Mystic

9 "Assassino"


Na grande encruzilhada, onde todas as estradas principais se encontram, muitos seres de todos os reinos construíram ali uma cidade, um centro de comércio para compra, venda e troca de mercadorias. Era chamada também de cidade neutra, pois ali todo tipo de gente ou espécie de todos os reinos se encontravam.

Era de costume estar na cidade neutra caçadores, bandidos, bêbados, fugitivos e entre outros, todos eles iam para lá afim de festas, prostitutas, vinho e etc. Em uma das tavernas chamada "Toca" estavam vários seres bebendo e conversando com belas feillas (assim chamavam as fêmeas de todas as espécies quer humanas, elfas, devils ou ergins). Ao fundo um elfo da noite (elfo cuja pele era semelhante aos dos devils porem num tom mais claro) tocava um instrumento feito de madeira no formato de uma caixa retangular com teclas feitas de cristal, produzia um som alegre e envolvente, muitos estavam dançando ao som da sua musica.

Todos estavam se divertindo, quando de repente entrou um enorme ogro com varias cicatrizes espalhadas pelo corpo, inclusive no seu olho esquerdo. Vestia suas pernas com coro puro e um enorme cinto de ferro, não usava nada alem disso. Forte e com braços enormes de puro músculo com veias saltadas, no seu pescoço um colar com dentes de dragão. Sua boca formava um beiço por causa de dois grandes dentes ponte agudo saltados para fora, quase pegavam no seu nariz, era quase careca se não fosse um rabinho de cavalo que ele deixava sempre preso.

Ao ver aquele enorme monstro o silencio tomou conta daquele lugar ate mesmo o musico parou de tocar, alguns pensaram em sair de imediato, pois sabiam quem era ele, era Drag'razer o matador, chamado assim por matar muitos dragões e também saquear aldeias, estuprar as feillas, matar e comer os fedath (crianças).

– Não vai sair ninguém!- gritou Drag'razer — estou com muita fome e cansado da minha viagem, quero carne fresca e diferenciada, vou matar e comer todos vocês! — soltou um urro e saiu em direção de todos que estavam a sua frente, alguns pulavam pelas janelas para fugir, a correria e o desespero foi muito grande ninguém ousava enfrentá-lo.

Mesmo os mais bravos guerreiros que estavam bebendo ali tentaram arrumar uma maneira de escapar. Com suas enormes mãos o ogro pegava um, já quebrava o braço, o pescoço, arrancava partes do corpo das vitimas com seus enormes dentes e os largava no chão fazendo um montinho, caindo os corpos um sobre o outro, o sangue escorria para todos os lados.

Por um instante ele parou, estava intrigado, via todos correndo assustados, quem estava dentro queria sair e quem estava fora corria para longe, até os mercadores iam fechando os negócios com medo dele querer se alimentar com os que estavam na rua também. Porem no balcão daquele bar tinha alguém que ele olhava, todos correram menos aquele.

– Parece que você desistiu de viver, todos saíram, mas você está ai — soltou uma gargalhada irônica e ao mesmo tempo horripilante — isso é bom achei que teria que correr atrás de mais alguns, mas você esta me poupando o trabalho.

Ao dizer isso aquele ser que estava sentado levantou-se e virou-se para o ogro. Ele estava vestindo uma roupa preta toda em couro ate mesmo suas botas, com uma capa negra cobrindo suas costas e um capuz que lhe cobria a cabeça quase escondendo todo o seu rosto, um cinto cruzava seu peito, prendendo em suas costas uma katana com a bainha e o cabo também negros. Uma pequena caveira de metal pregada no lado esquerdo do seu peito, o símbolo dos assassinos. Não lutavam por reino algum, poderiam ser de qualquer raça, só entrava para os assassinos os melhores, sempre eram exilados do reino que pertenciam, temido e odiado por todos, vivendo somente pela recompensa de suas presas.

– Um assassino. Como deixaram você entrar aqui? — a Toca era um lugar de todos menos de assassinos eles não eram bem vindos em lugar algum.

– Diferente de você que entra gritando e fazendo todo esse barulho, nos entramos sem ser percebidos, andamos pelas ruas sem sermos notados, por isso que somos assassinos. Somente imbecis gostam de fazer barulho.

– Imbecil? Você tem a língua muito grande pra alguém do seu tamanho. Realmente você não tem medo de morrer, mas vou fazer com que se arrependa de não ter fugido como os outros — falou o ogro irado e pronto para matar mais um.

O ogro pegou uma grande faca que estava presa a sua cintura e foi para cima daquele ser de preto encapuzado. Com um movimento brusco levantou aquela faca para decepá-lo, quando levemente porem ligeiro o assassino passou por debaixo do braço do ogro, com um golpe preciso e muito rápido, com a sua katana cortou o braço dele fora. Ainda em movimento girando o seu corpo para traz do ogro cortou-lhe as juntas das pernas, fazendo-o cair de joelhos no chão.

– Nunca achei que ganharia ouro por matar imbecis. — o ogro olhou para traz assustado, com os olhos arregalados tremulo e suando frio, temeu ao ouvir aquela frase do assassino. O brilho da lamina daquela katana durou pouco, porem durou tempo o suficiente para cortar a cabeça do ogro fora, foi tão rápido que nem suja de sangue ela ficou e antes mesmo que ele terminasse de dar o golpe ela já estava na bainha novamente.

Com os olhos fitados, olhando para eles através de uma das janelas estava um ergin, admirado por aquele guerreiro derrotar o ogro tão facilmente. Quando ele pensou em dizer para todos que estavam agora salvos o temor tomou conta do seu coração, pois ao ver no peito do guerreiro encapuzado aquele medalhão com o símbolo da caveira ele deu lentos passos para traz.

– Assa.. ass.. assassino — resmungou o ergin.

– o que você disse? — perguntou outro aldeão.

– Assassino! — insistiu o ergin só que mais alto desta vez.

– Assassino? — perguntavam uns que estavam ali perto sem entender o certo do que ele estava falando, achavam que talvez fosse do ogro.

–Assassino!- gritou mais uma vez para que todos pudessem correr.

–Ora, ora, mas que modos são esses é assim que se agradece depois dele ter matado o ogro que estava se alimentando de vocês?

Todos olharam para o lado tentando saber de quem era a voz. Então sai entre eles outro ser vestindo a roupa negra, outro assassino, um elfo da noite. Ele tinha uma estatura mediana, era pequeno para um elfo da noite, cabelos brancos, penteado para traz deixando suas orelhas pontudas a mostra, o cabelo descia ate suas costas, este porem em vez de uma espada tinha um arco bem trabalho feito de dente de dragão.

– Em vez de vocês ficarem gritando e querendo sair correndo, vocês poderiam entrar, limpar aquela bagunça lá dentro e nos preparar uma bela refeição e camas quentinhas.

Nesse momento ninguém sabia o que dizer, mas gostaram da proposta do elfo da noite. Melhor seria preparar tudo isso ou morrer pela mão dos assassinos.

– O que você pensa que esta fazendo? — falou o outro assassino na porta da Toca.

– Shiro como você vê estou arrumando um lugar para comer e pra dormir.

Os aldeões voltaram aos seus afazeres e outros para a Toca, limpando e ajeitando novamente o lugar.

– Não sei, mas acho que ainda não entrou na sua cabeça que somos assassinos, você não pode ficar dizendo meu nome pra todos ouvirem.

– fique tranqüilo, eu não disse todo seu nome e mesmo assim o que eles vão fazer, hue — o elfo da noite deu uma pequena risada.

Aproximando-se deles o dono da Toca falou.

– Cavaleiros, por favor, queiram entrar e aproveitar da nossa estalagem, ainda estamos terminando de tirar os corpos e limpar o sangue, mas tem um lugar separado para vocês que já esta limpo, por favor me acompanhem.

– Viu eu falei que tinha arrumado comida e cama para nós.

– Mar'oh realmente não sei como eu aceitei vir pra cá junto com você — disse Shiro ao elfo da noite no mesmo momento ambos acompanharam o dono ate o respectivo lugar.

Passou um pouco o tempo e tudo já estava limpo, um pouco difícil eliminar o cheiro do sangue, mas tudo voltou ao normal, todos estavam bebendo e cantando novamente.

– Então Shiro, andei pesquisando os rumores pela cidade estão falando que o reino dos Elfos foi totalmente destruido. — Mar'oh agarrou uma cocha de frango, deu uma grande mordida.

– Impossível, precisaria no mínimo 3 reinos para derrotar a legião do exercito deles e agora com a aliança que estão fazendo com os humanos duvido algum outro reino se atrever à enfrentá-los. — respondeu Shiro bebendo um pouco da sua taça de vinho.

– Alguns elfos estão se refugiando aqui na cidade, e eles afirmaram que poucos ogros e uns devils tomaram conta de toda a cidade, não ficou nada, nem mesmo o Rei Tarius sobreviveu.

– Mar'oh você tem que ver melhor quem anda falando essas coisas não acredite em qualquer louco.

– Bem realmente ele parecia estar bem louco — Mar'oh mudou a expressão do rosto, ficando mais serio, concluiu o que falara. — mas acredito que ele estava falando a verdade, afinal ele era um dos guardas no reino, abandonou a batalha, não agüentou ver seus companheiros morre e temeu pela própria vida.

Shiro olhou para a expressão de Mar'oh, sabia que ele tinha investigado a fundo o assunto.

– Bem, realmente tenho visto muitos elfos aqui na cidade Neutra não é de costume deles saírem do conforto de suas terras, mas isso não nos importa somos assassinos, nossa preocupação é com o ouro. Não nos envolvemos em guerras eu odeio ter que brigar, a menos que nos paguem pra isso.

– Falou o assassino que há pouco tempo matou um ogro. — Mar'oh soltou uma leve gargalhada.

– Foi uma situação diferente, eu estava comendo e ele começou a matar todos aqui e o cheiro de sangue me tirou o apetite, você sabe muito bem que tem uma grande quantia de ouro no reino Ergin pela cabeça dele.

– Sim, sim eu sei, sei que você é o assassino mais preguiçoso que já vi. Ate para comer você ainda está com o capuz. — Mar'oh estendeu a mão e tirou o capuz da cabeça de Shiro.

– Não acredito que você fez isso, você sabe muito bem que se alguma humana olhar ela vai..- não deu tempo dele terminar de dizer duas humanas que estavam ali viram ele e logo disseram.

– Olha que bonitinho ele tem orelhas iguais aos gatos — foram na direção de Shiro e sentaram ambas em cada lado para olhar e tocar nas suas orelhas.

Shiro por ser um Ergin, assim como todos os Ergins tem um aspecto semelhante à de certos animais ele também possuía tal semelhança. Shiro tinha a pele clara e cabelos brancos, tinha um rosto bem afeiçoado, difícil mente as fêmeas o ignoravam e suas orelhas eram como as dos gatos, ficavam no alto da cabeça e não ao lado como os das outras espécies.

As belas moças ficaram acariciando Shiro e admirando curiosas aquelas orelhas, riam uma para outra diziam caricias para ele. Porem esse tipo de situação o incomodava, mas também não seria capaz de negar o gracejo de belas senhoritas.

– Você esta vendo agora por que eu não tiro o capuz em lugares assim — Shiro retrucou olhando para Mar'oh com uma expressão desconfortável.

– hue. Você precisa aproveita, quem dera fosse assim comigo — diz Mar'oh levantando-se.

– Assim que eu sair daqui eu vou acabar com você Mar'oh.

– Calma meu amigo, nós já terminamos o nosso trabalho aqui agora é hora do descanso — Mar'oh deu uma gargalhada e foi em direção de outras belas feillas.

Assim passou-se a noite e logo amanheceu um novo dia. Deitado num dos quartos da Toca Mar'oh aos poucos vai se levantando saindo debaixo das cobertas feitas de couro e pelo de animais, ao seu lado uma elfa e uma devil, a devil tinha a pele meio azulada, era muito bela, tinha dois pequenos chifres na cabeça e um cabelo negro como a escuridão.

– Sempre sonhei em foder com um devil, mas não era bem assim que eu estava pensando — Mar'oh usou esse trocadilho ainda meio sonolento devido o ódio que ele tinha pelos devils, pois foram eles que mataram sua família.

Saindo da cama lavou suas mãos e seu rosto numa bacia com água que estava perto de um grande guarda roupas na frente de um espelho. Pegou suas coisas e foi logo se arrumando, enquanto terminava de colocar as botas uma das belas abriu os olhos e disse.

– Você já vai? Ainda é tão cedo.

– Sinto muito, mas o dever me chama, vou deixar uma moeda a mais de ouro para você.

Largou a moeda em cima de um criado mudo, saindo pela porta desceu uma escada que ia ate o salão principal da Toca, lá em baixo sentando junto ao balcão do bar estava Shironeko bebendo uma taça de vinho.

– Não creio que você levantou cedo só para beber vinho — disse Mar'oh com um sorriso no rosto ironizando a situação.

– Você sabe que esse é o único motivo que me faz levantar cedo, tenho que aproveitar hoje e agora, logo estaremos de saída quero buscar o ouro pela morte do grandalhão.

– Bem tenho boas noticias pra você, ontem eu dormi com uma elfa e uma devil.

– Faça-me o favor poupe-me de sua historia, não quero saber detalhes de como foi sua noite — Disse Shironeko interrompendo-o enquanto falava.

– Não era isso que ia falar, o que quero dizer é que peguei informações muito interessantes, uma maneira de poder ganhar dinheiro fácil.

– Continue — Shiro disse agora interessado no assunto.

– Bem de acordo com elas, tem dois sujeitos responsáveis pela destruição do reino Élfico, parece que os humanos serão os proximos.

– E o que tem de mais nisso?

– Ora pense bem, não acredito que você tem preguiça ate para pensar.

– Eu sou pago para matar e não para pensar.

– Entendo — continuou Mar'oh — Vamos fazer o seguinte, vamos ate o reino humano e oferecer nossos serviços para eles, tenho certeza que irão nos oferecer baús de ouro para aqueles que trouxerem as cabeças dos Deivils.

– É uma idéia realmente muito boa, porem nós bem sabemos que os humanos tem guerreiros e generais muito poderosos, eles mesmos podem ir atrás desses caras.

– Mas ai que está a nossa oportunidade — empolgou-se Mar'oh — tantos os Generais como todos os guerreiros estão ocupados com as coisas do reino ainda mais depois disso que aconteceu, eles não vão fragilizar suas defesas para ir atrás de apenas dois, pode levar anos ate acharem os culpados. É a chance perfeita para nós ficarmos ricos.

– Realmente é uma ótima idéia, bem não vamos perder tempo, primeiro pegamos nossa recompensa depois vamos rumo ao reino humano tentar fazer essa proposta.

Logo em seguida saíram eles em seus cavalos rumo ao Reino Ergin onde seria sua primeira parada, depois iriam para o reino humano onde muita coisa estava mudada, um novo tempo estava chegando para todos.

Notas finais
Mystic -Assassino - FIM