Mystery, Dear Mystery

31 Mystery 10 - Meu Passado Me Condena 1/3


Notas iniciais
UHUUUULLLLL FINALMENTE ESSE CASO! Eu amo esse caso, tipo demais *-* Cara, ainda estamos com poucos comentários, isso nos desmotiva... Então gente por alguma razão os banners não estão "colando" aqui no Nyah, não sei porque...

Narração por: Diamont Hale

Eu estava abraçada às minhas pernas em posição de defesa. Ódio, era isso que eu sentia ali.

Um homem, o homem que eu chamava de pai, me deu um sorriso psicótico e me estendeu duas armas, a Magnum 47 e a calibre 50.

— Escolha. — a voz dele saiu dura e fria.

Eu parei de chorar, me levantei e peguei a Magnum 47. Em seguida, senti um tapa na minha cara. Meu pai olhou para mim e disse, olhando no fundo dos meus olhos:

— Se você fraquejar de novo, vai sentir coisa pior do que isso! Você é uma Hale e é fraca, e um Hale nunca é fraco! Quem chora é fraco e quem é fraco morre! Eu não tenho culpa se você nasceu, não tenho culpa de ter você como filha. Acredite, se eu pudesse, escolheria ter só a Catrina, mas você está aqui junto com seus irmãos imprestáveis. E é bom não vir com esse papo de fraquejar para cima de mim de novo.

Aquelas palavras doeram em mim. Eu só assenti, ficando em silêncio. Segurei a Magnum 47 com mais força e fui atrás do meu pai.

Ele me levou até uma sala, não, ele me levou até o porão da nossa casa e, amarrado sobre a parede, com cordas que pareciam estar apertando os pulsos dele com força, estava o meu tio, uma pessoa tão... Repugnante quanto meu pai. Admito que não senti a mínima dó dele!

Nunca tive contado com ele, não me importava se ele estava nesse estado ou se estava em uma mansão ou andando de iate, não fazia a mínima diferença na minha vida. Eu não vou falar que desejo tudo de bom para ele, até porque seria meio que mentira...

Meu pai pegou o meu braço que segurava a Magnum 47 e apontou para o meu tio, mais especificamente para o coração dele. Arregalei levemente os olhos ao entender o que ele queria que eu fizesse e, acredite, você não vai querer passar por uma situação parecida.

— Puxe o gatilho. — ele mandou.

Estremeci, mas não puxei. Ao invés disso, soltei a Magnum 47 no chão. Não iria matar o meu próprio tio sem nenhum motivo aparente.

Meu pai ficou com ódio quando me viu desafiando as ordens dele. Ele me empurrou contra a parede com força, eu senti um soco no meu rosto, depois outro e outro. Em seguida ele parou e olhou para mim com frieza. Não me importei, ou pelo menos achava que não tinha me importado.

— Vai me desobedecer, Katherine?! Ótimo! Vai ver o que vai acontecer naquele quarto com você...

Eu acordei suada do pesadelo, juro que quase senti a dor da pancada que eu levei. Tratei de levantar da cama, porque dormir não iria conseguir tão cedo, não estando nesse estado super ativo.

Eu desci até a sala da minha casa... Casa. Era estranho chamar um lugar assim, parece que é um lugar que iria te acolher de braços abertos e não fazer o contrário... Acho que por esse motivo nunca ninguém veio aqui, nem mesmo James.

Suspirei e avaliei o lugar com o olhar. Na verdade era como uma mansão, um monte de gente ficaria louco por uma daquelas, mas eu sentia que faltava alguma coisa... Suspirei de novo e saí dali, fui para o porão e me deparei com o presente de Natal que eu ganhei do Nicholas. Um sorriso brotou nos meus lábios ao perceber que ali no porão o piano dava um ar místico e estranho, parecido com o daquela noite de Natal. Com certeza aquele foi o único Natal em que a minha vida não desabou diante dos meus olhos. Teria sido melhor se eu não tivesse passado com um bando de babacas, mas foi o melhor que eu já tive em toda a minha vida.

Sentei no banquinho e comecei a tocar a "Nona Sinfonia". Tocar piano sempre me acalmou, era como se quando eu tocasse todas as minhas preocupações evaporassem em um passe de mágica. E, por mais que eu nunca vá dizer isso ao Nicholas, esse piano tinha algo que mexia comigo, não sei o quê, acho que como a nota saía de dentro dele e me preenchia. Depois daquele Natal, eu pensei seriamente em recomeçar a minha coleção de pianos. Parece bizarro colecionar pianos, quem faz isso? Mas a verdade é que minha quedinha por eles era enorme, e acredite quando eu digo que nada é igual, um piano é completamente diferente do outro. Ok, isso continua parecendo bizarro! Estou me sentindo uma maluca que está falando coisas sem nenhum sentido aparente!

Eu quase comecei a rir no meio daqueles pensamentos, mas me concentrei em tocar, me concentrei em sentir aquilo.

Eu teria continuado a noite inteira se o meu celular não tivesse tocado em plenas três da manhã! Olha que legal! Que idiota me ligaria uma hora dessas?!

Adivinha quem era o idiota? Isso mesmo: Nicholas Idiota Besta Trent. Eu bufei irritada e atendi.

— Seu acéfalo! Olhou o horário direito?! Que merda você quer comigo às três da manhã?! Acho bom ser algo sério, se não pode se considerar um homem morto amanhã de manhã.

Mesmo não o vendo, sei que ele revirou os olhos do outro lado da linha.

— Oi, loira assassina, também é bom falar com você. E eu estou muito bem, obrigado por me perguntar...

Bufei novamente.

— Fala o que você quer!

— O chefinho acabou de ligar marcando uma reunião com a equipe.

Eu quase matei esse cara com o poder da mente! Que tipo de pessoa em plena saude mental chama um grupo de pessoas para "conversar amigavelmente" no meio da madrugada?!

— ÀS TRÊS DA MANHÃ?! O QUE ESSE CARA TEM NA CABEÇA?! NEURÔNIOS É QUE NÃO SÃO! — eu surtei, desligando o celular na cara dele.

Saí do lugar em que eu estava e fui para o closet me arrumar, ou seja, coloquei um jeans e uma camiseta. Peguei a minha bolsa e fiquei fazendo hora, não estava a fim de ir naquele lugar em plena madrugada. Depois vi que já havia se passado uma hora e fui até lá.

Assim que cheguei à sede da DM, vi que James e o resto do bando de ridículos já me esperavam e me olhavam como se eu estivesse atrasada – o que eu estava, mas não vem ao caso. Ninguém marcou horário para ser cumprido!

— Nossa! Finalmente, hein, achei que tivesse morrido no meio do caminho. — James comentou entrando na sede.

O resto do bando de panacas me olhava com aquela cara de "Você fez a gente ficar plantado feito árvore naquele chão esperando por você. Isso terá vingança!". Eu nem liguei e continuei andando como se nada estivesse acontecendo, os incomodados que se retirem!

Entramos na sala do chefinho, que nos olhou com desaprovo. A chatinha da Megan logo começou a se desculpar pela demora... Mas também! O que ele queria? Que a gente atendesse ao pedido dele em plenas três da manhã?! Ligasse três horas da tarde! E não quero nem saber se ele é do alto escalão dessa organização idiota que não chega nem aos pés da IK!

— Olha só, vamos parar com a enrolação que eu quero saber logo o motivo de eu estar aqui em plena madrugada de sexta, ok? Então, Megan, cala a boca, e você diz logo o que tem para dizer. — eu falei cruzando os braços sobre o peito.

Megan me olhou mortalmente, o chefinho também.

— Escute aqui, agente Hale... — o tom dele era de nojo.

Eu o cortei me levantando da cadeira. Pelo visto ele não está acostumado a ser desafiado, pois bem, isso vai começar a mudar daqui para frente, não é porque eu sou uma agente que ele tem que me tratar como se eu fosse um verme nojento!

— Escuto nada! Você chamou e eu estou aqui, e se eu fosse você falava logo o que tem para falar. — eu falei, já perdendo uma parte da paciência.

— Você não tem autoridade aqui, posso muito bem te expulsar daqui imediatamente.

Dei a minha risada irônica.

— Se você me expulsar daqui, pode ter certeza de que a IK vai acabar com a sua raça em menos de dois segundos. E, sim, eu tenho autoridade aqui: sou do alto escalão, e saiba que posso causar sua ruína psicológica com um simples ato de te mostrar o que a sua esposinha de merda fazia nas horas vagas, então fala logo que tem para falar que a minha paciência já está se esgotando aqui!

Eu sabia que havia tocado em um assunto delicado, e quer saber? Eu não estou nem aí. Ele que me chamou aqui.

O chefinho me lançou um olhar raivoso, mas se sentou de novo e eu fiz isso também. Os idiotas olhavam para tudo bobos com a cena. Revirei os olhos com a burrice deles.

— Eu sei que lhes devo uma autenticação, mas isso ficará para depois. Stones, Hills, vocês continuam de férias. Tenho uma missão para os outros.

Foi aí que eu pensei que vinha merda para a gente, e tipo, vinha merda em plena madrugada de sexta! Qual é?! O que todos têm contra mim?

Os dois panacas assentiram e saíram da sala com pressa, me deixando lá sozinha com James, Lucinda e Nicholas... Por que isso não me soa muito divertido?

— Vocês irão para Lake Mead, St. Thomas, Nevada. Ocorreram vários assassinatos lá, a missão de vocês é descobrir quem está fazendo isso.

Ótimo! Estamos lidando com uma pessoa que brinca de ser Serial Killer! Tudo o que eu queria...

Ele passou fotos para nós, e eu juro que quase tive um enfarte ao ver uma marca no pulso de uma das vítimas, um JM seguido por duas cobras entrelaçadas. Eu reconheceria essa marca em qualquer lugar do mundo... É, parece que não é com qualquer Serial Killer que eu vou ter que lidar... Lidar em plena sexta-feira! Isso estraga tudo! Por que não segunda? Sexta é dia de ficar madrugando nas baladas... Afs!

Lucinda estralou os dedos na minha frente, me tirando dos pensamentos.

— Vamos? Ou vai ficar parada feito uma idiota enquanto a gente resolve o caso?

Revirei os olhos e saímos dali para o aeroporto aqui do lado. E, tipo, aqui do lado é no sentido literal, a DM tem um aeroporto particular, nada que a IK não tenha... Na verdade o da IK era três vezes maior, o atendimento nas lojas de café era cem por cento melhor, tinha calibres 50 escondidas em todos os lugares, o chocolate quente era mais adocicado e as aeromoças não andavam por aí como vadias que não têm nada a fazer da vida, mas quem se importa, né?

O voo foi calmo, graças a Deus (se é que existe um)! Quer dizer, depois do Alasca, os voos nunca mais foram os mesmos para mim. Teria sido melhor se o Nicholas não tivesse vomitado cinco vezes seguidas, eu estava bem do lado dele, foi um tanto quanto... Nojento ver aquilo todas as cinco vezes. Quando ele parou de vomitar, reparou que eu olhava para ele com nojo. Ele arqueou as sobrancelhas e eu dei de ombros, peguei um pacote de Doritos e estendi para ele.

— Quer um pouco? — eu perguntei o mais sarcástica possível.

— Claro! Quem sabe assim eu não vomite na sua cara?

Eu me preparei para dar um soco na fuça daquele acéfalo. Lembra quando eu disse que o voo estava sendo tranquilo? Era mentira. Uma turbulência começou a me fazer ir para o lado oposto dele, o avião começou a balançar bastante, e eu, como sou muito esperta, estava sem cinto, pois havia acabado de voltar do banheiro, e sentada na borda. De repente veio uma chuva de balas.

Resultado: De alguma forma eu acabei parando no fundo do corredor, rolando no chão enquanto o avião caía em queda livre. Eu sentia um monte de coisas caindo sobre mim e as pessoas andando e gritando ali, acho que até pisaram em mim algumas vezes. Oh, povo histérico! Não é só porque estamos caindo e temos um grave risco de morrer que temos que surtar assim...

Eu não notei mais nada, não notei a dor das pancadas quando eu as levava, não notei toda a gritaria de todo mundo, não notei quando uma bala quase pegou o meu braço, só notei um olhar sobre mim naquele monte de gente, um olhar que eu não sabia se sentia falta ou se sentia medo dele. Em seguida ele me falou as seguintes palavras sem emitir som com a boca: “Salve a IK”.

Mas foi só por um segundo, depois tudo voltou ao "normal", a pessoa já havia sumido de vista. Eu me levantei daquele chão e me apoiei na parede do avião, me recuperando do choque. Por que o mundo conspira contra mim? Essa é uma pergunta que jamais será explicada pela ciência.

Logo eu escutei a voz da aeromoça dizendo para nós nos acalmarmos, que estava tudo sob controle e que daqui a três minutos pousaríamos em Lake Mead. Eu me sentei em uma cadeira vazia que encontrei lá no fundão e, com as palavras "Salve IK" na minha mente, logo uma lembrança invadiu a mesma.

Eu estava um trapo, minhas roupas meio queimadas, meu cabelo embaraçado, estava toda dolorida, estava cansada, tinha cortes por todo o meu corpo, mas mesmo assim tive tempo, e cérebro, para admirar o prédio enorme que eu via na minha frente, que é o dobro da minha casa... Minha antiga casa.

— Bem-vinda à IK, onde quem entra nunca sai com vida.

Logo voltei à realidade e afastei essas lembranças da minha cabeça. O que eu tinha hoje? Por que justo hoje? Por que não amanhã? Por que dois flashbacks em um só dia? Isso é frustrante! Na verdade é como se o meu passado aparecesse só para me falar "Oi, Diamont, eu estou bem aqui prontinho para ferrar com a sua vida em um estalar de dedos". Minha vontade era de gritar ali mesmo... Por que a vida é tão injusta comigo?

Acordei das minhas lamentações ridículas quando percebi que já tínhamos pousado. Eu me livrei desses pensamentos conturbadores pela segunda vez em UM dia! Afs, eu mereço! Me repreendi mentalmente por me sentir tão submissa a isso...

Quando desci do avião, encontrei o resto do povo me esperando, de novo no mesmo dia. Olha a ironia?!

— Sumiu, hein, loira! — Nicholas comentou naquele tom besta de "só por comentar mesmo".

Eu revirei os olhos.

— Não, não sumi, estava bem atrás de você, seu panaca! — falei bufando irritada.

Alguém me diz o que eu fiz para ter que aguentar esse idiota no meu pé 24 horas por dia? Decidi ignorá-lo e passei reto por ele.

Saímos ao aeroporto e demos de cara com a cidade... Digamos que ela...

— Sabe, Lucy-Gostosa, esse lugar me lembra Atlândida.

Isso mesmo, lembra Atlândida! Palmas para a inteligência limitada do meu amigo! James é tão besta! O que ele viu na Winners? Cara, aquela guria é muito "Hey, seu panaca, eu sou estressada, ok? E não tente me agarrar!". Menina mais chata! Essa daí só perde para a Megan...

— Genial, Lerman. Você foi o único que pensou nisso. — ela falou, colocando o máximo de ironia e sarcasmo que conseguiu na voz.

Eu e James reviramos os olhos em sincronia.

— Sabe, Lucy, quem sabe mais tarde, quando já tivermos resolvido esse caso...

Lucinda arregalou os olhos e deu um tapa estalado e forte no peito dele.

— NEM VEM QUE NÃO TEM, LERMAN!

Eu só dei uma risada psicótica e sarcástica ao mesmo tempo.

— Vocês são pateticamente patéticos! — falei cruzando os braços.

Nicholas se virou para mim com um sorriso ao estilo "eu sou fodasticamente demais"!

— Falou a assassina maluca que manda bilhetinhos no anonimato! Isso soa muito clichê!

Arqueei as sobrancelhas de modo desafiador e dei o meu sorriso ao estilo "Corre para as montanhas!".

— Se eu fosse você, calava o bico, porque se não eu vou te mostrar quem é a assassina maluca aqui e aproveito para chamar uns amigos meus que podem muito bem te mostrar também. – eu disse cruzando os braços.

Antes que ele pudesse responder, Lucy interrompe a nossa "briguinha pessoal".

— Está bom, está bom! Viemos aqui para resolver um caso, lembram? — ela deu as pranchetas chatas para cada um de nós.

Em seguida, pegamos um táxi para ir até a cena do crime, e eu admito que, quando cheguei, tive uma bela surpresa.

Notas finais
Família da Dia é boazinha, né? Enfim, nada a declarar. Beijos, ~ Ash