Mystery, Dear Mystery
30 Mystery 9 – Nem Tudo É O Que Parece... 3/3
Notas iniciais

Narração por: Riley Stones
Não existe nada PIOR do que aquelas três garotas bêbadas. Elas juntas eram um furacão desordenado tentando nos atropelar para sair da casa! Mas cuidar delas foi o de menos.
Partindo do meu nascimento até o momento em que estávamos cuidando delas, nunca tive um dia mais assustador do que este.
Próximo das três da manhã, as garotas já não estavam mais bêbadas (dormiram que só, então acho que está explicado). De ressaca, sim, mas não bêbadas. Depois que as três desceram as escadas juntas, feito zumbis, só tivemos tempo para zoar um tiquinho sobre a “alta resistência a bebidas alcoólicas” delas, antes de tudo começar.
De repente, as luzes se apagaram.
– Ah, porra, o que houve dessa vez?! – Diamont quase gritou, olhando para o teto.
– A energia só deve ter caído. – disse Megan. – Relaxem.
Ouvimos um som de algo sendo aberto, e logo Megan estava tirando várias lanternas de um fundo falso embaixo da mesa e nos entregando.
– Fiquem com as lanternas por enquanto. Daqui a pouco a energia volta e...
– Ahn... Hills? – Diamont chamou/interrompeu.
– Sim?
– Hum… Acho que a energia não acabou.
Diamont apontou o facho de luz altamente poderoso das lanternas da DM para o teto e para as paredes, e foi assim que começamos a nos sentir em um filme de terror. Todos arregalamos os olhos, menos Megan e Lucy, que começaram a gritar aterrorizada mente e se agarrarem no cara mais próximo, ou seja, eu. E, diferente das últimas vezes, elas não se importaram de estarem as duas agarradas a mim (graças a Deus aquilo acabou. Eu juro que mais alguns dias daquilo e iria pirar). O motivo de tudo aquilo?! ARANHAS. Milhares de aranhas enormes no teto e nas paredes se aproximando de nós. Lucy e Min estavam tão colocadas a mim que eu podia sentir o coração delas batendo em uma velocidade que, se aumentasse, renderia um ataque fulminante. Como eu sabia? Treinamentos do alto escalão. Eu tinha que fazer alguma coisa.
– Garotas, acalmem-se. – genial Riley.
Foi então que eu vi pelo canto do olho algo volumoso bem próximo a mim. Era um bicho de oito pernas, muitos olhos, pinças enormes e pelo chamado aranha, e este mesmo se encontrava na cabeça da Lucy.
– Lucy... – comecei, mas fui interrompido não por alguém, mas por uma reação.
Megan, ao invés de gritar como estava fazendo, arregalou os olhos.
– Lucy, não se mexa.
– AH, MEU DEUS, TEM UMA NA MINHA CABEÇA?! TIREM! TIREM!
– LUCY, FIQUE QUIETA! – gritou Megan, com aquele ar de autoridade ao estilo professores do alto escalão.
Decidi salvar Lucy e estendi a mão. Tirei eu mesmo a aranha e a taquei do outro lado da cozinha. E ela explodiu. Como uma bomba.
– São de plástico! – anunciou Megan. – Não são aranhas reais, são... São detonadores automáticos...
– O quê?! – exclamou Diamont. – Hills, isso não faz o menor sentido!
– Eu sei! Foram... Foram feitas para chegarem até nós! Eu não sei explicar, mas elas não são normais.
– Como eu disse mesmo? Ah, é. ISSO NÃO FAZ SENTIDO NENHUM!
O grito de Diamont foi como uma explosão milagrosa no quebra-cabeça em minha mente. Ela tinha razão. Nada daquilo fazia sentido.
– Eu acho que isso tem a ver com aquela garota. – disse James. – Ela está querendo nos matar, lembram?
– Não, imagine Lerman. Eu esqueci! – disse Nick, sarcástico.
As aranhas estavam cada vez mais próximas. Mas então, um pensamento maravilhoso surgiu em minha mente no meio do caos.
Do que os insetos mais têm medo?
– Acendam fósforos. – falei.
– O quê?! – perguntou Lucy.
– Insetos têm medo do fogo. E mesmo que essas aranhas também não sejam insetos de verdade, terão o “bom senso” para evitá-lo. – fui até a lareira que, ainda bem, não estava acesa e peguei uma tora. Achei álcool nos armários rapidamente, pois já tinha visto antes. Acendi cuidadosamente. – Hora de testar. – me aproximei da parede onde estava o armário e o efeito foi instantâneo. As aranhas começaram a se afastar MUITO rapidamente.
– Nossa, que gênio. – zoou Diamont, depois que espantamos todas. – Eu não sei se você reparou, mas ainda estamos no escuro.
Ergui as sobrancelhas e apontei para a tocha em minha mão.
– Oh, ele é o todo poderoso. – essa garota não se cansa mesmo!
Revirei os olhos e a ignorei.
– E depois reclama de ser chamado de Mr. Calm. – provocou Diamont.
Infelizmente, ela tem razão. Eu faço muito jus a essa alcunha. Tanto que nem me importei com a indireta dela.
– Sabe Diamont, se eu fosse você, economizava a saliva. – comentou Nick. – O Mr. Calm é muito calm, sabe?
– Cale a boca, Nick. – pedi e, incrivelmente, eu soei educado.
Depois que todas as aranhas se afastaram, as meninas me soltaram e começaram a fingir que não se agarraram em mim.
– Lucy? – chamou James.
– Que é?!
– Está bem escurinho, e no escuro é sempre mais gostoso...
– CALE A BOCA, LERMAN!
O grito foi bem mais alto que qualquer grito que você possa imaginar. O silêncio que se seguiu foi assustador, e com muito motivo. Era o silêncio que antecipava uma das “aventuras” mais assustadoras de nossas vidas. E mal sabíamos que não demoraria muito para que ela começasse.
Na verdade, nem dez segundos.
A minha tocha a iluminava, o que não lhe dava só um brilho fantasmagórico, mas também demoníaco. Claire praticamente tinha escrito na testa que queria nos matar. E, como se a presença dela não fosse suficiente, havia alguém no cantinho da parede, quase escondida. Em um ângulo que só eu podia vê-la. (Sério? Não me diga!) Digo, nem mesmo Hale podia vê-la daquele ângulo. Diamond. Ela me olhou com uma cara de “Esse é só o começo”.
– Gostaram da minha amiga? – perguntou ela, se tornando visível para todos (ou para a Diamont).
– Diamond. – rosnei.
– Não, eu sou a ratinha da Donna que te ajuda nos momentos vagos. – Diamond fez um som de nojo. – Eca, nem em meus piores pesadelos eu já fui aquela garota! Sim, gênio, sou eu. Quem você esperava que fosse?!
Diamont bufou.
– O que você quer Diamond?
– Eu? Ah, minha querida Dia, eu não quero nada. É Claire quem quer. – Diamond riu diabolicamente. – E você?! O que você quer? – ela olhou para mim e para os outros com nojo. – O Lerman tudo bem, agora, esses manés?!
– Falou à morta que nem devia saber o significado da palavra “mané”. – devolvi.
Ela sorriu com sarcasmo para mim.
– Ouça Stones, não é só porque minha irmã é antiquada que eu também deva ser...
– Donna não é antiquada! – defendi. – Ela só... Não sabe sobre as gírias de hoje em dia.
Ela riu.
– Invente essas desculpinhas bobas para a sua mãe. Todo mundo sabe que a Donna é uma perdedora. Sabe quem foi o primeiro Mystery a morrer depois que todos nós votamos e decidimos eliminar nossos pais? Ela.
– Não é só porque ela morreu primeiro que ela é mais fraca que você. – falei, em tom acusador. – Todo mundo vai morrer um dia. E você, Diamond, como você morreu?
Ela fez uma careta com a minha pergunta.
– Não é da sua conta. – ela olhou para Claire e sorriu. – Sem mais delongas, Claire. São todos seus.
Claire sacou seu lustroso facão e partiu para cima de todos nós ao mesmo tempo. Desviamos por pura sorte.
– STONES! – gritou Diamont. – VOCÊ E A HILLS VÃO POR FORA! TRENT, WINNERS, PELOS CANTOS! JAMES E EU VAMOS PELA PARTE DE TRÁS DA FAZENDA. RÁPIDO!
Devagar é que não iríamos.
Megan e eu obedecemos Diamont. Corremos para fora da casa e fomos para além da estrada onde o carro que encontramos estava. O que pareceu um simples estupro agora era uma corrida pela vida. Incrível como as coisas se transformam em outras tão rapidamente.
Chegamos a um campo onde havia algumas árvores e grama molhada no chão, que deixava pegadas quando andávamos, mas ainda assim não era um local fechado.
– Consegue vê-los daqui? – perguntou Megan.
A notícia não era nada, nada boa. (Quando foi que eu já disse isso antes? Vou fingir que não sei.)
– Não. Eu não consigo ver ninguém daqui.
– Então estamos sozinhos? – ela parecia meio... Nervosa.
– Sim. – nós dois trocamos um olhar.
Uma das lições mais valiosas do alto escalão é: se você está fugindo em um inimigo, faça o óbvio: SUBA EM UMA ÁRVORE! É tão óbvio que os inimigos nunca pensam em procurar no topo delas! Mas o problema agora era a altura. As árvores eram muito baixas. A mais alta não tinha mais que três metros e meio, então, estávamos meio que sem opções.
Suspirei e fiz a coisa mais improvável que um detetive faria naquele momento. Larguei-me no chão.
– Riley?
– Sim?
–Que diabos você está fazendo? – o destaque na frase era meio cômico.
– Esperando os outros darem sinal. – Megan ia sugerir o óbvio, mas eu a cortei antes mesmo que ela abrisse a boca. – Não podemos salvá-los. Vamos garantir nossa própria morte com isso. Por que não senta? – apontei com o polegar direito para o espaço ao meu lado.
Megan cruzou os braços e eu dei um sorriso de canto. Era questão de segundos até que ela cedesse.
– Ah, está bem! – vinte segundos após, ela cedeu. – Eu me sento ao seu lado! Mas se alguém morrer, a culpa é sua.
– Onde foi que eu já ouvi isso mesmo? – já era a segunda vez que eu falava/pensava aquela frase em um único dia. Eu vou ficar maluco com tudo isso.
– Desculpe! – ela revirou os olhos e se sentou ao meu lado.
Nunca descobri por quanto tempo ficamos ali, mas me pareceram horas.
– Sabe, Megan, fico me perguntando o que aconteceria se nós chegássemos para o Sr. Greeleaugh e realmente o colocássemos a par da situação. – confesso: tinha falado aquilo apenas para quebrar o silêncio e, acredite você nunca vai conseguir imaginar o quão eu fiquei surpreso por dentro por estar realmente considerando a hipótese. – Ele não sabe de nada disso. Não sabe sobre Donna, não sabe sobre Diamond, nem sobre Claire, não sabe sobre... Nada! – eu não estava só considerando a hipótese. Eu estava idolatrando aquela hipótese. – Se ele sonhasse que Frank nunca nos ajudou em nada... Se ele sonhasse...
– Riley... Você sabe que mesmo que disséssemos alguma coisa, não adiantaria nada, não é?
Franzi a testa e olhei para ela.
– Mas...
– Olha, o Sr. Greeleaugh é como um Don da máfia, mas da DM. Frank é um cara de 943 anos que foi conservado com naftalina e se aposentou há muito tempo. Em quem ele vai acreditar? Em quatro jovens de vinte e um anos ou em um cara como o Frank?
Suspirei frustrado.
– Só queria me livrar dele. – sussurrei. – Sério, Min, aquele cara é um estorvo! – elevei a voz. –Em quê ele nos ajudou? Que diferença ele fez em nossa vida? São perguntas sinônimas e ambas sem respostas!
Megan me olhou com pena.
– Sinto muito, Riley. Eu também queria poder exterminar algumas pessoas desse planeta...
– Muito fofo. – sussurrou uma voz a nossa frente.
Lá estava ela. Claire estava pronta para nos matar.
– Onde estão os outros?! – Megan quase gritou.
– Não sei. – respondeu Claire. – Preferi matar vocês primeiro. – então ela olhou para mim. – Você achou a minha morte injusta. Mas você não fez nada. Você não fez nada para mudar isso. Você e seus amigos só ligaram para alguém do necrotério! Agora eles estão fazendo o meu trabalho em meu próprio corpo!
Megan e eu trocamos um olhar desesperado.
– Mas agora você vai pagar. – ela sacou o facão. – E sua amiguinha também! Morte dupla! – ela riu diabolicamente.
– Pois é, Min, é a nossa hora. – comentei casualmente, como se aquilo acontece todo dia.
– Acho que não, Riley. Olhe. – Megan apontou. E eu vi.
Lembram que eu disse que a grama estava úmida e deixava pegadas quando andávamos? Pois é. Estava deixando. E não era o exalador do cheiro de morte da vez – um cara alto, também dos olhos azuis –, era alguém, com toda certeza. Na hora eu não soube quem, mas aquelas marcas foram suficientes para gerar em mim uma pontada de esperança, esperança de que sobreviveríamos para contar a história.
– Claire. – chamou o cara, e Claire se virou. – Sou Bradley. Desculpe interromper tua... Tentativa de assassinato.
Megan me olhou confusa e eu percebi que ela não podia ver Bradley.
– É um fantasma. Ele está falando com a Claire. – sussurrei.
– O que tenho para dizer-lhe é... Importante. Tu não és a única que quer matá-los. Eu também os quero mortos.
Ótimo. Vamos morrer no fim.
Bradley continuou falando com Claire em linguagem antiga sobre como queria nos matar. Nós não sabíamos o que fazer, até que Donna surgiu ao meu lado.
– Corra. – o seu sussurro em meu ouvido foi suficiente para que eu puxasse Megan e corresse dali.
Nós corremos e Claire só percebeu quando estávamos bem longe. Nos encontramos com os outros (na verdade, nos esbarramos). Mas, antes que nos abraçássemos, percebemos o seguinte: As pegadas continuavam nos perseguindo, e só quando paremos, percebemos que estávamos assustados. E que Lucy não estava lá.
– Quem é você... Pessoa das pegadas? – perguntei, como o “gênio” que sou.
– Pessoa das pegadas?! De onde você tirou isso, Riley?! – era a voz de Lucy. Ela era a pessoa das pegadas. – Do que... AH MEU DEUS! ONDE ESTÁ O MEU CORPO?!
E foi então que a Lucy reapareceu. Totalmente nua.
Ela passou de vermelha a roxa.
– VIREM PARA O OUTRO LADO! – gritou.
Nick, James e eu viramos, enquanto ela e Megan corriam para dentro. Diamont ria.
– Tadinha, gente. – ela não sentia pena nenhuma.
– Vou ligar para Joe. – avisou Nick. – Já tive férias o suficiente para o resto da vida.
Ao que parece, não é só Riley e Diamont que fazem coisas diferentes. Lucy e Megan também. Fantasmas parecem estar em toda parte e o pouco tempo que passaram sem Diamond pareceu inexistente. Mal sabiam que coisas muito piores ainda apareceriam no caminho...
No próximo caso...
“ – Eu sei que lhes devo uma autenticação, mas isso ficará para depois. Stones, Hills, vocês continuam de férias. Tenho uma missão para os outros.”
(...)
“ – Sabe, Lucy-Gostosa, esse lugar me lembra Atlântida.”
“ – Genial, Lerman. Você foi o único que pensou nisso.”
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