — disse a princesa fazendo gestos com as mãos — Eu acabei sendo arremessada por ele para longe e perdi a consciência por alguns segundos, mas não me feri gravemente... Não sei o que se passou aqui jovem guerreiro, e ao olhar para seus olhos também acho que está sem entender o que se passou...”
Suas palavras penetraram na mente de Rem, ficou em silêncio pensando de cabisbaixo...
– Apenas siga em frente Rem...
A mesma voz impactante soou na sua cabeça fazendo-o acordar.
–Princesa, você pode manter o quê viu aqui agora em silêncio?
Preocupou-se ele caso alguém soubesse o que havia acontecido, não queria atrair esses tipos de olhares para si nesse momento.
– Pode jurar em não contar nada por enquanto, princesa? — insistiu Rem.
– Embora seja contra meus pensamentos, estou em dívida com você, Guerreiro Rem, manterei segredo por enquanto, eu juro, mas apenas por hora...
Enquanto ela terminava de falar Maria e Flecher apareceram correndo.
– Uau! O que aconteceu aqui Rem? Parece que você levou a serio essa historia de acabar com o Devil, ele esta parecendo um rato morto no chão. — Disse Flecher com seu jeito sarcástico.
– Não há tempo para explicações agora meu amigo, vamos sair daqui, a chuva parou e temos que levar a princesa, ela está toda ensopada e pode acabar se resfriando.
Rem Pegou uma capa que estava na tenda e colocou por cima da princesa, — vamos voltar para casa...
– Rem! Estamos um pouco longe de casa, levaríamos no mínimo 1 hora a cavalo para atravessar essa floresta, mas estamos a pé, o que pode levar muito mais. Sem falar que estamos apenas em três, pode haver mais orcs pelo caminho, o mais sensato é voltarmos ao reino Elfico para deixa a princesa sã e salva e depois esperar até que mandem reforços para escoltá-la em segurança, não acha? — Falou Maria com convicção.
De fato era muito melhor voltar ao reino Elfico, estavam muito perto, levariam alguns minutos a pé e era muito mais seguro, todos consentiram com a cabeça para Maria.
– Certo pessoal, ficaremos uns minutos aqui para nos preparamos para voltar, Maria, procure na tenda ou na carruagem alguma roupa seca para a princesa e algo mais ágil, acredito que ficar de vestido no meio da floresta não deve ser muito fácil. — após se afastarem do acampamento Orc, Rem dirigindo-se para Flecher disse — pegue alguns peixes no rio, precisamos comer.. Eu vou procurar alguma lenha que não esteja molhada.
Resolveram fazer essa parada antes de voltar para acalmar um pouco a situação, todos estavam tensos e com certeza famintos, Rem achou alguns pedaços de lenha e voltou para o grupo, Flecher havia pegado alguns peixes no rio, sua lança era ótima para isso, e a princesa agora estava seca, com uma roupa limpa e mais leve do que um vestido.
Sentaram ao redor do fogo enquanto os peixes assavam, e a princesa começou a falar.
– Às vezes é difícil acreditar que o reino humano fica apenas a um dia do nosso Reino, essa densa e alta floresta nos separa. — com os olhos fixos na fogueira perguntou — conhecem a lenda desta floresta?
Olharam uns para os outros e balançaram a cabeça para os lados.
– Os anciões elfos nos contam que essa floresta era pequena a milênios atrás, era iluminada pelo sol e muito florida, — disse olhando para o céu, mas rapidamente voltando a olhar para a fogueira — diferente de hoje, o mais interessante de tudo é que as árvores tinham vida e poderes míticos devido a uma pérola mágica de cor avermelhada que dava vida a elas, viviam em harmonia, eram passivas e alegres, cantavam durante o dia e conversavam com os viajantes que por elas passavam. — contou ela com um leve sorriso em seu rosto — Até que um dia um dragão atacou a floresta, provavelmente acabou sabendo do grande poder da jóia e a quis para si, elas tentaram resistir de todas as formas mas o dragão era forte e acabou levando a melhor e roubou a pedra. — com uma expressão triste, cutucou com uma vareta o fogo e continuou a contar.. — Elas sabiam que não teriam muito mais tempo, então reuniram seu poder que lhes restava e ficaram negras para mostrar sua tristeza e cresceram de forma significativa para alcançar os céus e pedir aos deuses que lhes dessem vida novamente...
Rem e seus amigos ficaram perplexos diante da história que a princesa acabara de contar.
– E o dragão? — Perguntou Maria.
– Ninguém sabe, — disse levantando os ombros — alguns dizem que ele absorveu o poder da pedra e ficou extremamente poderoso, outros dizem que ele foi sugado por ela, ninguém sabe ao certo... — E olhando para cima disse — Dizem que a noite se prestarmos a atenção podemos ouvir o choro das árvores...
– Que triste! — Exclamou Maria.
– Elas deviam ter sido mais cuidadosas com seu precioso tesouro.. — Falou Flecher com uma cara indiferente.
Esse momento que pararam acabou sendo bom para eles, estavam mais tranqüilos e alimentados, mas precisavam seguir em frente.
– Bom pessoal, já paramos o tempo suficiente, vamos nos preparar e levar a princesa para casa! — disse Rem oferecendo seu cavalo para a princesa.
– Princesa, por favor, use meu cavalo.
– Tudo bem, mas me chame de Vic. — Ela mostrou um pequeno sorriso em seus lábios.
– Como desejar. — Respondeu Rem com um leve sorriso admirando-a por uns instantes até que Maria o empurrou.
– Vamos nos mexer ou vai ficar aí como um bobo sorrindo, ai meu Deus, “Como desejar” vê se pode essa.. — disse Maria mexendo as mão com um ar intolerante e irônico.
– Está com ciúmes Maria? — Respondeu Rem a altura.
O rosto de Maria ficou instantaneamente vermelho, com uma expressão de surpresa.
– N-n-não! Apenas é... Digamos... É que... Ah, não importa, apenas se mexa.
Rem tinha certeza que Maria estava com ciúmes, apenas soltou uma gargalhada. Ao fundo Pode ouvir a princesa rindo um pouco baixinho em cima do cavalo, mas apenas continuou andando. E enquanto caminhava Lembrou do que ocorrera a pouco tempo, o que realmente havia acontecido? De quem era aquela voz? Ele falou algo dizendo que precisava de mim e algo sobre a guerra, poderia ter sido real ou foi apenas um delírio, mas se foi um delírio quem pode explicar o fato de eu não estar morto agora e aquele Devil estar estraçalhado no chão?! sua cabeça estava cheia de informações que faziam Rem entrar em conflito.
– Estamos quase saindo da floresta — Falou Rem.
– Finalmente poderemos descançar. — Disse Flecher.
– Gente! O que é essa fumaça vinda da cidade? — Maria falou assustada.
Usando as rédeas Victhoria acelerou o cavalo, Rem, Maria e Flecher correram rapidamente para ver o porquê de tanta fumaça, havia um cheiro estranho no ar, mas ninguém sabia dizer o que era no momento. Correram e olharam para a cidade, a princesa pulou do cavalo caiu sobre seus joelhos e começou a chorar ao ver sua cidade querida em chamas enquanto um exército de Orcs e Devils matava os soldados e destruía as casas... O cheiro estranho que sentiram mais cedo era de sangue. Rem achava que sua missão estava acabada, mas havia apenas começado...
Mystic – Transfiguração — FIM
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