Mystic

8 "Noite sem fim"


– O que foi isso? — disse Vic olhando para cima, pois ouviu alguma coisa e sentiu a estrutura do lugar se mexer.

– Isso quer dizer que o nosso tempo aqui acabou, está na hora de ir — respondeu Rem pegando as coisas que estavam sobre a mesa, alguns papeis e o livro que estavam lendo.

Vic pegou o medalhão que estava dentro da caixa vermelha, colocou no pescoço e escondeu dentro da sua roupa entre os seios. Flecher foi à frente com a tocha na mão, para iluminar o caminho e enquanto andavam continuavam ouvindo aqueles estrondos olhavam para as paredes e a poeira caia a cada tremor que dava.

– Mas o que está acontecendo lá em cima? Sinto com se alguma coisa estivesse me pressionando, é como sentir a morte — perguntou Maria assustada apoiando a mão nos ombros de Rem.

–Não sei — disse Rem — mas estou sentindo duas presenças grandiosas, temos que sair desse lugar o quanto antes ou seremos atingidos por algo lá de cima.

– Como você sabe que são dois que estão lá em cima Rem? — perguntou Flecher espantado com o que Rem acabara de dizer.

– Não sei alguma coisa dentro de mim esta dizendo que tem.

Subiram pelas escadas, passaram por portas e corredores, aquilo realmente era um labirinto se Vic não estivesse ali eles nunca iram sair daquele lugar. Chegando então a passagem secreta à qual eles entraram, Flecher apagou a tocha e pendurou no mesmo lugar que tinha pegado. Olhando cuidadosamente para os lados espiando se não tinha ninguém por perto eles saíram e mais que depressa correndo entre as salas do castelo. Não viam à hora de chegar do lado de fora e sair daquele sufoco. Os estrondos podiam se ouvir mais nítidos agora.

Chegando a sala onde o rei atendia seus súditos, viram destroços, colunas caídas e um enorme buraco na parede, uma grande batalha foi travada naquele lugar. Podiam ver luz brilhando lá fora como relâmpagos. Flecher se aproximou daquele rombo na parede olhando os destroços.

– Está relampeando muito lá fora — disse Vic, cruzando os braços e apertando-os com as mãos, sentindo o vento que vinha de fora.

– Vamos sair daqui logo — falou Maria indo na direção da porta que estava aberta.

– Não creio que esse som e essa luz seja de relâmpagos — resmungou Flecher muito assustado olhando para fora.

– Como assim Flecher o que esta dizendo? — antes que Flecher pudesse responder para Rem, uma luz como uma energia cruzou o ar na frente de Flecher atingindo o chão. Poeira se espalhou para dentro daquela sala junto com um forte vento, todos cobriram seus olhos evitando olhar.

Se aproximando de Flecher ao baixar da poeira Rem viu dois seres cruzando os ares e caindo sobre um telhado próximo. Podia se ver aqueles dois seres brigando com espadas, e magias emanando das lâminas, eles nunca viram algo igual assim antes, os guerreiros se moviam rápido, ao cruzar as espadas podiam ver faíscas como fogo. Cada corte que um dos guerreiros dava se o outro desviasse era um corte profundo que ficava quebrando as paredes e rachando o chão. Tudo o que tocavam ficava em pedaços, eles lutavam bravamente com muita agilidade eram mais que mestres, era como duas grandes estrelas, quando se chocavam no ar se espalhava uma enorme esfera de energia, nem mesmo um exercito era capaz de enfrentar os dois guerreiros.

– Vocês vão ficar olhando, vamos sair daqui rápido — gritou Maria perto da porta.

– Maria tem razão vamos sair daqui agora, vem Flecher — Rem pegou no braço de Flecher, puxando ele em direção da porta. Flecher estava calado, ainda não acreditava no que acabou de ver.

Ao saírem, olharam ao redor, corpos de ogros espalhados para tudo quanto era lado.

– La Sun'delanore* o que aconteceu aqui — disse Vic atemorizada com o que estava vendo — que cheiro é esse?

– Isso é cheiro de corpos queimados, não vamos parar para ver isso, corram, vamos, vamos! — exclamou Rem, fazendo gesto para todos se apressarem.

Uma luz cruzou os ares mais uma vez, outro estrondo e mais destruição. O devil parou em pé sobre um monte de destroços, na sua frente, numa certa distancia parou também General Orlando. Ambos estavam com a respiração pesada, estavam travando aquele duelo a mais de meia hora.

– Quem é você? Por que veio ao Reino Élfico? O que você quer causando essa matança? — perguntou General Orlando.

– Olha finalmente resolveu falar...- continuou o devil com um leve sorriso — Eu sou Erebos.

– Erebos? — cochichou Orlando para si mesmo.

– Sua raça já me chamou de Érebo, que quer dizer escuridão na sua língua, mas na nossa língua quer dizer o Primeiro.

– Como assim o Primeiro? — perguntou Orlando, não entendendo muito bem. Uma vez lera sobre o principio da criação das raças e o primeiro Devil que veio a este mundo se chamava Erebos, praticamente o pai de todos do reino Devil, mas esse ser havia sido morto há muito tempo, não poderia ser o mesmo, pensava Orlando.

– Simples, sou o primeiro dos Devils.

Orlando se assustou com aquela resposta e falou:

– Impossível você esta blefando, o primeiro dos Devils esta morto já faz muito tempo.

– De certo modo é verdade, eu fui morto pelo primeiro Místico ou pela primeira. Aquela humana me derrotou a milhares de anos atrás, mas como vê, estou de volta à vida.

General Orlando não sabia o que dizer nem o que pensar diante aquelas palavras, não queria acreditar que alguém assim poderia estar vivo ou ate mesmo que pudesse voltar à vida. Se de algum modo aquele for realmente quem ele dizia ser, Orlando estava com sérios problemas e o rumo daquela luta iria levar a sua morte. Ele já sentia o sangue escorrendo no seu braço esquerdo devido a um golpe que o Devil o atingiu, mesmo Orlando evitando o ataque ainda assim ficou ferido.

– Mas bem chega de papo, voltamos a nossa luta, confesso que depois da "primeira" você é o guerreiro mais poderoso que já enfrentei, então... — antes de o devil continuar falando ele olha rapidamente para o lado, sentiu uma presença estranha e disse — O que isso? Tem algum Místico, esta aqui perto.

General Orlando se concentrou e sentiu a presença de Rem, Maria, Flecher e de um elfo provavelmente a princesa. Não me diga que ele já esta despertando os seus poderes, pensou Orlando.

– Parece que tem alguém mais interessante para lutar — disse o devil.

Ele mal terminou de dizer aquelas palavras, Orlando saltou na direção do devil com toda velocidade aproveitando aquele momento de distração. Concentrou em segundos todo o seu poder no seu mais poderoso golpe "Light Sword", vindo com a Excalibur erguida sobre sua cabeça, num movimento brusco para baixo, lançou aquele golpe contra o devil.

Um grande poderoso raio em forma de espada se ergueu ate os céus, destruindo tudo ao redor, as casas foram arrastadas como se fossem mudas recém plantadas em solo úmido que alguém vem e as tiram com as mãos, grandes destroços iam se erguendo e se sumindo no ar em meio aquele poder destrutivo. Rem e seus amigos estavam correndo e sentiram aquele enorme estrondo misturado a uma nuvem de poeira vinda em sua direção.

– Corram rápido! — Exclamou Rem.

Gritos de terror podia se ouvir de todos eles enquanto corriam, a explosão os alcançou e eles foram engolidos por ela e se sumiram no meio da poeira, não se via mais nada. Quando aquela explosão acaba a poeira vai baixando, no meio dela uma bola cristalina transparente surge em meio ao pó. Eles estavam envolvidos por um escudo invisível de energia.

– Mas o que... De onde veio isso? — Perguntou Rem atônito, quanto ao que acabara de acontecer. Ele olha para o lado e vê Vic com os braços abertos, resmungando alguma coisa na língua dos Elfos. Aos poucos o escudo invisível se desfaz.

– Vic você fez isso? — falou Maria desacreditada por ainda estar viva.

– Sim — respondeu Vic — a magia dos Elfos serve também para proteger, mas poucos de nos sabem usar para esse fim.

Ela só terminou de dizer essa frase General Orlando surge ao lado deles, feliz por ver que ficaram bem. Ele temeu que pudessem ser atingidos, mas se sentiu aliviado por estarem à salvo.

– Não parem agora continuem correndo — falou Orlando e em seguida soltou um grito de comando para seus homens, assobiando também para seu corcel.

Todos estavam correndo, seguindo o general, quando de ambos os lados foi surgindo soldados humanos em seus cavalos, do mesmo modo o belo corcel do general Orlando. O general montou em seu cavalo e estendeu a mão e pegou a princesa e a pôs sobre o lombo do corcel, assim também os soldados pegaram tanto a Rem como a Flecher e Maria. Saíram todos em disparada para longe daquele lugar.

A poeira foi baixando e meio àquela destruição o devil estava em pé. Da cintura para cima a parte direita do seu corpo ate perto do pescoço foi destruído, arrancado. Com um olhar furioso encarava o nada alem dos destroços, ainda estava vivo, lentamente seu corpo começou a se restaurar, mas iria levar algum tempo ate ficar completo novamente.

Atrás dele passos e uma voz pode se ouvir dizer:

– Parece que você esteve bastante ocupado.

– Lucios. — dirigindo o olhar para ele — Então achou o que você procurava?

– Não. Parece que Tarius escondeu muito bem o medalhão. Acho que deve estar com a filha dele, assim que o grupo que enviei para interceptar sua carruagem chegar nós descobriremos onde esta.

– E quanto aqueles que fugiram?

– Está falando daqueles que você deixou fugir? — ironizou Lucios.

– Você sabe que eu poderia matar a todos, mas ele foi esperto, se aproveitou da minha distração para atacar.

– Você? Distraído, esta querendo arrumar alguma desculpa? — Com um sorriso irônico Lucios falava.

– Eu senti a presença de um Místico por perto.

No mesmo momento o sorriso irônico deu lugar a uma expressão mais seria no rosto de Lucios.

– Não se preocupe quanto a eles, deixe que eles partam assim que eu tiver o medalhão finalmente vou poder destruir aquele que me tirou os poderes. E quanto a esse outro Místico, ele provavelmente ainda não despertou seus poderes completamente, caso contrário eu sentiria.

No "caminho dos Reis" batidas de cascos de cavalos podia se ouvir no chão úmido, era General Orlando e seus homens voltando ao acampamento. Estava já raiando o dia, o sol começara a aparecer no horizonte, a chuva já havia passado o tempo estava bonito, podia se ouvir os pássaros cantando e o som que os grilos faziam com suas patas. Parecia que ia fazer calor, estava parecendo o começo de um belo dia, mas não para Rem e seus amigos que sentiram a morte na pele.

Chegando ao acampamento, todos desceram dos cavalos, uns foram dar água para os animais, outros tirar o peso da armadura ate poderem ir dormir, mas Rem não iria dormir não aquele dia. Ele vivera a madrugada mais horrenda da sua vida, ainda se perguntava o que era aquilo que ardia no seu peito, enquanto caminhava de cabeça baixa ele sentia como que fogo ardendo dentro do seu coração. Andando e esfregando o peito com a mão direita, foi se dirigindo para uma das barracas alguém já havia lhe dito que ele poderia descansar. Deitando naquele monte de pele de animais, empilhados adequadamente para dormi, como uma cama. Rem deita e fica olhando para cima com o pensamento perdido nas memórias, de repente antes que ele possa fechar os olhos entra alguém na barraca, Rem olha e é Maria.

–Rem? — disse ela.

– Maria? Tudo bem? O que esta fazendo aqui? Você precisa descansar.

– Sim eu sei é que...- olhando para o lado com a mão fechada sobre o peito Maria diz — Eu não quero ficar sozinha na minha barraca, eu...- respirou fundo — eu ainda não sei de verdade se estamos vivos, ainda acho que fomos engolidos por aquela enorme onda de energia — seus olhos encheram-se de lagrimas, mas não chorou.

– Ei, Ei ta tudo bem, já acabou estamos bem agora — disse Rem com um sorriso no rosto, mas no fundo tão frustrado quanto ela.

– Deixa eu dormir aqui com você hoje.

Rem por uns segundos ficou encabulado — Claro Maria você pode ficar sim — dizendo isso Maria se deitou ao seu lado, abraçando e escorando a cabeça no peito de Rem.

– Maria eu...- antes de Rem terminar de falar Maria disse — Apenas fique assim, apenas hoje por favor.

Rem apenas consentiu com a cabeça, ele queria muito um momento como aquele com Maria, sentir o seu toque o seu corpo perto do seu, não tinha como não gostar daquele momento, porem ele não poderia, não naquelas circunstancias. Ambos aos poucos foram fechando os olhos e adormeceram.

Dentro de uma das barracas estava posta sobre um pedestal adequado, aquela armadura verde como esmeralda, General Orlando tirou para tratar suas feridas e também para poder descansar. Ainda recebendo os cuidados ordenou a um de seus homens para montar um pelotão e fica de vigia ate o meio dia, tempo suficiente para ele recobrar um pouco das suas forças enquanto dormia. Então o soldado falou:

– E quanto a princesa onde a colocaremos meu Senhor?

– A deixe no melhor lugar possível e também alguém de prontidão ao seu dispor.

Todos foram descansar o dia mal começara, mas depois da noite e madrugada turbulenta, podiam agora por algumas horas ter um pouco de descanso logo teriam que sair dali e voltar para o Reino Humano, onde lá estavam esperando um grupo do Reino Élfico prontos para levar a princesa Jada ate o seu novo lar, que agora já não existia mais.

– Como assim não sobrou ninguém?! Onde ela está?! — gritou Lucios com um dos seus lacaios.

– Bem meu senhor eu fui atrás deles como você ordenou e os encontrei todos mortos e a princesa não estava entre eles.

– Maldição! — exclamou bem alto Lucios, que sua voz chegou a ecoar nas paredes do Castelo do reino Élfico. Apontando a mão para o lacaio lançou-lhe uma magia, como um raio de luz, num tom de roxo penetrou no peito do lacaio fazendo com que ele agonizasse de dor enquanto sangrava pelos olhos, boca, nariz e ouvidos ate morrer.

– Incompetentes. Humanos que raça miserável, eu ainda não acredito que Orcs e Devils perderam para eles numa tarefa tão simples. Até mesmo você Erebos não foi capas de deter um deles — Lucios praguejava enquanto sentava-se no trono do reino Élfico.

– O homem com quem lutei não era qualquer um, o poder e a força que ele possuía alguém deve ter dado para ele, era como se duas energias emanavam de dentro dele.

– Como? — perguntou Lucios curioso e interessado.

– Eu podia sentir a energia natural dele, porem tinha outra muito intensa e poderosa que quase o tomava por completo. Não vejo à hora de lutar com ele novamente, só que desta vez irei matá-lo e pegar os seus poderes para mim.

Notas finais
*Grande deus Sol. Mystic -Noite sem fim - FIM