Mystic

7 "General Orlando"


Correndo pela floresta, escondendo-se pelas sombras, um batedor. Espreitando entre as árvores, parou. Olhando atentamente para aquele cenário, mais que depressa saiu mata a dentro, o suor corria pelo seu corpo, precisava correr mais rápido do que antes, tinha algo que ele havia de contar.

Passando entre folhas e galhos ele corria, alguns tropeços, pois com a chuva e o chão molhado com algumas possas, não era fácil se manter em pé, mas nada importava o que ele tinha a dizer era mais importante que alguns arranhões, quase três horas correndo finalmente chegou ao seu destino.

– General Orlando! — gritou o rapaz chegando ao acampamento que a primeira escolta tinha montado para esperar a princesa Elfa, para assim então levá-la ate o reino humano. — General Orlando! — gritou ele mais uma vez esbarrando em alguns colegas soldados, ate que então ouviu.

– Calma rapaz. Ao menos respire um pouco. — disse Orlando com uma expressão serena e séria.

O rapaz curvou-se e com as mãos apoiando em seus joelhos respirou, para retomar o fôlego. Olhando para cima contemplou o rosto daquele que falara. Um homem alto, cabelos grisalhos, olhos azuis, com uma barba em tom de cinza. Pelos anos que ele tinha podia se dizer que era velho, mas não aparentava ser tanto assim. Com sua armadura esverdeada, pois assim era a cor das armaduras dos generais do reino humano. Com uma capa em tom de um marrom que cobria seus ombros preso a medalhões de ouro, concedido ao mais alto gral de honra, ia sobre as costas ate os seus pés e um capuz lhe cobria a cabeça, fixado em sua cintura a tão lendária espada, digna de um Rei, Excalibur. Feita de um metal único, tirado da pele de um dragão que o próprio General Orlando matou, ela era espessa. Somente alguém mais poderoso do que ele poderia empunhar aquela espada, um mero ser qualquer ao tocá-la morreria na hora, devido tamanho poder.

Diante daquela visão por alguns segundos o rapaz não soube o que dizer.

– Bem, agora diga o que você queria tanto falar. — falou Orlando.

– Meu senhor — disse ainda ofegante — como o General mesmo me ordenara, fui saber o porquê do segundo esquadrão estar demorando tanto para trazer a princesa ate aqui o ponto marcado.

– Bem e então?

– Bem meu senhor. Não sei o certo o que aconteceu, mas estavam todos mortos....

– O que?! — falou Orlando curvando as sobrancelhas, sério e espantado com o que acabara de ouvir.

– Sim meu senhor. O Comandante Arterius estava encostado numa árvore com o abdômen perfurado. Porem não vi a princesa em lugar nenhum, a meu ver pelos rastros que deixaram foram os Orcs que fizeram aquilo.

– Malditos... Confesso que estou um pouco surpreso, não tinha como nossos inimigos saberem dessa operação. — olhou com os olhos fixos em direção a floresta e gritou — atenção homens, dos quatorze guerreiros que estão aqui, quero que quatro fiquem de guarda no acampamento, os demais peguem suas armas e venham comigo, agora!

De repente começou aquele rebuliço, aqueles dez soldados pegando suas armas e montando seus cavalos,estavam se preparando para o pior.

Cavalgando então o General e seus soldados entraram na densa floresta pelo "caminho dos Reis" (Assim chamado a pouco mais de 100 anos, pois era por ali que os dois grandes reis passavam para falarem sobre uma possível aliança entre os reinos) em direção ao Reino Élfico. Chegando ao local onde aconteceu o massacre, General Orlando olhou ao redor analisando cada detalhe, enquanto olhava alguém perguntou:

– E agora para que lado eles foram?

– Tem rastros em direção do norte, pegadas de ogro, pelo tamanho — disse outro.

– Vamos para o Reino Élfico — falou Orlando cutucando o cavalo com os pés seguindo em frente pelo mesmo caminho.

– O que? Os rastros estão aqui nessa direção — cochichou um soldado para o outro, duvidando do que Orlando dissera.

– Não retruca apenas ande — disse o outro em resposta — Ele não é o general mais honrado simplesmente por que vive seguindo pegadas, ouvi dizer que ele pode ver milhas a frente, coisa que ninguém pode fazer. Então quando ele diz vamos, apenas ande. — soltou um grito para seu cavalo para fazê-lo andar depressa.

Enquanto isso nas profundezas do castelo Élfico, após passar por labirintos e escadas, em uma sala secreta repleta de estantes cheias de livros e pergaminhos antigos. No fundo da sala havia uma grande mesa, ali estava Vic folhando um livro antigo, a sua direita estava Rem, acompanhando com os olhos fitados no livro, a esquerda estava Maria, escorada de costas com suas mãos para traz apoiando-se sobre a mesa, olhando por entre seu ombro para o livro. Atrás deles estava Flecher, olhando para aquela enorme parede cheia de quadros, pinturas de Elfos e Elfas.

– Minha mãe, que já deve esta na outra vida, olha só quantos quadros têm aqui... Tem o que uns 200? — disse Flecher olhando para cima e para os lados como que tentando adivinhar.

– 183 na verdade — respondeu a princesa, voltando a ler o livro.

– Nossa Rem você ouviu isso, 183 — soltou uma risada — quem é essa gente toda?

– Pelo Grande deus Flecher, deixe ela ler o livro, isso aqui é mais importante — comentou Rem franzindo o rosto serio e concentrado.

– Tudo bem Rem — Falou Vic — Esses são os retratos de todos os filhos do meu pai.

– Wou — resmungou Flecher.

– E por que só tem dois pintados juntos nos mesmo quadro de seu pai e sua mãe? — perguntou Maria curiosa.

– Bem por que os outros eram filhos de outras Elfas, que meu pai pegou para aumentar sua linhagem. Minha mãe ficou mais de dois mil anos sem dar a luz a um filho ao meu pai, o Rei não podia fica esperando um milagre, mas ate que o milagre veio, minha mãe ganho primeiro meu irmão, aquele que estava lá na sala do rei ao lado do meu pai e depois ganhou a mim.

– Eu sinto muito Vic — disse Maria se arrependendo de ter perguntado.

– Olha está bom o assunto, mas o que diz esse livro? Tentei ler, mas, é língua de Elfo não tem como, eu não entendo esses sinais e símbolos — disse Rem olhando fixo para o livro fazendo gestos com as mãos.

De cima de um pequeno monte, General Orlando olhava para a cidade em chamas, como que foram derrotados tão facilmente? Pensou Orlando. Já era madrugada passaram quase metade daquela noite cavalgando ate chegar ali, em uma velocidade normal de carruagem, dava exatamente um dia de distancia entre o reino Élfico e o reino Humano. Passados alguns minutos um batedor vem ao encontro do General.

– Meu Senhor, pelo que pude ver tem mais ou menos uns 200 orcs espalhados pelo reino, a grande maioria deles, uns 120, estão em frente ao castelo.

– Bom trabalho rapaz — olhando para o resto do grupo continuou a dizer — espalhem-se, dividam-se em dois grupos, um pela esquerda e outro pela direita. Fiquem a espreita, eliminem sorrateiramente os ogros que encontrarem, procurem não entregar suas posições. Eu irei ate o castelo e cuidarei dos ogros que estão ali, esperem ate que eu volte e os procure novamente.

– General esta dizendo que ira enfrentar mais de cem ogros sozinho? — perguntou um dos que estava no comando abaixo do General.

– Não é com os ogros que me preocupo, e sim com quem pode estar dentro do castelo. 200 ogros não derrotariam as legiões que o reino Élfico tem, eles não estão aqui sozinhos vieram somente para auxiliar no ataque, quem sabe só para criar uma distração — respondeu General Orlando, e olhando para o castelo, curvou um pouco a cabeça para baixo, com um olhar penetrante, determinado e enfurecido. Apertou os calcanhares envolvidos em armadura no seu corcel, que se empinou e em seguida saiu em disparada. Rumo ao grande Castelo Élfico.

Seus homens de imediato saíram também como o ordenado, separando-se em dois grupos. Num determinado ponto, deixaram os cavalos e seguiram a pé, uns subiam a muralha outros iam sorrateiros entre as casas. Alguns ogros estavam de guarda no topo da muralha, antes que pudessem ver foram mortos, levaram golpes fatais pelas costas. Assim da mesma maneira alguns ogros que também estavam perto de algumas casas. Uns morreram enquanto saqueavam, outros enquanto comiam. O plano estava indo conforme o planejado faltava agora esperar o retorno do grande General.

Na metade do caminho que dava para o Castelo, General Orlando parou seu corcel, desceu, e com um leve assobio seu cavalo saiu correndo, como se tivesse acatado uma ordem para se esconder e só voltar assim que ouvisse outro assobio de seu Mestre. Andando agora a pé pelas ruas da cidade, Orlando viu ali um cenário de uma grande batalha, corpos espalhados por todo lugar, a cada passo que dava ele sentia a magia que fora usada naquela luta, se perguntava como que grandes magos do reino Élfico foram derrotados por ogros? Ele sabia que algo mais estava por traz daquilo tudo. Parando subitamente olhou ao redor, contemplou o estrago que a magia pode provocar. Grandes rombos no chão e nas casas. Sabia que não era força bruta ou objeto que atingira aquela cidade e sim magia. Analisando atentamente percebeu que a magia usada foi pelos Élfos, tentando se defenderem. Sabia ele também que os ogros não teriam chance alguma contra os magos Élfos, sabia que alguém mais estava por ali, agora quem ou quantos não sabia dizer.

Olhando para o lado, no meio de poucos escombros estava um elfo ancião. Orlando chegando perto reconheceu quem era, era Lord. Liss Then'kisey, um dos mais poderosos magos que já existiu, Orlando o conheceu quando ainda era mais jovem. Ainda mais agora ele não acreditava no que estava vendo. Colocou sua mão direita no rosto e pensou "quem poderia ser tão poderoso que ate um Gran Mestre da magia fora derrotado?" não conseguiu pensar em nome algum.

Levantando-se dali continuou andando lentamente até a entrada do castelo. Próximo as escadarias que davam para a porta de entrada, estava um grande numero de ogros, como já não chovia mais, fizeram uma fogueira e ali estavam comendo e rindo. Monstros horrendos, cruéis, comiam e bebiam o sangue Élfico, seu prato predileto era as crianças.

Sem ao menos imaginar no meio de tanta euforia, um dos ogros olhou para a estrada, no meio da escuridão, um brilho esverdeado, de algo se aproximando, não sabia o que era. Quando então ouviu uma trovoada e com o clarão do relâmpago, pode ver aquele ser caminhando ao seu encontro, com aquela armadura verde como esmeralda, com a capa balançando levemente ao vento. Um capuz na cabeça cobrindo parte do seu rosto, apenas viu que os lábios daquele homem se mexiam como que dizendo algum encantamento, não poderiam ouvir também o que era. Naquele momento todos estavam olhando, gritaram uns para os outros para pegarem suas armas. Sabiam que quando se via um humano de armadura esverdeada, era um general que se aproximava. Preparados então para lutar saíram gritando enfurecidos na direção daquele homem.

General Orlando desembainhou sua espada, os ogros estavam o cercando, levemente deixou a espada cair de ponta para o chão, enquanto ela caia todos os ogros ao redor dele vinham correndo como se o tempo estivesse reduzindo sua velocidade, frações de segundos, tudo se movia lentamente. Ao se fincar no chão uma onda de choque e raios saíram da espada, atingindo a todos os ogros, queimando-os de dentro para fora, arremessando-os para longe, todos os mais de cem ogros morreram por um único golpe do General Orlando.

Com a mão direita Orlando pegou no cabo da Excalibur e embainhou-a novamente, andando começou a subir as escadas da porta que dava para entrada do castelo. Uma grande porta podia se ver, já foi mais bonita, mas as marcas da guerra estavam cravadas nela. Abriu então a porta, que era divida ao meio, empurrando ambas as partes para dentro do castelo, rangendo as suas dobraduras de ferro.

À medida que ele andava sua sombra erguia-se para dentro do castelo, toda vez que relampeava lá fora. Dirigindo-se cada vez mais para dentro, com passos tranqüilos e firmes, digno de um general, parou no meio daquele grande salão, rodeado de enormes colunas de sustentação. Na sua frente em meio aquela escuridão, com a luz do relâmpago, pode ver sentado nos poucos degraus que elevavam a parte onde o trono do Rei Tarius ficava (trono esse que o rei usava para atender aos pedidos de seus súditos), estava aquele ser que chamavam de Ceifador. Ele estava com os cotovelos dos braços apoiados em seus joelhos, com as mãos cruzadas perto de sua boca, como se estivesse ali à espera de alguém.

– Foi rápido — disse o Devil — pelo que vejo você não é qualquer um, isso é bom, quem sabe agora posso ter uma luta de verdade — colocou-se em pé e ambos se encararam.

Orlando não disse nada, apenas olhava para ele, achou estranho, pois foi a primeira vez que viu um devil de olhos negros, geralmente são vermelhos. Ele sabia que aquele não era um devil qualquer. Finalmente ele tinha suas respostas, de como tudo aconteceu, de como um exército inteiro fora devastado. A hora da verdade finalmente chegara.

Notas finais
Mystic -General Orlando - FIM