Mystery, Dear Mystery
27 Mystery 8 - The fire Killer 3/3
Notas iniciais
Narração por: James Lerman
Megan nos levou a um lugar em que havia luz e começou a ligar para uma pessoa.
– Oi, Ted. — pausa. — Sim, sim, eu sei, preciso que você venha aqui para a sala 349. — pausa. — Ok, mas você ainda sabe mexer nos equipamentos, né?! – pausa, e ela suspirou. — Ufa! Que bom, tchau. – ela então se virou para nós. — Ted vai vir aqui ajudar. Seu irmão era um gênio nesse assunto, não é, Lucy?
Lucy se virou para ela com um sorriso e afirmou. Em menos de um minuto, aquele magricela do Ted estava ali, junto com a tal da Mirella.
– Certo, o quê que tinha dado de problema?
Gregory logo falou:
– O sistema deu piti, começou a fazer maluquices sem ninguém ordenar.
Ted ficou pensativo por um tempo.
– E se... E se não for sem ordenar? E se tiver alguém ordenando eles?
Eu ainda não havia sacado, mas, ao que parece, Megan e Lucy sim.
– IK! — elas falaram juntas.
Sabe, eu estou começando a suspeitar da Dia. Quer dizer, é impossível que todo mundo saiba dessa tal IK e ela não.
– Certo...
Ele começou a mexer em um monte de fios e outras coisas que eu fiquei boiando ali, em seguida pegou um laptop (não me pergunte de onde ele tirou) e começou a digitar um monte de coisas. Ele parecia um hacker maníaco que está procurando a salvação para o universo. Em seguida, veio um monte de códigos, dígitos, essas coisas complicadas, mas Ted travou em uma senha que só dava vermelho, e olha que eu não preciso ser gênio para saber que isso significa “Senha incorreta, tente de novo, seu mané”. Não ia de jeito nenhum.
– Megan, temos um problema aqui. Pelo que parece, a senha de que precisamos não é da DM, é do que quer que esteja controlando o equipamento.
Megan bufou irritada. Cara, ela parece tão irritada quanto a Dia nos dias em que ela não consegue matar uma pessoa ou em que ela é a vítima de alguma tentativa de assassinato ou de um incêndio, essas coisas aí super normais.
– Parece que vamos ter que pedir ajuda para a sua “amiguinha”.
Ela então pegou o celular e discou o número da Dia. E sim eu o sei de cor.
Narração por: Lady Strong
Riley Stones seguiu o barulho do choro até dar em um quarto que estava cercado de chamas. Mas não foi isso que o assustou. O que o assustou foi o fato de Diamont Hale estar em frente à criança. Entre elas havia um buraco enorme que dava direto para as chamas, parecia que ela havia estendido um pedaço de pau para a menina (que devia ter pelo menos uns onze anos) passar. A menina chorava compulsivamente, seu cabelo estava embaraçado, o rosto manchado pelas lágrimas e tinha algumas queimaduras, estava encolhida na parede com medo de tudo e, do nada, Diamont estava com a mão estendida para ajudá-la, mas ela não movia um músculo sequer.
– Os meus pais, eles... — a menina deixou a frase no ar.
Diamont apenas deu um sorriso simpático. Pela primeira vez desde que ela entrou naquela equipe maldita, ela estava se esforçando para parecer doce. Ela olhava para a garota como se fosse uma pessoa carinhosa que sempre estaria disposta a ajudar, o que era definitivamente o oposto do que ela era.
– Não se preocupe, seus pais estão bem, em um lugar melhor. Agora você tem que atravessar. Se não por você, faça por eles, eles não iriam querer que você simplesmente desistisse assim, sem ao menos tentar.
Isso fez a menina levantar o rosto. Diamont continuou com o sorriso doce e meigo. Ela queria salvar aquela menina, nem que para isso ela tivesse que fingir ser o que não é.
Riley se aproximou das duas. Olhando assim, até parecia que Diamont era um santo de pessoa. Parecia que eles tinham todo o tempo do mundo para escapar dali, doce ilusão.
A menina se levantou lentamente do chão, trêmula, e começou a andar no pedaço de pau. Ela não se arriscava a olhar para baixo, sabia que o pau estava rangendo e que provavelmente cederia sobre o seu peso. Quando ela estava quase alcançando a mão de Diamont, a madeira quebrou sob os seus pés, fazendo-a cair sobre as chamas. A última coisa que eles escutaram da menina foi um grito de terror agonizante.
Riley estava em choque e Diamont não estava muito diferente, a única diferença foi que, nesse exato momento, um baque de lembranças voltou à tona. Foi como se o oxigênio tivesse diminuído mais ainda, ela precisou se apoiar nos joelhos para não cair de cara no chão.
– Hey, você está bem? — a voz do Riley a tirou dos pensamentos.
Ela apenas assentiu vagarosamente, em seguida eles saíram dali correndo, mas restava a pergunta: correr para onde? Por mais que eles conseguissem sair do prédio com vida, nunca conseguiriam apagar as chamas que existiam dentro de cada um deles.
Nicholas Trent nunca achou que fosse morrer em um prédio em chamas, mas, ao que parecia, ele estava errado, até porque, se ele não morresse nas chamas, a consciência dele faria o favor de matá-lo. Em menos de trinta minutos, Diamont Hale conseguiu fazer a cabeça de Nick virar de ponta cabeça, e não, ele não está se referindo a The Killer.
Ele continuou a correr chamando pela loira maluca e por Riley e, pela primeira vez, ouviu uma resposta de Riley. Nick correu ao encontro da voz, assim dando de cara com o amigo e com a loira doida da cabeça. Ele a avaliou rapidamente e, quando olhou além dela, viu que uma bola de fogo estava para cair exatamente no ponto onde ela estava, o que o fez puxá-la pela cintura pouco antes de a bola passar por ali. Isso acabou colando os dois corpos, mas ela se desfez rapidamente dele e olhou para uma janela que havia ali.
– Alguém sabe que andar é esse?
Logo os dois entenderam o que a loira queria fazer.
– Isso é loucura, sabe disso, né? — Riley perguntou cruzando os braços.
Ela deu de ombros com aquela cara de “Foda-se”.
– Antes louca do que morta.
Dito isso, Diamont Hale se tacou da janela. Os dois se entreolharam e em seguida seguiram o exemplo da loira.
Como era a sensação de estar em queda livre? Essa era uma pergunta que Nick Trent sabia muito bem como responder: era quase como voar de avião, só que mil vezes mais rápido e sem seu corpo estar preso em nada, é só você com você mesmo.
Assim que os pés de todo mundo tocaram o chão, pareceu que a pressão voltou com tudo. A sorte era que eles estavam no primeiro andar do prédio, mas ainda assim essa queda renderia uma boa dor de pé para todos eles.
Em seguida, o telefone de Diamont começou a apitar. Ela resmungou um “Ninguém sobrevive sem mim nem por um minuto?!” antes de atender.
– Oi, Megan, o que você quer? – pausa para ela bufar irritada. – Desculpe, senhorita, eu estava mais ocupada tentando salvar a minha vida de um trágico incêndio. – pausa. – E como você acha que eu vou saber a merda de senha mesmo? – pausa. – Ah, certo, está explicado. Então quer dizer que você, Megan Jean Hills, está precisando da minha ajuda? – pausa. – Ok, então se vire para descobrir a senha sozinha... – pausa, em seguida uma risada sarcástica da parte da loira. – Ok, ok, eu estou indo aí. – em seguida ela desligou e para os dois ao seu lado: — Sede da DM, agora!
Logo chegaram lá. Nick pensou se era impressão dele ou se a DM estava sem luz, Riley ficou se perguntando o porquê de estar sem luz, e Diamont não estava nem aí para isso.
– Onde fica a sala 349? — Hale se virou para o Trent ao perguntar isso, mas logo se lembrou de que ele nem se lembrava do próprio nome e se virou para Riley.
– Sigam-me. — Riley Stones disse e os guiou para um corredor cheio de quadros e armas nas paredes.
Pararam em uma porta na qual havia escrito bem grande o número“349”.Entraram sem nem bater. Diamont foi logo ao encontro de Ted, mas parou no meio do caminho. Ela pareceu sentir alguma coisa estranha ali, mas ignorou e continuou o seu trajeto, sentou-se e tomou o computador das mãos dele.
James, que estava achando as senhas da Megan difíceis, ficou de queixo caído ao ver a senha daquele negócio ali. Dia alternava entre letras maiúsculas e minúsculas, as letras não tinham uma ordem certa, colocava uns números sem sentido e em seguida usava pontos. Que tipo de pessoa usa pontos em uma senha? Ele estava crente de que ia dar errado, mas o acesso foi liberado. Lucy e Megan suspiraram aliviadas e, quando Ted foi tentar tirar o computador da Diamont, a mesma o segurou com mais força.
– Eu resolvo isso.
Sem esperar uma resposta, a loira começou a digitar e apagar arquivos. Quando ela finalmente acabou, no fundo da tela apareceu uma sigla “IK” e atrás dessa sigla havia um brasão que ninguém, exceto Diamont, conseguiria identificar.
– Então é isso? Essa tal IK existe? — James logo perguntou.
Diamont sentiu seus músculos se contraírem com a pergunta, olhou para Megan e falou:
– Religue o sistema.
Megan obedeceu. Diamont se virou para o James e suspirou.
– Você não tem nada a ver com isso, James.
Lerman sentiu a raiva subir a cabeça dele. Como ela podia simplesmente falar isso?
– Não tenho nada a ver com isso, Diamont, tem certeza? — o tom dele saiu frio.
Diamont se abalou um pouco com isso, mas não demonstrou.
– Existem complicações... — a frase foi cortada por um grito.
– QUE TIPO DE COMPLICAÇÕES? A SUA VIDA EM RISCO? PORQUE É ISSO O QUE VOCÊ É, UMA PESSOA EGOÍSTA, QUE SÓ SE IMPORTA CONSIGO MESMA!
– MINHA VIDA EM RISCO?! ACHA MESMO QUE EU ME IMPORTO SE A MINHA VIDA ESTÁ EM RISCO OU NÃO?! A VIDA É UMA DROGA, É O QUE EU REPITO PARA MIM MESMA TODOS OS DIAS! Existem coisas piores do que risco de morte. — ela falou, abaixando o tom na última frase.
Ninguém se intrometia na briga, até porque eles também queriam saber o que Diamont iria falar.
– Tipo? Olha só, Diamont, eu não sou um idiota, então pare de me tratar como um!
Diamont Hale se espantou com as palavras dele. Nunca, em toda a sua vida, achou que James Lerman era um idiota, nunca mesmo.
– Nunca te achei um idiota, só para constar.
– Mas me trata como um.
Ela o ignorou e continuou, como se nem tivesse escutado.
– IK, Internetional Killers, é uma agência secreta, mais secreta que a DM. Eu meio que “trabalho” lá desde os onze anos, minha família “trabalhava” lá. Fundadora? Diamond Mystery Hale, apesar de ela abominar o primeiro sobrenome. Aí entra a história dos Mysterys, que nem eu sei direito. Diamond era adotada e colocou na cabeça que não recebia amor suficiente e que sua irmã Donna Mystery era a perfeitinha da família, seu ódio só aumentou quando ela descobriu que a idiota da Donna estava com o noivo dela, então, como vingança, criou a IK para ferrar com a DM. Sou tanto agente da DM quanto da IK e claro que sou da Máfia, é isso que você precisa, e pode, saber.
– Noivo?! – perguntou Riley. – Mas que história é essa de noivo?! Donna não disse nada sobre isso!
– Só você mesmo para confiar na babaca da Donna. – bufou Diamont.
– Ela morreu aos dezesseis! Como...
– Cale a boca, Riley. Você não sabe de nada. Você nunca vai saber sobre tudo, nem eu mesma sei. Por que você fala com os mortos? Por que eu também faço isso? Por que sou estranha como sou? Qual o real motivo da criação da IK? Qual é a dessa história dos noivos? Qual a do meu colar com as inicias DH? Por que Diamond não recebia atenção? Por que Donna era a perfeitinha da família? Onde entram Adam e Bradley nisso? Quem criou a DM afinal? Por que esse maldito regime? Mistérios são gerados por mistérios, e teremos que esperar para que essas perguntas sejam respondidas.
– E o que está em jogo para você não poder falar mais nada?
Diamont queria acabar logo com aquela conversa, aquilo com certeza renderia umas boas dores de cabeça para ela.
– O que acha que acontece na IK quando se tem uma calibre 50 e um alvo e a pessoa não acerta o alvo? Ela é colocada presa em uma árvore e chicoteada até querer morrer, em seguida é jogada em uma espécie de cadeia que tem um campo elétrico de força para o caso de tentar fugir. A pessoa é deixada lá como se nem existisse, praticamente sem comida, sem água, sem nada e, depois de uma semana, é tirada de lá e colocada em uma sala especial com vigilância 24 horas por dia, treinando e treinando sem parar para descansar. Quando eles acham que já está bom o bastante, mandam de volta para os treinamentos normais. Já vi casos de pessoas que traíram a IK e foram obrigadas a se matar com as próprias armas. Agora eu te pergunto: o que você acha que está em jogo?
Isso silenciou todo mundo, mas o mais assustador foi que Diamont se mostrou indiferente com a revelação, como se estivesse falando de quem ganhou o jogo de futebol semana passada. Mas a própria Hale se assustou com a sua calma disfarçada, porque por dentro ela sentia como se fosse explodir.
– Já acabou com o interrogatório? — ela perguntou, cruzando os braços impaciente.
James estava chocado com as revelações da amiga.
– O que você tem com o Nick? — Megan se apressou a perguntar.
Ela suspirou cansada e se sentou na cadeira, já prevendo que essa conversa seria longa. Nicholas olhou para a Hale, a mesma revirou os olhos de forma impaciente.
– Quer contar ou conto eu? Porque eu já estou de saco cheio de ficar falando por códigos com você.
Nicholas revirou os olhos.
– Há uns anos atrás, eu recebi a missão de destruir uma família, os Hale. Não sabia o porquê disso, só sabia que eu tinha que fazer, então...
– Então, na noite de Natal, o amiguinho de vocês tacou fogo na minha casa, que agora virou um monte de cinzas mesmo, na esperança de acabar com a minha família. E adivinha? Ele conseguiu, mas ao mesmo tempo falhou. Era para ele ter matado TODOS os Hale existentes, só que, olha! Eu estou aqui! Bem viva, só para constar, então isso quer dizer que a missão dele continua de pé e que, assim que eu sair dessa equipe, ele vai ter que me matar, ou eu tenho que matá-lo primeiro, foi esse o acordo. – Diamont encerrou a narração.
O clima ficou tenso... Todo mundo pareceu encarar todo mundo. Riley estava surpreso com as revelações; James ainda estava em estado de choque; Lucy não sabia o que fazer ali de tão confusa que estava; Diamont estava se achando a pessoa mais burra existente da face da Terra, não foi muito esperto da parte dela revelar uma parte de seu passado; Ted parecia estar prestes a ter um ataque cardíaco; e Mirella estava indiferente com tudo isso, como se estivesse escutado esse tipo de coisas a vida inteira. Megan, que havia voltado e reativado o sistema, e dessa vez tudo estava sob controle, estava pasma, até que ela puxou Riley e Lucy para saírem dali. Todos entenderam que deveriam sair também, deixando somente as duas pessoinhas que falaram tudo cara a cara.
– Sei que isso não é da minha conta, ou pelo menos não parcialmente, mas como escapou do incêndio?
Ambos estavam desconfortáveis ali.
– Não sei. — ela respondeu simplesmente. Ele a olhou com curiosidade e ela logo se explicou: — Desde de criança eu tenho umas espécies de blecautes. Eu não me lembro de metade da minha “infância”, são só peças soltas que tento juntar.
Ele assentiu e depois veio o silêncio. Silêncio que parecia estar matando os dois.
– Se eu disser que estou começando a ficar com remorso, o que você falaria?
Incrivelmente a loira deu uma risada sem humor.
– Eu falaria que você é um idiota, Nicholas.
Eles reviraram os olhos em sincronia.
– Acho que, até o acordo acabar, podemos parar de implicar muito um com o outro, Kath.
Diamont revirou os olhos de novo, mas seria bom fazer isso, pouparia o seu tempo e sua paciência. Aquela pessoa a tirava do sério.
– Por mim tudo bem, Nicholas.
Dito isso, os dois se levantaram. Nicholas estendeu a mão, como aqueles advogados que fecham um negócio. Ela estendeu a mão também e “Fecharam um tratado de paz”.
Megan Hills tinha descoberto a quem pertencia aquele fêmur humano: ninguém menos do que Cassandra Grace. Ao que parece, isso foi uma das coisas mais inexplicáveis que ocorreram na vida dela.
O fêmur pertencia a Cassandra Grace e a DM foi atacada por um vírus mais conhecido como IK. Por que isso está acontecendo? E quais as respostas para todas as perguntas feitas anteriormente por Diamont? O que aconteceu realmente naquela noite na casa dos Hale?
No próximo caso...
“ – AI MEU DEUS!”
(...)
“ – Vou matar todos vocês.”
(...)
“ – Pois é, Min, é a nossa hora.”
“ – Acho que não, Riley. Olhe.”

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