Mystery, Dear Mystery
29 Mystery 9 - Nem Tudo É O Que Parece... 2/3
Notas iniciais

Narração por: Riley Stones
Se eu falar que no momento estamos cuidando das meninas bêbadas vocês acreditariam? Pois é! Tudo começou quando a Diamont reencontrou uma “amiga”...
– Bom dia, povo! — a Min falou, entrando na cozinha toda animada.
James estava com cara de tédio extremo mexendo no celular como quem diz “foda-se”; Diamont com cara de quem não dormiu a noite inteira. Digo no sentido literal, ela estava com olheiras, cabelo embaraçado, tomando alguma coisa que eu não fazia a mínima do que era, e uma camisolinha de freira; Nick com cara de quem está super concentrado em assistir CSI junto com a Lucy; e eu estou lendo um jornal.
– Bom? Só se for para você. — a Diamont fez questão de cortar o barato da Min, que só revirou os olhos e passou reto por ela.
Voltei a minha atenção ao jornal.
– Noite mal dormida, Kath? — Nick perguntou, fazendo com que ela deixasse o copo que estava tomando sei lá o quê e revirasse os olhos.
– Primeiro: me chame de Kath ou Katherine de novo que o trato acaba aqui mesmo e eu juro que te dou um tiro no meio dessa sua fuça. Segundo: você ainda não reparou que eu dormi super bem essa noite?! Ah, espera, eu não dormi.
Foi a vez de o Nick revirar os olhos. Cara, esses dois só sabem implicar um com o outro.
– Certo, qual o motivo de não ter pregado o olho mesmo?
Ela assumiu uma expressão séria agora e bufou irritada.
– Blecautes. Eles não voltam em forma “real”, voltam em forma de sonhos ou pesadelos. Dá na mesma de todo jeito, mas claro que tem vezes que do nada eles vêm. É simples, não existe tempo, dia, hora, minuto ou segundo, vêm quando vêm e o resto que se foda.
Isso chamou a atenção de todos.
Status atual: James, Min, eu, e Lucy confusos, mas por que algo me diz que nenhum dos dois vai falar do que se trata mesmo?
– Mas você não quer saber o que aconteceu?
Ela deu de ombros, tomando mais um gole do treco estranho.
– Essa é a pergunta que vale um bilhão para mim.
Ele assentiu. Aí veio o silencio mortal, até que a Diamont se levantou e saiu da cozinha. Eu voltei (de novo) a minha atenção para o jornal, até escutar um barulho estranho e levantar a cabeça. Pude jurar que tinha visto a Claire com um facão ao estilo revenge... Em um segundo, ela sumiu. Não, não pode ser, eu estou ficando maluco, é isso!
– O que vocês acham de sairmos um pouco? Porque eu não estou a fim de mofar nessa casa. — Lerman logo disse, deixando de lado o celular.
É, sair dessa casa me parece uma boa ideia...
– VAMOS PARA ONDE, POVO? — a Lucy logo falou, se levantando em um pulo do sofá.
– Que tal para o quarto, Lucy? — Lerman jogou sua cantada barata.
Lucy revirou os olhos e jogou uma almofada na cara dele. Também revirei os meus. O Lerman era tão besta, Lucy nunca transaria com ele!
– Que tal fazer compras na cidade? — Megan sugeriu mais animada do que antes e Lucy deu outro pulo.
– SIM, COMPRAS!
Elas já estavam fazendo um “bate aí” animado.
– Mas... — Nick, Lerman e eu tentamos protestar ao mesmo tempo.
– “Mas” nada, Riley, nós vamos fazer compras! — a Min falou cruzando os braços em frente ao peito.
Vi que não tinha escapatória e torci para que a Diamont não quisesse ir, porque eu não estou a fim de ficar carregando sacolas o dia todo.
– Olha, Min, não sou eu que você tem que convencer, acho que o seu maior problema é a loira assassina que está aqui no quarto ao lado.
Falando no diabo, ela aparece, já sem pijama e com o cabelo escovado. Isso não apagou as olheiras, o que surpreendentemente a deixava mais sombria do que já era.
– O quê que tem a loira assassina que está no quarto aqui do lado? – ela perguntou bufando enquanto sentava na cadeira e pegava a Magnum 47, mostrando-a para mim como quem diz “isso aí, seu mané, faça algo e você vai levar um tiro na cabeça.”
– Estamos querendo ir fazer compras, o que você acha? — Min perguntou com os olhos brilhando.
Diamont olhou para ela com puro desinteresse e tédio mortal.
– Olha, em dias normais eu falaria que não só para te deixar triste, mas como hoje eu estou morrendo de sono e minha cabeça está em um mundo onde existem balas sendo atiradas sem ninguém comandar, incontáveis mortes, sangue em todas as casas da vizinhança, assassinatos no anonimato e, claro, bombas por todo lado, contanto que o lugar que a gente vá tenha alguma merda para fazer, por mim está tudo lindo e maravilhosamente divo!
Ah, não, eu estou ferrado! Min deu um sorriso e pegou a chave do carro, Lucy já estava lá com ela e eu, os meninos e a Diamont, sem escolha, nos levantamos e fomos atrás delas. Megan foi dirigindo até o shopping.
Resultado? Eu, Lerman e Nick carregando um monte de sacolas cheias de roupas, sapatos, pulseiras, colares, brincos... Essas coisas de meninas.
Diamont não havia tocado em nada até agora, já Lucy e Megan estavam brigando por um vestido:
– AHHHH! DEVOLVE, LUCINDA, EU VI PRIMEIRO!
– DEVOLVE VOCÊ, MEGAN, E EU QUE VI PRIMEIRO!
– NÃO VIU NADA! AHHH, SOLTA, SUA MORENA DE ARAQUE!
– SOLTA VOCÊ, SUA LOIRA BURRA!
Eu e o Nick separamos as meninas. Quem ficou com o vestido? Ninguém. Por quê? As duas ali o partiram ao meio e a vendedora nos colocou para fora, com direitos a tapas e barraco. Diamont tinha sumido de vista e tratei de procurá-la, porque, sendo quem ela é, é bem capaz de daqui a um minuto o shopping estar destruído por uma bomba. Quando a localizei, reparei que ela estava dentro de uma loja de... Música? É isso mesmo, uma loja de música. Lerman logo falou:
– Gente, vamos com a Diamont ali, porque lá parece mais calmo. — e não havia uma mulher te fuzilando.
Nem esperamos elas responderem, as empurramos para a loja sem nem ligar para os protestos delas. Diamont estava conversando com a vendedora.
– Quanto custa? — ela perguntou impaciente.
– Não está à venda.
Ela revirou os olhos, pegou um maço de dinheiro e jogou na mesa de centro. A mulher arregalou os olhos.
– Desculpe, mas não está à venda, espero que compreenda.
Ela bufou irritada e tirou o dinheiro da mesa.
– Olha só, eu conheço um monte de gente barra pesada, louco por uma boa treta e por sangue, conheço todas as Máfias que você possa imaginar, sei muito bem dar um tiro, tem o pessoal que está aqui do meu lado, e também tem isso. — ela tirou a Magnum 47 que estava na bolsa e colocou na barriga da moça, um ponto discreto que ninguém percebia que tinha uma arma ali.
A moça engoliu em seco e, com a voz trêmula, falou:
– Em que endereço você quer que entreguem?
Sem tirar a arma da mulher, ela anotou um endereço e entregou para a moça. Em seguida, deu um sorriso simpático e disse:
– Tenha um bom dia!
Dito isso, ela guardou a arma e puxou a gente dali. Eu estava pasmo ao ver aquilo.
– O que você fez? Sua maluca! — eu falei parando-a no meio do corredor.
Ela apenas me olhava com indiferença.
– Nada, eu não fiz nada que um membro da IK não faria.
– E se ela chamar a polícia?
Ela deu uma risada com escárnio.
– Se ela chamar a polícia, ela vai estar ferrada, até porque o endereço que eu dei é falso, é de uma casa abandonada que tem aqui perto, eu dou um jeito de pegar lá.
– O que você “negociou”?
– Um CD. A última vez que eu tinha visto, ele era mais caro do que de graça.
Quase tive um treco ali mesmo. Ela olhava para as unhas como se não tivesse nada melhor para fazer da vida.
– Você fez essa confusão toda por um CD?!
Ela deu de ombros.
– Ah, mas não era qualquer CD, era “o CD”! Mozart e Beethoven são clássicos, cara! Admito que também gosto de Joss Stone, mas não vem ao caso meu gosto musical agora. E, mesmo se não fosse, o que eu quero que seja meu, vai ser, de um jeito ou de outro.
Ela se soltou do meu aperto e continuou andando como se nada demais tivesse acontecido ali.
– Sua amiga é louca! — eu afirmei para o Lerman.
– Acho que ela nunca foi minha amiga mesmo...
Apenas dei de ombros.
Depois de Megan e Lucy terem torrado a grana, Diamont ter ficado no tédio só sentada e eu e os meninos termos ficado de saco cheio, finalmente voltamos para a casa. Já era noite quando chegamos e Diamont se virou e falou na maior cara de malandra maluca:
– Certo, eu fiz o que vocês queriam, agora é a minha vez de escolher alguma coisa para fazermos.
Min e Lucy cuspiram a água que estavam tomando ali mesmo, na minha blusa novinha em folha.
– Como é que é? — as duas falaram em sincronia, enquanto eu limpava a água com um guardanapo.
– Vocês vão fazer alguma coisa comigo agora. — ela falou pausadamente.
Já vi merda nisso tudo.
– Que seria...
– Que seria irmos para a balada aqui do lado.
Só quando ela falou isso eu me toquei que tinha uma música alta tocando.
– Balada? — eu perguntei, e ela afirmou como quem diz “Não, gênio, vamos para a Grécia!”.
– É, balada.
Todo mundo começou a protestar, até ela puxar a calibre 50 e dar um tiro na parede com a maior cara de assassina.
– O quê que a gente está esperando? Bora para a balada! — o Nick logo falou.
Diamont pegou um vestido, não me pergunte da onde ela tirou, e foi se trocar. Nós todos sem escolha, de novo nesse mesmo dia, fomos fazer o mesmo. Em menos de trinta minutos já estávamos lá na balada. Cara, aquele lugar era uma putaria danada, tinha gente dormindo em cima da mesa, meninas se jogando para cima da gente, strip tease em um canto mais escuro, a música estava alta, a pista de dança estava lotada, havia uma mesa só com comidas e um bar cheio de drogados.
Diamont foi para esse bar e James foi se pegar com uma vadia qualquer bem do lado do bar, o que fez eu a Lucy e a Min seguirmos a Diamont. Ela pegou um uísque e bebeu tudinho em um só gole. O olhar dela se perdeu em um ponto atrás de mim, desesperadamente ela largou o copo em uma mesa e... E me beijou ali mesmo! Cara, ela beija bem! E eu estava surpreso demais para afastá-la. Ela estava me obrigando a retribuir, por mais que eu não quisesse. James tinha largado da vadia e olhava para a cena como se fosse ter um enfarte ali mesmo e foda-se o mundo, Min estava vermelha de raiva, Lucy estava com o queixo no chão.
– DIAMONT HALE, SOLTA ELE AGORA! — a Megan gritou, chamando a atenção de todo mundo.
Diamont já havia acabado o beijo e revirava os olhos, ela também parecia com raiva de alguma coisa. Lucy e James pareciam que iam ter um piti no meio da festa. Até a música tinha abaixado do nada!
– Por que eu deveria fazer isso? Pelo que eu me lembre, vocês NÃO são namorados, NÃO são ficantes e NÃO confiam um no outro, querida Min. Se confiassem, parariam de calcular cada movimento um do outro, até porque o Riley já é da Lucy, não eram vocês que estavam quase transando no corredor? — ela perguntou retoricamente olhando para nós dois cinicamente.
Megan e Lucy já estavam vermelhas de ódio, Diamont estava indiferente com aquilo – mais ou menos, no fundo dos olhos dela deu para ver o ódio que ela estava sentindo de alguma coisa. Megan se preparou para pular em cima dela, mas eu a segurei com força.
– Calma, Min!
Ela respirou fundo, ainda vermelha.
Todo mundo já havia parado de olhar, quando uma mulher apareceu ali. Era bonita, usava um vestido verde escuro, cabelos negros presos, e tinha um colar que, ironicamente, tinha aquele brasão que tínhamos visto na tela do computador.
– Não foi dessa vez, Diamont. — ela falou sorrindo para a loira, que respirou fundo como se quisesse matá-la.
– Cristine, que desprazer em te ver!
A mesma a ignorou e pegou um vinho que estavam servindo.
– As coisas na IK vão bem, obrigada por perguntar. Sabia que o Sr. Haster andou aumentando o número de missões desde que você foi embora? Acho que todas as que nós estamos tendo eram as que você, The Killer, resolvia sozinha.
Diamont revirou os olhos, fazendo pouco caso.
– Obrigada por me dar esses avisos que mudaram a minha vida. — ela falou com um tom como quem encerra uma conversa, mas a tal da Cristine a ignorou completamente e continuou falando:
– Fiquei sabendo do George, cara, Fluorantimônico! Você precisa me dar umas aulas de como você faz aquilo, foi demais! Quando alguém me der a missão de matar alguém, você me ajuda com isso?
Diamont parecia estar se controlando para não atirar na cabeça da Cristine. Fluorantimônico é um tipo de ácido que derrete os ossos de uma pessoa, deve ser horrível morrer assim.
– Se você calar a boca e ganhar uma viagem só de ida para o inferno, quem sabe.
Cristine nem ligou pro o que ela disse.
– Ah, Diamont, para com esse mau humor! Nossa aposta ainda está de pé, né?!
Diamont se engasgou com o champanhe que estava tomando.
– Aquilo?! Não, eu me nego a fazer aquilo! Tanto é que quando eu estava no Alasca, você, Cristine Sadler, entrou para a minha “pequena” listinha de pessoas as quais eu vou matar. Então, minha filha, corre, porque assim que essa balada acabar, você vai estar morta. Não estou com humor de chamar a atenção e sacar a Magnum 47 aqui.
Cristine nem ligou, essa daí de esperta não tem nada.
– Afs, Diamont, beijar o Sr. Haster nem deve ser tão ruim assim!
Nessa hora eu parei de prestar atenção. Por quê? Pelo simples fato de Claire estar sorrindo malignamente, tanto para mim quanto para Diamont, e dessa vez eu pude ter certeza de que ela era bem real. Depois de um segundo ela desapareceu e eu balancei a cabeça rapidamente.
Cristine pediu alguma coisa e deu para a Diamont, para a Lucy e para a Min. No começo as duas últimas se recusaram a aceitar, mas Diamont foi e tacou os copos nas bocas delas.
Resultado: era uísque, todas ficaram bêbadas da silva, todas já foram ao banheiro pelo menos umas três vezes vomitar e agora todas estão esparramadas no sofá da sala e eu, Nick e James estamos dando uma de enfermeiros
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