Mystic

10 "Reunião"


Chegando no Reino humano, General Orlando estava com uma expressão séria em seu rosto, cavalgando pela estrada principal seu pelotão seguia firme, passaram pelos portões da muralha, podia se dizer que era um túnel pela sua espessura. Em determinado ponto Orlando fez sinal com o braço como mandando que seus homens se dirigissem para o quartel e base de treino, para assim largarem suas coisas e descansarem um pouco. No mesmo instante soldados da guarda pessoal do rei, guiaram a princesa Victhoria ate os aposentos da princesa Jada, que estava preparado para sua chegada.

Mais adiante outro soldado veio em sua direção, Orlando montado em seu corcel olhou para baixo, sabia que aquele era um dos mensageiros.

– General — disse o soldado com reverencia a Orlando — sua presença foi requisitada pelo Rei, sua majestade assim que chegasse ao reino.

General Orlando apenas acenou com a cabeça confirmando a ordem recebia do Rei, sem demora ele continuou andando pelas ruas da cidade em direção ao palácio. Ele sabia que tinha muitas explicações para dar, embora o pássaro que ele havia enviado mais cedo com uma mensagem o Rei já estava ciente do que ocorrera. General Orlando estava suando frio, não somente pelo desastre que tinha acontecido há poucos dias, mas sim por que ele temia que o Reino Humano pudesse ser o próximo alvo daqueles seres, estava ansioso tinha que pensar em algo rápido.

Chegando as escadas que davam para a porta principal do castelo Orlando desceu de seu cavalo e deixou-o com um dos escudeiros que estavam ali. Na porta a sua espera já estava a general Maxilaine Lawson, ela era mestra da arte de assassinato, pois ela também fora no passado pertencente ao grupo dos assassinos, porem o Rei a recrutou com uma oferta muito grande em ouro para ela estar somente a serviço dele. Mesmo com um passado obscuro ela mostrou lealdade ao Rei. Ela era uma mulher jovem, bela, com longos cabelos avermelhados penteado para traz, trançado ate a cintura. Estava usando as vestes de cor esverdeada, cor tradicional dos Generais, porem ela não usava armadura não em toda parte do corpo. Sua roupa era toda em couro, que colava em seu corpo definindo bem suas belas curvas e ressaltando o seu busto, ela deixava uns botões abertos a qual criavam uma atenção especial aos seus enormes seios. Tinha uma ombreira de metal somente no seu ombro direito fixado com fitas de couro, também em seus tornozelos para proteção e para golpear. Suas armas eram espadas curtas, duas em suas costas e mais uma preza a sua cintura, tinha preso ao seu pulso esquerdo varias adagas pequenas e no pulso direito escondido em baixo da manga uma lamina que quando ativada se estendia ao comprimento de sua mão aberta, ate a ponta dos dedos.

– General Orlando — Disse Maxilaine com reverencia — parece que seu esquadrão teve uma noite bem agitada, o esquadrão Elfo estava esperando a chegada da princesa Victhoria para partirem com a princesa Jada, o que aconteceu lá Orlando?

– Onde está o Rei? — perguntou ele.

– Está na sala de reuniões, o general Aranir e o Sacerdote Bargon do reino Elfico estão com ele, praticamente os últimos comandantes Elfos vivos.

– Quem mais?

– Bem todo o conselho do Rei está com ele.

Orlando e Maxilaine foram caminhando por entre a porta do castelo, passando pelo salão principal dirigindo-se até a sala especial de reuniões. Maxilaine abre a porta para Orlando passar, ao entrar na sala todos estavam falando simultaneamente, os Elfos estavam eufóricos, porem com a chegada de Orlando por alguns segundos o silencio tomou conta da sala e os olhares voltados para Orlando.

– Magestade — inclinou-se levemente para frente com a mão direita no peito reverenciando o Rei — Senhores — cumprimentou todos que ali estavam.

– General Orlando, estava ansioso pelo seu retorno — Disse o Rei Marcos.

– É bom estar em casa MiLord.

– Como pode, ainda não acredito no que aconteceu, explique-nos!- exclamou sem demora Sor Bargon Mago e Sacerdote Elfo.

Por mais que Elfos vivessem por muito tempo por ate quatro mil anos, a velhice chegava para eles também e Sor Bargon já era um elfo de muita idade, seus cabelos brancos e sua sobrancelha comprida e caída, sua face enrugada mostravam bem o sinal da idade. Diferente dele Sor Aranir tinha um aspecto jovem, mesmo tendo seus dois mil anos e meio de idade, um dos mais antigos Generais Elfos.

Sor Bargon estava vestindo as vestes tradicionais do Reino Élfico, sua veste lhe cobria desde os ombros ate os pés num mesmo tecido, na cintura um cinto de couro com a fivela banhada em ouro. Uma peça única comprida colocada no pescoço descia em duas pontas pelo peito ate perto das pernas, cobrindo suas costas um manto Sacerdotal descia até seus pés todo enfeitado de ouro e com escritas da lei elfa e um capuz lhe cobria a cabeça.

Sor Aranir estava vestindo uma armadura dourada, forjado no peito o símbolo dos elfos, o sol, com uma capa bege, que cobria suas costas até os pés presa a dois botões que ficavam na frente da suas ombreiras que também eram douradas, na sua cintura uma espada feita do mais forte metal élfico. Todos os Elfos gostam da cor dourada, lembrava-lhes o Sol, que eles reverenciam como deus.

O Rei Marcos estava sentado a ponta da mesa onde ficava a cadeira exclusiva para ele, Marcos tinha pouco mais de quarenta e cinco anos, sua estatura era mediana, cabelos grisalhos, olhos castanhos e uma barba não muito grande. Ele era um homem de boa estatura, normal como a maioria, seu porte era mediano de boa presença.

– Fiquem calmos, General Orlando contara tudo o que aconteceu. — disse Rei Marcos acalmando os Elfos.

– MiLorde se me permite quero de imediato deixar claro a situação, mas antes este é um presente que o Rei mandou entregar para você Majestade — Orlando deu aquele item enrolado em panos para o Rei que não abriu mas guardou para ver mais tarde, Orlando sentou em uma das cadeiras que estava mais próxima ao rei — estamos lidando com forças perigosas e creio que a paz que tanto queríamos esta longe de chegar.

Orlando contou-lhes tudo sobre o acontecido e também sobre o guerreiro que enfrentara. Todos estavam assustados, não criam que apenas poucos Orcs e dois Devils fizeram tudo aquilo.

– O que iremos fazer agora, nosso lar foi destruído, não sabemos se estão lá ainda, nem tão pouco quantos de nós estão vivos — Falou Sor Bargon, sua voz estava tremula e entristecida.

– Sei que são tempos difíceis, mas iremos ajudar, a paz que tanto queremos, não é os Devils que irão tirar ela de nós. O que dizem vocês que possamos fazer quanto a isso? — O Rei Marcos falou olhando para seus Generais e conselheiros.

– MiLorde o mais correto a se fazer agora é enviar uma patrulha para achar sobreviventes e trazê-los para cá, eles podem levantar acampamento ao redor das muralhas. — disse Sor Ariel comandante da patrulha da cidade, um dos generais do reino humano.

– Não podemos mandar tropas, talvez batedores, nossa cidade esta ameaçada, nosso inimigos podem atacar de imediato e nos pegar de surpresa, nós temos é que reforçar nossas defesas — Falou Lord Lancel mago e mestre da magia, também era general do reino humano.

– Os dois estão certos, não podemos deixar de procurar por sobreviventes e trazê-los para cá, como também fortalecer nossas defesas — Orlando tinha já algo em mente e continuou dizendo — Esse é o tipo de adversário que somente um místico pode enfrentar.

–Um Místico? Faz mais de mil anos que não ouço falar disso — retrucou Sor Bargon.

– Mas você sabe muito bem que a existência deles é real, acredito que ate já viu um com seus próprios olhos — falou Orlando.

– dois na verdade, poderia ter visto três, mas não tive essa honra.

– De acordo com os livros e até mesmo com os anciãos Elfos, o Místico aparece a cada mil anos, está na hora de aparecer mais um, na verdade o poder já se manifestou porem ainda não está forte o bastante — falou Orlando.

– Bem então vamos esperar até que se manifeste esse poder — Rei Marcos apoiou a idéia.

–Creio que não temos tanto tempo assim. Temo que eles nos ataquem antes do Místico libertar seus poderes. — Orlando estava nervoso com a situação.

– O que sugere que façamos General Orlando? — Perguntou Sor Aranir.

Orlando respirou fundo e disse:

– Sabemos que todos os místicos estão mortos, porem um deles não morreu e sim foi petrificado, acredito que temos uma chance. Vamos libertar o General Radan.

Todos olharam fixo para ele, um pouco assustados, Rei Marcos ouvira falar sobre Radan mas nunca achou que poderia vê-lo.

– General Orlando, você sabe que Radan foi petrificado a mais de mil anos? Como você pretende trazê-lo de volta? Mesmo que consiga, um humano não vive tanto tempo. — Debateu Sor Bargon.

– Não temos outra alternativa, Radan foi o único capaz de enfrentar dois reinos e sair vitorioso. Vimos pela historia e ate mesmo nos registros Élficos que ele foi o Místico mais poderoso que apareceu, é dele que precisamos agora. — insistiu Orlando.

– Como você pretende fazer isso Orlando? — perguntou Rei Marcos.

– MiLorde, permita-me que envie três soldados de minha confiança para essa tarefa.

– E que soldados Seriam esses?

– Não posso dizer Majestade.

– Como não pode dizer ao seu Rei quem são os soldados? — Sor Ariel perguntou desconfiado.

– Tudo indica quem alguém muito próximo a coroa nos traiu — Orlando ao dizer isso causou espanto nos demais.

– Orlando está dizendo que alguém do conselho me traiu? — Marcos perguntou frustrado com aquilo que acabara de ouvir, não podia crer que um de seus melhores homens pudesse lhe trair.

– Majestade, creio fielmente que fomos traídos. De que outra maneira os Orcs interceptariam a carruagem de Victhoria? — Orlando estava sério e firme diante ao assunto.

– Ora Orlando o tratado de paz entre nossos reinos vem a tempos sendo comentado, é claro que eles saberiam sobre isso. — Disse Sor Jeremy Mestre das armas e general do reino humano.

– De fato muitos sabiam do tratado, mas ninguém sabia o dia que partiríamos para fazer a troca e nem tão pouco que havia uma troca no tratado de paz, somente o Rei e seus Generais, tanto do reino humano como Élfico. Então para não correr esse risco não direi no momento, somente ao Rei.

– Faça como você achar melhor Orlando, você tem a minha aprovação, mas também quero que investigue sobre isso de ter um traidor entre nós. — Rei Marcos disse essas palavras se colocando em pé diante deles. — O Reino dos homens dará toda a ajuda aos Elfos que vierem para cá, os protegeremos e alimentaremos a todos, nosso tratado de paz ainda está em pé.

Dizendo essas palavras Rei Marcos Lauren Olsen se retirou da sala, terminando assim a reunião. Todos foram dispensados para continuarem com suas atividades, na porta Maxilaine esperava por Orlando.

– Você pretende mesmo mandar alguém achar esse General Radan? Eu sempre achei que era só uma lenda. — disse Maxilaine a Orlando.

– Essa Lenda está mais vivo do que e você.

No quarto descansando Vic olhava para aquele medalhão, uma jóia muito bela, ela lembrava que sua mãe sempre usava, mas por que seu pai queria que ela protegesse aquele artefato? O que tinha de especial? Pois ate mesmo o Deivil estava à procura dele. Vic sabia que no livro das eras que ela trouxe consigo continha a resposta, mas ela não tinha forças ainda para procurá-las, seu pai e seus irmãos estavam mortos não tinha mais ninguém da sua família, mesmo sabendo que viver no reino humano era o seu destino, mas não era bem nessa situação que ela esperava.

Os olhos de Vic mais uma vez se encheram de lagrimas e ela ali naquela cama começou a chorar, ela esteve se segurando todo esse tempo se mantendo forte, mas agora ela podia botar para fora toda a dor que ela sentiu na mais dura e tenebrosa noite de sua vida, ao menos ate agora.

Notas finais
Mystic – Reunião - Continua.